sexta-feira, 28 de Março de 2014

quinta-feira, 27 de Março de 2014

RELÍQUIA DO SANTO LENHO DA SÉ DE ÉVORA

A propósito da época cristã que estamos a viver, vale a pena fazer aqui notícia e trazer à memória um dos tesouros mais emblemáticos da Sé de Évora – a Relíquia do Santo Lenho (na imagem) -, cuja história da sua introdução em Portugal está ligada à Ordem do Hospital de São João de Jerusalém, nomeadamente, à acção do seu Prior Frei Afonso Peres Farinha, que a terá trazido da Palestina, no tempo das Cruzadas.
É por via da história e circunstância da introdução da Relíquia do Santo Lenho em Portugal, nomeadamente em Vera Cruz de Marmelar, Portel (que se pode consultar aqui), onde inicialmente se guardou e onde hoje se encontra parte da mesma, que se compreende a verdadeira história da Relíquia do Santo Lenho da Sé de Évora.
Dispomos já hoje de vários trabalhos sobre ambas as Relíquias, alguns dos quais, nomeadamente no caso da Sé de Évora, no entanto, acabam por se debruçar mais sobre os relicários do que sobre as relíquias, descurando, também assim, a origem e história das respectivas relíquias, em benefício da história dos relicários.
Servimo-nos, pois, de uma descrição feita aquando da Visitação Geral da Ordem de Malta às Suas Comendas nas Províncias da Estremadura e Alentejo, nas Comendas de Santarém, Torres Vedras, Torres Novas e Landal, Vera Cruz e Portel, Elvas e Montoito, em 1744, para dar esta nota.
«Tem esta Igreja uma insigne, milagrosa e venerável Relíquia do Santo Lenho em forma de cruz Patriarcal, embutida num relicário de prata de filigrana formado de custódia com vidro, e se conserva com toda a veneração fechada em um nicho de pedra mármore dourada com capa e cortina com lâmpada de prata quotidianamente acesa, expondo-se no dia da invenção da Vera Cruz de 3 de Maio e da sua exaltação a 14 de Setembro em cujos dias concorre um numerável povo à referida Igreja, como também nos mais dias do ano levado da veneração e fé que têm na Santa Relíquia que é prodigiosa para todos os males e enfermidades e principalmente para os vexados e possessos do Demónio e é tradição antiga de que se faz memória nos Tombos desta Comenda que Frei Afonso Peres Farinha, Prior que foi do Hospital neste Reino trouxera esta Santa Relíquia de Jerusalém no ano de 1271 e que vindo destinada para a Sé de Évora, ao passar por esta localidade, a mula que a trazia não passou adiante. Assim que lhe foi retirada a Santa Relíquia, de repente começou a brotar um canal de água que ainda hoje se preserva com o título de Fonte Santa, e à mesma Sagrada Relíquia se atribui a glória da famosa Batalha do Salado no ano de 1340, aonde a instancias d’El-Rei D. Afonso IV, a conduziu D. Álvaro Gonçalves Pereira, Grão Prior do Crato, e voltando da Batalha foi servida a Magestade do dito Senhor se partisse a mesma Sagrada Relíquia em duas partes iguais ficando uma parte nesta Igreja da Vera da Cruz, e indo a outra como foi para a Sé de Évora de sorte que no seu principio tinha perto de dois palmos de comprimento com dois braços iguais, um no cimo e outro abaixo, o que tudo se declarou nos tombos desta Comenda referindo-se a crónica do dito Senhor e outros autores».

in ANTT - Ordem de Malta, Visitações, Livro n.º 15, folha 364v e seguintes.

De entre todas as relíquias, a mais venerada é sem dúvida a do Santo Lenho, a da Cruz em que Jesus foi crucificado. Descoberta no século IV, em Jerusalém no monte Calvário, por Santa Helena, mãe do imperador Constantino I, foi repartida entre o Oriente e o Ocidente e distribuída ao longo dos séculos em pequeníssimos fragmentos por toda a Cristandade. Até muito recentemente, era preocupação das paróquias possuírem a sagrada relíquia, resguardada em relicários e sacrários especiais e, por vezes conforme as rubricas litúrgicas, substituindo a eucaristia na bênção dos fiéis e, sobretudo, nas procissões com a honra de ser transportada sob o palio.

in Inventário Artístico da Diocese de Évora.

quarta-feira, 26 de Março de 2014

terça-feira, 25 de Março de 2014

Grão-Mestres lusos na revista Super Interessante

A memória deste português conserva-se, bem viva, na ilha de Malta, que ficou marcada pela sua ação e, sobretudo, pelos monumentos que ele fez construir.
Há a Ilha Manuel, o Forte Manuel, o Teatro Ma­nuel – que é hoje o teatro nacional de Malta – e o Palácio Vilhena. Há a estátua do grão-mestre. Há o seu sumptuoso túmulo, na igreja de S. João. Enquanto que, em Portugal, é praticamen­te desconhecida a figura deste por­tuguês, ela continua bem pre­sente em Malta, onde ele viveu e onde governou a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários de S. João, Jerusalém, Rodes e Mal­ta, hoje ainda considerada so­berana, com direito a repre­sen­tação diplomática e com os seus próprios selos postais.
D. António Manuel de Vilhena, que nasceu em Lisboa em 1663 e morreu em Malta em 1732, foi, verdadeiramente, uma grande figura do século XVIII europeu, por mérito próprio e pelas funções que veio a exercer – porque, na altura, a Ordem de Malta ainda tinha um papel importante, não só pe­lo seu empenho em libertar pri­sioneiros e escravos cristãos caí­dos em poder das potências muçulmanas como – ou, tal­vez, sobretudo – pela sua a­ção naval e militar em defesa do Mediterrâneo cristão.
Aquele que viria a ser o 66.º grão-mestre da Ordem nasceu numa família de grandes tra­dições militares, pois era o terceiro filho de D. Sancho Manuel, herói da Guerra da Res­tauração. Ainda mui­to novo, ingressou na Ordem de S. João de Jerusalém (como também é chamada a Or­dem de Malta) e embarcou pa­ra a ilha que lhe servia de se­de. Este foi o início de uma car­rei­ra brilhante, não apenas do pon­to de vista militar, mas tam­bém político e administrati­vo. A sua ação, no entanto, ini­ciou-se como militar e mari­nhei­ro: comandava a galé capitâ­nia da frota de Malta quando foi fe­rido durante um combate con­tra dois navios de Trípoli. Um pouco mais tarde, e ainda só com 24 anos, comandou um dos navios que tentaram a con­quis­ta da península da Moreia (ou seja, aquela parte da Grécia que também é conhecida como Pe­lo­poneso). O seu valor sobres­saiu de tal forma que não tardou a ser nomeado coronel da mi­lícia de campanha e depois co­missário dos armamentos e co­missário das guerras.
Em 1703, D. Frei António Ma­nuel de Vilhena recebeu a no­mea­ção para grande chance­ler da Ordem e, ao mesmo tem­po, era nomeado chefe da “língua” de Castela e Portugal — “língua”, convirá esclarecer, era o no­me que se dava aos gru­pos de cavaleiros, divididos se­gun­do as regiões da sua prove­niên­cia. Mas as nomeações não fi­ca­ram por aqui: depois de assu­mir estes cargos, o cavaleiro por­tuguês passou a ser, ainda, bai­lio de S. João de Acre e go­ver­nador do Tesouro.
 
Transcrevemos supra um excerto do artigo "Grão-mestre de Malta", publicado recentemente na rubrica Super Portugueses da revista Super Interessante. Para breve está igualmente a publicação, na mesma revista, de um trabalho mais desenvolvido sobre os Grão-Mestres Lusos da Ordem de Malta. De resto, para este efeito, deslocou-se já o autor deste à Igreja de Santa Luzia, em Lisboa, e à Igreja Co-Catedral de São João de La Valetta, em Malta, do que nos deu nota recentemente:
«Lembro-me com muito agrado da nossa instrutiva conversa em Lisboa e da visita que tão amavelmente me permitiram à Igreja de Sta. Luzia.
Depois estive em Malta/La Valetta por um dia - é de facto uma cidade monumental, de uma riqueza cultural e civilizacional impressionante. As muralhas são colossais - no estilo das mais imponentes cruzadas. Lá encontrei os sinais dos nossos grão-mestres lusos - bem presentes aliás.
A Igreja/Co-catedral  de S. João - com o seu chão deslumbrante coberto de tombas de vários cavaleiros da Ordem de Malta... é certamente única no mundo e categoricamente a mais bela igreja que alguma vez vi. Assisti a uma missa em maltês - foi uma viagem no tempo, perceber palavras do latim, misturadas com outras que pareciam vindas do árabe, outras claramente italianas e inglesas...tudo rodeado da serenidade imponente das paredes da igreja. Confesso que me comoveu.
Gostei imenso - pena foi ter sido um dia apenas. Calcorreei o que pude, suei a camisa varias vezes, pesavam-me como chumbo as pernas ao fim do dia. Voltaria a fazê-lo!
(...)
Forte abraço e novamente o meu muito obrigado por toda a gentileza e disponibilidade para com este meu assunto.
»

segunda-feira, 24 de Março de 2014

sábado, 22 de Março de 2014

Manuel Pinto da Fonseca e António Manoel de Vilhena - Comendadores e parentes dos homónimos e Grão-Mestres - Manuel Pinto da Fonseca e António Manoel de Vilhena

Confundidos inúmeras vezes, até pela historiografia, os Cavaleiros Comendadores Manuel Pinto da Fonseca e António Manoel de Vilhena, foram, respectivamente, tio e sobrinho-neto dos renomados e homónimos Grão-Mestres Manuel Pinto da Fonseca e António Manoel de Vilhena. É mesmo caso para dizer que, de tão homónimos, quase têm passado por anónimos.
Para ajudar à confusão, o Comendador Manuel Pinto da Fonseca privou com o Grão-Mestre António Manoel de Vilhena e o Comendador António Manoel de Vilhena serviu o Grão-Mestre Manuel Pinto da Fonseca. Assim, desta forma, com esta sequência.
 
Túmulo do Bailio Frei D. Manuel Pinto da Fonseca
Igreja de Santa Cruz, Lamego
Igreja de Santa Cruz
Lamego
Temos então: 1 – Comendador Frei Manuel Pinto da Fonseca; 2 – Grão-Mestre Frei D. António Manoel de Vilhena; 3 – Comendador Frei D. António Manoel de Vilhena; 4 – Grão-Mestre Frei D. Manuel Pinto da Fonseca.
 
1 – Comendador Frei Manuel Pinto da Fonseca. Natural de Lamego. Era Comendador de Moura Morta, Faia e Veade, aquando do Tombo de 1679 e aí se mantinha em 1684. Foi Bailio de São João de Acre. Faleceu em 1727. Os seus restos mortais repousam num túmulo com sua estátua jacente na Igreja de Santa Cruz, em Lamego.
2 – Grão-Mestre Frei D. António Manoel de Vilhena. (nasceu em 1663; faleceu em 1736). Foi o 66.º Grão-Mestre, de 1722 a 1736. Era natural de Lisboa, filho de D. Sancho Manoel de Vilhena, 1º Conde de Vila Flôr, e Dona Ana de Noronha. Os seus restos mortais repousam num mausoléu na Co-Catedral de São João, em La Valetta, ilha de Malta.
3 – Comendador Frei D. António Manoel de Vilhena. (nasceu em 1723) Filho de D. Sancho Manoel de Vilhena e D. Lourença Francisca de Melo; neto de D. Cristóvão Manoel de Vilhena, 2º Conde de Vila Flôr; e sobrinho-neto do Grão-Mestre Fr. D. António Manoel de Vilhena. Em 1745, sendo Comendador de Rossas e Rio Meão, estava ausente na ilha de Malta, onde residia.
4 – Grão-Mestre Frei D. Manuel Pinto da Fonseca. (nasceu em 1681; faleceu em 1773). Foi o 68.º Grão-Mestre, de 1741 a 1773. Era natural de Lamego, filho de Miguel Álvaro Pinto da Fonseca e Dona Ana Pinto Teixeira. Os seus restos mortais repousam num mausoléu na Co-Catedral de São João, em La Valetta, ilha de Malta.
 
Portanto:
 
O Comendador Frei Manuel Pinto da Fonseca era irmão de, entre outros, Álvaro Pinto da Fonseca, que casou com Ana Pereira Coutinho, de que nasceu, entre outros, Miguel Álvaro Pinto da Fonseca, que contraiu matrimónio com Dona Ana Pinto Teixeira, de que descendeu, entre outros, o Grão-Mestre Frei D. Manuel Pinto da Fonseca.
 
De D. Sancho Manoel de Vilhena, 1º Conde de Vila Flôr, e Dona Ana de Noronha, descenderam, entre outros, o Grão-Mestre Frei D. António Manoel de Vilhena e D. Cristóvão Manoel de Vilhena, 2º Conde de Vila Flôr; deste descenderam, entre outros, D. Sancho Manoel de Vilhena, que contraiu matrimónio com D. Lourença Francisca de Melo, de que descendeu, entre outros, o Comendador Frei D. António Manoel de Vilhena.

De uns e outros foram vários os parentes que serviram igualmente a Ordem de Malta, dentre os quais se destacaram também Frei D. João Manoel de Vilhena e Frei Martim Álvaro Pinto da Fonseca, Comendadores, Bailios e Grão-Chanceleres, qualidade em que serviram os seus respectivos irmãos e Grão-Mestres, em Malta, onde faleceram em 1728 e 1757, e se encontram sepultados na Nave da Co-Catedral de São João. 

terça-feira, 18 de Março de 2014

"ORDENS DE CAVALARIA EM BARCELOS"

“Ordens de Cavalaria em Barcelos”, é o tema de uma exposição que se encontra patente ao público na Sala Gótica dos Paços do Concelho do Município de Barcelos, até ao dia 20 de Abril. A Sessão de Abertura da Exposição teve lugar no passado dia 14 e contou com a participação de S.E. o Senhor Coronel António Feijó de Andrade Gomes, Grã-Cruz de Graça e Devoção em Obediência da Ordem Soberana e Militar de Malta.
A Ordem de Malta, como não poderia deixar de ser, é uma das Ordens representadas nesta exposição. Com efeito, teve esta Ordem consideráveis domínios no território dessa hoje bela cidade e maravilhosa região do país, cujas primeiras possessões terão resultado de uma doação datada de 19 de Julho de 1145, através da qual o arcebispo de Braga D. João Peculiar doou aos freires da então denominada Ordem de São João do Hospital e suas instituições, aí representados por «…dommo Pelagio Hospitalis Iherosalem sollicito procuratori…», os bens que Pedro Ourives e esposa edificaram em Braga. Mas, da presença marcante e significativa da Ordem do Hospital de São João de Jerusalém, mais tarde dita também de Rodes e de Malta, há ainda hoje marcas em muitos bens e propriedades do município, com reflexo inclusive no brasão autárquico da freguesia de Arcozelo, no qual figura a cruz oitavada de malta.
Aparece este território referido nas Inquirições de 1220 como «Santo Mamede de Arcozelo», fazendo parte da terra do Neiva, cuja região terá então integrado um couto com largos domínios já então detidos pelos Cavaleiros Hospitalários, por via de diversas liberalidades da Igreja e do Reino, nomeadamente, de Dona Teresa Afonso, filha bastarda de D. Afonso Henriques. Liberalidades que aumentaram e de que se dá nota nas Inquirições de 1290 onde se refere que o "couto de Santa Marta" pertencia à Ordem de São João. Entretanto, Santa Marta veio a unir-se a São João Baptista de Chavão que, por força de uma composição de 1173 havia também passado a pertencer à Ordem do Hospital, com as muitas pertenças da comenda, de que foi cabeça, pelas vizinhanças de Braga. Por outra composição, datada de 13 de Abril de 1216, entre D. Estêvão Soares, arcebispo de Braga, e D. Mendo, prior do Hospital, ficou este com a apresentação da Igreja de Chavão, competindo ao arcebispo a confirmação.
Sobre a denominada Casa Conventual de Chavão, chegou-nos a notícia de que se tratava de um edifício baixo, comprido, de traça simples e humilde, tocando de topo com o adro da igreja matriz. Entre esse edifício e a Igreja, um formoso portão que dá entrada a um largo terreiro interior fechado do nascente pela Residência Paroquial, do sul por dependências da Casa do Comendador, do poente por esta casa e do norte pela igreja e pelo dito portão, com a sua porta em arco, encimado por uma cruz, tendo ao centro esculpida uma outra de Malta e por baixo desta a seguinte inscrição: «ESTA. OBRA. MANDOV. FAZER. O. COMDRO. DE. CHAVAM. FR. ÁLVARO. AONI. DE. SOV-SA. E. AS MAIS. DA. CAZA. DA. REDENCIA. E. CAPELA-MOR».
De Santa Marta, terras da freguesia de Arcozelo, nos arrabaldes da vila de Barcelos, subsiste ainda hoje um velho casarão, que serve de habitação a caseiros, e a alguns campos e bouças circunjacentes. Ao lado desta casa, para o norte, terá existido uma antiquíssima capela com a sua frontaria virada ao poente, pequena, baixa e com um alpendre à frente. Na fachada terá existido uma bela cruz de Malta em pedra, que terá sido piedosamente recolhida no Museu Municipal, aquando da demolição daquela. Entre a capela e a casa também um outro portal, na padieira do qual se podia ler a seguinte inscrição: «ESTA. OBRA. MADOV. FAZER. F. I. DE. FARIA. DE. ANDRADE. COMÊDADOR. DE. CHABOM. E. S. MARTA. FIDALGVO. DA CASA. DEL REI. DOM. SEBASTIOM. NO. SEGVMDO. ANO. QVE. EMTROV EM. REMDA. 1562».
Pelo Inquérito Paroquial de 1758, a freguesia de São João Baptista de Chavão de Malta encontrava-se pertencer à Comarca e termo da vila de Barcelos, Arcebispado Primaz de Braga. O pároco era então Vigário colado, da apresentação in solidum do Comendador da mesma freguesia e Comenda de Chavão e Santa Marta, sua anexa. Era tudo da Sagrada Religião de Malta e o seu Comendador era então o Venerando Frei Bernardo Pais de Castelo Branco, da Vila de Mangualde da Beira.
Foi esta comenda extinta por força do Decreto de 30 de Maio de 1834, no âmbito da "Reforma Geral Eclesiástica", executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837), que ditou a extinção das Ordens Religiosas em Portugal.

segunda-feira, 17 de Março de 2014

CRUZ DA ORDEM DE MALTA NOS BRASÕES AUTÁRQUICOS PORTUGUESES

"CRUZ DA ORDEM DE MALTA NOS BRASÕES AUTÁRQUICOS PORTUGUESES", é um trabalho sobre aspectos heráldicos e históricos de cerca de 80 autarquias portuguesas que ostentam a cruz da ordem de malta como simbolo nos respectivos brasões de armas, na maior parte dos casos em chefe, ou seja, com destaque e relevância entre o conjunto dos simbolos heráldicos que compõem os respectivos brasões. Facto que, de per si, diz bem da memória e importância histórica da presença da Ordem de Malta na maior parte dessas freguesias  e municípios.
Para além da descrição de cada um dos brasões, contempla ainda um pequeno apontamento de enquadramento histórico-administrativo, geográfico e toponímico de cada uma dessas autarquias, bem como nota mais desenvolvida sobre os aspectos mais relevantes da presença da Ordem dos Hospitalários, na maior parte dos casos, contemplando a circunstância e contexto da doação ou aquisição das primeiras possessões até à extinção da respectiva comenda. Contempla ainda idêntico estudo sobre mais cerca de 60 autarquias que, embora integrem hoje terras que outrora foram igualmente detidas pela Ordem, não ostentam a cruz de malta no respectivo brasão.
Deu-se este trabalho por concluído, simbólicamente, no passado mês de Fevereiro, no Mosteiro de Santa Maria da Flor da Rosa, no Crato, onde se deu igualmente por terminado o nosso périplo iniciado em 2004 no Mosteiro de Santa Maria de Leça do Balio, pelas terras que outrora foram povoadas, defendidas e administradas pela Ordem de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta, de cujas tradições hospitalárias, assistenciais e culturais, é hoje herdeira, entre nós, a Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana e Militar de Malta.

segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2014

Conferência no Mosteiro de Flor da Rosa, Crato

No passado sábado, dia 22 de Fevereiro, na Sala do Capítulo do Mosteiro de Santa Maria de Flor da Rosa, no Crato, teve lugar uma conferência subordinada ao tema "De Leça ao Crato: história e legado patrimonial da Ordem de Malta em Portugal". Conferência esta que se inseriu na visita dos alunos do Curso de Arquitectura da Universidade Lusíada de Lisboa que, durante o presente ano lectivo e sob coordenação do Cavaleiro da Ordem de Malta Prof. Doutor Arquitecto Mário Chaves, se encontram a desenvolver um programa de actividades sobre a Ordem de Malta.
A esta conferência, que para além dos referidos alunos e professores, foi muito participada por pessoas e entidades locais, dignaram-se assistir o senhor Prof. Doutor Horácio Bonifácio, Director da Faculdade de Arquitectura e Artes da Universidade Lusíada de Lisboa e S.E. o Senhor Conde de Albuquerque, presidente da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana e Militar de Malta.

Mosteiro de Santa Maria de Flor da Rosa

Prof. Doutor Arqt. Mário Chaves, Senhor Vereador da Câmara Municipal do Crato,
S.E. o Senhor Conde de Albuquerque e o Senhor Prof. Doutor Horácio Bonifácio
Aspecto da Sala do Capítulo durante a conferência proferida pelo Dr. António Brandão de Pinho
 

Visita ao Mosteiro de Flor da Rosa e Vila do Crato

Uma pequena delegação de membros da Ordem de Malta, presidida por S.E. o Senhor Conde Albuquerque, presidente da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses, juntou-se aos alunos do Curso de Arquitectura e Artes da Universidade Lusíada de Lisboa, que, depois da conferência proferida na Sala do Capítulo do Mosteiro de Santa Maria de Flor da Rosa, se deslocaram ao centro da vila do Crato, onde visitaram alguns dos locais e edifícios históricamente ligados à Ordem de Malta.
O pequeno percurso pelas ruas desta pitoresca vila alentejana, na companhia de representantes das autoridades municipais e eclesiásticas locais, teve passagem obrigatória pela Varanda do Grão-Prior e pela Igreja Basílica do Crato, onde a comitiva se deteve mais demoradamente a observar o estado de conservação do património legado pela Ordem de Malta.