domingo, 3 de fevereiro de 2013

Visita à antiga Comenda de Landal

 
Igreja de Landal, com a Cruz de Malta sobre a porta principal.
Este domingo, estivemos de visita à pequena freguesia de Landal, pertencente ao concelho de Caldas da Rainha e distrito de Leiria; uma das mais antigas Comendas da Ordem de Malta no nosso território.
Com efeito, a presença da Ordem dos Hospitalários em Landal, "terra landeira" ou montado de sobreiros espontâneos, cujo fruto é a landa, também dita bolota, remonta aos tempos da Segunda Cruzada e, nomeadamente, ao tempo da Reconquista de Lisboa, cujo Cerco teve início a 1 de Julho e o seu desfecho vitorioso em 21 de Outubro de 1147, pelas forças de D. Afonso Henriques (1112-1185) com o auxílio dos Cruzados em trânsito para o Médio Oriente. Entre estes, encontravam-se os prestimosos Cavaleiros Hospitalários e Cavaleiros Francos, que viriam a ser beneficiados pelo monarca, como forma de gratidão pela conquista e encargo de povoamento das terras conquistadas.
Landal ficou então dividida entre três Hospitalários, a nascente, e Cavaleiros Francos, que ficaram na metade Poente, a que se chamou "Dos Francos".
Landal, então dita de Óbidos, constituiu um couto, que começava onde acabavam os coutos de Alcobaça e ia até ao termo do território de Óbidos. Esta Comenda era cabeça das Comendas da mesma ordem, situadas em Torres Vedras, Caixaria, Leiria, Torres Novas e Alenquer, cujos Tombos se guardavam no Landal.
Na década de 40 do século XVIII, foi esta Comenda Visitada pelo Fr. António de Vasconcelos, Comendador da Comenda de Ansemil e pelo Doutor António de Sousa Pereira, Visitadores Gerais das Igrejas e Comendas, por nomeação de Sua Alteza Sereníssima o Senhor Infante D. Pedro, Grão-Prior do Crato, em 1744.
Segundo a Memória Paroquial de 1785, estava a freguesia do Landal na então denominada Província da Estremadura, Patriarcado de Lisboa, Comarca de Alenquer e Termo da Vila de Óbidos. Era esta freguesia pertencente à Sagrada Religião de Malta e Comendador dela o Bailio e Ilustríssimo Frei Manuel de Távora e Noronha. A igreja matriz, orago ao Espírito Santo, apresentava já então quatro altares. O pároco era Vigário, apresentado pelo respectivo Comendador.

3 comentários:

Anónimo disse...

Caros amigos, sabem porventura para onde foram, depois de terem estado em Landal, os papeis ou livros com as referências aos tombos dessa Ordem?
Quando se diz Memórias Paroquiais, vem o ano de 1785. Não será 1758?
Muito obrigado pela atenção,
Luís Neto

Anónimo disse...

Caros senhores, poderão dizer-me para onde foram os livros dos tombos que dizem ter estado em Landal, designadamente os de Leiria (que me parece terem pertencido à Comenda de Torres Vedras e Novas)?
Antecipadamente grato,
Luís Neto

brandaopinho@gmail.com disse...

Exmo Senhor Luís Neto,

Os Tombos e respectivos Autos pertencentes à Comenda de Torres (Vedras e Novas), foram transferidos para o Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa.
Para aceder aos mesmos, deve solicitar por Casa do Infantado - Grão Priorado do Crato - Tombos e Autos da Comenda de Torres Vedras.

Com os melhores cumprimentos,
António Brandão de Pinho
CGM da OSMM