domingo, 22 de fevereiro de 2015

Estatutos fundadores da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana e Militar de S. João de Jerusalém ou de Malta

 
"Sendo-me presente a solicitação feita pelo marquez de Pombal, par do reino, na qualidade de bailio da Ordem de Malta, e por outros dignitários d'esta, para que seja reconhecida a existência legal à assembléa portugueza da mesma ordem, que desejam organisar no reino com séde em Lisboa;
Attendendo a que os fins benéficos que os impetrantes pretendem realizar, por via da sobredita instituição, a tornam de manifesta utilidade publica e fazem digna da contemplação que similhantes assembléas têem merecido n'outras nações; e
Conformando-me com o parecer do conselheiro procurador geral da corôa e fazenda: hei por bem decretar que fique reconhecida a existência legal à Assembléa dos Cavaleiros Portuguezes da Ordem de S. João de Jerusalém ou de Malta, organisada nos termos e exclusivamente para os fins estabelecidos nos estatutos que fazem parte do presente decreto e baixam assignados pelo presidente do conselho de ministros, ministro e secretário d'estado dos negócios do reino, que assim o tenha entendido e faça executar. Paço das Necessidades, em 25 de maio de 1899.
=REI.=José Luciano de Castro."
 
(Segue a redação dos Estatutos, com 8 artigos)
 
Aprovados pelo Ex.mo Princípe Grão Mestre, e pelo Conselho da Ordem, por Decreto de 13 de junho de 1899. Grão Mestrado em Roma na mesma data. Cavaleiro Da Mosto, Chancheller.
Logar do Sello
Está conforme, Lisboa 23 de junho de 1899.
 
O Bailio Presidente, Marquez de Pombal
O Cavaleiro Secretário, Visconde de Alferrarede

____________
O então Marquês de Pombal, 6.º deste título, era D. António de Carvalho e Mello Daun de Albuquerque e Lorena (n.27.XII.1850, f.25.XI.1911). Assumiu a presidência do Conselho assumiu desde a fundação da Assembleia até ao ano de sua morte, em 1911. Foi Bailio Grã-Cruz de Honra e Devoção da Ordem.
O então Visconde de Alferrarede, 1.º deste título e 1.º Conde de Alferrarede a que foi elevado em 1903, era D. Carlos de Sá Pais do Amaral Pereira de Menezes (n.03.X.1865, f.04.VIII.1909). Foi Cavaleiro de Honra e Devoção da Ordem.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Estatutos das Religiosas Maltezas de S. João da Penitencia da Villa de Estremoz


Doutor João Nunes da Silveira, Conego da Bafilica Patriarcal de Santa Maria de Lisboa, Provifor, e Vigario Geral do Grão Priorado do Crato, &c. Faço faber ás RR. Madres Prioreza, Vigaria, e mais Religiofas do Real Mofteiro de São João da Penitencia da Villa de Eftremoz, que refolvendo o Sereniffimo Senhor Infante D. Pedro, Grão Prior do Crato, reformar os Eftatutos deffe Mofteiro em virtude da faculdade, e poderes, que lhe eftão concedidos pela Santa Sé Apftolica, e fe efpecificão na Bulla Regimini do Beatiffimo Padre Paulo Papa III, e em atenção á muito grande, e notoria neceffidade, que havia defta reforma, não fó para a precifa coherencia, que devem ter os Eftatutos com a Regra novamente reformada pelo mesmo Senhor, mas tambem para a boa confervação, e augmento efpiritual, e temporal deffe mefmo Mofteiro, me mandou os novos Eftatutos, e me ordenou fizeffe logo dar à execução a fua prompta, e fiel obfervancia por meio do feu Real Decreto, cujo theor he o feguinte: = Por me conftar que os Eftatutos antigos das Religiofas Maltezas de Eftremoz não eftavão accommodados ao novo governo, e fujeição, em que actualmente fe achão, nem coherentes com a Regra das mefmas Religiofas novamente reformada por minha Real ordem, fui fervido mandar fe reformaffem os ditos Eftatutos, ou fe fizeffem de novo os que baixão com efte Decreto, e ordeno que fe cumprão, e guardem como nelles fe contém. O meu Provifor do Crato o tenha affim entendido, e mande paffar as ordens neceffarias para a fua pontual obfervância, e execução. Belém 27 de Dezembro de 1761. Com huma Rubrica do Sereniffimo Senhor Infante.=
Segue a redação dos novos Estatutos, lavrados em 50 páginas.
Os novos Estatutos foram aceites e publicados em 01 de janeiro de 1762.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Missa de Cinzas na Sé Catedral de Lisboa

Aspecto da celebração com as armas do Senhor Cardeal-Patriarca de Lisboa em fundo
 
Perspectiva da Delegação da Ordem de Malta, junta ao altar da celebração
 
Uma delegação da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana e Militar de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta, dignou-se participar na Santa Missa de Cinzas, que teve lugar na passada quarta-feira, dia 18 de fevereiro, na Sé Catedral de Lisboa.
Não fosse já a relevância desta Santa Missa, que assinala o primeiro dia da quaresma do calendário cristão ocidental, somou-se o facto desta ter sido a primeira missa celebrada em Portugal por Sua Eminência Reverendíssima o Senhor Cardeal-Patriarca D. Manuel Clemente, após ter sido investido na dignidade cardinalícia.

Fotos: Patriarcado de Lisboa

sábado, 14 de fevereiro de 2015

D. Manuel Clemente elevado a Cardeal da Igreja

Cardeal D. Manuel Clemente após a imposição do barrete e
entrega do anel e bula por Sua Santidade o Papa Francisco
Uma delegação da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana e Militar de Malta assistiu hoje, in loco, à elevação de D. Manuel Clemente, 17.º e atual Patriarca de Lisboa, com o título de D. Manuel III, a cardeal-presbítero da Igreja.
O rito de imposição do barrete e da entrega do anel e da bula de criação cardinalícios a D. Manuel Clemente decorreu na Basília de São Pedro, no Vaticano, Roma. O agora denominado Cardeal-Patriarca de Lisboa, 44.º Cardeal da história da Igreja portuguesa, foi investido com o título de Santo António in Campo Marzio (título cardinalício), vinculado à Igreja de Santo António dos Portugueses, sendo o segundo detentor deste titulus instituído em 21 de fevereiro de 2001, por Sua Santidade o Papa João Paulo II.
 
A primeira Missa celebrada por D. Manuel Clemente terá lugar, precisamente, na Igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma, segunda-feira, dia 16 de fevereiro, pelas 11h30 (hora de Roma).
 
De regresso a Portugal, a primeira celebração do novo cardeal vai decorrer na Sé de Lisboa, a 18 de fevereiro, pelas 19h00, com a Missa de Quarta-feira de Cinzas. A 22 de fevereiro, D. Manuel Clemente vai proferir a primeira catequese quaresmal, no Mosteiro dos Jerónimos, pelas 16h30, a que se segue uma sessão de apresentação de cumprimentos, aberta a todos os que desejarem participar.
 
O Brasão de Armas de D. Manuel Clemente, Cardeal-Patriarca de Lisboa, tem a seguinte leitura heráldica: escudo de prata, com cruz latina de vermelho carregada, no cruzamento dos braços, de uma estrela de oito raios de ouro. O escudo assente sobre a cruz arquiepiscopal (patriarcal) de ouro, com pedraria de vermelho, encimada pelo galero de 30 borlas, como é uso dos Patriarcas da Igreja Latina, de púrpura (aqui indistintamente executada) como é próprio do Patriarca de Lisboa. Sotoposto ao escudo, listel branco com o lema episcopal (latino) em maiúsculas “IN LUMINE TUO”.
 
Fontes: TVI24 e Wikipédia

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Missas de Sufrágio por Sua Magestade o Rei D. Carlos e Sua Alteza Real o Príncipe D. Luís Filipe


No próximo domingo, dia 1 de fevereiro, assinala-se o 107.º Aniversário do Regicídio. Por esta ocasião e para assinalar a efeméride, a Real Associação de Lisboa e a Real Associação do Porto, como já vem sendo tradição, mandam rezar Missas de Sufrágio por Sua Magestade o Rei Dom Carlos e Sua Alteza Real o Príncipe Dom Luís Filipe, que terão lugar pelas 12h00, na Igreja de São José das Taipas, no Porto, e pelas 17h00 na Igreja de São Vicente de Fora, em Lisboa.
 
Para a Ordem de Malta, que naturalmente se associa a assianalar esta efeméride, este é também um momento de evocar e homenagear Sua Magestade o Rei D. Carlos, primeiro Presidente de Honra da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses, fundada em 1889.

domingo, 25 de janeiro de 2015

"D. Luís Mendes de Vasconcelos: um homem e o seu tempo", recordado em conferência.


Com vista a assinalar os 500 anos do Palácio D. Manuel, em Évora, o Município elaborou um programa de actividades culturais, cuja iniciativa de inauguração, a ter lugar no próximo sábado, dia 31 de janeiro, pelas 15h00, na Sala dos Leões dos Paços do Concelho, será uma conferência dedicada a recordar e homenagear D. Luís Mendes de Vasconcelos (1541-1623, segundo Grão-Mestre português da Ordem de Malta (de 1622 a 1623), natural daquela cidade.
Será conferencista o Prof. Doutor Arquitecto Mário Alves Chaves, Cavaleiro de Graça Magistral da Ordem de Malta e Docente da Universidade Lusíada de Lisboa.
 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

D. Manuel Clemente nomeado Cardeal da Igreja.

 
Foi com profunda alegria que recebemos o anúncio de Sua Santidade, o Papa Francisco, de que S.E.R. o Senhor D. Manuel Clemente, Patriarca de Lisboa e Capelão Grã-Cruz Conventual "Ad Honorem" da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana e Militar de Malta, será feito Cardeal da Igreja no Consistório que ocorrerá nos próximos dias 14 e 15 de fevereiro.
É, pois, com imensa alegria e emoção que estamos a viver este momento, de inegável importância para a Igreja de Lisboa e de Portugal e, também assim, para a Nossa Ordem.

sábado, 20 de dezembro de 2014

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

domingo, 21 de setembro de 2014

As pinturas do retábulo-mor da igreja de Malta

Retábulo-mor da igreja matriz de Malta
Da autoria de Isabel da Costa Lopes, Licenciada em História da Arte e Património pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o trabalho "As pinturas do retábulo-mor da igreja matriz de Malta", uma pequena povoação pegada à freguesia de Olmos, concelho de Macedo de Cavaleiros, distrito de Bragança - na região de influência da antiga comenda de Algoso - revela-nos as motivações que moldaram as pinturas em apreço.
As pinturas datam de inícios do século XVI e, segundo ao autora, revelam-nos «um discurso ideológico que não se confinava ao pequeno território que envolvia o templo e as imagens que o decoravam. Esse discurso, que actuou como um aglutinante estrutural, caracterizou a retórica medieval e penetrou nas primeiras décas de quinhentos, em muitas regiões da Europa ocidental.»
 
Isabel da Costa Lopes, sustenta que «Os templos que hoje encontramos em locais ermos, constituíram, noutros tempos, centros aglutinadores que correspondiam a uma necessidade de expansão, assumindo, em simultâneo, uma simbologia de sacralização territorial (...). Na temática decorativa destas tábuas, o conteúdo, a forma e a função inconográfica convergem de forma coerente para uma retórica dos formulários teóricos da cristandade. Mas, não só: todo o discurso visa o estabelecimento de mecanismos mentais que favoreçam a fixação das populações em território de condições adversas e contribuam para a lenta estruturação geográfica política do reino.»
 
O trabalho em apreço pode ser consultado online aqui.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Parlamento aprovou criação do Dia do Peregrino

O Parlamento aprovou hoje, dia 27/06/2014, a instituição do Dia do Peregrino, que vai ser celebrado a 13 de outubro, uma proposta da maioria PSD/CDS que visa “dignificar o papel do peregrino na construção da sociedade portuguesa”.
 
 277 | II Série A - Número: 113 | 15 de Maio de 2014
PROJETO DE RESOLUÇÃO N.º 1050/XII (3.ª) INSTITUI O DIA NACIONAL DO PEREGRINO
1. Desde tempos imemoriais que os peregrinos – vocábulo de origem latina, per agrum, que significa ‘pelos campos’ –, realizam, no âmbito histórico e religioso, individualmente ou em grupo, jornadas em direção a um determinado lugar sagrado.
2. Em Portugal, existe uma forte tradição na realização de peregrinações cristãs direccionadas para os mais variados locais de culto, com destaque para aquelas que se decorrem no Santuário de Fátima, que envolve inúmeras pessoas.
3. É de referir que a condição de peregrino não se esgota na intenção de caminhar em direção de um lugar sagrado; importa também valorizar o motivo que o levou a fazer essa jornada, determinante para a sua vida, onde muitas vezes se procura o sentido da própria existência, como um percurso interior.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Cavaleiro de Justiça da Ordem de Malta junto à imagem de São João Baptista
Cerimónias Comemorativas do Dia do Santo Patrono da Ordem
Lisboa, 23 de junho de 2013

quinta-feira, 19 de junho de 2014

domingo, 15 de junho de 2014

A propósito da histórica participação da Ordem de Malta na Procissão do Corpo de Deus

Trata-se de uma das mais antigas Procissões de Lisboa. A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao século XIII, altura em que a Igreja Católica sentiu necessidade de realçar a presença real do "Cristo todo" no pão consagrado. A Festa de Corpus Christi foi então instituída em 11 de Agosto de 1264, pela bula Transiturus de hoc mundo, do Papa Urbano IV, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes.
Em Portugal, a solenidade do Corpus Christi já era celebrada no século XIII, desde o reinado de D. Afonso III. Era, à época, uma simples festa de adoração, não envolvendo a procissão pelas ruas. O rito da procissão foi instituído pelo Papa João XXII (1317). Actualmente, neste dia, em todas as 20 dioceses de Portugal, fazem-se procissões solenes a partir da igreja catedral, tal como em muitas outras localidades, que são muito concorridas. Estas procissões atingem o seu esplendor máximo em Braga, Porto e Lisboa. De resto, na capital, a festa do Corpo de Deus incluiu a Procissão, pela primeira vez, no reinado de D. João I, em 1389, pouco tempo volvido após a consolidação da autonomia face a Castela e do bom augúrio criado pelas vitórias bélicas de D. Nuno Álvares Pereira e pela influência cultural britânica (de tal forma que S. Jorge passou a ser considerado Padroeiro de Portugal).
Razão pela qual, à solenidade do Corpo de Deus se juntou a festa de São Jorge e desta junção resultou a magnificência da Procissão da capital. Manifestação religiosa que chegou a atingir surpreendente grandiosidade no tempo de D. João V, incorporando a Procissão, para além doutras, delegações de diversas Ordens Religiosas e Militares, como da Ordem de Malta, nomeadamente a partir de 1899, data em que se fundou a Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana e Militar de Malta, herdeira das tradições hospitalárias, assistenciais e culturais da Ordem dos Cavaleiros Hospitalários de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta, em Portugal.

 El-Rei D. Manuel II, Presidente de Honra da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem de Malta, 
pegando na primeira vara do pálio, na Procissão do Corpo de Deus, em 18 de Junho de 1909

Sempre em Junho, as cerimónias tinham o seu início no Castelo de São Jorge, onde a imagem do Santo era colocada sobre um cavalo e percorria as ruas da cidade guardada pelo seu pajem e pelo seu escudeiro, o "homem de ferro", que segurava o estandarte de S. Jorge, o padroeiro da cidade e defensor da fé cristã. Quando o cortejo chegava à Sé catedral, era celebrada uma missa onde o Cardeal-Patriarca elevava a Custódia (Corpo de Deus), aos presentes e a preparava para que, finda a celebração, emergisse à porta da igreja, sob um magnífico pálio, rodeado por Suas Magestades e pela nobreza, formando-se a procissão, na qual o rei e os infantes tomavam uma das varas (geralmente a primeira da direita), sendo as restantes destinadas ao presidente do Senado da Câmara e à antiga nobreza.
A procissão prosseguia o seu caminho passando pela Igreja de Santo António e pela Madalena até à baixa, percorrendo as suas principais artérias de onde partia para regressar à Sé.

El-Rei D. Manuel II à saída da Sé no final das Cerimónias,
em 18 de Junho de 1909
Ao longo da história da Procissão do Corpo de Deus em Lisboa, porque especialmente integrada pelos mais altos dignitários da Corte - aparentemente mais desprotegidos - é curioso notar a tentação de realização de atentados contra as figuras régias. Um desses atentados deu-se contra El-Rei D. João IV. Tendo sobrevivido o monarca, sua esposa (D. Luísa de Gusmão) promoveu a construção do Convento dos Carmelitas, justamente no lugar do falhado crime, na baixa lisboeta, ficando conhecido como do “Corpus Christi”.
Outro atentado famoso deu-se contra D. Manuel II, perto da Igreja da Vitória, quando a procissão passava perto da Igreja da Vitória, na rua do Ouro.

Saída da Procissão, em 30 de Maio de 1907. El-Rei D. Carlos I, Primeiro Presidente de Honra da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem de Malta, pegando na primeira vara direita do pálio.
Com a passagem à República, a Legislação de 1910, que iniciou o processo de separação da Igreja do Estado, proibiu os dias santos da Igreja (excepto o Natal e o dia 1 de Janeiro) e interrompeu o culto público.
Em 2003, a Procissão do Corpo de Deus voltou a percorrer as ruas da Baixa, por onde outrora se cumpriu. A solenidade, então presidida pelo Cardeal-Patriarca - em que participaram, na missa e procissão, mais de cinco mil fiéis -, teve começo com a celebração da Missa no Largo da Igreja de São Domingos, no logradouro do Palácio da Independência, rumando depois à Rua Garrett, diante da Basílica dos Mártires, onde terminou com a Bênção do Santíssimo Sacramento.

Delegação da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana e Miltar de Malta, presente nas Cerimónias Religiosas do Corpo de Deus na Sé Patriarcal de Lisboa, em 2013.
Em 2014, as celebrações da Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo ocorrerão na Sé Patriarcal de Lisboa, no Domingo, dia 22 de Junho, sendo presididas pelo Senhor Patriarca de Lisboa, Senhor Dom Manuel Clemente. Às 11h30 realiza-se a Missa e às 17h00 realiza-se a Procissão por algumas ruas da Baixa, com início e término na Sé Patriarcal, onde será feita a Bênção solene às 18h30.

Fontes: SNPC; Revelar LX
Imagens: Família Real. Álbum de fotografias. Quimera Editores, Lda; blog da ACPOSMM.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Visita à antiga comenda de Malta, Vila do Conde

No passado fim-de-semana visitamos a antiga comenda de Malta, em Vila do Conde. Dessa pertença à Ordem dos Cavaleiros Hopsitalários herdou a freguesia a sua denominação. Essencialmente rural, com suas estradas integralmente em paralelos e a propriedade rústica murada, Malta preserva também com muito gosto as marcas e simbologia própria daquela antiga pertença, o que se evidencia particularmente na Igreja Matriz.
Malta integra atualmente uma nova freguesia, pertencente ao concelho e comarca de Vila do Conde e distrito, diocese e relação do Porto, denominada “União das Freguesias de Malta e Canidelo”, resultante da Reorganização Administrativa Territorial Autárquica, concluída em 2013. Antes desta reorganização constituía uma freguesia autónoma com 1,85 km² de área e 1 385 habitantes (2011). Pertenceu ao concelho da Maia até 24.X.1855, data em que passou a integrar o concelho e comarca de Vila do Conde.
A casa que terá sido pertença da comenda da Ordem de Malta, edificada em data que não se conseguiu ainda precisar e situada na hoje denominada Rua dos Cavaleiros da Ordem de Malta poderá ser o mais antigo testemunho urbano ainda de pé, nesta freguesia que se chamou Santa Cristina de Cornes. Facto que se pode deduzir de alguns pedestais e seu torreão. Já o aspecto geral do imóvel indicia uma renovação efectuada no século XVIII.
A freguesia nem sempre se denominou assim. Só a partir de 1683 é que se consumou tal designação, pois no catálogo dos Bispos do Porto de 1623, ainda se lê o seu antiquíssimo topónimo – Santa Cristina de Cornes. O documento mais antigo que se conhece data do ano de 1097 e é um título de bens imóveis sitos em vila Cornias. Este nome nunca agradou aos habitantes desta terra, ainda que se saiba derivar, por certo, do latim Cornus, que era uma pequena árvore frutífera. Por a palavra se prestar a equívocos, o abade frei Manuel da Costa, que paroquiou a freguesia entre 1683 e 1710, foi o primeiro a usar o seu actual nome precedido do Orago da Freguesia – Santa Cristina de Malta – aproveitando o facto de ser abadia da Ordem de Malta, apresentada pelo Bailio de Leça.
Foi esta comenda extinta por força do Decreto de 30 de Maio de 1834, no âmbito da "Reforma Geral Eclesiástica", executada pela Comissão da Reforma Geral do Clero (1833-1837).
 




 

quinta-feira, 27 de março de 2014

RELÍQUIA DO SANTO LENHO DA SÉ DE ÉVORA


A propósito da época cristã que estamos a viver, vale a pena fazer aqui notícia e trazer à memória um dos tesouros mais emblemáticos da Sé de Évora – a Relíquia do Santo Lenho (na imagem) -, cuja história da sua introdução em Portugal está ligada à Ordem do Hospital de São João de Jerusalém, nomeadamente, à acção do seu Prior Frei Afonso Peres Farinha, que a terá trazido da Palestina, no tempo das Cruzadas.
É por via da história e circunstância da introdução da Relíquia do Santo Lenho em Portugal, nomeadamente em Vera Cruz de Marmelar, Portel (que se pode consultar aqui), onde inicialmente se guardou e onde hoje se encontra parte da mesma, que se compreende a verdadeira história da Relíquia do Santo Lenho da Sé de Évora.
Dispomos já hoje de vários trabalhos sobre ambas as Relíquias, alguns dos quais, nomeadamente no caso da Sé de Évora, no entanto, acabam por se debruçar mais sobre os relicários do que sobre as relíquias, descurando, também assim, a origem e história das respectivas relíquias, em benefício da história dos relicários.

sábado, 22 de março de 2014

Manuel Pinto da Fonseca e António Manoel de Vilhena - Comendadores e parentes dos homónimos e Grão-Mestres - Manuel Pinto da Fonseca e António Manoel de Vilhena

Confundidos inúmeras vezes, até pela historiografia, os Cavaleiros Comendadores Manuel Pinto da Fonseca e António Manoel de Vilhena, foram, respectivamente, tio e sobrinho-neto dos renomados e homónimos Grão-Mestres Manuel Pinto da Fonseca e António Manoel de Vilhena. É mesmo caso para dizer que, de tão homónimos, quase têm passado por anónimos.
Para ajudar à confusão, o Comendador Manuel Pinto da Fonseca privou com o Grão-Mestre António Manoel de Vilhena e o Comendador António Manoel de Vilhena serviu o Grão-Mestre Manuel Pinto da Fonseca. Assim, desta forma, com esta sequência.
 
Túmulo do Bailio Frei D. Manuel Pinto da Fonseca
Igreja de Santa Cruz, Lamego
Igreja de Santa Cruz
Lamego
Temos então: 1 – Comendador Frei Manuel Pinto da Fonseca; 2 – Grão-Mestre Frei D. António Manoel de Vilhena; 3 – Comendador Frei D. António Manoel de Vilhena; 4 – Grão-Mestre Frei D. Manuel Pinto da Fonseca.
 
1 – Comendador Frei Manuel Pinto da Fonseca. Natural de Lamego. Era Comendador de Moura Morta, Faia e Veade, aquando do Tombo de 1679 e aí se mantinha em 1684. Foi Bailio de São João de Acre. Faleceu em 1727. Os seus restos mortais repousam num túmulo com sua estátua jacente na Igreja de Santa Cruz, em Lamego.
2 – Grão-Mestre Frei D. António Manoel de Vilhena. (nasceu em 1663; faleceu em 1736). Foi o 66.º Grão-Mestre, de 1722 a 1736. Era natural de Lisboa, filho de D. Sancho Manoel de Vilhena, 1º Conde de Vila Flôr, e Dona Ana de Noronha. Os seus restos mortais repousam num mausoléu na Co-Catedral de São João, em La Valetta, ilha de Malta.
3 – Comendador Frei D. António Manoel de Vilhena. (nasceu em 1723) Filho de D. Sancho Manoel de Vilhena e D. Lourença Francisca de Melo; neto de D. Cristóvão Manoel de Vilhena, 2º Conde de Vila Flôr; e sobrinho-neto do Grão-Mestre Fr. D. António Manoel de Vilhena. Em 1745, sendo Comendador de Rossas e Rio Meão, estava ausente na ilha de Malta, onde residia.
4 – Grão-Mestre Frei D. Manuel Pinto da Fonseca. (nasceu em 1681; faleceu em 1773). Foi o 68.º Grão-Mestre, de 1741 a 1773. Era natural de Lamego, filho de Miguel Álvaro Pinto da Fonseca e Dona Ana Pinto Teixeira. Os seus restos mortais repousam num mausoléu na Co-Catedral de São João, em La Valetta, ilha de Malta.
 
Portanto:
 
O Comendador Frei Manuel Pinto da Fonseca era irmão de, entre outros, Álvaro Pinto da Fonseca, que casou com Ana Pereira Coutinho, de que nasceu, entre outros, Miguel Álvaro Pinto da Fonseca, que contraiu matrimónio com Dona Ana Pinto Teixeira, de que descendeu, entre outros, o Grão-Mestre Frei D. Manuel Pinto da Fonseca.
 
De D. Sancho Manoel de Vilhena, 1º Conde de Vila Flôr, e Dona Ana de Noronha, descenderam, entre outros, o Grão-Mestre Frei D. António Manoel de Vilhena e D. Cristóvão Manoel de Vilhena, 2º Conde de Vila Flôr; deste descenderam, entre outros, D. Sancho Manoel de Vilhena, que contraiu matrimónio com D. Lourença Francisca de Melo, de que descendeu, entre outros, o Comendador Frei D. António Manoel de Vilhena.

De uns e outros foram vários os parentes que serviram igualmente a Ordem de Malta, dentre os quais se destacaram também Frei D. João Manoel de Vilhena e Frei Martim Álvaro Pinto da Fonseca, Comendadores, Bailios e Grão-Chanceleres, qualidade em que serviram os seus respectivos irmãos e Grão-Mestres, em Malta, onde faleceram em 1728 e 1757, e se encontram sepultados na Nave da Co-Catedral de São João.