À atenção dos interessados, o Arquivo Distrital do Porto (ADP) tem procedido ultimamente à digitalização de vários documentos no âmbito de um projeto apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, incluindo documentos da antiga Comenda de Águas Santas, que já se encontram disponíveis para pesquisa. Clicar sobre a imagem.
História, legado e atualidade da Ordem Soberana Militar e Hospitalária de S. João de Jerusalém, de Rodes e de Malta, em Portugal
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segunda-feira, 10 de novembro de 2025
Documentos da antiga Comenda de Águas Santas
À atenção dos interessados, o Arquivo Distrital do Porto (ADP) tem procedido ultimamente à digitalização de vários documentos no âmbito de um projeto apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, incluindo documentos da antiga Comenda de Águas Santas, que já se encontram disponíveis para pesquisa. Clicar sobre a imagem.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
Da presença da Ordem de Malta em Rio Maior
Recebemos do Excelentíssimo Dr. Bruno de Castro, Presidente do Núcleo de Tomar da Real Associação do Ribatejo, a foto em anexo, que se reporta ao tecto da denominada Casa Senhorial d'El Rei D. Miguel I, sita na rua Serpa Pinto, em Rio Maior.
Perfeitamente perceptível, a cruz oitavada de Malta sob as armas portuguesas, para além de se tratar de uma bela representação, ainda que irregular do ponto de vista heráldico, denúncia a ligação dessa casa à Ordem dos Cavaleiros Hospitalários de São João Jerusalém, de Rodes e de Malta.
Apesar da existência de algumas e importantes comendas nas imediações de Rio Maior, onde a Ordem detinha diversos bens e propriedades, desconhece-se que alguma vez tenha existido uma comenda em Rio Maior, sendo, no entanto, muito provável que Rio Maior tenha sido anexa de alguma das comendas próximas. Com efeito, relata-nos José Anastácio de Figueiredo, a páginas 124 e 125 da sua Nova História de Malta, de 1793, que, já no ano de 1307, possuía esta Ordem em Rio Maior várias vinhas e herdades.
O certo é que esta pequena, mas muito significativa, casa senhorial, esteve ligada à Ordem de Malta e, nomeadamente, ao Grão-Priorado do Crato, de que D. Miguel, que ali terá estanciado aquando da guerra civil, foi Grão-Prior. Ter-se-á dado a circunstância da permanência de D. Miguel nesta casa pelo facto de ser seu partidário o morgado Joaquim Maria, dito capitão do Corpo de Milícias de Rio Maior. No entanto, atendendo às armas pintadas no tecto desta casa, que terá sido vinculada, é muito mais provável que o referido Joaquim Maria ou algum seu antepassado tenha sido oficial do Corpo de Ordenanças dos Caseiros Privilegiados de Malta. Mas, a seu tempo, voltaremos ao tema.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Visita a antigas comendas no distrito de Viseu
Passado o flagelo dos fogos que grassou recentemente no distrito de Viseu,
no passado fim-de-semana estivemos aí de visita a algumas antigas comendas da
Ordem de Malta, nomeadamente, Vila Cova à Coelheira, Sernancelhe e Alcafache.
Do nosso roteiro fez ainda parte uma visita à Ermida do Paiva, uma das mais
belas, ricas e curiosas igrejas por nós alguma vez visitadas. Embora a
historiografia não nos dê certezas sobre a presença da Ordem do Hospital em
Ermida do Paiva, que dista apenas 6 Km do centro de Castro Daire, onde a Ordem
teve bens e direitos, o certo é que não podemos ignorar as cruzes - ditas de
Malta - pintadas no interior daquela igreja, bem como as relações desta com a
Ermida de Rodes, sita na freguesia de Reriz deste mesmo concelho de Castro
Daire, esta sim com ligações mais estreitas à Ordem dos Cavaleiros do Hospital
de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta. Recorde-se ainda que até há bem
pouco tempo se mantinha a tradição do pároco de Ermida, ou qualquer presbítero
de sua escolha, ir em “procissão a modo
de rogação à Capella de N. Senhora de Rodes da freguesia de Reriz, bispado de
Viseu”[1].
Alguns estudiosos, no entanto, referem que a influência da Ordem dos
Hospitalários no Mosteiro da Ermida parece ser evidente.[2]
Ermida do Paiva e Ermida de Rodes, ambas sitas em encostas do rio Paiva, são de
fundação relativamente contemporânea. A primeira a rondar o ano de 1145 e
atribuída ao ermitão D. Roberto; a segunda a rondar o ano de 1141 e atribuída ao
ermitão Leovigildo Peres.
«Casais, foros em dinheiro e
géneros, “muitas herdades e vinhas” possuíam os freires do Hospital nas terras
castrenses. A mais nenhuma outra instituição, a não ser à igreja de Castro
Daire e ao Ermitério de D. Roberto, foi aplicada tal expressão. A seguir à
Ermida, os Hospitalários eram, sem dúvida, a Ordem que mais implantação tinha
por estas bandas.»[3] Das Ordem Militares impunha-se, na diocese de Lamego a de Malta, com as
importantes Câmaras magistrais de Sernancelhe e Vila Cova à Coelheira,
divididas em diversos ramos como os de Fontelo e de Alvelos, pertencentes à
última.[4]
De Ermida do Paiva, onde nos detivemos mais demoradamente, seguimos para a
antiga comenda magistral de Vila Cova à Coelheira, onde visitamos a pequena
povoação e também a povoação de Touro, outrora anexa a Vila Nova à Coelheira,
com a qual formou concelho autónomo.
Entrámos na igreja matriz e observámos a antiga Casa da Comenda, que se
encontra vazia de pessoas e bens, e o pelourinho e casa brasonada no coração do
centro histórico, também parcialmente devoluta. Oxalá que as obras de
recuperação que decorrem lá no alto, na capelinha dedicada a Nossa Senhora, e
que aí no respectivo adro inscreveram traços da cruz oitavada de malta, cheguem
rapidamente àqueles dois edifícios, cuja história se conta a partir da janela
manuelina, no primeiro, e a partir do belo brasão colocado na fachada do
segundo.
De Vila Cova à Coelheira rumamos a Sernancelhe, outrora importantíssima
comenda da Ordem de Malta no distrito de Viseu, onde se destaca em pleno
coração da vila a antiga Casa da Comenda, hoje convertida em solar de turismo
de habitação. A Matriz, no entanto, é o mais significativo edifício da vila.
Não podemos deixar de notar as semelhanças dos modilhões desta igreja com os da
Ermida do Paiva. Há mesmo modilhões com traço comum, como que se fossem
executados pelos mesmos canteiros. A historiografia é consensual em fazer
remontar a fundação desta igreja de traço românico ao século XII, mais
precisamente ao ano de 1172, data inscrita num silhar da cabeceira. 1124 é, no
entanto, a data em que os mais remotos donatários terão atribuído foral à vila e reconstruído a igreja.
Como que a descrever traços da Ermida do Paiva, assim se descreve a matriz
de Sernancelhe: traçado românico,
genuíno e purificado, presente na singular cachorrada que envolve a capela-mor
com uma iconografia obediente aos esquemas do tempo, na cercadura de esferas
que percorre as empenas da ábside, nas multiplicadas siglas e na originalidade
do pórtico, constituído por três arquivoltas. Singulares são os dois nichos que
se abrem de um e outro lado do portal cada um ocupado por três figuras, sob um
dossel, tão fortemente impressivas que nos esquecemos a olhar, a
adivinhar o seu mistério, a celebrar a sua missão de apóstolos. No interior
destacam-se duas tábuas pintadas pelos meados do século XVI (degolação de S. João
Baptista e Anunciação), telas setecentistas, um provável capitel visigótico
utilizado como pia de água benta, a presença de pintura a fresco nas faces do
arco cruzeiro onde se apresenta Nossa Senhora do Rosário (à direita) e Santa
Margarida (à esquerda) datando certamente ainda dos fins dos séculos XIV, quiçá
encomenda do abade Gaspar de Soveral que se fez sepultar no túmulo
quatrocentista, com belíssima inscrição gótica, em destaque na capela
lateral dedicada a Nossa Senhora do Pranto, instituída em 1565.
Gaspar de Soveral, foi 6.º Morgado de
S. Teotónio de Sernancelhe e, depois que enviuvou de Dona Violante de Carvalho,
foi cavaleiro professo da Ordem de Malta, comendador de Sernancelhe e abade da
respetiva paróquia. Antes da reforma encetada já na segunda metade do século XX,
que substituiu nomeadamente o tecto da capela-mor, aí se podia observar um
escudo oval com as Armas dos Soveral sobre a cruz oitavada de Malta, que o
próprio Gaspar de Soveral terá mandado pintar. Da mesma época (finais do século
XVI) é a pedra de armas (aqui sem a cruz oitavada e com Soveral em pleno,
encimado por um coronel de nobreza) que o mesmo também terá mandado colocar na
fachada do seu solar de Sernancelhe, que aí ainda hoje existe e tivemos
oportunidade de fotografar, ainda que à distância a que obrigam os muros do
solar que hoje se encontra devoluto e em acentuado estado de degradação.
De Sernancelhe deslocamo-nos à cidade de Viseu e desta à antiga comenda e estância
termal de Alcafache, nas margens do rio Dão. Foi concelho medieval com vida administrativa
autónoma, sendo, no entanto, tributário do concelho de Azurara, do qual esteve
sempre dependente. D. Manuel I outorgou-lhe carta de foral em 6 de Maio de 1514,
com referências expressas à condição de terra foreira à Ordem de Malta.
De zona termal para zona termal, atravessamos a
cidade de Viseu rumo a São Pedro do Sul, onde estanciamos na Quinta da Comenda,
que integra uma casa do século XII que terá pertencido à rainha Dona Teresa,
cuja propriedade esteve depois ligada à Ordem do Hospital e à importante comenda de
Ansemil até 1834. No jardim, o traçado de buxo recorta uma cruz da Ordem de
Malta, replicada das existentes no próprio solar e em numerosos elementos da
quinta. Aqui demos por findo este nosso périplo por algumas das
mais importantes comendas da Ordem no distrito de Viseu.
[1] CARVALHO, Abílio Pereira de, A Ermida do Paiva, pág.16.
[1] CARVALHO, Abílio Pereira de, A Ermida do Paiva, pág.16.
domingo, 26 de maio de 2013
Visitações Gerais
Este fim de semana revisitámos as Visitações Gerais às Comendas de Barró, Rossas, Frossos, Rio Meão, Vila Cova à Coelheira, Oliveira do Hospital, Trancoso, Aldeia Velha, Covilhã, Oleiros, Álvaro, Estreito, Elvas e Montoito, Vera Cruz e Portel, Santarém, Torres Vedras, Torres Novas e Landal, realizadas na primeira metade do século XVIII.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Visita à antiga Comenda de Arada
Arada é atualmente uma freguesia pertencente ao concelho de Ovar e distrito de Aveiro, com 15,34 km² de área e 3.318 habitantes (2011).
Documentos do princípio do século XIII fazem crer que Arada já existia
como terra povoada, muito antes do seu povoamento oficial no reinado d´El-Rei Afonso
II. As primeiras referências a este povoamento encontram-se relacionadas com a
doação da "Igreja de Samartinho de Erada", à Ordem do Hospital
por Dona Tareiga Rodrigues, em 1220. Foi anexa à Comenda de Rio Meão e extinta
em 1834.
domingo, 31 de março de 2013
Visita à antiga Comenda de Maceda
Maceda é atualmente uma freguesia e vila pertencente ao concelho de Ovar e distrito de Aveiro, com 15,34 km² de área e 3.521
habitantes (2011). Foi elevada a vila a 13 de Maio de 1999.
A presença da Ordem do Hospital nesta freguesia está documentada desde o século XIII.
Existem ainda nos seus limites marcos de granito, datados de 1629, que delimitam a
freguesia a norte e a leste. Foi anexa à Comenda de Rio Meão, situação que
ainda se verificava em 1785. Foi extinta em 1834.sábado, 30 de março de 2013
Visita à antiga Comenda de Mozelos
Mozelos é atualmente uma freguesia pertencente ao concelho de Santa Maria da Feira e distrito de Aveiro, com 5,04 km² de área e 7.142 habitantes (2011).
Contemporânea das demais Comendas que a Ordem deteve nas imediações,
Mozelos tinha anexa a maior parte da freguesia de Santa Maria de Meladas,
extinta no final do século XV, devido a uma peste que dizimou quase toda
a população. Ainda hoje existe aí uma pequena Capela comemorativa da antiga Igreja
Paroquial que aí existiu até ao século XII, bem como alguns marcos nos
limites da Freguesia, com a “Cruz de Malta”. Foi extinta em 1834.
sexta-feira, 29 de março de 2013
Visita à antiga Comenda de Rio Meão
Rio Meão é atualmente uma freguesia pertencente ao concelho de Santa Maria da Feira e distrito de Aveiro, com 6,47 km² de área e 4.931 habitantes (2011).
Foi a Comenda de Rio Meão instituida após uma doação de 1218, em que Fernão Vasques doou à Ordem do Hospital
os bens que aí possuía. Também da Demarcação efetuada em 1630, subsistem
ainda muitos marcos com a data de 1629 e a cruz oitavada da Ordem. Foi esta
Comenda extinta em 1834.
sábado, 9 de março de 2013
ORDEM DE MALTA REGRESSA A VILA COVA À COELHEIRA
No passado mês de Fevereiro foi formalmente constituído um Núcleo do CVOM –
Corpo de Voluntários da Ordem de Malta, em Vila Cova à Coelheira, atual
freguesia pertencente ao concelho de Vila Nova de Paiva e distrito de Viseu.
Este Núcleo, de acordo, com os seus impulsionadores e membros fundadores «…permitirá “o acordar” da ação hospitalária
e presença da Ordem naquela antiga Comenda, com vista ao desenvolvimento das
obras assistências hospitalárias a que sempre se votou e que desde sempre
existiram, também, naquelas terras: a assistência aos pobres e necessitados e
em particular aos doentes e peregrinos».
Recorde-se que Vila Cova à Coelheira - «Cova»
porque se situa num vale entre montanhas e «Coelheira»,
porque nesse vale abundavam coelhos - foi uma das mais antigas Comendas da
Ordem de Malta no nosso país.
O povoamento dessa região
remonta à época pré-romana, período em que os Lusitanos e os Celtiberos
habitavam a zona beiraltina. Vila Cova à Coelheira foi, nos primórdios da
nacionalidade, uma “honra“ de Soeiro Viegas, filho de Egas Moniz, aio de D.
Afonso Henriques. Pouco depois do falecimento do nosso primeiro rei, Vila Cova
à Coelheira foi doada à Ordem do Hospital que, ainda em 1185, aí estabeleceu
uma das suas mais importantes comendas da Beira Alta.
Aumentou esta Comenda de tal
forma a sua importância e benefícios que, em pouco tempo, já outras Comendas
como as de Fontelo e Alvelos lhe estavam anexas e, em 1553, Frei Claude de La Sengle,
48.º Grão-Mestre da Ordem, conferiu-lhe mesmo a categoria de Comenda Magistral
do Priorado de Portugal, ou seja, uma comenda diretamente vinculada ao Grão-Prior
da Ordem, rivalizando nessa região com a Comenda de Sernancelhe, que detinha a
mesma categoria.
Recebeu foral manuelino em 21 de Julho de 1514.
Foi vila e sede de concelho desde o século XIII, ou, XIV, até 1836. Nesta data
foi anexado a Fráguas para passar ao de Castro Daire a 7 de Setembro de 1895.
Restaurado o concelho de Fráguas, com sede em Vila Nova de Paiva, por Decreto
de 13 de Janeiro de 1898, as freguesias que constituíam o concelho de Vila Cova
à Coelheira (Touro e Vila Cova à Coelheira) foram-lhe anexadas.
sábado, 2 de março de 2013
Marcos da Comenda de Rossas, Arouca
Foi há precisamente dez anos que A. J. Brandão de Pinho, então a cursar Direito na Universidade Lusíada do Porto, iniciou a procura e inventariação dos Marcos existentes nos limites da extinta Comenda de Rossas da Ordem de Malta, actual freguesia de Rossas, no concelho de Arouca. Dos 46 marcos levantados e hábitos abertos em 1630, bem como das reposições feitas em 1656, 1702 e 1769, foram encontrados e inventariados 23.
Este trabalho foi a motivação necessária para que se estendesse o estudo a muitos outros aspectos da freguesia de Rossas, sendo hoje apenas um dos capítulos de um trabalho mais extenso epigrafado "Rossas - Inventário Natural, Patrimonial e Sociológico", que o autor está empenhado em fazer dar à estampa até ao próximo dia 22 de Agosto do presente ano. Data em que se assinala o 25.º Aniversário do falecimento de Dom Domingos de Pinho Brandão, bispo auxiliar da Diocese do Porto, natural da freguesia de Rossas, que primeiramente se debruçou sobre as Demarcações da Comenda e os Limites da Freguesia.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Visita à antiga Comenda de Landal
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| Igreja de Landal, com a Cruz de Malta sobre a porta principal. |
Este domingo, estivemos de visita à pequena
freguesia de Landal, pertencente ao concelho de Caldas
da Rainha e distrito de Leiria; uma das mais antigas Comendas da Ordem de Malta
no nosso território.
Com efeito, a presença da Ordem dos
Hospitalários em Landal, "terra landeira" ou montado de sobreiros
espontâneos, cujo fruto é a landa, também dita bolota, remonta aos tempos da
Segunda Cruzada e, nomeadamente, ao tempo da Reconquista de Lisboa, cujo Cerco teve início a 1
de Julho e o seu desfecho vitorioso em 21 de Outubro de 1147, pelas forças de
D. Afonso Henriques (1112-1185) com o auxílio dos Cruzados em trânsito para o
Médio Oriente. Entre estes, encontravam-se os prestimosos Cavaleiros
Hospitalários e Cavaleiros Francos, que viriam a ser beneficiados pelo monarca,
como forma de gratidão pela conquista e encargo de povoamento das terras
conquistadas.
Landal ficou então dividida entre três Hospitalários, a nascente, e
Cavaleiros Francos, que ficaram na metade Poente, a que se chamou "Dos
Francos".
Landal, então dita de Óbidos, constituiu um couto, que começava onde
acabavam os coutos de Alcobaça e ia até ao termo do território de Óbidos. Esta
Comenda era cabeça das Comendas da mesma ordem, situadas em Torres Vedras,
Caixaria, Leiria, Torres Novas e Alenquer, cujos Tombos se guardavam no Landal.
Na
década de 40 do século XVIII, foi esta Comenda Visitada pelo Fr. António de
Vasconcelos, Comendador da Comenda de Ansemil e pelo Doutor António de Sousa
Pereira, Visitadores Gerais das Igrejas e Comendas, por nomeação de Sua Alteza
Sereníssima o Senhor Infante D. Pedro, Grão-Prior do Crato, em 1744.
Segundo a Memória Paroquial de 1785, estava a freguesia do Landal na então denominada Província da Estremadura, Patriarcado de Lisboa, Comarca de Alenquer e Termo da Vila de Óbidos. Era esta freguesia pertencente à Sagrada Religião de Malta e Comendador dela o Bailio e Ilustríssimo Frei Manuel de Távora e Noronha. A igreja matriz, orago ao Espírito Santo, apresentava já então quatro altares. O pároco era Vigário, apresentado pelo respectivo Comendador.
Segundo a Memória Paroquial de 1785, estava a freguesia do Landal na então denominada Província da Estremadura, Patriarcado de Lisboa, Comarca de Alenquer e Termo da Vila de Óbidos. Era esta freguesia pertencente à Sagrada Religião de Malta e Comendador dela o Bailio e Ilustríssimo Frei Manuel de Távora e Noronha. A igreja matriz, orago ao Espírito Santo, apresentava já então quatro altares. O pároco era Vigário, apresentado pelo respectivo Comendador.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
780 Anos do Foral dado à Vila do Crato
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| Aspeto do Foral da Vila do Crato dado pelo Prior e Convento em 8 de Dezembro da Era de 1270 (Arquivo Nacional da Torre do Tombo) |
Assinalam-se no próximo sábado 780 Anos do «Foral da Vila do Crato dado pelo Prior e Convento aos 8 de Dezembro da Era de 1270», ano 1232 da Era Cristã.
Trata-se de um ato e uma efeméride muito importantes para a história e atualidade da Ordem de Malta em Portugal, a que se somam as felizes coincidências da dedicação da própria Igreja Matriz da Vila do Crato e da consagração desse dia pela Santa Igreja à Imaculada Conceição, padroeira de Portugal.
_____________
Apontamento sobre a Sessão que teve lugar no dia 02 de Dezembro, nos Paços do Concelho da Vila do Crato - Comemorar a História do Crato
Não raro, pessoas, entidades e até mesmo alguma historiografia trazem confundida
a Carta de Doação da Vila do Crato à Ordem do Hospital, em 23 de Maio da Era de
1270, com o Foral que, em sequência e com o objetivo de cativar povoadores, foi
dado a esse senhorio do Crato por Mem Gonçalves, Prior da Ordem do Hospital, em
8 de Dezembro daquela mesma Era de 1270.
Este foi porventura um dos primeiros mais importantes atos da Ordem do
Hospital no nosso país, atestando já a sua soberania e traduzindo a importância
que tinha para o Reino.
Assim, importa esclarecer que o primeiro Foral dado à Vila do Crato foi um
ato da Ordem do Hospital e não do rei D. Sancho II, pese embora, em boa
verdade, só tenha sido possível por força da importante doação daquele senhorio
alentejano feita por este Soberano e por força dos privilégios que os Soberanos
seus antecessores e antepassados, seu pai D. Sancho I O Povoador e seu avô D. Afonso Henriques O Conquistador, outorgaram à Ordem, por tão quista e
prestimosa na reconquista de território aos mouros, na sua consequente
defesa e no seu povoamento, bem como na expansão da Fé Cristã.
Este é também um dos mais importantes acontecimentos da História da agradável
e pitoresca Vila do Crato, de que esta muito se deve orgulhar, tanto mais
quando a presença da Ordem de Malta nessa Vila imprimiu um dos seus aspetos de
maior interesse, curiosidade, singularidade e diferenciação.
As entidades civis e religiosas da Vila do Crato
têm vindo a dar provas de estima por estas características e identidade, o que
muito as dignifica e enriquece, porque também muito digna e rica é a história
da Ordem de Malta, cuja tradição e ação se encontra ser hoje continuada pela
Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana e Militar de Malta
(fundada em 1899), única entidade portuguesa herdeira da tradição histórica e
assistencialista da então também denominada entre nós Ordem de São João do Hospital
de Jerusalém, de Rodes e de Malta, comummente referida como Ordem de Malta._____________
Apontamento sobre a Sessão que teve lugar no dia 02 de Dezembro, nos Paços do Concelho da Vila do Crato - Comemorar a História do Crato
domingo, 7 de outubro de 2012
São João de Alporão e Pontével, Santarém
Este domingo, estivemos de visita à antiga Igreja de São João de Alporão, em plena zona histórica da rica cidade de Santarém, cuja fundação se deve à Ordem de Malta, então dita Ordem de São João do Hospital. Depois da tomada de Santarém em 1147, D. Afonso Henriques recompensou os Cruzados que o auxiliaram na reconquista da cidade doando-lhes terras. Os Cavaleiros da Ordem do Hospital, receberam, entre outras, a primitiva Igreja de São João do Alporão como sede de uma comenda. Reconstruiram então o templo que se concluiu ainda em finais do século XII, uma vez que, pouco depois, em 1207, recebeu aí os restos mortais de D. Afonso de Portugal, filho bastardo de D. Afonso Henriques, primeiro Grão-Mestre português da Ordem.
O então dito Mosteiro da Ordem dos Hospitalários de São João de Alporão, provavelmente o melhor exemplar da arte românica no sul do país, manteve-se em posse da Ordem até à extinção das Ordens Religiosas em Portugal, em 1834, sendo que, depois, foi profanado e tomado para fins diversos. Actualmente, continua a servir fins diversos, o que é pena, albergando o núcleo de arqueologia do Museu Municipal de Santarém. Encontra-se classificado como Monumento Nacional desde 1910.
Observámos ainda aquela que terá sido a Casa dos Comendadores, actualmente delimitada da Igreja e transformada em casa particular, pese embora conserve alguns traços desse tempo e, nomeadamente, um brasão de escudo simples com a cruz oitavada de Malta, tal qual se apresenta nos nossos dias, conservado sob a porta daquela que será a principal divisão da casa.
Observámos ainda aquela que terá sido a Casa dos Comendadores, actualmente delimitada da Igreja e transformada em casa particular, pese embora conserve alguns traços desse tempo e, nomeadamente, um brasão de escudo simples com a cruz oitavada de Malta, tal qual se apresenta nos nossos dias, conservado sob a porta daquela que será a principal divisão da casa.
Daqui seguimos para a antiga Comenda vizinha de Pontével, já no concelho do Cartaxo, que andou anexa e muitas vezes rivalizou supremacia hierárquica com esta sua congénere scalabitana, que deixamos para trás ao crepúsculo.
Suava já o Toque das Ave-Marias quando entrámos a visitar a simpática povoação de Pontével, antiga Comenda da Nossa Ordem de São João do Hospital.
Nos tempos da Reconquista era vital assegurar o povoamento de zonas limítrofes de posições importantes, como era o caso de Pontével relativamente a Santarém. Daí que o Rei fizesse doação das terras circundantes, nomeadamente à Ordem Militar de São João do Hospital, que então assim se estabelecia ao redor de Santarém. Como agradecimento pela ajuda na conquista de Lisboa D. Afonso II anexou Pontével, Ereira e Lapa à igreja de S. João de Alporão, em Santarém, constituindo assim a comenda de Ponteval, posteriormente Pontével, que pela sua importância e por ser muito rendosa depressa começou a reivindicar supremacia e se autonomizou. Teve Pontével três forais, o primeiro dado por D. Sancho I em 1194, o segundo pelo mesmo rei em 1195 e o terceiro em 1218 por D. Afonso II.
A Matriz, dedicada a Nossa Senhora da Purificação, remonta a esse tempo, apesar de quase integralmente reconstruída no século XVII. No seu interior podem-se apreciar alguns elementos importantes a remontar aos séculos XVI, XVII e XVIII, como a pia baptismal, diversas pinturas, painéis e, de realçar, os túmulos dos Comendadores do século XVII, dispostos na nave, entre os quais se destaca o de António Botto Pimentel, ao qual se deve a reconstrução da Igreja.
Deitamos ainda os olhos sobre aquele que foi o antigo Palácio dos Comendadores, edifício fronteiro à Igreja Matriz, de que apenas resta a sua grandeza e alguns lintéis de portas e janelas.
Anotamos ainda a orientação dos templos de Pontével e São João de Alporão, semelhante, entre outras, à do templo de São Brás, em Lisboa, também da Ordem (de resto, é actual sede da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses). Todas orientadas para Poente, sendo que as duas últimas se situavam intramuros, junto às respectivas e então denominadas Portas do Sol de Santarém e Lisboa.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Fim-de-semana na antiga Comenda de Rossas
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| Igreja Matriz da antiga Comenda de Rossas, Arouca, Aveiro |
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| Cruz oitavada de Malta nos padroeiros do Portal |
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