segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Visita ao Convento das Maltesas em Estremoz










No passado fim-de-semana estivemos de visita ao concelho de Estremoz e, nomeadamente, ao antigo e extinto Convento das Maltesas ou Convento de S. João da Penitência da Ordem de Malta. Foi extinto em 31 de Maio de 1878, por morte da última religiosa D. Ana Guilhermina da Purificação.
Actualmente, funcionam nas suas dependências a Misericórdia de Estremoz, proprietária do imóvel; no claustro, um Pólo da Universidade de Évora e, na ala sul, o Centro de Ciência Viva de Estremoz e um Museu interactivo e pedagógico dedicado exclusivamente à Geologia.
Marca característica e indissociável do edifício é, no entanto, a da sua génese. Foi, a partir do séc. XVI, um dos raros edifícios destinados à clausura de freiras da Ordem de Malta em Portugal. Testemunhos dessa realidade, encontramo-los ainda hoje um pouco por todo o Convento, cuja cruz oitavada de Malta se destaca no Portal de Entrada e nas portas de acesso dos Claustros aos principais espaços do edifício. Merecem igualmente destaque os frescos que decoravam, nomeadamente, as abóbodas dos Claustros, alusivos às preces das freiras maltesas, bem como o brasão das armas de Portugal sobre a cruz oitavada de Malta que se encontra no hall de entrada e que, há algum tempo, se encontram em processo de recuperação e preservação.
Foi com pena que verificamos alguma dissociação entre a história e a realidade actual do edifício, de tal forma que, não fossem os símbolos e testemunhos acima referidos, pouco se conseguiria aferir in loco sobre a importância histórica deste extinto Convento da Ordem de Malta, mormente para a história da própria Ordem. Os referidos símbolos e testemunhos, suscitam no visitante justificada curiosidade sobre a génese e história daquele edifício que, na nossa humilde opinião, deveria justificar relações estreitas entre a Misericórdia de Estremoz e as actuais estruturas representativas da Ordem de Malta em Portugal, no intuito de recuperar, salvaguardar e divulgar aspectos comuns da sua história e tradição.


O Inventário de extinção do Convento de São João da Penitência de Estremoz de Évora, guardado na Torre do Tombo (Cota actual: Ministério das Finanças, Convento de São João da Penitência de Estremoz de Évora, cx. 1928 e 1929), contém inventários de bens imóveis (prédios rústicos e urbanos) e dos bens móveis, descrição e avaliação do edifício do Convento e anexos, de alfaias, e mais objectos de culto e profanos, de foros, prazos, cartório (livros de autores nacionais e estrangeiros, hagiologia, de meditação, crónicas - seráfica, da Província do Algarve, entre outras -, "História da Ordem de Malta", de Anastácio de Figueiredo - 3 vol. -, "Flores del Carmelo", biografias de religiosas e religiosos, "Farmacopeia Tubalense", "Vida da Imperatriz Leonor Madalena Teresa", traduzida do alemão por João Leopoldo e Barão, um maço com papéis inúteis para vender a peso, e um saco com papéis de música de igreja, entre outros).
Integra a relação dos objectos do espólio que foram entregues ao depositário eclesiástico padre Joaquim Maria Ribeiro da Silva (1878), relação dos objectos preciosos e jóias, que foram entregues ao depositário João Nepomuceno dos Reis Varel, e a relação de objectos e livros para venda (1878).
Contém relações de foros, censos ou pensões correntes para venda, listas de arrematações (impressas), carta de sentença para título por dívida de foros relativa ao Moinho do Salgado (herdade do Pocinho), autos de avaliação de bens, autos cíveis de avaliação de um foro, da herdade da Valeja, da herdade do Monte Branco, relação de dívidas passivas, entre outros.
Compreende o livro da cópia do Inventário de São João da Penitência, da vila de Estremoz, 1878-1885, 198 fl.

Por Carta de Lei de 22 de Março de 1881, o edifício, igreja e cerca foram concedidos à Santa Casa da Misericórdia de Estremoz, para ali instalar o hospital civil e o Asilo da Infância Desvalida, denominado o Beatério. Inclui a cópia do auto de posse do edifício do Convento pela Misericórdia (1882).
A documentação menciona bens situados nos concelhos de Évora, Borba, Vila Viçosa, Elvas, Ponte de Sor, Alandroal, Sousel, Estremoz, entre outros.

domingo, 2 de setembro de 2012

Visita ao Mosteiro de Vera Cruz de Marmelar











Hoje, dia 02 de Setembro, visitamos a antiga Comenda de Vera Cruz de Marmelar, no concelho alentejano de Portel e, nomeadamente, o antiquíssimo Mosteiro Hospitalário que aí se localiza. Tivémos oportunidade de verificar o excelente estado de conservação interior do templo, bem como a elevada estima dos locais pelo património móvel existente nesta igreja, constituido por várias peças de pintura, escultura, ourivesaria, mobiliário e paramentaria, resultante de um universo rico e variado de objectos de uso litúrgico e devocional, herança da presença secular da Ordem dos Hospitalários.
A maior dedicação, no entanto, é reservada ao cofre-relicário medieval onde se guarda a relíquia do Santo Lenho.
Dentre as peças de pintura, destacam-se a pintura flamenga de Pentecostes e as pinturas que pertenceram ao antigo retábulo-mor da igreja, representando, a primeira, a Rainha Santa Helena e o milagre do Reconhecimento da Vera Cruz perante o Imperador Constantino e o seu séquito, obra do pintor bejense António de Oliveira (1548), encomendada pelo Comendador D. Diogo da Cunha, e a outra que, em 1671, conforme encomenda do Bailio Pedro Barriga barreto, veio substituir a anterior, com a representação do Milagre do Reconhecimento da Santa Cruz, da autoria do pintor eborense Francisco Nunes Varela. Merecem especial referência, a compor os alçados da nave da igreja, a série de pituras espanholas do século XVII, alusivas a beatos e freires-guerreiros da Ordem dos Hospitalários.
Verificamos também, não o podemos ignorar, a acentuada degradação da parte do imóvel que outrora constituiu a parte habitada do complexo religioso e que hoje está para além da igreja. Aquele estado de degração é resultado de várias décadas de abandono e, hoje, para além de não poder ser imputado a quem quer que seja, é de muito dificil e dispendiosa recuperação. No entanto, é parte importante do todo e merece ser limpo, protegido de maior delapidação e devidamente salvaguardado.


Vera Cruz de Marmelar é hoje uma das antigas Comendas da Ordem de Malta que mantém estreitas relações com as actuais estruturas representativas da Ordem em Portugal, com assinalável proveito para as actividades, nomeadamente, de carácter histórico e religioso de ambas as entidades.
Uma das actividades mais importantes para Vera Cruz e para o seu Mosteiro, é a Procissão Anual em Honra do Santo Lenho, que se realiza todos os anos, a 14 de Setembro (inalterável), após a Santa Missa. Convidámos, pois, a que aproveite esta próxima actividade para visitar o Mosteiro Hospitalário de Vera Cruz de Marmelar. Para além desta festividade, a visita está relativamente condicionada à hora em que se realiza a Missa Semanal, que neste período acontece aos Domingos, pelas 10h00. Entretanto, saiba mais sobre a Igreja de Vera Cruz de Marmelar aqui (link).

domingo, 15 de julho de 2012

Igreja e Colégio de São Lourenço, Porto

Comummente conhecida por Igreja dos Grilos, foi esta Igreja, bem como o Colégio anexo, iniciada pelos Jesuítas na segunda metade do século XVI, sendo que a primeira pedra foi lançada em 20 de Agosto de 1573. Contudo, a obra não teve um começo fácil e só em 1614, com o alto patrocínio do Bailio de Leça, Comendador Frei Luís Álvaro de Távora,  se ultimou a conclusão do templo e colégio anexo (que alberga hoje, numa das suas dependências, o Museu de Arte Sacra do Seminário Maior do Porto, fundado por D. Domingos de Pinho Brandão, bispo auxiliar da Diocese, natural de Rossas, Arouca).
Está o benemérito Comendador da Ordem de Malta sepultado na capela-mor desta Igreja, em túmulo de mármore suportado por elefantes, de composição semelhante aos túmulos régios do Mosteiro dos Jerónimos.
Referência histórica especial merece o facto do Brasão de Frei Luís Álvaro de Távora, patente no frontispício da Igreja, ter escapado à famigerada sentença do Processo dos Távoras, que levou a que se proibisse o apelido em Portugal, que os seus brasões fossem derribados e suas armas fossem picadas. Alegadamente, o facto de se encontrar muito alto, levou a que não se cumprisse ali tal sentença. Na extinta comenda de Rossas, no adro da Igreja Matriz, pode ainda hoje ser observado um exemplo de brasão picado.
Não se tendo cumprido tal sentença na Igreja dos Grilos, estão aí hoje patentes algumas marcas que evidenciam o patrocínio do benemérito Frei Luís de Távora e da Ordem de Malta à edificação daquele Templo e Colégio, na cidade do Porto.
Frontispício da Igreja e entrada lateral para o antigo Colégio
Parece-nos uma boa sujestão de visita, ali bem ao lado da Sé, que muitas vezes passa despercebida e oferece vários motivos de interesse, nomeadamente para maior conhecimento dos contributos da Ordem de Malta para o nosso património edificado.
Túmulo do benemérito Frei Luís Álvaro de Távora
 Brasão do benemérito Frei Luís Álvaro de Távora no frontispício da Igreja

sábado, 14 de julho de 2012

750 Anos do Foral dado pelo prior da Ordem do Hospital a Tolosa


Pinho Leal já nos tinha contado que Tolosa, actual freguesia do concelho de Nisa, localizada junto à ribeira de Sôr, teve foral dado pelo Grão-Prior do Crato, em 1262, com privilégios iguais aos de Évora, e que o original estava guardado na Torre do Tombo, Gav. 15, Maço 9, N.º18. Trata-se de um documento raro e valioso, de grande importância para a história de Tolosa, para a história do Priorado do Crato, em particular, e para a história da Ordem de Malta, em geral.
Apesar de muito menos documentados (e, por isso, de grande valor histórico) do que os de iniciativa régia, houve também concelhos instituídos ou reconhecidos por entidades que não a Coroa (bispos, mosteiros, ordens militares). O processo, contudo, tal como em grande número dos forais de iniciativa régia, visava incentivar o povoamento e a exploração agrícola.
Agora, no ano em que a respectiva junta de freguesia se junta às Comemorações dos 500 Anos do Foral concedido à vila de Nisa, comemorando os 750 Anos do seu próprio e primeiro Foral, é já possível ler online o conteúdo deste importante e principal documento, cuja outroga foi outrora um privilégio também da Soberana Ordem de Malta, relativamente às terras que administrou.
O documento em consulta, é uma cópia mandada fazer por ordem do Guarda-Mor da Torre do Tombo para melhor inteligência do original, que se encontra junto, e pode ser compulsado online na plataforma digitarq (link).
Posteriormente, em 1517, D. Manuel I outorga-lhe foral novo. Como vila e sede de concelho do priorado do Crato, em 1527, pertenciam ao rei as sisas e as terças, e a jurisdição e as rendas ao Infante. Foi este concelho extinto em 1836, data em que passou a integrar o concelho de Alpalhão. Com a extinção deste último, passou a integrar o concelho de Nisa e, posteriormente, em 1895, foi anexado ao concelho do Crato. Por Decreto de 13 de Janeiro de 1898 voltou, novamente, a ser integrado no concelho de Nisa, a que pertence actualmente.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Vila Marim comemora 700 Anos de História


A Junta de Freguesia de Vila Marim, antigo concelho e actual freguesia de Vila Real, comemora hoje, dia 09 de Julho, 700 Anos de História. É, porém, mais antiga a história de Vila Marim. Com alguma certeza, esclarecida que esteja a questão do ano em que foi concedido o primeiro foral, se pode fixar em 760 ou até mesmo em 787 anos.
Em qualquer caso e indissociável da história daquela simpática, aprazível e soalheira localidade, situada no extremo sudeste da Serra do Alvão, é a presença da Ordem dos Hospitalários, hoje dita de Malta. Remonta aos primórdios da nacionalidade a presença da Ordem dos Hospitalários também naquela zona transmontana e, nomeadamente, em Vila Marim, onde possuiu, de resto, a bela Torre de Quintela (Monumento Nacional, desde 1910), desde o século XIII até ao século XIX, mais precisamente até ao ano de 1834, data em que foram extintas as Ordens Religiosas em Portugal.
A Torre de Quintela, é um dos poucos exemplos de arquitectura civil-militar que comprovam a senhorialização por terras transmontanas. Terá sido mandada edificar no tempo de D. Afonso Henriques, por um seu companheiro de Armas. Trata-se de uma espécie de baluarte, equipada com acessórios defensivos, de planta quadrangular com cerca de 12 metros de largura, com o alçado a atingir mais de 20 metros de altura, organizado no seu interior por 4 pisos.
Por ter sido tão significativa a presença da Ordem de Malta em Vila Marim, figura hoje a Sua cruz oitavada, em chefe, no Brasão da Freguesia. A história de Vila Marim, no entanto, e em muitos dos seus aspectos, está ainda por fazer. Como já se referiu, da própria concessão do primeiro foral persiste ainda a dúvida se terá sido concedido a 9 de Julho de 1225, como nos informou a própria Junta de Freguesia, ou a 9 de Julho de 1252, como lemos em vários trabalhos.
Comprometemo-nos, por isso, a procurar esclarecer esta questão nos próximos dias, para benefício da história daquela localidade tão grata à Nossa Ordem de Malta.
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Hoje, 12.VII.2012, a Torre do Tombo (Arquivo Distrital de Vila Real) informou-nos o seguinte:
A freguesia de Vila Marim foi da apresentação do mosteiro dos Jerónimos de Belém.
Documentada desde 1072, era honra, pertencente a Mem Gueda, nos alvores da nacionalidade.
Recebeu foral de Dom Afonso III, a 9 de Julho de 1252.
Freguesia do concelho de Vila Real composta pelos lugares de Agarez, Arnal, Barelas, Galegos da Serra, Muas, Peneda, Quintela, Ramadas e Vila Marim.
A paróquia de Vila Marim pertence ao arciprestado e à diocese de Vila Real, desde 22 de Abril de 1922. O seu orago é Santa Marinha.

Instrumentos de pesquisa:
GONÇALVES, Manuel Silva; GUIMARÃES, Paulo Mesquita - Arquivo Distrital de Vila Real: Guia de Fundos. Vila Real: Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo. Arquivo Distrital de Vila Real, 1999. 2 vols. ISBN 972-9022-18-6. 2 vol.
Inventário ArqBase nível 4.0 (unidade de instalação).
PORTUGAL. Secretaria de Estado da Cultura. Inventário do Património Cultural Móvel - Inventário colectivo dos registos paroquiais / Inventário do Património Cultural Móvel, coord. José Mariz. - Lisboa : Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, 1993-1994. - 2 v. ; 26 cm. - (Arquivos).

segunda-feira, 2 de julho de 2012

750 Anos da atribuição da primeira Carta de Foral e fundação do Castelo da Vila de Portel


Estão a decorrer, em Portel, as Comemorações dos 750 Anos da primeira Carta de Foral e fundação do Castelo daquela vila alentejana.
A efeméride é muito grata à Ordem de Malta que, de resto, integra a Comissão de Honra das Comemorações, pela pessoa de S.E. o Senhor Presidente da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem.
Portel, é uma das vilas portuguesas cuja própria história é indissociável da história da Ordem de Malta em Portugal. De resto, basta observar o Brasão de Armas do Concelho para constatar a importância da Ordem de Malta para aquela vila alentejana. Sentido pelo qual, quando uma vila que os Cavaleiros Hospitalários ajudaram a conquistar, a defender, a povoar e a administrar, reconhece esse legado e está em festa, também a Ordem de Malta tem razões para festejar e para se orgulhar dos seus contributos e da sua história.
Para saber um pouco mais sobre a presença e significado da Ordem de Malta no concelho de Portel, vale a pena compulsar o estudo abaixo, clicando sobre a imagem.

domingo, 1 de julho de 2012

Igreja de São João da Corujeira, em Elvas


A notícia da classificação pela UNESCO das Muralhas da Cidade de Elvas como Património Mundial, vem suscitar outra atenção sobre o património existente no perímetro daquelas fortificações, nomeadamente sobre a Igreja de São João da Corujeira, edificada no século XIII pelos Freires da Ordem de São João de Jerusalém (hoje dita de Malta), que aí estabeleceram a sede da respectiva Comenda, constituindo um contributo incontornável na história mais remota da defesa, povoamento e administração daquelas imediações fronteiriças. Um terramoto, porém, casou-lhe danos significativos, de que se recuperou entre o século XVIII e XIX, ao que se diz com dimensão mais reduzida.
Situa-se no alto da muralha leste da fortaleza, no bairro com o mesmo nome, no perímetro do Cemitério dos Ingleses ou Britânico de Elvas, e embora desperte atenção pelo seu campanário a encimar a frontaria, apresenta uma traça simples, porta de verga direita e duas janelas gradeadas com coruchéus e cruzes nas vergas. A notícia da edificação e presença dos Hospitalários, conserva-a num janelão aberto sobre o portal, guarnecido de marmore com pequeno frontão com duas volutas e a Cruz Oitavada de Malta sob a Cruz Latina.
Foto do descerramento da placa comemorativa da visita a Portugal de Fra Matthew Festing, Gão-Mestre da Ordem, em 2011

Depois de um período de abandono, a pequena mas significativa e histórica Igreja de São João da Corujeira está aberta ao público e consagrada ao Culto desde 24 de Junho de 2010, depois de recuperada pela Associação dos Amigos do Cemitério Britânico de Elvas, com o apoio da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana Militar de Malta. De resto, as boas e profícuas relações destas duas entidades têm motivado a participação conjunta em diversas iniciativas, que muito têm valorizado a história da presença  de ambas naquela zona fronteiriça e Portugal.

sábado, 30 de junho de 2012

Igreja de Santa Luzia e São Brás, em Lisboa


A um ano de completar seis décadas desde a sua reinserção nas actividades de natureza espiritual da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana Militar de Malta, a Igreja de Santa Luzia e São Brás, situada em miradouro sobranceiro ao típico bairro de Alfama, em Lisboa, beneficiou recentemente de algumas obras de recuperação e renovação exterior, que se encontram já concluídas.
Apesar de se tratar de um imóvel de traça simples, esta Igreja, para além de sede da Ilustre Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana Militar de Malta, alberga um conjunto de sepulturas, distribuídas pela capela-mor, transepto e nave, patentes por meio de lápides e monumentos funerários, cujo conjunto mereceu a classificação como Monumento Nacional, por Decreto de 16.VI.1910.
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Post scriptum - No passado dia 4 de Julho, após a Missa Mensal, procedeu-se à inauguração de uma nova bandeira da Ordem no Terraço da Igreja de Santa Luzia e São Brás. Durante a Missa Mensal, os Membros da Ordem poderam ainda observar, pela primeira vez, os Quadros alusivos aos Quatro Grão-Mestres Portugueses, recentemente colocados no transepto da Igreja, junto às respectivas bandeiras heráldicas, por iniciativa do Ilustre Conselho, após empenhada diligência de S.E. o Senhor Vice-Presidente, Embaixador Manuel Côrte-Real.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Comemorações do dia do Santo Patrono São João Batista e Investidura de Novos Membros, em Lisboa e Sintra

No próximo dia 23 de Junho será comemorado o dia de São João Batista, Santo Patrono da Ordem Soberana Militar de Malta, com a habitual cerimónia de investiduras de novos membros da Assembleia Portuguesa.


As cerimónias terão o seu início às 16 horas com a celebração da Santa Missa no Mosteiro dos Jerónimos, presididas por S.E.R o Bispo de Portalegre-Castelo Branco, Dom Antonino Dias, Capelão Conventual “ad Honorem”, e concelebradas pelo S.E o Núncio Apostólico e alguns Capelães Magistrais, contarão ainda com a participação da nossa Confreira D.ª Conceição Seabra Galante como solista convidada e responsável pela coordenação do coro e preparação do repertório de música sacra.
 

Após as cerimónias religiosas haverá pelas 20h30m um jantar de gala no Palácio da Vila de Sintra, Largo Rainha Dona Amélia, que começará com um cocktail no Páteo da Gruta dos Banhos e um momento de Ópera, onde será interpretada uma seleção da Ópera “Il Trovatore” de Verdi, pelos solistas convidados Conceição Seabra Galante (Soprano Lírico), e Nuno Villalonga (Barítono), e com o Maestro Armando Vidal no piano. Seguir-se-á um jantar servido na Sala dos Cisnes que culminará com a actuação da fadista Maria Ana Bobone.
Ficará reservado, para os participantes neste evento, o parque de estacionamento fronteiro ao Palácio, policiado pela GNR.
Relembramos que estas comemorações estão abertas também à Família e Amigos dos Confrades sendo no entanto necessária a sua inscrição.

sábado, 26 de maio de 2012

Igreja de Santa Luzia e São Brás

No fim-de-semana em que a Igreja de Santa Luzia e S. Brás, em Alfama, Lisboa, sede da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Soberana Militar Ordem de Malta, se encontra em obras de conservação, partilhamos um pequeno apontamento sobre a mesma:

Situada num dos mais belos lugares da parte oriental de Lisboa, sobre o típico bairro de Alfama, a Igreja de Santa Luzia e S. Brás, da Ordem de Malta, sacrificou o seu adro e um antigo claustro para oferecer à cidade um dos seus mais agradáveis miradouros. Dentro das suas simples e modestas paredes guarda memória e testemunho de alguns aspectos de grande curiosidade e interesse. A tradição diz-nos que a Igreja, primeiramente dedicada a S. Brás, remonta aos primórdios da Nacionalidade, tendo sido edificada ainda no reinado de D. Afonso Henriques pelos Cavaleiros da Ordem do Hospital que, depois da prestimosa colaboração na conquista aos Mouros, em 1185, assumiram a partir daí a defesa da parte oriental da cidade, restituindo a Deus o Sagrado.

Há notícia de que o templo primitivo sofreu várias reconstruções. Já o actual, erguido sobre a edificação primitiva e sobre a muralha moura, é o resultado da reconstrução realizada após a destruição parcial causada pelo Grande Terramoto de Lisboa. O corpo principal da Igreja corresponderá ao existente antes de 1 de Novembro de 1755, cuja reconstrução se conformou com a localização da Igreja, mas, principalmente com a localização das várias sepulturas existentes no chão e incrustadas nas paredes. Se não antes, em 1870 estava já totalmente recuperada, como anotou João Baptista de Castro, no 3.º Volume do seu Mapa de Portugal Antigo e Moderno.

Antes do Terramoto era já, tal como hoje, pouco espaçosa e de uma só nave, de planta em cruz latina. Acompanhavam a capela-mor dois altares colaterais, que, por tão toscos, demonstravam grande antiguidade. No altar-mor estava colocada a Imagem de S. Brás, do lado esquerdo, e a de S. João Baptista, padroeiro da Ordem, do lado direito, obedecendo, de resto, a uma regra que temos verificado em muitas Igrejas fundadas e/ou administradas pela Ordem de Malta. Também do lado direito, mas no altar colateral estava a Imagem de Santa Luzia e, em frente, do lado esquerdo, a Imagem de Santa Águeda. Duas das Santas mais veneradas na antiguidade Cristã, ambas martirizadas durante as perseguições do Imperador Diocleciano. Santa Luzia é venerada como protectora da visão; e Santa Águeda, como protectora dos terramotos. Lembrámos, a propósito, que terão sido de pouca monta os danos causados em 1755. A todas estas imagens se dedicou altar pela tradição e experiência de milagrosas, preferindo-se, no entanto, Santa Luzia, que por tão solicitada, assumia já maior protagonismo que o próprio Orago na primeira metade do século XVIII. De resto, é hoje o nome pelo qual melhor se conhece a Igreja, cujas imediações se baptizaram como Largo de Santa Luzia.

Frei Lucas de Santa Catarina teve ainda oportunidade de observar, antes do Terramoto, que do lado da Epistola, se abria sem regularidade alguma um arco de uma pequena Capela, em que estava um nicho, que recolhia a Imagem de um Crucifixo, de bastante estatura e, possivelmente, da antiguidade da Igreja. A majestade do seu rosto piedoso e defunto, era tida como milagrosa. Segundo a tradição, terá falado a um Rei desta Coroa, que seria D. Afonso III, em melhor conjectura, pela devoção, que teve a esta Casa. Aí se encontrava ainda um cofre de estimáveis relíquias, trazidas de Roma pelo Bailio Frei Cristóvão de Cernache, que se encontra sepultado em Leça do Balio, primeira sede da Ordem em Portugal.

Se os aspectos referidos não nos dissessem já da antiguidade deste templo, outrora e durante algum tempo Cabeça do Priorado, bastavam-nos as cerca de dez sepulturas, distribuídas pela capela-mor (duas), transepto (cinco) e nave (três), patentes por meio de lápides e monumentos funerários, cujo conjunto, de resto, mereceu a classificação como Monumento Nacional, por Decreto de 16.VI.1910. A antiguidade delas e a importância de quem nelas se sepultou, diz-nos da antiguidade e significado do templo.
Para o lado do rio se vê a lápide de uma campa rasa e sem letreiro. A tradição diz que se trata do jazigo de um Grão-Mestre, o que, como esclareceu Fr. Lucas de Santa Catarina, nas suas Memórias da Ordem Militar de S. João de Malta, datadas de 1734, e, portanto, anteriores ao Terramoto, é impossível, porque a todos aponta a História sepultura, não referido qualquer delas neste templo.
Para o lado do Castelo, no meio da parede da nave, se vê embutida uma grande pedra lisa, com um Escudo ao meio. Correm por baixo deste Escudo umas letras góticas, desfeitas e apagadas pelo tempo. Valeu-nos a diligência de um zelador, precavido para a efemeridade da inscrição, que a recuperou numa tábua, que fez pender na mesma parede, da qual constava o seguinte: Aqui jaz D. Fr. Lourenço Gil, Freire da Ordem do Hofpital, Commendador que foy defta Igreja de S. Braz de Lisboa; e foy filho de Gil Affonso, filho del-Rey D. Affonso, o pay del-Rey D. Diniz.

Na Capela-mor, da parte do Evangelho, se abre um arco, que recolhe um pequeno Mausoléu, com seu Epitáfio, sepultura do Grão Pior D. João de Sousa. No pavimento da mesma Capela se vê no meio uma grande lápide branca, em que está embutido um Escudo com suas Armas. Trata-se do jazigo do Comendador Fr. Martim Pereira d’Eça. Há notícia de também neste jazigo se ter sepultado igualmente o Grão Pior Manuel de Mello. Por baixo do Escudo de Armas consta um Epitáfio com os seguintes dizeres: Aqui jaz o Commendador Fr. Martim Pereira d’Eça, Recebedor, e Procurador Geral da Religião de Malta, de que foy professo. Faleceu em 12 de Abril de 1689.

Antes de 1755 existiam ainda algumas sepulturas fora da Igreja, junto à porta travessa, que abre para o lado do rio. A que assumia maior protagonismo, era uma de pedra, que o tempo se encarregou de gastar e carcomer, fazendo-a tosca. No alto dela estava um lintel da mesma pedra e da mesma antiguidade, denotando-se vestígios de um Escudo de Armas. Tal como havia sucedido com algumas das sepulturas existentes no interior, também desta se trasladou inscrição que nela existira, guardando-se memória numa pequena tábua, que se pendurou na parte de dentro da Igreja, onde estava em 1734 e na qual se podia ler o seguinte: Junto a efta porta jaz Fernão Affonso, Cavaleiro da Ordem do Templo, filho do muito illustre D. Affonso III, Rey de Portugal, e dos Algarves.
Como está bom de ver, o facto de aí se ter sepultado um Cavaleiro da Ordem do Templo, acabou por suscitar algumas dúvidas, até mesmo sobre a fundação e administração da Igreja. Havendo mesmo quem afirmasse que esta Igreja fora pertença da Ordem dos Templários em tempo mais remoto. Nada mais errado, como, de resto, esclareceu Fr. Lucas de Santa Catarina. Um contributo interessante, no entanto, para o esclarecimento das circunstâncias e do tempo em que se extinguiu a Ordem dos Templários, cujos professos indultados puderam ser socorridos pela Ordem dos Hospitalários.
Nas Memórias da Ordem Militar de S. João de Malta se esclarece que em tempo de El-Rei D. Afonso III (1210-1279) era esta Igreja de São Brás Bailiado, porque com este título foi aí sepultado Gil Afonso (1250-1346), Cavaleiro Hospitalário, filho bastardo daquele Rei. Também filho bastardo deste Rei era o tal Fernão Afonso, sepultado do lado de fora da Igreja com o título de Cavaleiro do Templo. E nada mais apropriado. Terá sido socorrido pela Ordem dos Hospitalários, mas, atenta a sua qualidade e o facto de ter professado em Ordem diversa, apenas se lhe poderia reservar sepultura fora das paredes da sua Igreja. Também Anastácio de Figueiredo o anota e reitera a página 109 do Segundo Volume da sua Nova Malta.
Uma sepultura do dito Cavaleiro da Ordem do Templo nesta Casa ou junto a ela, justifica-se no facto de, já em tempo de El-Rei D. Afonso III, decorrerem as disputas e exames que acabariam por levar à extinção dos Templários no tempo de El-Rei D. Dinis. Como está bom de ver não haveria este de permitir que seu irmão, Fernão Afonso, fosse sepultado em Casa de sua Religião, por tão malquista ou mesmo já extinta. Assim, e em face do indulto concedido pelo Pontífice aos Cavaleiros inculpáveis pelas vicissitudes de que padeceram os Templários, autorizando-os a passar para os Hospitalários, se descortina razão bastante para que ali tivesse sido sepultado, junto a parentes de idêntica qualidade.
Até 1755 existia um pequeno alpendre sobre a porta principal da Igreja. Debaixo deste, existia uma outra sepultura em mármore e junto a ela uma grande vala do mesmo material. Segundo a tradição, esteve ali (porque em 1743 estava já vazia) o corpo de um Capitão de Mar e Guerra, que sem dúvida teria envergado o hábito de Malta (como usavam os Confrades) e seria pessoa de conta, pois se lhe permitiu ali tão publica e singular sepultura.

Uma Inquirição Régia de D. Afonso II, datada de 1220, permite-nos verificar que a Ordem dos Hospitalários era aquela que, então, detinha maior número de propriedades no termo e cidade de Lisboa, cuja sede de Comenda era a Igreja de Santa Luzia e São Brás, localizada intramuros, junto à Porta do Sol.

Extinta em 1834, como todas as Ordens Religiosas então existentes em Portugal, a Ordem volta a reorganizar-se em 1899 como Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana Militar de Malta, com o propósito de dar continuidade à sua vocação hospitalária e assistencial. O que virá a desenvolver não só no território português, como também nos países africanos de lingua oficial portuguesa.

Em 1951, são estabelecidas relações diplomáticas entre a República Portuguesa e a Ordem Soberana Militar de Malta; e, em 21 de Junho de 1958, procede-se à reinserção da Igreja de Santa Luzia e São Brás, na vida corrente e nas actividades de natureza espiritual da Assembleia Portuguesa, onde se encontra sediada.
por A. J. Brandão de Pinho
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Bibliografia:

Ordem Soberana e Militar de Malta, ed. da O.S.M.M. de 1998.
FILERMO, Revista da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana e Militar de Malta, volumes 7-8, Porto 1999.
FIGUEIREDO, Jozé Anastácio de, «Nova História da Militar Ordem de Malta, e dos Senhores Grão- Priores della em Portugal», Lisboa 1800.
CATARINA, Frei Lucas de Santa, «Memórias da Ordem Militar de S. João de Malta», Lisboa 1734, parágrafo XCIII, pags. 269-277.
COSTA, Paula, «A ordem Militar do Hospital em Portugal: dos Finais da Idade média à Modernidade», in: Militarium Ordinum Anacleta, n.º ¾, ed. Fundação Eng. António de Almeida, Porto 1999/2000.
http://revelarlx.cm-lisboa.pt/gca/?id=329
http://www.ordemdemalta.pt/quem-somos.html

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Novo Site da Ordem de Malta em Portugal

Está disponível desde ontem, dia 23 de Abril, o novo site da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana Militar de Malta (clicar sobre a imagem). Através desta mesma plataforma a Ordem procurará dar a conhecer a sua história, as suas instituições, os seus símbolos, a sua religiosidade e carisma, e, também assim, a sua acção hospitalária desenvolvida em Portugal, e designadamente através das Embaixadas da Ordem nos PALOP, dentro do espaço da lusofonia. Propósitos manifestados na Nota de Boas-Vindas  do Presidente do Conselho e da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana Militar de Malta, D. Augusto de Albuquerque de Athayde, Conde de Albuquerque.
Também desta forma, pelo recurso às novas tecnologias, se vai actualizando e modernizando a tradicional Ordem Soberana Militar de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta, cujo estatuto e soberania obtiveram reconhecimento papal há quase 900 Anos. Bem hajam os seus actuais dirigentes!

terça-feira, 3 de abril de 2012

A CAMINHO DO NONGENTÉSIMO ANIVERSÁRIO (1113-2013) DO RECONHECIMENTO PAPAL DO ESTATUTO E SOBERANIA DA ORDEM DE MALTA

Mais conhecida actualmente pelo nome do seu último território sede - Ilha de Malta -, a Soberana Ordem Militar e Hospitalária de Malta, teve origem em Jerusalém, denominando-se então Ordem do Hospital ou dos Hospitalários de S. João de Jerusalém.
Pouco tempo volvido sobre a passagem ao segundo milénio e caída por terra a vaticinada possibilidade do mundo acabar à passagem do ano mil, alguns mercadores amalfitanos alcançaram licença para estabelecerem no bairro cristão de Jerusalém, próximo do Santo Sepulcro, uma igreja, um mosteiro e um hospital. Os monges que serviam esta instituição vestiam um hábito negro, pelo que lhes chamavam monges negros, tomando por padroeiro S. João Baptista e o título de hospitalários, dado que no seu hospital se curavam os cristãos que chegavam do ocidente, aos lugares santos. Nas peregrinações medievais, o longo tempo de viagem agravava as precárias condições de higiene e dieta alimentar, que associadas à falta de descanso, expunham os peregrinos, que procuravam salvar a alma, a uma debilidade física favorável à contracção de numerosas doenças e, também assim, mais vulneráveis aos ataques dos infiéis.
O hospital, tendo recebido de Godefroy de Bonillon, depois de senhor da cidade em 1099, alguma doações, e aumentadas sucessivamente as suas rendas com as liberalidades de outras pessoas, desligou-se, por diligência do seu administrador, o francês Gerard, da dependência do mosteiro de Santa Maria, e constituiu uma congregação separada, de invocação a S. João Baptista, sendo confirmadas pelo summo pontífice (de 1099 a 1118) Pascoal II em 1113 as doações feitas ao hospital, que ficou, a partir de então, sob a protecção da Santa Sé.
Em pouco tempo, e por força das muitas investidas perpetradas pelo infiel, nomeadamente aos lugares Santos, frequentemente vandalizados e saqueados, depressa se tornou necessário desenvolver a vertente militar e, à semelhança da luta que já vinha a ser travada pelos Templários, que surgiram pouco depois dos Hospitalários, esta Ordem começou a desempenhar funções militares, vindo a transformar-se, a par daquela, num dos braços da Igreja na luta contra os muçulmanos, por via daquelas que ficaram conhecidas como as Cruzadas. Apesar de nunca descorar o seu primitivo papel, era agora urgente combater o infiel, participar na reconquista e defesa dos territórios cristãos.
Embora mantendo numa grande escala a sua actividade hospitalária, ao ter em consideração uma das suas duas finalidades, o obsequium pauperum (serviço aos pobres), a Ordem prosseguiu, com eficiência, este último objectivo; ou seja, a defesa do Cristianismo: tuitio Fidei (protecção da Fé).

Em 15 de Fevereiro de 1113, como já referimos, o Papa Pascoal II – através da Bula “Geraudo institutori ac praeposito Hirosolimitani Xenodochii” – reconheceu e aprovou o estatuto que reorganizou a Ordem em semi-religiosa e semi-militar, para proteger os peregrinos contra os muçulmanos, confirmando como fundador o primeiro mestre da Ordem, Beato Gerardo Tum (1040 – 1120), que aceitou a regra de Santo Agostinho. Em virtude desta Bula e outros documentos pontifícios, nomeadamente, a renovação e confirmação pelo Papa Calixto II, pouco antes da morte do Beato Gerardo, em 1120, os Hospitalários converteram-se numa Ordem ligada à Igreja, gozando de isenções e privilégios. A independência da Ordem em relação a qualquer outro Estado e o seu direito de reconhecimento universal de manter forças armadas e de combater, constituíram a base da sua soberania internacional.
Assim, e com o alto patrocínio da Igreja, as Cruzadas levaram estes Cavaleiros a espalharem-se pela Europa e a recolher adeptos um pouco por todos os países do velho continente. A sua importância e ajuda na luta contra o inimigo, tornou-a credora de inúmeros merecimentos por parte de bispos e monarcas.
Em 1187 Saladino conquista Jerusalém e a sede dos hospitalários é mudada para Tiro, mais tarde para Margat e depois para S. João de Acre, que em 1291, é tomada pelos turcos, obrigando a que se transfira, desta feita, para Limisso, na ilha de Chipre. O Grão-Mestre Guilherme de Villaret, que governou a ordem de 1300 a 1306, lançou as suas vistas sobre a ilha de Rhodes, que foi conquistada pelo seu parente e sucessor no grão-mestrado, Foulques de Villaret, a que Clemente V deu a soberania e o direito de nomear o arcebispo.
Em 24 de Março de 1530, Carlos V assina, em Castelfranco, um diploma dando ao Grão-Mestre e à Ordem – comme fief noble libré et franc – os castelos e praças de Tripoli, Malta e Gozo, de que este toma posse em 20 de Outubro de 1530. Tomam a partir de então, o título de Cavaleiros de Malta, que acrescentam aos de Ordem do Hospital ou dos Hospitalários de S. João de Jerusalém e/ou Cavaleiros de Rhodes, que já tinham, ficando assim, até hoje, conhecida por Ordem de Malta.
Em 1798, Napoleão Bonaparte apossa-se da ilha de Malta, que o grão-mestre Hompesch lhe entrega sem combate. O Papa Pio VII modifica os estatutos da Ordem, e Pio IX confirma essas modificações.
Em 1834 a Ordem encontrava-se sediada no Palácio de Malta, em Roma. A maioria dos Priorados já não existia e os monges erravam agora sem orientação. Podia considerar-se dissolvida de facto. No entanto, ao longo de cerca de meio século, alguns priorados foram recriados, e dissolvidas as Línguas (forma como se organizava) a favor de associações nacionais de Cavaleiros que passam a dedicar-se à assistência médica, bem como a nível internacional em caso de calamidade ou conflito (primeiro a Alemanha, depois Inglaterra 1875, Itália 1877, Espanha 1886, França 1891, Portugal 1899). Possui ainda a Villa Magistral, no Aventino, Roma, que, tal como o Palácio de Malta, goza de extra-territorialidade.
Actualmente, a Ordem chama-se Soberana Ordem Militar e Hospitalária de Malta. Está sediada no Vaticano, sendo considerada um Estado sem território, emitindo passaportes, selos e moeda (o Escudo), com um observador nas Nações Unidas. Mantém relações diplomáticas com o Vaticano. É filiada à Cruz Vermelha e a outras organizações internacionais. Mantém relações diplomáticas com 104 países, onde possui, inclusive, embaixadas, e com a Comissão Europeia. Durante a Segunda Guerra Mundial considerou-se muito seriamente a possibilidade de Lhe ser dada a soberania de Israel.
A 13 de Março de 2001, o Governo de Malta concedeu à Ordem, por 99 anos, com carácter extra-territorial, o Forte de S. Ângelo, datado de 1530, comemorando e assinalando 200 anos sobre a saída da Ordem de Malta, daquela Ilha do Mediterrâneo.
por A. J. Brandão de Pinho
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BIBLIOGRAFIA - COSTA, Paula Pinto e ROSAS, Lúcia (2001), Leça do Balio no Tempo dos Cavaleiros do Hospital, Edições Inapa, pág.13; FIGUEIREDO, José Anastácio de, Nova História da Militar Ordem de Malta, Volume 2, pág.137 e ss; MATTOSO, José (Lisboa, 1985), Ricos-Homens, Infanções e Cavaleiros. A Nobreza Medieval Portuguesa nos Séculos XI e XII, Guimarães Editores, págs. 227 ss; BARROS, Henrique da Gama (Lisboa, 1885), História da Administração Pública em Portugal nos séculos XII a XV, pág. 366;

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Cruz de Malta nos Brasões Autárquicos

A propósito da actualização do nosso levantamento de Autarquias Locais que ostentam a cruz da Ordem de Malta no seu ordenamento heráldico, acrescentamos na barra lateral deste nosso blog mais alguns dos Brasões dessas mesmas autarquias. É nossa intenção disponibilizar aqui a totalidade dos Brasões que ostentam a cruz da Ordem de Malta, com link's para as páginas oficiais das respectivas autarquias. O que faremos à medida que os respectivos ordenamentos heráldicos forem sendo disponibilizados.

Gestão de conteúdos e comentários

Verificamos que as mudanças efectuadas recentemente no aspecto do blog, nomeadamente pela alteração do template, provocaram perda irreversível de informação e os conteúdos anteriores a essa alteração não podem ser modificados bem como não podem ser geridos os respectivos comentários, sob pena de se perderem também. Pelo que aproveitaremos esta situação para introduzir e actualizar conteúdos já antes tratados.

As nossas desculpas pela falta de resposta aos comentários introduzidos em tópicos anteriores à alteração.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Personificação alegórica da Ordem de Malta
Pintura a óleo, séc.XVIII
Mosteiro de S. Vicente de Fora, Lisboa

terça-feira, 13 de março de 2012

Placas em antigos imóveis outrora foreiros à Comenda de Santa Luzia e São Brás de Lisboa




Pequenas placas ainda hoje existentes na Rua Sol ao Rato, freguesia de Campolide, Lisboa, identificativas de antigos imóveis outrora foreiros à antiga Comenda da Ordem de Malta de Santa Luzia e São Brás de Lisboa.
Frei Lucas de Santa Catarina, cuja obra referenciamos abaixo, chegou a classificar a Comenda de Lisboa como Cabeça do Priorado, tendo em conta que se tratou de uma das mais importantes do ponto de vista económico e histórico-político. Porém, embora importante, nunca chegou a ser Priorado. Em 1220, a Ordem dos Hospitalários era aquela que maior número de propriedades detinha no termo de Lisboa. Então, a sede para a região de Lisboa e Sul de Portugal, situava-se já intramuros da cidade, numas casas e capela junto à Porta do Sol, justamente a Capela de Santa Luzia e São Brás, que alberga hoje a sede da Ilustre Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Relíquia de Vera Cruz de Marmelar, em Portel

Numa profícua troca de informações com Sua Excelência o Senhor Embaixador da Ordem Soberana de Malta em Portugal, revelou-se-nos oportuno, até pela época que se aproxima, trazer à lembrança o papel da Ordem dos Hospitalários, hoje dita de Malta, na introdução em Portugal de "relíquias" que muito contribuiram para mobilizar os cristãos para causas e empreendimentos maiores, de que é exemplo um fragmento do Santo Lenho que se guarda na Igreja de Santa Cruz de Marmelar, em Portel, cujo estudo acima convidámos a compulsar, clicando sobre a imagem.

domingo, 11 de março de 2012

Sobre a Comenda de Santa Luzia e São Brás...

Sobre a antiga Comenda de Santa Luzia e São Brás de Lisboa, sobre a qual pouco ainda se escreveu, chamamos à atenção para o contributo "Cavaleiros Hospitalários de São João Batista de Jerusalém", de Ruy Oliveira.

sábado, 10 de março de 2012

Sobre as Comendas das Ordens Militares

Sobre as Comendas das Ordens Militares na Idade Média, nomeadamente da Ordem de Malta, chamamos à atenção para o contributo "As Comendas: enquadramentos e aspectos metodológicos", de Paula Pinto Costa, pág. 9 e seguintes.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Memórias da Ordem Militar de S. João de Malta

Clique na imagem para compulsar online a obra "Memórias da Ordem Militar de S. João de Malta", por Frei Lucas de S. Catharina.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Nova História da Militar Ordem de Malta

Clique na imagem para compulsar online a obra "Nova História da Militar Ordem de Malta", por José Anastácio de Figueiredo.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

ÓRGÃOS DA ASSEMBLEIA DOS CAVALEIROS PORTUGUESES (BIÉNIO 2012-2014)

PRÍNCIPE E GRÃO-MESTRE
Sua Alteza Eminentíssima o Príncipe e Grão-Mestre
Fra' Matthew Festing
(79º Grão-Mestre)

PRESIDENTES DE HONRA DA ASSEMBLEIA PORTUGUESA
Sua Alteza Real o Senhor Dom Duarte Pio de Bragança, Duque de Bragança, BGCHD
Sua Alteza o Infante Dom Miguel de Bragança, Duque de Viseu, BGCHD
S.E. Prof. Doutor Martim Eduardo Côrte-Real de Albuquerque, BGCHD

PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA PORTUGUESA
S.E. Dr. Dom Augusto Duarte de Andrade de Albuquerque Bettencourt de Athayde, Conde de Albuquerque, GCHDOb

CONSELHO
PRESIDENTE - S.E. Dr. Dom Augusto de Andrade de Albuquerque Bettencourt de Athayde, Conde de Albuquerque, GCHDOb
VICE-PRESIDENTE - S.E. Emb. Dr. Manuel Henrique de Melo e Castro de Mendonça Côrte-Real, GCHD
CHANCELER - Eng. Francisco Silva de Calheiros e Menezes, Conde de Calheiros, CHD
SECRETÁRIO - Dr. João Pedro de Portugal de Campos Henriques, CHD
TESOUREIRO - Eng. Ilídio da Costa Leite Pinho, CGM
HOSPITALÁRIO - Augusto Carlos de Noronha Azeredo Pinto Osório, CHD
VOGAL - João Evangelista Fiúza Cabral da Silveira, CGM
(Assembleia Geral Ordinária de 25/02/2012 e homologação do Soberano Conselho de 20/04/2012, Decr. N.º 8373)
 
ASSESSORES DO CONSELHO
ASSESSOR DO PRESIDENTE - S.E. Dr. Pedro Rego Costa de Oliveira Cymbron, GCHD
ASSESSOR DO VICE-PRESIDENTE - Prof. Doutor Dom Gonçalo Pinto de Mesquita da Silveira Vasconcellos e Sousa (Castello Melhor), CHD
ASSESSOR DO CHANCELER - Prof. Doutor Bernardo Manuel Teles de Sousa Pacheco de Carvalho, CHD
ASSESSOR DO SECRETÁRIO - Eng.º Salvador Maria Marques da Gama Simões de Almeida, CGM
ASSESSOR DO TESOUREIRO - Dr. António Miguel Vale e Azevedo de Pape, CGM
ASSESSOR DO HOSPITALÁRIO - Ten. Coronel João Paulo Caetano Alvelos, CGM
ASSESSOR DO VOGAL - Dr. Lourenço Perestrello Correia de Matos, CGM
(Homologação do Soberano Conselho de 20/04/2012, Decr. N.º 8373)

ASSEMBLEIA GERAL
PRESIDENTE - Prof. Doutor Dom João Charters de Almeida e Silva, Conde da Bahia, GCHD
VICE-PRESIDENTE e 1.º SECRETÁRIO - S.E. Emb. António de Oliveira Pinto da França, CGD (falecido)
2.º SECRETÁRIO - Dr. Miguel Maria Tavares Festas Gorjão Henriques da Cunha, CHD
(Assembleia Geral Ordinária de 25/02/2012 e homologação do Soberano Conselho de 20/04/2012, Decr. N.º 8373)

CONSELHO FISCAL
PRESIDENTE - Prof. Doutor Pedro Mário Soares Martinez, CGM
VOGAL - Dom Vasco Xavier Telles da Gama, Conde de Cascais, CHD
VOGAL - Eduardo Augusto Rosa de Queiroz, CGM
VOGAL SUPLENTE - Dr. Manuel Maria Horta e Costa Arrobas da Silva, CGD
(Assembleia Geral Ordinária de 25/02/2012 e homologação do Soberano Conselho de 20/04/2012, Decr. N.º 8373)

DELEGADO PARA AS COMUNICAÇÕES
S.E. Dr. Pedro Rego Costa de Oliveira Cymbron, GCHD
(Homologação do Soberano Conselho de 2012)

CAPELÃES
Sua Excelência Reverendíssima o Arcebispo-Primaz Emérito de Braga e Primaz das Espanhas, Dom Eurico Dias Nogueira, CGCConv (Capelão de Honra)
Sua Excelência Reverendíssima o Bispo de Portalegre - Castelo Branco, Dom António Eugénio Fernandes Dias, CGCConv (Capelão-Chefe)
Ex.mo Rev.mo Cónego Doutor Manuel Alves Lourenço, Deão Jubilado da Sé Patriarcal de Lisboa, CM (Região de Lisboa)
Ex.mo Rev.mo Doutor Hugo Fernando de Azevedo, CM (Região Centro)
Ex.mo Rev.mo Cónego Dr. António José da França Melo de Horta Machado, Conde de Alte e de Marim, CM
Ex.mo Rev.mo Cónego Dr. Francisco José Villas-Boas Senra Coelho, CM
Rev. Frei Rui Carlos Antunes e Almeida Lopes, O.P., CM
Rev. Padre João Maria Borges da Costa de Sousa Mendes, CM
Rev. Padre Dr. Dom Gonçalo Nuno Ary Portocarrero de Almada, Visconde de Macieira, CM
Rev. Padre António de Oliveira Colimão, CM
Ex.mo Rev.mo Cónego Doutor Samuel Saúl Rodrigues, CM
Rev. Padre Delmar da Silva Gomes Barreiros, CM
Rev. Padre Ricardo Nuno Carolino Lameira, CM
Rev. Padre João Pedro Serra Mendes Bizarro, CM
 
COMISSÕES DE TRABALHO
 
GABINETE DO PRESIDENTE
CHEFE DE GABINETE
- S.E. Emb. Coronel António Feijó de Andrade Gomes, GCGDOb
MEMBROS
- Dr.ª Dona Maria da Conceição da Costa Moreira de Oliveira Martins, DGD
- Dr.ª Dona Joana Luisa Nigra de Castro e Sousa de Noronha, DGD
 
MALTESER INTERNATIONAL
PELOURO DO PRESIDENTE
- Tenente-Coronel João Paulo Caetano Alvelos, CGM
 
PROTOCOLO MILITAR
PELOURO DO PRESIDENTE
- S.E. Emb. Coronel António Feijó de Andrade Gomes, GCGDOb

COMISSÃO DE DIPLOMACIA MELITENSE NOS PAÍSES LUSÓFONOS
PELOURO DO VICE-PRESIDENTE
- S.E. Emb. Manuel Henrique de Mello e Castro de Mendonça Côrte-Real, GCHD
- S.E. Emb. Eng. António Maria de Mello Silva César e Menezes, Conde de Sabugosa, CHD (Emb. Estraordinário e Plenipotenciário em Angola)
- S.E. Emb. Coronel António Feijó de Andrade Gomes, GCGDOB (Emb. Estraordinário e Plenipotenciário na Guiné-Bissau)
- S.E. Emb. Dr. Pedro d'Espiney Pinto Ferreira, CGM (Emb. Extraordinário e Plenipotenciário em Moçambique)
- S.E. Emb. Dr. Eduardo Norte Santos Silva, CGM (Emb. Extraordinário e Plenipotenciário em S. Tomé e Príncipe)
- S.E. Emb. em Cabo Verde: Nomeado o Dr. Ricardo Jorge Neiva de Oliveira de Aguiar Quintas (01.05.2013)

INTERCAMBIO ENTRE ASSOCIAÇÕES LUSÓFONAS
- S.E. Barão Dr. Miguel António Igrejas Horta e Costa (Santa Comba Dão), GCHD

INICIATIVAS DE NATUREZA ESPIRITUAL E FORMAÇÃO RELIGIOSA
PELOURO DO PRESIDENTE
- Ex.mo Rev.mo Cónego Doutor Manuel Alves Lourenço, Deão Jubilado da Sé Patriarcal de Lisboa, CM
- Ex.mo Rev.mo Cónego Doutor Samuel Saul Rodrigues, CM
- S.E. Emb. Eng.º Dom Ruy Gonçalo do Valle Peixoto e Villas-Boas (Guilhomil), CJ
- Dona Maria Madalena de São Payo e Albuquerque de Mendonça Furtado, Condessa de São Payo, DHD
- Dr. José da Mata Sousa Mendes, CGD
- Eduardo Augusto Rosa de Queiroz, CGM (Coordenador dos Retiros)

OBRAS HOSPITALARES PORTUGUESAS DA ORDEM DE MALTA
(O.H.P.O.M.)
PELOURO DO HOSPITALÁRIO
Corpo de Voluntários da Ordem de Malta - C.V.O.M.
Eng.º José Manuel Soeiro do Nascimento Correia Alves, CGM
 
COMISSÃO ENCARREGUE DAS COMEMORAÇÕES DOS 900 ANOS DA BULA PAPAL PIE POSTULATIO VOLUNTATIS DE SS PASCOAL II

 PELOURO DO SECRETÁRIO
- S.E. Emb. Coronel António Feijó de Andrade Gomes, GCGDOb (Pres.)
- Tenente-Coronel João Paulo Caetano Alvelos, CGM
- Dra. Dona Maria da Conceição Galante, DGM
- Dr. António Miguel Vale e Azevedo de Pape, CGM
- Dra. Dona Joana Nigra de Castro e Sousa de Noronha, DGD
- Dr. António Jorge Brandão de Pinho, CGM
- Prof. Doutor José Eduardo Franco, CGM
- Prof. Doutor Dom João Charters de Almeida e Silva, Conde da Bahia, GCHD (Consultor Cientifico)



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Este belo forte, localizado junto à praia do Tamariz, no Estoril, denominado Forte da Cruz, porque foi edificado no local das ruínas do forte de defesa da costa atlântica do Séc. XVII, que tinha o nome de Forte da Cruz de Santo António Dassubida, foi mandado construir por João Martins de Barros (link), bisavô dos seus actuais proprietários, nomeadamente de Miguel de Polignac Mascarenhas de Barros (link), actual Embaixador da Ordem Soberana de Malta em Portugal. Razão pela qual o denominado Forte da Cruz ostenta hoje a bandeira da Ordem de Malta e é a residência oficial do Embaixador.
De estilo neo-medieval de inspiração Toscana, foi edificado em 1895 a traço do arquitecto italiano Cesar Ianz, e encontra-se, actualmente, em processo de recuperação, restauro e remodelação. Para além de belíssimo, destaca-se na agradável paisagem do Estoril, frente ao mar, e, por isso, muito beneficiam as actuais estruturas representativas da Ordem em promover aí eventos e em ter a sua bandeira asteada em estrutura que muito suscita a curiosidade pela história da Ordem e, nomeadamente, pelo seu papel, legado e actualidade em Portugal.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Um dos dois Palácios localizados na Rua de S. José, em Lisboa, e que alberga hoje o Centro de Apoio Social de Lisboa (CASL), onde ainda se pode observar o brasão de Malta na fachada principal, foi construído no século XIX, chegando a ser a sede da Ordem de Malta em Portugal. Pegado encontra-se o Palácio do Conde de Magalhães e um jardim comum, classificados como Monumento Nacional.


Com a extinção das Ordens Religiosas em 1834, o primeiro passou a integrar a Fazenda Nacional, vindo a ser ocupado pelo Governo Militar de Lisboa. Juntou-se-lhe depois o segundo em 1948, com a aquisição pelo Ministério da Guerra à Marquesa de Santa Cruz dos Manuelles, filha e herdeira do Conde de Magalhães.
Ambos os Palácios foram assim apropriados e utilizados pela Cooperativa Militar até finais de 1998, data em foram transferidos para o IASFA fazendo parte do património do Ministério da Defesa Nacional.


O Palácio ainda hoje denominado Palácio da Ordem de Malta é, pelo que se acaba de referir, elemento de grande importância para a história e entendimento da história da Ordem de Malta em Portugal. Pelo que os seus actuais responsáveis devem fazer os possíveis para que a sua integridade e elementos distintivos sejam mantidos e que, com regularidade, se possibilite evocar a sua importância para a Ordem.