quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Sobre o estabelecimento dos Cavaleiros de S. João de Jerusalém e de Rodes em Malta

Plano da cidade de La Valetta
1680

Grão-Porto, Ilha de Malta
1801
Há precisamente 483 anos, depois de perderem o domínio sobre a ilha de Rodes (que abandonaram, ainda que, com honras militares, em 01.I.1523) e se estabelecerem temporaria e sucessivamente em Viterbo, Nice e Siracusa, os Cavaleiros Hospitalários de S. João de Jerusalém e de Rodes fixaram-se na ilha de Malta, ao abrigo do acordo celebrado com o imperador Carlos V e a aprovação do Papa Clemente VII.
Ao passo que se deu continuidade à luta contra os infiéis, também se verificou um crescente desenvolvimento da ilha, cuja defesa também era preciso acautelar, principalmente após o ataque perpetrado em 1565 pelas forças do sultão otomano Solimão, com o objectivo de exterminar a Ordem. Apesar da enorme frota turca, com quatro vezes mais o número de homens, e da particular severidade da luta que durou de Maio a Setembro desse ano, sairam vitoriosos e motivados os Cavaleiros de S. João de Jerusalém. Razão pela qual insistiram em manter essa sua posição em Malta.
 
Cerco Otomano a Valetta
1565
Foi então que o Grão-Mestre Jean Parisot de La Valette ordenou que se desse início ao plano de construção de uma cidade fortificada. Este projecto recebeu o apoio do Papa Pio V e o patrocínio do rei de Espanha, Filipe II, que disponibilizaram os seus serviços de engenharia militar para a concepção da cidade e das suas estruturas defensivas. Os trabalhos começaram em 1566, com a construção dos bastiões, procedendo-se depois à construção dos edifícios mais importantes. Volvidos apenas dois anos, estavam já concluídos os trabalhos de fortificação. Em homenagem ao Grão-Mestre La Valette, a cidade recebeu o nome La Valetta.
A fortificação foi traçada pelo arquitecto italiano Francesco Laparelli, que deixou Malta em 1570, enquanto que os principais edifícios, como a Igreja de São João, o Palácio do Grão-Mestre e Sacra Infermaria e os albergues de hospedagem aos Cavaleiros da Ordem, foram traçados pelo arquitecto maltês Gerolamo Cassar, que lhes imprimiu o estilo maneirista.
Bastião da Cristandade, materializado na fortaleza que rodeava a cidade, La Valetta logo se revelou um local seguro e atrativo, que muito cresceu em termos populacionais e patrimoniais durante o século XVI.
 
Para o crescimento populacional e patrimonial de La Valetta, bem como para o bom nome da Ordem de Malta, contribuiram também três dos quatro ilustres portugueses que ocuparam a dignidade de Grão-Mestres da Ordem. D. Frei Luíz Mendes de Vasconcelos, de 1622 a 1623, D. Frei António Manoel de Vilhena, de 1722 a 1736, e D. Frei Manuel Pinto da Fonseca, de 1741 a 1773, cujos monumentos funerários se podem observar na Co-Catedral de S. João, em La Valetta.
 
Os Cavaleiros Hospitalários de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta, permaneceram na ilha até ao dia em que Napoleão, traiçoeiramente, atacou a Ordem "no seu coração", obrigando o Grão-Mestre Ferdinand Von Hompesch, que lhe terá dado porto-salvo para reabastecer os navios enquanto se dirigia para o Egipto, a capitular. Fonte e Imagens: Wikipédia.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

À conversa com S.E. o Embaixador da Ordem Soberana de Malta em Portugal, Dr. Miguel de Polignac Mascarenhas de Barros

Correspondendo a um nosso desafio para, de forma informal, conversarmos um pouco sobre a história, legado e actualidade, bem como sobre a acção diplomática da Ordem de Malta, fomos recentemente recebidos por S.E. o Senhor Embaixador da Ordem em Portugal, Dr. Miguel de Polignac Mascarenhas de Barros, no Forte da Cruz, edifício acastelado sobranceiro à famosa praia do Tamariz, no Estoril.

Forte da Cruz, Estoril
Apesar da magnificência que caracteriza o Forte da Cruz, residência de Verão do actual Embaixador da Ordem Soberana de Malta em Portugal, como se pode ler na placa existente na entrada principal e adivinhar pelo pavilhão da Ordem frequentemente hasteado na torre altaneira, foi em ambiente de grande informalidade e simplicidade que Miguel de Polignac Mascarenhas de Barros fez questão de nos receber.

A nossa conversa começou logo ali ao fundo da escadaria principal, com a curiosidade apontada para a sigla "MB" de Mascarenhas de Barros, em lugar de brasão, que ao ritmo que fomos subido e depois percorrendo cada uma das divisões do segundo andar, serviu de mote a uma pequena deambulação pela história do Forte e da família paterna do nosso ilustre anfitrião, cujo coração futebolístico palpita moderadamente e se reparte entre o Estoril e o Belenenses, clubes das zonas em que viveu a sua juventude.

O Forte da Cruz foi edificado sobre as ruínas do forte de defesa da costa atlântica do século XVI, que se denominava então por Forte da Cruz de Santo António d'Assubida.  Foi mandado construir por João Martins de Barros, seu bisavô paterno, por volta de 1893 e a traço do arquitecto italiano Cesar Ianz, que lhe imprimiu um estilo neo-medieval de inspiração Toscana, como nos contou detalhadamente Miguel de Polignac de Barros.
Dr. Miguel de Polignac Mascarenhas de Barros
É com os raios apontados ao Forte que o Sol se põe no mar, encandeando parcialmente as vistas sobre Cascais. Vislumbra-se, no entanto, logo ali a dois passos, o famoso Colégio dos Salesianos que Miguel de Polignac Mascarenhas de Barros frequentou depois de chegar de Paris e aprender português com a tia paterna que então habitava o Forte. Polignac, como em breve ficaria conhecido entre os seus colegas de escola, é natural de França, onde alguns dos seus ascendentes maternos ocuparam lugares destacados na Associação dos Cavaleiros Franceses da Ordem de Malta.

Foi por isso muito natural o seu ingresso na Ordem, logo que atingiu a maioridade para o efeito. No entanto, apesar de natural, o ingresso na Ordem não constituiu um adquirido sem importância, mas, correspondendo a uma tradição de família, constituiu também um desafio e uma convicção, de forte carga humanista, como, de resto, o seu percurso o veio a confirmar. Referiu-nos, com evidente orgulho e espírito de missão, que servirá a Ordem, dando o melhor que puder e souber, enquanto os seus responsáveis máximos assim o entenderem.

Acto Oficial de Entrega das Cartas Credenciais a S.E. o Senhor Presidente da República
Antes de ser nomeado Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário, pela entrega das Cartas Credenciais a S.E. o Senhor Presidente da República Portuguesa, Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva, em 10 de setembro de 2008, foi Primeiro Secretário (1980), Conselheiro de Embaixada (1998) e, depois, Encarregado de Negócios da Ordem Soberana de Malta em Portugal. Percurso que faz de Miguel de Polignac Mascarenhas de Barros, formado em Direito pela Universidade Clássica de Lisboa, um diplomata de carreira, cujas precedências lhe conferem também o estatuto de um dos membros mais autorizados do actual corpo diplomático acreditado em Portugal. Actualmente acumula ainda o cargo de Representante Oficial da Ordem Soberana de Malta junto da Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP).

Por isso, foi com redobrada emoção e muito orgulho que correspondeu ao desafio de nos falar da história e, nomeadamente, dos 900 Anos sobre o reconhecimento pela Santa Sé que a Ordem está a comemorar este ano. Salientou-nos este aspecto, como um dos mais relevantes e um dos que mais responsabilidade acarreta para as funções que desempenha. Tanto mais quando são poucos os Embaixadores que carregam a responsabilidade de representar 900 Anos de História, de acção em prol dos mais desfavorecidos e desvalidos.

A Soberania é, no entanto, a característica que mais destaca na Ordem de Malta, estatuto que a equipara a um Estado Soberano e faz desta Ordem uma entidade de Direito Internacional Público, que se tem afirmado ao longo da história, um pouco por todo o Mundo, principalmente por onde grassam as fragilidades e carências humanas, decorrentes de calamidades, conflitos beligerantes e catástrofes naturais. “Campos de Batalha” onde sempre se afirmou como aliada dos mais desprotegidos e intermediária preponderante em muitos conflitos, mormente por força da posição de neutralidade que adopta em cenários desta natureza, atuando como organização humanitária internacional.

Sua Excelência, falou-nos ainda da importância da Ordem para Portugal, pelas conhecidas razões históricas, em que foi imprescindível no auxílio à reconquista, povoamento e defesa do território, mas também pela administração de muitas terras e bens que se manteve entre nós até 1834. Mas, também hoje, nomeadamente no actual contexto de dificuldades económicas e sociais. A Ordem, dada a sua implantação mundial, consegue sempre estabelecer contactos e firmar pontes internacionais com vista à superação de necessidades, nomeadamente através da acção dos seus milhares de membros e voluntários, que tantas vezes se assumem como a força necessária à superação de problemas pontuais e resolução de situações concretas, de que nos deu inúmeros exemplos.

Quanto à representação e acção da Ordem no nosso país, Sua Excelência salientou o facto de existir em Portugal Embaixador acreditado, mas também uma Associação, herdeira das tradições hospitalárias, assistenciais e culturais dos Cavaleiros Hospitalários de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta: a Assembleia dos Cavaleiros Portugueses. No entanto, frisou, trata-se de duas entidades autónomas. De resto, há países onde existe embaixador acreditado e não existe associação nacional, e vice-versa. Mais salientou que o seu estatuto de Embaixador, cujas funções principais são as tarefas de negociar, informar e representar, não lhe permite interferir na acção e assuntos da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses, mas apenas colaborar com esta. O que procura fazer sempre que para esse efeito é solicitado e convidado. E faz com orgulho e empenho também pessoal, muitas das vezes envergando as suas vestes e insígnia de Cavaleiro Grã-Cruz de Honra e Devoção, como fez questão de nos referir. Para Miguel de Polignac Mascarenhas de Barros, o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela Assembleia dos Cavaleiros Portugueses é absolutamente irrepreensível e merecedor de todo o empenho e reconhecimento por parte dos seus membros e da sociedade em geral. Neste ensejo deu-nos nota, por exemplo, da qualidade e diversidade das inúmeras actividades que a Assembleia tem levado a efeito neste contexto das Comemorações dos 900 Anos da Bula Piae Postulatio Voluntatis de Sua Santidade o Papa Pascoal II.

A participar numa Cerimónia Religiosa, ladeado por S.E. o Senhor Conde de Albuquerque
e pelo Dr. João Pedro de Campos Henriques, Presidente e Secretário do Conselho da
Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana Militar de Malta

É hoje evidente a maior visibilidade da Ordem no nosso país e isso deve-se, em grande parte, ao trabalho realizado e inúmeras parcerias desenvolvidas pela Assembleia dos Cavaleiros Portugueses, cujo Conselho é presidido de forma empenhada e dedicadíssima pelo Senhor Conde de Albuquerque, Dom Augusto de Albuquerque de Athayde.

Daqui talvez uma das razões pelas quais não se tem ouvido falar em falsas Ordens, questão que requereu o maior empenho numa altura em que a Ordem não tinha tanta visibilidade e fez com que emergissem tentativas de aproveitamento do seu bom nome e tradição, com intuitos menos claros. Como também quase já não existem hoje as confusões propositadas sobre as características e estatuto próprio da Ordem de Malta, bem como o seu posicionamento relativamente à Igreja. E o mesmo se ressalve a propósito da relação com as demais Ordens de Cavalaria com representação em Portugal, cuja convivência tem sido salutar e pacífica. Isso deve-se a uma maior divulgação e uma crescente e progressiva participação da Ordem em inúmeras actividades de caracter religioso, histórico e cultural, nos últimos anos.

E eis a pergunta inevitável: Estamos perante uma Ordem elitista? Miguel de Polignac Mascarenhas de Barros não se mostrou minimamente incomodado com a pergunta. De resto, surpreendeu-nos mesmo ao afirmar que talvez sim. Talvez estejamos perante uma Ordem elitista, ou melhor, uma Ordem de génese elitista, como fez questão de frisar. E talvez seja essa a razão da Ordem perdurar tantos séculos, renovando-se e adaptando-se constantemente. Mais referiu ficar sempre surpreendido por uma certa tendência em colocar este rótulo aparentemente pejorativo, em vez de se privilegiar o facto de em torno de uma instituição carregada de história e tradição se congregarem pessoas comuns e individualidades de prestígio académico, profissional e social, com o objectivo assumido de contribuir para auxiliar os mais desfavorecidos e carenciados, com os mesmos propósitos de sempre - obsequium pauperum (serviço aos pobres) et tuitio Fidei (protecção da Fé) -, mas, agora, sem os privilégios e benefícios de outrora.

Quanto ao mais, é natural que uma Ordem de Cavalaria como é a Ordem de Malta, que começou justamente por procurar congregar pessoas de posses, armas e cavalos, para proteger os peregrinos, acolher os mais desprotegidos e lutar pela Fé Cristã - mantendo a tradição que a fez subsistir até aos nossos dias -, conserve também ainda hoje algumas características restritivas no que diz respeito ao recrutamento dos seus membros. Faz parte da tradição e características próprias de uma Ordem desta natureza.

Entretanto, a cor gradiente do crepúsculo vespertino toma o Forte da Cruz e dita o fim desta agradável conversa, que, apesar do esforço pela informalidade e descomprometimento, acabou por ser orientada pela carga de seriedade que os assuntos próprios da Diplomacia e da Ordem carregam.

Saiu o Senhor Embaixador da Embaixada, mas a Embaixada dificilmente saiu do Senhor Embaixador. Mais do que a conversa que queríamos que fosse, acabou por ser a conversa que tinha de ser. Acontece-nos assim quando nos deparamos com pessoas que não se servem das instituições, mas antes que as vivem e procuram servir todos os dias. E isto é tão mais significativo, quando muitos dos destinatários da acção primordial da Ordem de Malta fazem por sobreviver dia após dia e cada um dos dias mais que vivem é sempre uma vitória. Pelo que servir a Ordem não se compadece com acções e actividades pontuais, mas antes com uma dedicação constante e activa.


Chancelaria da Embaixada da Ordem Soberana de Malta em Portugal, Lisboa
Residência Oficial de S.E. Embaixador Dr. Miguel de Polignac de Barros
A Soberania da Ordem Soberana Militar e Hospitalária de Malta é hoje reconhecida por mais de 125 Estados, com os quais estabelece relações diplomáticas ao nível de Embaixador. Entre as principais competências do Corpo Diplomático inscreve-se a avaliação dos problemas humanitários internacionais, mantendo deles informado o Grão-Mestre e o Governo da Ordem.

No caso de Portugal, a Ordem é actualmente representada por Embaixador residente e possui Chancelaria com sua sede oficial, em Lisboa. As relações diplomáticas com a Ordem tiveram o seu início em 1951, com o reconhecimento do direito e a criação de uma Legação da Ordem em Lisboa, com o Ministro Plenipotenciário Conde Alviso Emo Capodilista. A reciprocidade concretizou-se em 1962, com S.E. o Embaixador Dr. António Augusto Braga Leite de Faria, que acumulou com a de Embaixador junto da Santa Sé. Posteriormente, em 1971, as relações foram elevadas ao nível de Embaixada.

Com a acreditação de S.E. o Senhor Embaixador Miguel de Polignac Mascarenhas de Barros, a Ordem Soberana de Malta, recuperou a tradição de nomear um Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário para Portugal, residente no país, fortalecendo desta forma a sua representação, as boas relações com as autoridades oficiais e com a sociedade civil, o que muito beneficia e facilita a missão caritativa da Ordem no nosso país.

A prerrogativa de indicar, para nomeação, Embaixadores Extraordinários e Plenipotenciários para Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, no entanto, pertence à Assembleia dos Cavaleiros Portugueses.

por António Brandão de Pinho
Setembro de 2013, Forte da Cruz, Estoril.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

07 de Outubro de 1571 - Batalha de Lepanto


Há precisamente 442 anos travou-se o conflito naval entre a esquadra da Liga Santa e a esquadra do Império Otomano, de que saiu vitoriosa a Liga Santa, formada pela Ordem de Malta, os Estados Pontifícios, a República de Veneza e o Reino de Espanha, aos comandos de João da Áustria.
 
 
Este conflito, travado ao largo de Lepanto, na Grécia, representou o fim da expansão islâmica no Mediterrâneo e marcou o início do culto a Nossa Senhora do Rosário. Ainda hoje, em quase todas as igrejas de Portugal, cujo padroado pertenceu à Ordem de Malta, existe a imagem de Nossa Senhora do Rosário.
O alarme para o conflito soou em 1570, quando os turcos otomanos invadiram a Ilha de Chipre, detida pela República de Veneza, cujos soldados se encontravam consideravelmente enfraquecidos por anos de luta contra os turcos. Assim, e para evitar que a entrada na posse de Chipre permitisse aos turcos o domínio do Mediterrâneo, os venezianos pediram ajuda a Pio V, que de imediato ordenou uma esquadra de duzentas e oito galés e seis galeanças, formando a então denominada Liga Santa. Esta frota enfrentou e derrotou duzentas e trinta galés turcas, em pouco mais de três horas.
 
 
Reza a lenda que no maior fragor da batalha, os soldados avistaram acima dos mais altos mastros da esquadra católica a imagem de uma Senhora que os aterrava com o seu aspecto majestoso e ameaçador.

Recorde-se que enquanto decorria a batalha, realizava-se uma procissão do rosário na Praça de São Pedro, em Roma, para sucesso da missão da Liga Santa contra os Turcos.
Em 1573, Gregório XIII instituiu a comemoração da Festa do Santo Rosário e Clemente XII estendeu a festa à Igreja Universal. Com o Concílio Vaticano Segundo a festa foi renomeada para Nossa Senhora do Rosário, assumindo a classificação litúrgica de memória universal. É comemorada no dia 7 de outubro, aniversário da batalha.

sábado, 5 de outubro de 2013

Revestiu-se de muito brilhantismo e significado, o concerto oferecido pela Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana e Militar de Malta, à Cidade do Porto no passado dia 1 de Outubro, a que tive o muito grato prazer de assistir e me encheu de entusiasmo e que espero se repitam no futuro. Bem hajam.

Cumprimentos,
Fernando Granja Rodrigues Cação

sábado, 21 de setembro de 2013

Emissão de Selos Comemorativos dos 900 Anos

 
Durante o Colóquio que terá lugar na Fundação Gulbenkian na próxima sexta-feira, dia 27, terá lugar a cerimónia oficial de lançamento da 1ª Emissão de Selos dedicada à Ordem de Malta, alguma vez realizada em Portugal.
O tema desta emissão retrata os quatro Grão-Mestres Portugueses e a Barca do Grão-Mestre Frei Manuel Pinto da Fonseca (imagem de uma obra exposta na Biblioteca Nacional de Malta). Será posta à venda para coleccionadores e público em geral, em simultâneo com a cerimónia inaugural, em diversas estações dos Correios em Portugal Continental e Ilhas, nomeadamente, nas Estações dos Restauradores, em Lisboa; do Município, no Porto; dos Correios Zarco, no Funchal; e dos Correios Antero de Quental, em Ponta Delgada.

sábado, 14 de setembro de 2013




Gravuras alusivas à Ordem de Malta
in Memórias da Ordem Militar de S. João de Malta,
de Fr. Lucas de S. Catharina
1734

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Concerto no Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra

Depois do Concerto organizado no passado dia 12 na Igreja de Cedofeita, na cidade do Porto, a Câmara Municipal de Coimbra associa-se à Ordem de Malta e à Irmandade Militar de Nossa Senhora da Conceição, levando este Concerto Coral pelo Choir of the Queen's College da University Of Oxford, à Igreja do Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, Panteão Nacional dos dois primeiros reis de Portugal.


Realiza-se no próximo domingo, 15 de setembro, pelas 16h30.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Da visita a antigas comendas no distrito de Viseu Comenda de Sernancelhe









Da visita a antigas comendas no distrito de Viseu Comenda Magistral de Vila Cova à Coelheira








Da visita a antigas comendas no distrito de Viseu Desvio a Ermida do Paiva, em Castro Daire








Visita a antigas comendas no distrito de Viseu

Passado o flagelo dos fogos que grassou recentemente no distrito de Viseu, no passado fim-de-semana estivemos aí de visita a algumas antigas comendas da Ordem de Malta, nomeadamente, Vila Cova à Coelheira, Sernancelhe e Alcafache. Do nosso roteiro fez ainda parte uma visita à Ermida do Paiva, uma das mais belas, ricas e curiosas igrejas por nós alguma vez visitadas. Embora a historiografia não nos dê certezas sobre a presença da Ordem do Hospital em Ermida do Paiva, que dista apenas 6 Km do centro de Castro Daire, onde a Ordem teve bens e direitos, o certo é que não podemos ignorar as cruzes - ditas de Malta - pintadas no interior daquela igreja, bem como as relações desta com a Ermida de Rodes, sita na freguesia de Reriz deste mesmo concelho de Castro Daire, esta sim com ligações mais estreitas à Ordem dos Cavaleiros do Hospital de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta. Recorde-se ainda que até há bem pouco tempo se mantinha a tradição do pároco de Ermida, ou qualquer presbítero de sua escolha, ir em “procissão a modo de rogação à Capella de N. Senhora de Rodes da freguesia de Reriz, bispado de Viseu”[1]. Alguns estudiosos, no entanto, referem que a influência da Ordem dos Hospitalários no Mosteiro da Ermida parece ser evidente.[2] Ermida do Paiva e Ermida de Rodes, ambas sitas em encostas do rio Paiva, são de fundação relativamente contemporânea. A primeira a rondar o ano de 1145 e atribuída ao ermitão D. Roberto; a segunda a rondar o ano de 1141 e atribuída ao ermitão Leovigildo Peres.
 
«Casais, foros em dinheiro e géneros, “muitas herdades e vinhas” possuíam os freires do Hospital nas terras castrenses. A mais nenhuma outra instituição, a não ser à igreja de Castro Daire e ao Ermitério de D. Roberto, foi aplicada tal expressão. A seguir à Ermida, os Hospitalários eram, sem dúvida, a Ordem que mais implantação tinha por estas bandas.»[3] Das Ordem Militares impunha-se, na diocese de Lamego a de Malta, com as importantes Câmaras magistrais de Sernancelhe e Vila Cova à Coelheira, divididas em diversos ramos como os de Fontelo e de Alvelos, pertencentes à última.[4]
 
De Ermida do Paiva, onde nos detivemos mais demoradamente, seguimos para a antiga comenda magistral de Vila Cova à Coelheira, onde visitamos a pequena povoação e também a povoação de Touro, outrora anexa a Vila Nova à Coelheira, com a qual formou concelho autónomo.
Entrámos na igreja matriz e observámos a antiga Casa da Comenda, que se encontra vazia de pessoas e bens, e o pelourinho e casa brasonada no coração do centro histórico, também parcialmente devoluta. Oxalá que as obras de recuperação que decorrem lá no alto, na capelinha dedicada a Nossa Senhora, e que aí no respectivo adro inscreveram traços da cruz oitavada de malta, cheguem rapidamente àqueles dois edifícios, cuja história se conta a partir da janela manuelina, no primeiro, e a partir do belo brasão colocado na fachada do segundo.
 
De Vila Cova à Coelheira rumamos a Sernancelhe, outrora importantíssima comenda da Ordem de Malta no distrito de Viseu, onde se destaca em pleno coração da vila a antiga Casa da Comenda, hoje convertida em solar de turismo de habitação. A Matriz, no entanto, é o mais significativo edifício da vila. Não podemos deixar de notar as semelhanças dos modilhões desta igreja com os da Ermida do Paiva. Há mesmo modilhões com traço comum, como que se fossem executados pelos mesmos canteiros. A historiografia é consensual em fazer remontar a fundação desta igreja de traço românico ao século XII, mais precisamente ao ano de 1172, data inscrita num silhar da cabeceira. 1124 é, no entanto, a data em que os mais remotos donatários terão atribuído foral  à vila e reconstruído a igreja.
 
Como que a descrever traços da Ermida do Paiva, assim se descreve a matriz de Sernancelhe: traçado românico, genuíno e purificado, presente na singular cachorrada que envolve a capela-mor com uma iconografia obediente aos esquemas do tempo, na cercadura de esferas que percorre as empenas da ábside, nas multiplicadas siglas e na originalidade do pórtico, constituído por três arquivoltas. Singulares são os dois nichos que se abrem de um e outro lado do portal cada um ocupado por três figuras, sob um dossel, tão fortemente impressivas que nos esquecemos a  olhar, a adivinhar o seu mistério, a celebrar a sua missão de apóstolos. No interior destacam-se duas tábuas pintadas pelos meados do século XVI (degolação de S. João Baptista e Anunciação), telas setecentistas, um provável capitel visigótico utilizado como pia de água benta, a presença de pintura a fresco nas faces do arco cruzeiro onde se apresenta Nossa Senhora do Rosário (à direita) e Santa Margarida (à esquerda) datando certamente ainda dos fins dos séculos XIV, quiçá encomenda do abade Gaspar de Soveral que se fez sepultar no túmulo quatrocentista, com belíssima inscrição gótica, em destaque na capela lateral dedicada a Nossa Senhora do Pranto, instituída em 1565.
 
Gaspar de Soveral, foi 6.º Morgado de S. Teotónio de Sernancelhe e, depois que enviuvou de Dona Violante de Carvalho, foi cavaleiro professo da Ordem de Malta, comendador de Sernancelhe e abade da respetiva paróquia. Antes da reforma encetada já na segunda metade do século XX, que substituiu nomeadamente o tecto da capela-mor, aí se podia observar um escudo oval com as Armas dos Soveral sobre a cruz oitavada de Malta, que o próprio Gaspar de Soveral terá mandado pintar. Da mesma época (finais do século XVI) é a pedra de armas (aqui sem a cruz oitavada e com Soveral em pleno, encimado por um coronel de nobreza) que o mesmo também terá mandado colocar na fachada do seu solar de Sernancelhe, que aí ainda hoje existe e tivemos oportunidade de fotografar, ainda que à distância a que obrigam os muros do solar que hoje se encontra devoluto e em acentuado estado de degradação.
 
De Sernancelhe deslocamo-nos à cidade de Viseu e desta à antiga comenda e estância termal de Alcafache, nas margens do rio Dão. Foi concelho medieval com vida administrativa autónoma, sendo, no entanto, tributário do concelho de Azurara, do qual esteve sempre dependente. D. Manuel I outorgou-lhe carta de foral em 6 de Maio de 1514, com referências expressas à condição de terra foreira à Ordem de Malta.
 
De zona termal para zona termal, atravessamos a cidade de Viseu rumo a São Pedro do Sul, onde estanciamos na Quinta da Comenda, que integra uma casa do século XII que terá pertencido à rainha Dona Teresa, cuja propriedade esteve depois ligada à Ordem do Hospital e à importante comenda de Ansemil até 1834. No jardim, o traçado de buxo recorta uma cruz da Ordem de Malta, replicada das existentes no próprio solar e em numerosos elementos da quinta. Aqui demos por findo este nosso périplo por algumas das mais importantes comendas da Ordem no distrito de Viseu.

[1] CARVALHO, Abílio Pereira de, A Ermida do Paiva, pág.16.
[2] Por todos, Abílio Pereira de Carvalho, no seu estudo A Ermida do Paiva.
[3] Idem, ibidem, pág.13.
[4] COSTA, M. Gonçalves da, A História do Bispado e Cidade de Lamego, Volume IV, pág.600.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Pintura a óleo representando a tomada do navio da frota turca 'Sultana Benghen' de oitenta canhões,
feita pelo Bailio e General (Paolo Rafael) de Spinola, a 8 de Outubro de 1700
Escola Maltesa do séc. XVIII
(Reproduzida na edição n.º9 da Revista FILERMO, Colecção do Dr. Adalberto Neiva de Oliveira)

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Exposição "Ordem de Malta e a Marinha: 900 anos ao serviço de uma convicção humanista"


A Marinha Portuguesa associa-se às Comemorações dos 900 Anos da Ordem Soberana Militar de Malta, acolhendo a exposição denominada "Ordem de Malta e a Marinha: 900 anos ao serviço de uma convicção humanista", que estará patente, a partir do próximo dia 5 de Setembro, no pavilhão das Galeotas do Museu da Marinha, em Belém, Lisboa.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Concerto Coral na Igreja de Cedofeita, Porto


Também no âmbito das Comemorações dos 900 Anos da Ordem Soberana Militar de Malta, terá lugar no próximo dia 12 de Setembro, na Igreja Paroquial de Cedofeita, na cidade do Porto, um Concerto Coral pelo Choire of the Queen´s College.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Colóquio "900 anos ao serviço de uma convicção humanista; História, Cultural e Solidariedade"

 
O Colóquio "900 anos ao serviço de uma convicção humanista; História, Cultura e Solidariedade", terá lugar no dia 27 de Setembro de 2013, das 9h30 às 18h00, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
 
Informações:
+351218881303 | +351218881302 | +351932287216

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Armas de Frei D. Manuel Pinto da Fonseca
68.º Grão-Mestre da Ordem de Malta
Foi com o último Grão-Mestre português da Ordem de Malta que se consolidou o especial tratamento de que beneficia o Grão-Mestre da Ordem de Malta: Sua Alteza Eminentíssima e Príncipe. Em 1607, o Grão-Mestre da Ordem foi elevado a Príncipe pelo Sacro Império Germânico, o que lhe dava o direito ao uso do título de Alteza Sereníssima, prerrogativa que foi reforçada em 1620. Por decreto do Papa Urbano VIII, em 1630, a dignidade do Grão-Mestre foi equiparada a Cardeal, passando a usufruir do tratamento de Eminentíssimo, o que aconteceu com Frei D. Antoine de Paule (56.º), situação que se manteve até ao Grão-Mestre Frei D. Manuel Pinto da Fonseca (68.º) que, em 1741, combinou os dois tratamentos, passando a Sua Alteza Eminentíssima e Príncipe. Em sequência, Pinto da Fonseca foi o primeiro Grão-Mestre a usar coroa de rei cerrada sobre as respetivas armas.

domingo, 25 de agosto de 2013

Jardim de Malta - Palácio Nacional de Queluz

Vista aérea dos Jardins - Jardim de Malta à direita

Perspetiva do Jardim de Malta
Este fim-de-semana estivemos de visita ao Palácio Nacional de Queluz e seus jardins, nomeadamente, ao Jardim de Malta. Designação que se deve ao facto do Infante D. Pedro de Bragança (1717-1786), posteriormente Príncipe consorte do Brasil e Rei de Portugal de jure uxoris, ter sido, entre 1747 e 1786, Grão-Prior do Crato, a então mais alta dignidade da Ordem Soberana, Militar e Hospitalária de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta em Portugal.
Recorde-se que o Palácio Nacional de Queluz, construído em 1747,  fez parte das propriedades da Casa do Infantado e, principalmente a partir da incorporação do Grão Priorado do Crato na Casa do Infantado (criada por D. João IV em 1655), a dignidade de Grão-Prior do Crato passou a ser exercida exclusivamente pelos Infantes de Portugal, que tiveram o título de Senhores da Casa do Infantado.
Ainda antes, no entanto, já a dignidade era cobiçada pelos nossos monarcas para os filhos segundos.
Assim sucedeu, nomeadamente, com o Infante D. Luís de Portugal (1506-1555), filho do Rei D. Manuel I, Infante que primeiramente deteve a dignidade de Grão-Prior do Crato e a passou a seu filho D. António de Portugal (1531-1595), cognominado precisamente Prior do Crato.
Em 20 de Agosto de 1695, D. Pedro II, que deteve a dignidade e chegou a Rei, concedeu o título de Grão-Prior do Crato a seu filho D. Francisco (1691-1742).
Por força da Carta de 31 de Janeiro de 1790, da rainha D. Maria I, que roborou e ratificou a anexação e união do Priorado do Crato à Casa do Infantado, de acordo com a bula papal de 25 de Novembro de 1789, bem como do Alvará de 18 de Dezembro de 1790, que extinguiu a Mesa Prioral do Crato, passando o expediente à Junta do Infantado, foi criada uma nova Mesa e um juiz dos feitos da Casa e Priorado, passando a controlar o Grão-Priorado do Crato.
Foram simultaneamente Senhores do Infantado e Grão-Priores do Crato os seguintes Infantes:
- D. Pedro de Bragança (1648-1706), depois Rei D. Pedro II;
- D. Francisco de Bragança (1691-1742), Duque de Beja;
- D. Pedro de Bragança (1717-1786), depois Rei D. Pedro III;
- D. João de Bragança (1767-1826), depois Rei D. João VI;
- D. Pedro de Alcântara (1798-1834), depois D. Pedro I, Imperador do Brasil (1822-1831), D. Pedro IV, Rei de Portugal (Abril a Maio de 1926);
- D. Miguel de Bragança (1802-1866, depois Rei D. Miguel I.
A Casa do Infantado  e as Ordens Religiosas existentes em Portugal foram extintas por Decretos de D. Pedro IV, de 18 de março e 30 de maio de de 1834, respetivamente, sendo os seus bens integrados na Fazenda Nacional.
 
Recentemente, aquando da visita ao Palácio das Necessidades, deixamos para mais tarde algumas considerações sobre o tempo e contexto em que terão sido executadas as pinturas de altos representantes da Ordem de Malta que aí se encontram expostas: Personificação da Ordem de Malta; os quatro Grão-Mestres Portugueses; D. Francisco de Bragança, Prior do Crato; e Fra' Emanuel de Roham-Polduc, 70.º Príncipe e Grão-Mestre da Ordem de Malta (1775-1797). Tratar-se-á de uma encomenda feita no tempo em que D. Pedro de Bragança (1717-1786), teve a dignidade de Grão-Prior do Crato, como se pode aferir pelo facto de ter sido contemporâneo do 70.º Grão Mestre e sucessor de D. Francisco de Bragança como Senhor da Casa do Infantado e Grão-Prior do Crato.


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Escavações arqueológicas revelam o Hospital que deu origem à Ordem em Jerusalém

Segundo a edição online da National Geographic, escavações arqueológicas no bairro cristão da cidade velha de Jerusalém, que decorreram nos últimos 13 anos, revelam agora uma gigantesta estrutura que terá acolhido o maior hospital do Médio Oriente durante o período das Cruzadas. Nada mais, nada menos, que o hospital construído pela Ordem de São João de Jerusalém, há cerca de 900 anos.
O complexo estende-se por cerca de 1,5 hectares e é caracterizado por enormes pilares e abóbadas de nervuras, com tectos de até 20 pés. Aquele que terá sido o salão principal da enorme estrutura, é muito similar na aparência ao Salão da mesma Ordem dos Cavaleiros de São João, em Acre, na região da Galileia, no norte de Israel.
 

Alguns dos achados arqueológicos indiciam que o hospital estava dividido em diferentes alas e departamentos segundo o tipo de doença e condição dos pacientes, com uma capacidade de atendimento para 2.000 pacientes e, para além dos serviços de saúde, também terá funcionado como orfanato.
Num comunicado à imprensa, os arqueólogos disseram: "Nós aprendemos sobre o hospital a partir de documentos históricos e contemporâneos, a maioria dos quais escritos em latim. Os quais mencionam um hospital sofisticado, que é tão grande e organizado como um hospital moderno."
Em 1457 deu-se um terramoto nas imediações de Jerusalém que, provavelmente, destruiu a maior parte do edifício, que permaneceu em ruínas até o século XIX.
É muito feliz a notícia desta nova luz sobre as raizes históricas e fundacionais da Ordem de Malta, precisamente neste ano em que se está a comemorar os 900 Anos do reconhecimento Papal da fundação desse Hospital e soberania da Ordem.

domingo, 4 de agosto de 2013

Visita à Falcoaria Real de Salvaterra de Magos



Recentemente estivemos de visita à Falcoaria Real de Salvaterra de Magos, de que damos nota com algumas curiosidades relacionadas com a Ordem de Malta.
 
Com efeito, remonta aquele complexo aos inícios do século XVIII, tendo os primeiros falcões, cujos exemplares chegaram a Lisboa, com destino a Salvaterra, no dia 24 de Junho de 1745, sido oferecidos ao rei D. João V (1706-1750) pelo português e Grão-Mestre da Ordem de Malta Fra' D. Manuel Pinto da Fonseca (1741-1773).
A tradição de oferecer Falcões e até outras espécies exóticas ao Rei de Portugal, no entanto, é mais antiga. D. António Manoel de Vilhena (1722-1736), o mais renomado português que ocupou a Dignidade de Grão-Mestre da Ordem de Malta, por exemplo, uma vez eleito em 19 de Junho de 1722, todos os anos enviou falcões ao Rei de Portugal, alargando assim uma tradição que se mantinha já com os Reis de França e Espanha. Tradição esta, ainda mais antiga, a remontar a 1530, quando Carlos de Habsburgo, 2.º Rei de Espanha e Imperador do Sacro Império Romano-Germânico impôs à Ordem dos Hospitalários o denominado Tributo do Falcão Maltês em troca simbólica pela cessão da soberania da Ilha de Malta, mediante o qual a Ordem ficou incumbida  de entregar anualmente um falcão treinado para a cetraria ao reino de Espanha.
 
Do periódico "Gazeta de Lisboa", n.º 12, de 20 de Março de 1742, recolhemos a seguinte noticia:
«Quinta feira 15 do corrente deu ElRey noffo Senhor audiência a Duarte de Souza Coutinho, Cavaleiro da Ordem de Malta, e irmam do Correyo Mor do Reyno, que da parte do Gram Meftre da fua Religiam trouxe a Sua Mageftade o cftumado prefente dos Falcoens, fenso feu conductor D. Joam de Souza recebedor da mesma Religiam, que teve a honra de o aprefentar a Sua Mageftade, como fe pratica. Efte Fidalgo havendo desembarcado em hum dos portos de Provença, continuou a fua viagem por terra até efte Reyno».
Ainda neste mesmo ano, com expedição de Nápoles registada a 19 de Junho de 1742 (pode ler-se na "Gazeta de Lisboa", n.º 33, de 14 de Agosto), «O Gram Meftre da Religiam de Malta mandou a Sua Mag. de prefente dous Gatos da Perfia de huma beleza extraordinária».
 
O complexo da Falcoaria Real de Salvaterra de Magos, no entanto, é hoje apenas parte daquele que foi o Paço Real de Salvaterra de Magos mandado construir, por volta de 1542, pelo Infante D. Luís, que obteve o Senhorio da Vila de seu irmão D. João III, ambos filhos d'El Rei D. Manuel I. Antes, porém, já aí existia um Palácio, mas foram de tal monta a obras de ampliação e remodelação, com destaque para a construção da Capela Real, que ainda hoje aí existe também, que o complexo tomou mesmo o nome de Paço do Infante D. Luís. Recorde-se, a propósito, que o Infante D. Luís, para além de Condestável de Portugal, foi também Governador da Ordem de Malta, enquanto Prior do Crato,  o primeiro denominado Grão-Prior do Crato.


Cena de caça com recurso a falcões
Segundo reza a história o infante D. Luís, dito príncipe de altos pensamentos, foi um grande caçador de Falcão e teve a seu serviço oitenta caçadores assalariados, muitos deles estrangeiros, mui práticos nesta arte; e ele no paço, casa donde estava, tinha Falcões e os dava em cuidado aos seus moços da câmara, dos quais eu conheci alguns muito nobres e cada caçador tinha a sua conta dois e três Falcões», pode ler-se nos Anais de Salvaterra de Magos - Dados Históricos desde o Século XIV, por José Estevão.

As Caçadas eram a mais tradicional forma de entretenimento da Família Real. E os nossos monarcas, desde D. Sebastião a D. José, teriam mesmo uma predilecção especial por Salvaterra de Magos e pelas suas vastas coutadas.