terça-feira, 4 de setembro de 2007

"Os Hospitalários no Caminho de Santiago"



«A Câmara Municipal de Matosinhos vai realizar nos dias 6, 7, 8 e 9 de Setembro, a segunda edição da reconstituição histórica “Os Hospitalários no Caminho de Santiago”.
Este evento decorrerá no Mosteiro de Leça do Balio e sua envolvente, que se encontram profundamente associados à ordem religiosa-militar dos Cavaleiros de S. João de Jerusalém, conhecida também por Ordem do Hospital, que aqui se fixou no século XII e escolheu este mosteiro como a sua primeira sede em Portugal.
Com esta iniciativa pretende-se reavivar o Caminho Português de Santiago, no Concelho de Matosinhos, bem como realçar o papel importante que o Mosteiro desempenhou no apoio aos peregrinos durante vários séculos.
Esta reconstituição inclui concertos de música medieval, mouraria, falcoaria, saltimbancos, tabernas medievais, malabaristas, dança de época, passeios de burro, torneios a cavalo e muito mais…»

Dia 6 Setembro (5ª feira)
Horário: 19h00 às 24h00

19h00 – Abertura da feira e inauguração do Centro Interpretativo do Mosteiro de Leça do Balio;
20h00 – Demonstração de Aves de Rapina;
22h00 – Concerto de Jordi Savall *
24h00 – Encerramento.

Dia 7 de Setembro (6ª feira)
Horário: 10h00 às 24h00

12h00/15h00/18h00/20h00 – Demonstração de Aves de Rapina;
15h00/18h00/20h00 – Justas Medievais;
15h00 – Mesa Redonda “Os Cavaleiros da Ordem do Hospital em Portugal: Rotas do Património”.
Participação dos Municípios de Matosinhos, Nisa, Portel, Gavião e Sertã**19h00/22h00 – Torneios a Cavalo;
20h00 – Ceia Medieval (Paços do Balio);***
22h00 – Concerto Ensemble Vocal Introitus;
24h00 – Encerramento.

Visitas guiadas ao mosteiro de Leça do Balio – 11h00/ 16h00/ 18h00

Dia 8 de Setembro (Sábado)
Horário: 10h00 às 24h00

12h00/15h00/18h00/20h00 – Demonstração de Aves de Rapina;
15h00/18h00/20h00 – Justas Medievais;
16h00/19h00/22h00 – Torneios a Cavalo;
10h30 – Visita guiada às intervenções arqueológicas na Ponte de D. Goimil;
20h00 – Ceia Medieval (Paços do Balio);***
22h00 – Concerto com Xarnege – música medieval (exterior do Mosteiro);
24h00 – Encerramento.

Visitas guiadas ao Mosteiro de Leça do Balio – 11h00/ 15h00/ 17h00/ 18h00

Dia 9 de Setembro (Domingo)
Horário: 10h00 às 20h00

10h00 – O Caminho de Santiago entre Lugar do Telheiro e o Mosteiro de Leça do Balio;
12h00/14h00/19h00 – Demonstração de Aves de Rapina;
12h00/14h00/18h00 – Justas Medievais;
14h00/19h00 – Torneios a Cavalo;
16h00 – Recriação do Casamento de D. Fernando e D. Leonor Teles ;*
20h00 – Encerramento.

Visitas guiadas ao Mosteiro de Leça do Balio – 12h00/18h00/19h00

· * Gratuito. Lotação limitada. Entrada mediante apresentação de ingresso
· ** Gratuito. Lotação limitada. Entrada mediante inscrição
· *** 40,00 € (adulto) e 30,00 € (criança)


Informações Úteis

- As inscrições prévias e o levantamento de ingressos serão realizados no Posto de Turismo de Matosinhos até 5 de Setembro e posteriormente no recinto do evento, na tenda das informações.

- Passeios de Burro: 2,00 €
- Torneios a Cavalo: 5,00 €

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

De Leça até ao Crato - Rossas (c. Arouca)

Aquela que é a actual freguesia de Rossas, no concelho de Arouca, foi uma das primeiras Comendas da Ordem de Malta em Portugal. Durante muito tempo andaram-lhe associadas as Comendas de Rio Meão (c. Santa Maria da Feira) e Frossos (c. de Albergaria-a-Velha) de que, enquanto tal, foi cabeça de Comenda.
Os aspectos mais emblemáticos dessa pertença encontramo-los na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Conceição, onde ainda hoje se ostenta o brasão do mais renomado Comendador e Grão-Mestre da Ordem, D. António Manuel de Vilhena, a fechar o altar-mor desta referida Igreja.
Nos limites da freguesia, encontram-se ainda cerca de três dezenas dos marcos que delimitavam a extinta Comenda.




segunda-feira, 25 de junho de 2007

Grão-Mestre da Ordem de Malta recebido por Bento XVI

Como é de tradição, no dia dedicado ao patrono da Ordem de Malta, São João Baptista, Fra' Adrew Bertie, Grão-Mestre da Ordem de Malta foi recebido pelo Papa Bento XVI.
Desta feita, em cima da mesa, estiveram as iniciativas da Ordem para a paz no Médio Oriente, as actividades médicas na Africa e América do Sul, assim como as incessantes diligências da Ordem relativamente ao diálogo inter-religioso.
À audiência com Bento XVI, seguiu-se um encontro da Delegação da Ordem de Malta com o Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado.
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Ordem de Malta regressa ao Crato - Novos Membros investidos Cavaleiros
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A vila alentejana do Crato, que no passado foi a sede do Priorado de Malta em Portugal, recebeu mais uma investidura de novos Cavaleiros e Damas da Ordem Soberana e Militar de Malta. Um cerimonial católico que decorreu no dia de São João Baptista, o santo patrono da Ordem de Malta.

Joaquim Mariano Cabaço, Jardim Gonçalves e Alexandra de Cadaval são os mais recentes membros da Ordem Soberana e Militar de Malta. A cerimónia de investidura dos novos Cavaleiros e Damas, os quais foram escolhidos pela Assembleia dos Cavaleiros Portugueses por terem percursos de excelência em comunhão com os ideais da Igreja, decorreu na Igreja Matriz do Crato durante uma celebração litúrgica presidida por D. Eurico Dias Nogueira, arcebispo emérito de Braga. Uma cerimónia bonita e repleta de simbolismo, onde os novos membros da Ordem de Malta cumprem as duas premissas religiosas, essenciais desta nobre instituição: "A defesa da Fé" e "O serviços aos pobres". De salientar a presença dos elementos da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia do Crato, do Infante D. Henrique de Bragança, em representação da Casa Real Portuguesa, e de Ferreira do Amaral, ex-presidente da Causa Real, bem como do violinista Bruno Miguel Martins Ramos, da violoncelista Genoveva Dimitrov e da solista Ana Luísa Cardoso que terminaram a celebração litúrgica com "Jesus bleibet meine Freude", de Bach.




A terminar a missa, o Senhor Coronel António Feijó de Andrade Gomes fez uma ceri-mónia de homenagem aos mortos, à qual se seguiram os toques de silêncio, de mortos em combate e de alvorada, simbolizando o renascer e a esperança, pela Secção de Metais da Banda da Região Militar Sul.

Após a celebração eucarística, o cortejo partiu em direcção ao monumento de D. Nuno Álvares Pereira para proceder à deposição de uma coroa de flores, seguindo-se depois uma visita ao túmulo em Flor da Rosa para uma homenagem. Às 17h30 decorreu uma visita à exposição sobre a Ordem de Malta, patente no Museu Municipal, à qual se seguiu uma sessão evocativa e apresentação de cumprimentos no Auditório Municipal. A visita da Ordem de Malta ao Crato terminou com uma noite cultural na Praça do Município. Um dia diferente na pacata vila do Crato que viveu no dia de Sábado emoções e tradições de outros tempos, fazendo lembrar o peso que este lugar teve como sede da Ordem Soberana e Militar de Malta em Portugal.

Considerando que o Crato é para a Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem de Malta "um lugar emblemático a nível histórico e cultural", o Conde de Albuquerque, actual principal da Ordem, salientou que esta nobre instituição "tem uma finalidade assistencial de progresso espiritual dos seus membros e de apoio aos mais desfavorecidos, aos que sofrem".

São muitas as actividades desenvolvidas pela Ordem em Portugal e que passam pelo apoio aos peregrinos que se deslocam a Fátima para pagar as suas promessas durante os meses de Maio, Outubro e Agosto com postos de atendimento que prestam apoio médico, sanitário e espiritual. Existem depois grupos de damas, cavaleiros e voluntários que apoiam lares de terceira idade em Lisboa, bem como um grupo que apoia o IPO no Porto. No Crato e no Gavião existem grupos de damas, cavaleiros e voluntários que cooperam com as respectivas Casas da Misericórdia e com os lares de terceira idade, em particular. O Conde de Albuquerque revelou ainda que a Ordem vai iniciar a abertura de um consultório para apoio à população desfavorecida em Lisboa, num hospital no centro da cidade. "Basicamente tentamos desenvolver, implementar e realizar obras assistenciais em favor daqueles que mais precisam", salienta. Catarina Lopes, in Fonte Nova


domingo, 18 de março de 2007

De Leça até ao Crato - Águas Santas

A origem de Águas Santas é anterior à formação da nacionalidade, havendo mesmo vestígios que asseguram a sua existência já no século VI. No entanto, o documento mais antigo que se conhece data de 1405 e consta dos registos relativos ao ano 1120 uma referência a Sancta Marya Aquis Sanctis, num foral de doação da cidade do Porto ao Bispo D. Hugo.








domingo, 11 de março de 2007

De Leça até ao Crato - Bailiado de Leça

Embora o documento mais antigo que se conhece com referências ao Mosteiro de Leça do Balio date de 1002, a sua origem suspeita-se remontar ao século X ou mesmo anterior.
Por doação de Dona Teresa, confirmada posteriormente por D. Afonso Henriques, o Mosteiro foi no século XII a primeira sede da Ordem Religiosa e Militar do Hospital que desempenhou papel importante no processo de "reconquista" do território português.
Aqui começa a história da Ordem do Hospital, de Rodes ou de Malta e, também por aqui, se inicia a nossa viagem "De Leça até ao Crato".







De Leça até ao Crato

"De Leça até ao Crato" é uma viagem pelas antigas Comendas da Ordem de Malta, para se ir fazendo. Muitas delas já as visitamos e conhecemos; outras, serão por nós visitadas pela primeira vez. De uma e outras, procuraremos fazer a recolha das marcas mais significativas relacionadas com esta Ordem Religiosa e Militar que, para lém do mais, desempenhou um papel importante na conquista, defesa e administração do território português.

quinta-feira, 1 de março de 2007

Heráldicas - marcas actuais de uma presença passada


Armas - Escudo de ouro, armação de moínho de negro, cordoada do mesmo e vestida de azul, entre cruz da Ordem dos Templários de vermelho e cruz da Ordem de Malta, filetada de negro, em chefe e monte de três cômoros de verde, movente da ponta. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: “CUMEADA “.









Poiares é uma freguesia do concelho do Peso da Régua, com 11,80 km² de área e 918 habitantes (2001). Densidade: 77,8 hab/km².








Armas - Escudo de azul, duas setas abatidas de ouro, cruzadas em aspa e, em chefe, uma cruz da Ordem de São João de Jerusalém, dita de Malta, de prata. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco com a legenda a negro, em maiúsculas : “ MALTA “.




Malta é uma freguesia do concelho de Vila do Conde, com 1,85 km² de área e 1 206 habitantes (2001). Densidade: 651,9 hab/km².


Esta Freguesia, anteriormente denominada de Santa Cristina de Malta nem sempre teve este nome;
Só a partir de 1683 é que se consumou tal designação, pois que, no catálogo dos Bispos do Porto de 1623, ainda se lê o seu antiquíssimo topónimo – Santa Cristina de Cornes.
O documento mais antigo que se conhece data do ano de 1097 e é um título de bens imóveis sitos na Vila Cornias. Este nome nunca agradou aos habitantes desta terra, ainda que se saiba derivar, por certo, do latim Cornus, que era uma pequena árvore frutífera.
Por a palavra se prestar a equívocos, o abade frei Manuel da Costa, que paroquiou a freguesia entre 1683 e 1710, foi o primeiro a usar o seu actual nome precedido do Orago da Freguesia – Santa Cristina de Malta – aproveitando o facto de ser abadia da Ordem de Malta.
A casa que terá sido pertença da abadia da Ordem de Malta, situada na actualmente denominada “ Rua dos Cavaleiros da Ordem de Malta” poderá ser, através dalguns pedestais e seu torreão já em degradação (mas não do resto da casa que indicia construção do Sec. XVIII), o mais antigo testemunho urbano ainda de pé, desta freguesia que se chamou Santa Cristina de Cornes. Desconhece-se porém a data de edificação. (in wikipedia)

Publicações sobre a Ordem de Malta

Ordem Soberana e Militar de Malta, Coordenado pelo Prof. Doutor Martim de Albuquerque, editado em 1999.
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Sumário:
- Obras de Paz, pelo Dr. José de Sousa Mendes
- Peregrinação a Fátima
-Uma Grande ição de Amor, pela Drª Isabel de Albuquerque
- Obras Hospitalares Portuguesas da Ordem de Malta, pelo Engº Luis Pizarro de Castro
- Corpo de Voluntários da Ordem de Malta
-Actividades e Algumas Reflexões, pelo Coronel António Feijó de Andrade Gomes
- Apoio aos Reclusos de Caxias
-Uma Caminhada para o Senhor, pela Drª Isabel de Albuquerque
- Movimento de Apoio às Idosas de Carnide
-Sua História e Obra, por Maria da Conceição de Oliveira Martins
- O Caminho Português de Santiago, pelo Engº João Gomes de Abreu de Lima
- Fundação Frei Manuel Pinto da Fonseca, pelo Visconde de São Jerónimo
- O Estabelecimento de Relações Diplomáticas entre a O. S. de Malta e a República Democrática de S. Tomé e Ptríncipe, pelo Conde de Albuquerque
- A Presença da Ordem de Malta na Expo 98- Requiem por um Cavaleiro de Malta (séc. XVI), por Dom João de Noronha e Ozorio
- Arrendamento das Comendas de Elvas e Montoito, na Ordem de Malta, ao Ourives do Ouro Portuense José Alves Vieira, por Dom Gonçalo de Vasconcelos e Sousa
- Igreja de São Brás e Santa Luzia, Comenda da Ordem de Malta, por D. Ruy Gonçalo de Villas-Boas
- Reconstituição das Provanças do Setecentista Frei Domingos de Morais, pelo Prof. Doutor Luis de Mello Vaz de São Payo
- Noriciário da Assembleia Portuguesa.
Pode ser adquirido aqui

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Frade hospitalário Nicolas Arringhieri e, ao fundo, a cidade de Rodes durante o cerco, em 1480.
Pintura de Pinturicchio, 1504
Catedral de Siena

domingo, 10 de dezembro de 2006

Heráldicas - marcas actuais de uma presença passada

Armas - Escudo de vermelho, um monte cosido de negro saínte de um pé de água de cinco faixetas ondadas de prata e azul; brocante e em pala, um cajado e uma caldeira, tudo de ouro, acompanhado em chefe de duas cruzes da Ordem de Malta de prata. Coroa mural de prata de cinco torres. Listel branco com a legenda a negro: “ CIDADE DE S. MAMEDE DE INFESTA “.
São Mamede de Infesta é uma freguesia do concelho de Matosinhos, com 5,21 km² de área e 23 542 habitantes (2001). Densidade: 4 518,6 hab/km².





Armas - Escudo de verde, ponte de um arco de prata, lavrada de negro, movente dos flancos e de um pé ondado de prata e azul de três tiras; em chefe, cruz da Ordem de Malta entre duas vieiras de ouro. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco, com a legenda a negro: “ CUSTÓIAS – MATOSINHOS “.
Custóias é uma freguesia do concelho de Matosinhos, com 5,78 km² de área e 18 065 habitantes (2001). Densidade: 3 125,4 hab/km². Foi elevada a vila em 1 de Julho de 2003.


Aldoar é uma freguesia do concelho do Porto, com 2,36 km² de área e 13 957 habitantes (2001).
«A Ordem dos Hospitalários, esteve inicialmente sediada em Leça, tendo a Igreja de Aldoar sido integrada no seu território com outras vizinhas. Mais tarde, com a transferencia da sede para o Crato, a povoação de Aldoar ficou fazendo parte da Comenda de Leça, que em 1571, passou a Balio
(Leça do Balio). Entretanto a Ordem dos Hospitalários tinha mudado de nome para Ordem de Malta. O seu símbolo permanece em vários locais da freguesia. Quando apareceram em Portugal os morgadios, Aldoar foi integrada no Morgado de Bouças e no seu julgado. Ao longo dos séculos a freguesia com as suas herdades as características rurais e as tradições agrícolas, recebendo também influencias do mar. Como área periférica do Porto, viveu alguns acontecimentos históricos, que afectaram a Cidade, entre eles as Lutas Liberais.
A partir dos finais do séc. XIX, processa-se a integração de Aldoar no Porto, levando progressivamente à redução do número de herdades.» in site da Junta de Freguesia de Aldoar.
Armas - Escudo de vermelho, cruz da Ordem de Malta entre duas espigas de milho de ouro, folhadas do mesmo; em chefe, uma mitra de prata com seus fanhões, lavrada e forrada de vermelho e, em ponta uma bota de ouro. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro em maiúsculas : “ESCAPÃES“.
Escapães é uma freguesia do concelho de Santa Maria da Feira, com 5,44 km² de área e 3 028 habitantes (2001). Densidade: 556,6 hab/km².

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Contribuição Maltesa para a Arquitectura Barroca em Portugal II

Contributos de Carlo Gimach
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Carlo Gimach veio para Portugal entre 1695 e 97 e por cá esteve até 1712. Os dados que inventariaremos seguidamente provam que deve ter desempenhado um papel muito importante na nossa cultura arquitectónica.
De acordo com vários testemunhos coevos publicados por Ayres de Carvalho, Gimach veio para Portugal ao serviço do Bailio Montenegro com o propósito de fazer o projecto de ampliação de uma casa-torre medieval (a Torre de Nevões) que este cavaleiro possuía em S. Salvador do Taboado (Marco de Canavezes). Montenegro promoveu outras obras na região de Lamego, mas na Torre de Nevões não existe hoje qualquer vestígio reconhecível de obras executadas na transição do séc.XVII para o séc.XVIII. É provável que a morte de Montenegro, ocorrida em 1696, e a ruína da família (documentada por Ayres de Carvalho) tenham impedido o início efectivo dos trabalhos.
Voltamos a encontrar Gimach anos depois (em 1703) fazendo o projecto de remodelação da igreja das freiras cistercienses de Arouca, situada no arcebispado de Lamego, de grande influência da Ordem de S. João. A intervenção do projectista maltês está documentada seguramente por vários testemunhos da época publicados por Ayres de Carvalho.
Pedro Dias, que estudou o grande complexo conventual de Arouca, detectou lá três campanhas de obras «modernas»: no século XVII, entre 1704 e cerca de 1730, na metade final do século XVIII. Gimach teria intervido na segunda campanha, projectando a igreja e o grande coro das freiras.
Na nossa opinião, fez também o projecto da sala do capítulo, do claustro e de duas escadas. Os projectos não foram executados sob sua supervisão (o claustro, aliás, só foi terminado no século passado) e isso explica a interpretação «chã» feita, por exemplo, da ordem superior da igreja (em estípites inéditas na arquitectura portuguesa) ou das molduras decorativas quadrangulares das paredes correspondentes à ordem inferior. A igreja em si, de nave única, galerias laterais de comunicação (necessárias a um convento de freiras) e profundo coro aberto para a nave por um magnífico arco abatido, não é tipologicamente inovadora; apresenta-se como mais um dos muitos traços da «domesticação» a que era sujeita pela cultura arquitectónica portuguesa a intervenção de arquitectos estrangeiros - cuja acção, como sucedeu em Arouca, se fazia notar essencialmente a nível de recursos decorativos. Mas em obras menos marcadas pela tradição tipológica, a inovação podia manifestar-se; foi o que sucedeu em Arouca com duas escadas projectadas por Gimach. Voltaremos a elas adiante.
No abobadamento da nave e da grande sala do capítulo Gimach mostrou a sua mestria nos projectos para cobertura de grandes vãos. Mas tal não sucedeu apenas em Arouca.»
in "Portugal e a Ordem de Malta...", de Martim de Albuquerque, 1992, pág. 324.

domingo, 8 de outubro de 2006

Conferência divulga influência da Ordem de Malta

Tal como já havia divulgado, teve lugar na tarde de ontem, na antiga Comenda de Rio Meão, uma conferência sobre a Ordem de Malta.



quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Conferência divulga influência da Ordem de Malta

A Cruz de Malta é um dos símbolos que identificam Rio Meão, mas cujo significado é ainda algo nebuloso para o comum dos cidadãos da freguesia. É com o objectivo de abordar a influência da Ordem Militar de Malta na história da vila, que deixou diversos vestígios, que a Junta de Freguesia local e a Câmara Municipal organizam um conjunto de iniciativas, este fim-de-semana, das quais se destaca uma conferência, no sábado, às 16h30 no auditório da Igreja de Rio Meão.
A conferência, moderada por Francisco Ribeiro da Silva, reúne vários especialistas. Paula Pinto apresentará uma “Breve História da Ordem dos Templários”; David Simões Rodrigues produzirá uma intervenção sobre “A Comenda de Rio Meão da Ordem de Malta”, enquanto António Feijó se deterá fundamentalmente sobre “As Actividades Hospitalárias da Ordem de Malta nos Dias de Hoje”.
A organização reserva para domingo outras iniciativas. Pelas 11h00, na igreja local, o bispo auxiliar de Lisboa, Carlos Azevedo, presidirá a uma missa solene, que conta com a participação do Coro da Madalena. No mesmo local, mas à tarde, tem lugar um concerto pela Orquestra Sinfónica de Jovens de Santa Maria da Feira, Escola de Música de Perosinho e Coro da Academia de Música de Viana do Castelo.

Contribuição Maltesa para a Arquitectura Barroca em Portugal

«O interesse do tema das relações artísticas entre Portugal e as «pátrias» da Ordem de S. João (Rodes e Malta, essencialmente) só de forma lenta vem sendo compreendido pelos historiadores da Arte e da Arquitectura portuguesas.
A questão foi abordada por Ayres de Carvalho no início dos anos 60 e por Robert Smith um pouco depois, mas não houve em qualquer dos dois casos uma preocupação globalizante. Ayres de Carvalho interessou-se apenas pela vida e obra de um artista maltês (Carlo Gimach) e Smith pela estadia em Malta de Nicolau Nasoni.
Mais recentemente, Rafael Moreira adiantou alguns dados inéditos sobre a presença em Portugal, no século XVI, de engenheiros militares ligados à Ordem de S. João e à ilha de Malta (Gabriel Tadino de Martinengro e Benedito da Ravenna, entre outros).
Entretanto, em Malta, Michael Ellul aprofundou a investigação sobre Carlo Gimach e divulgou algumas das suas conclusões, as quais, recortadas com os resultados da pesquisa de que nós próprios vimos procedendo sobre a obra de Gimach em Portugal, permitem já uma apreciação completamente nova do papel desempenhado por este arquitecto e artista maltês no nosso país.
Limitando o nosso campo de discussão ao século XVIII, faremos aqui um breve resumo de tudo o que se sabe das relações arquitectónicas directas entre Malta e Portugal, acrescentando, quanto a Gimach, vários dados inéditos e algumas hipóteses.
A importância para Portugal da cultura arquitectónica de Malta no período barroco começou a adivinhar-se quando, no final do século XIX, um erudito local abriu um velho armário do Mosteiro cisterciense de Arouca e descobriu curiosa inscrição feita numa das suas portas em 1718: aí se dizia que a arquitectura da igreja conventual fora reformada anos antes pelo «architecto italiano Carlo Ginac».
Cedo se determinou que o artista se chamava afinal Gimac (grafia utilizada em Portugal para o nome Gimach) e era de Malta, não de Itália.
Carlos Gimach nasceu em Malta em 1651 e faleceu em Roma em 1730. Educado nesta cidade pelos Jesuítas na década de 1670, em pleno período do Alto Barroco romano, veio para Malta pôr-se ao serviço de dois Cavaleiros portugueses da Ordem de S. João, ricos aristocratas do Douro e da Beira como muitos outros que, fixados em Malta na corte dos Grão-Mestres, patrocinaram parte da boa arquitectura maltesa dos séculos XVII e XVIII: Gaspar Carneiro (act. em Malta 1678-1696) e António Correia de Sousa Montenegro (em Malta pelo menos desde 1647, f. 1696), ambos Chanceleres da Ordem e Bailios de Leça.».
in "Portugal e a Ordem de Malta...", de Martim de Albuquerque, 1992, pág. 319 e ss.