sábado, 18 de maio de 2013

D. Manuel Clemente, Grã-Cruz Pro Piis Meritis da Ordem de Malta, nomeado Patriarca de Lisboa

 
De seu nome completo Manuel José Macário do Nascimento Clemente, Sua Excelência Reverendíssima Dom Manuel Clemente, atual Bispo da Diocese do Porto, nascido a 16 de Julho de 1948, na freguesia de São Pedro e Santiago, em Torres Vedras, pertencente à Diocese de Lisboa, foi recentemente nomeado, por Sua Santidade o Papa Francisco, Patriarca de Lisboa, cargo de que tomará posse e fará entrada solene no dia 7 de julho. Proximamente, no primeiro Consistório, será criado Cardeal da Igreja, passando então a designar-se Sua Eminência Reverendíssima Cardeal-Patriarca de Lisboa.
 
Dom Manuel começou por se formar em História na Faculdade de Letras de Lisboa, mas, correspondendo ao apelo para servir a Igreja de Pedro, entrou no Seminário Maior dos Olivais em 1973. Formou-se em Teologia na Universidade Católica de Lisboa, em 1979, onde foi professor de História da Igreja, presidiu ao Centro de Estudos de História Religiosa e obteve, em 1992, o Doutoramento em Teologia Histórica. Entre 1989 e 1999 foi Vice-Reitor do Seminário Maior do Cristo-Rei dos Olivais.
Em 06 de novembro de 1999 foi nomeado Bispo Auxiliar de Lisboa, por Sua Santidade o Papa João Paulo II, tendo já o título de bispo titular de Pinhel (1999-2007). A sua ordenação episcopal, sob o lema In Lumine Tuo, teve lugar em 22 de janeiro de 2000, por Dom José da Cruz Policarpo, seu antigo professor e atual Cardeal-Patriarca de Lisboa. Em 22 de fevereiro de 2007, foi nomeado bispo da Diocese do Porto, onde deu entrada solene em 25 de março desse mesmo ano.
É autor de uma vasta obra historiográfica, com destaque para títulos como: Portugal e os Portugueses e Um só propósito publicados em 2009. Igreja e Sociedade Portuguesa, do Liberalismo à República e Nas Origens do Apostolado Contemporâneo em Portugal — A Sociedade Católica (1843–1853).

Considerado uma das personalidades mais influentes de Portugal, segundo o semanário "Expresso", «D. Manuel Clemente tem perfil, talento e diplomacia de sobra para lidar com os desafios que lhe surgirem pela frente. Quase a completar 65 anos, está longe da idade da reforma. A sua voz dentro da Igreja e na sociedade é ouvida com atenção, o seu perfil de intelectual e a abertura para o diálogo valeram-lhe várias distinções muito para além dos muros da Igreja». Entre outras distinções, em 11 de Dezembro de 2009, foi galardoado com o Prémio Pessoa, sendo o primeiro dignitário da Igreja a receber esta distinção. Em 25 de abril de 2011 foi agraciado com a Medalha Municipal de Honra da cidade do Porto. Em 12 de dezembro de 2012 foi agraciado com a Grã-Cruz Pro Piis Meritis, uma das mais altas distinções honoríficas concedidas pela Ordem Soberana Militar de Malta.
 
S.E. o Sr. Conde de Albuquerque com S.E.R. Dom Manuel Clemente, por ocasião da imposição das insígnias da Grã-Cruz Pro Piis Meritis, em 12 de Dezembro de 2012.
 
Mensagem de D. Manuel Clemente aos diocesanos de Lisboa

Caríssimos diocesanos do Patriarcado de Lisboa

Por nomeação do Santo Padre, o Papa Francisco, regressarei a Lisboa em julho próximo, para vos servir como Bispo Diocesano. É um regresso enriquecido por quanto aprendi na Igreja Portucalense, na grande generosidade e aplicação dos seus membros, a tantos títulos notáveis. Como sabeis, não é a primeira vez que um bispo portucalense continua o seu ministério entre vós: assim aconteceu designadamente com D. Tomás de Almeida, que daqui partiu para ser o primeiro Patriarca de Lisboa, em 1716.
De Lisboa trouxe eu para o Porto cinquenta e oito anos de vida convivida, como leigo e ministro ordenado, sob o pastoreio dos Cardeais Cerejeira, Ribeiro e Policarpo. De todos eles guardo larga e agradecida recordação, em especial do Senhor D. José Policarpo, de quem fui aluno e depois colaborador próximo no Seminário dos Olivais e no serviço episcopal, muito ganhando com a sua amizade, inteligência e conselho. A ele dirijo neste momento palavras sentidas de muita gratidão e estima, sabendo que posso contar com a sua sabedoria e experiência. Do Porto levo para Lisboa mais seis anos, plenos de vida pastoral intensa nesta grande Igreja e região, quer no dia a dia das suas comunidades cristãs, quer no dinamismo cívico e cultural dos seus habitantes e instituições.
Assim vos reencontrarei. As minhas palavras vão cheias do grande afeto que sempre mantive por todas e cada uma das terras e populações que, de Lisboa a Alcobaça e do Ribatejo ao Atlântico, integram o Patriarcado de Lisboa. Falo das comunidades cristãs e de quantos, ministros ordenados, consagrados e fiéis leigos, nelas dão o seu melhor nas diversas concretizações apostólicas. Falo das associações de fiéis e movimentos, dos institutos religiosos e seculares, das famílias, das instituições e iniciativas de todo o tipo em que a seiva evangélica dá bom fruto. E refiro-me também a todas as realidades sociais e cívicas onde se constrói aquele futuro melhor, justo e solidário de que ninguém de boa vontade pode e quer desistir. Da minha parte, contareis com tudo o que puder, n’ Aquele que nos dá força (cf. Fl 4, 13).
Saúdo com grande amizade os Senhores D. Joaquim Mendes e D. Nuno Brás, bem como todos os membros do cabido e do presbitério, do diaconado e dos serviços diocesanos, dos seminários, paróquias, institutos, associações e movimentos: Todos juntos, na complementaridade dos carismas e ministérios que o Espírito distribui, seremos o Corpo eclesial de Cristo, para que o seu programa vivamente continue, como o enunciou na sinagoga de Nazaré:«O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres…» (cf. Lc 4, 18 ss).
Vosso irmão e amigo, com Cristo e Maria,
+Manuel Clemente
Porto, 18 de maio de 2013

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Quinhentos Anos do Foral Manuelino de Oleiros

No ano em que se celebram 500 anos da atribuição do foral manuelino a Oleiros, aquele município volta a promover a Feira Quinhentista, já nos próximos dias 31 de maio, 1 e 2 de junho de 2013. A edição deste ano inclui ainda o lançamento de um livro sobre o Foral Manuelino de Oleiros, atribuído a 20 de outubro de 1513, da autoria de Leonel Azevedo, professor doutor, natural do concelho de Oleiros.
Incontornável na história de Oleiros é o facto de ter sido uma vila pertencente à Ordem de Malta. Por carta régia de 13 de junho de 1194, D. Sancho I, sua esposa, a rainha D. Dulce e respetivos infantes, doaram a D. Afonso Pelágio, Prior da Ordem do Hospital, e a todos os irmãos desta Ordem, uma terra à qual deu o nome de Belueer (Belver), além de vastos domínios territoriais nas duas margens do Tejo, entre os quais se compreende Oleiros. Anos volvidos, tais territórios foram integrados no Grão-Priorado do Crato da Ordem do Hospital. A 6 de dezembro de 1232, D. Mendo Gonçalves, Prior do Crato concedeu novo foral à vila oleirense. Centúrias depois, em 20 de Outubro de 1513, D. Manuel I renovou aquele foral, fazendo com que Oleiros e constituísse, definitivamente, como terra autónoma, ação extensível ao vizinho concelho de Álvaro, que hoje integra o concelho de Oleiros.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Quinhentos Anos do Foral Manuelino da Sertã

Neste ano de 2013, cumprem-se os 500 anos da atribuição do Foral manuelino à vila da Sertã, em 20 de outubro de 1513.
Incontornável na história da Sertã, é o facto de ter pertencido à Ordem de Malta. Começou por ser doada à Ordem dos Templários no conjunto de terras limitadas pelo rio Tejo e o rio Zêzere. No entanto, a posse da Sertã pelo Templo manteve-se apenas entre 1165 e 1174, já que neste ano o primeiro rei português a transferiu para as mãos da Ordem do Hospital, vindo a ser uma das principais vilas desta Ordem.
O Foral da Sertã inicia-se com a identificação do rei D. Manuel I e do local a que se refere o documento: a Vila da Sertã. Estabelece uma inventariação das terras e dos respectivos proprietários: A Ordem do Hospital. Na parte final do documento refere-se a sua elaboração em três cópias com destinos diferentes: uma para o Concelho, outra para a Ordem do Hospital e outra para a Torre do Tombo. Nenhuma das três cópias subsistiu até à atualidade, existindo apenas o registo no “Livro dos Forais Novos da Beira” e a transcrição do “Livro dos Forais, doações, privilégios e inquirições da Ordem de Malta”.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Investidura de Dom Duarte Pio de Bragança (n.15.V.1945, em Berna), pretendente ao Trono de Portugal, Chefe da Sereníssima Casa de Bragança e Chefe da Casa Real Portuguesa

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Processo de Beatificação de Frei Andrew Bertie

De seu nome completo Andrew Willoughby Ninian Bertie (n.15.V.1929; f.7.II.2008) e nacionalidade britânica, foi o 78º Grão-Mestre da Ordem Soberana, Militar e Hospitalar de São João de Jerusalém, de Rodes e Malta, com o título de Sua Alteza Eminentissima, Principe e Grão-Mestre - Mais Humilde Guardião dos Pobres de Jesus Cristo, dignidade que ocupou desde 1988 até à sua morte em 7 de Fevereiro de 2008.
Aquando de uma das suas visitas a Portugal, em 29 de junho de 1990, foi condecorado com o Grande Colar da Ordem do Infante D. Henrique, Ordem honorífica, que visa distinguir a prestação de serviços relevantes a Portugal, no País ou no estrangeiro ou serviços na expansão da cultura portuguesa, da sua história e dos seus valores.

 
S.A.E. o Grão-Mestre Frà Andrew Bertie com Sua Santidade o Papa Bento XVI
Beatificação e Canonização de Frà Andrew Bertie
Recentemente, a Ordem Soberana Militar de Malta apresentou uma petição para a Beatificação e Canonização de S.A.E. o Grão-Mestre Frà Andrew Bertie.

Assembleia Portuguesa regozija-se com este Processo
Desde que em 7 de Fevereiro de 2008, S.A.E. o Príncipe e Grão Mestre Frei Andrew Bertie regressou à Casa do Pai, a sua memória por entre os fiéis alimentou a «"Fama sanctitatis"; por essa razão a Ordem Soberana Militar de Malta constituiu-se na qualidade de ator da Causa de Beatificação e de Canonização de Frei Andrew Bertie. Cinco anos decorridos após a morte deste Servo de Deus, esta Postulação apresentou o "supplex libellus" ao Tribunal Diocesano do Vicariato de Roma, solicitando deste modo a apresentação desta Causa. Trata-se da primeira vez que é feita a proposta no sentido de reconhecer a Santidade vivida de um Príncipe e Grão Mestre.
O Conselho da Assembleia Portuguesa regozija-se com esta realidade e toma a liberdade de sugerir e recomendar a todos os que tomem conhecimento deste facto que recorram à intercessão de Frei Andrew Bertie para obter graças e milagres de Deus.

domingo, 5 de maio de 2013

1397.V.05- (Évora) El-Rei D. João I outorga Carta de Privilégios à Ordem de S. João do Hospital, concedidos a vinte homens que morarem e povoarem o lugar de Vera Cruz de Marmelar.
 

sábado, 27 de abril de 2013

1386.IV.27- (Chaves) Carta de D. João I, escrita por Martim Gonçalves e endereçada a todos os meirinhos, corregedores, juizes e justiças, na qual, atendendo a frei Álvaro Gonçalves, cavaleiro, Prior da Ordem do Hospital, andar em seu serviço nessa guerra e que lhe era mister as rendas das herdades da Ordem para com elas o servir, mandava que, porquanto os provedores, caseiros, lavradores e serviçais que lavravam e aproveitavam, eram isentos do pagamento de fintas, talhas e de carregos dos concelhos onde moravam, e em seus serviços, os não constrangessem, nem servissem com eles, salvo com o Prior. E outrossim lhes não tomassem bestas, gados, pão e vinho e mais cousas contra suas vontades. E se algumas pessoas o tiverem tomado, que lhe alçassem força e lhes fizessem logo entregar. E mandava que lhe cumprissem esta carta, pois lhe confirmava por esta todas as cartas, privilégios e liberdades que a Ordem havia dos Papas e reis seus antecessores, e lhe fossem guardados todos os coutos e honras, como estava nos ditos privilégios. E mandava a qualquer tabelião que citasse por ela que a dois nove dias parecessem perante os sobrejuizes de sua Corte, e mandava ao seu procurador que os demandasse por seus encoutos.
ANTT - Chancelaria de D. Manuel I, liv. 40, fl. 59

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Festa em Honra de Santa Mafalda de Arouca

 
02 de Maio, 17h00 - Cerimónias Religiosas e Procissão Solene pelas ruas de Arouca, com a representação das Irmandades e Confrarias do concelho de Arouca, dos Cavaleiros de Malta, Monjas e Monges Beneditinos e Cisterciences.
 
Atualização 04.V.2013: Aspeto da Procissão, por Prof. José Cerca
 

quinta-feira, 25 de abril de 2013

A propósito da relíquia de S. Brás doada pelos Hospitalários à rainha Santa Mafalda de Arouca

Entre os bens e objectos incluídos no testamento com que morreu a Beata Mafalda de Arouca, dita Rainha e Santa, em 01 de Maio de 1256, constava uma relíquia que lhe fora doada pela Ordem dos Hospitalários e que Dona Mafalda deixou à Ordem dos Franciscanos do Porto. Tratava-se, nada mais, nada menos, que do queixo inferior com três dentes do mártir S. Brás, bispo e santo católico que viveu entre os séculos III e IV na Arménia. Uma das mais significativas relíquias introduzidas em Portugal por esta Ordem.
Festejada a 2 de Maio pela Igreja Católica, a denominada e venerada por rainha santa Mafalda de Arouca foi beatificada pelo Papa Pio VI em 27 de Junho de 1792.
 
Túmulo de ébano e prata onde repousa o corpo da rainha Santa Mafalda
Igreja do Mosteiro de Arouca
Mafalda foi a nona dos onze filhos d’El-Rei D. Sancho I e de Dona Dulce de Barcelona, neta d’El-Rei D. Afonso Henriques e Dona Mafalda de Sabóia, da qual herdou o nome.
Em 1215, Mafalda subiu ao altar com Henrique I de Castela, mas, como alegadamente seriam parentes e eram ambos ainda muito jovens, não se considerou consumado o casamento, sendo dissolvido no ano seguinte. Henrique de Castela faleceu pouco depois, em 1217.
A Infanta Dona Mafalda, que terá nascido entre 1195 e 1196, regressou então a Portugal, onde, pouco depois, se recolheu no Mosteiro de Arouca, de que veio a ser Abadessa e Padroeira.
 
Antes, porém, ainda que por pouco tempo, terá permanecido nas imediações do Mosteiro de Leça do Balio, onde estreitou relações com a Ordem dos Hospitalários então aí sediada. Desta Ordem recebeu as maiores atenções e considerações, como bem se percebe pela doação da importante relíquia do mártir S. Brás. Mas, também dos bons ofícios e até protecção desta Ordem beneficiou Dona Mafalda, nomeadamente, quando teve que se defender de impugnações a disposições testamentárias promovidas pelo seu próprio irmão e futuro rei de Portugal, D. Afonso II.
 
Seu pai, El-Rei D. Sancho I, segundo rei de Portugal, em 1196, doou-lhe o Mosteiro de S. Salvador de Bouças (em Matosinhos) e destinou-lhe também o de Tuias (perto de Amarante). No seu testamento de Outubro de 1210, D. Sancho I legou-lhe o Mosteiro de Bouças – que afinal já era seu – o de Arouca, a herdade de Seia, que fora de sua mãe, e certos montantes em numerário. Após a morte de Sancho I, seu filho, D. Afonso II, impugnou largamente este testamento, sobretudo devido às dádivas de terras acasteladas a suas irmãs Teresa e Sancha. Mafalda, no entanto, apartou-se rapidamente deste diferendo, entregando Bouças e Vilar de Sande à Ordem do Hospital. Em troca, ficou a Infanta Mafalda de Portugal com o usufruto da Comenda de Rio Meão, bem mais próxima do seu Mosteiro de Arouca, onde a Ordem possuía já também a Comenda de Rossas.
 
No próximo dia 2 de Maio e à semelhança do ano transacto, uma delegação da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana e Militar de Malta deslocar-se-á à vila de Arouca onde participará nas festividades em Honra da Beata Mafalda.

domingo, 21 de abril de 2013

250º Aniversário da Torre dos Clérigos, Porto – A mais emblemática obra de Nicolau Nasoni, artista recomendado pela Ordem de Malta.

Filho de Giusepe Francesco Nasoni e sua mulher Margaretta Rossi, Nicolau Nasoni nasceu em 02 de Junho de 1691 na Toscana, Itália.
Ainda muito jovem Nasoni vai trabalhar numa oficina de Siena, onde aprende pintura, decoração e arquitectura. Teve como mestres Nasini, Franchim e Vicenzo Ferrati.
Com apenas 21 anos é o responsável pelo catafalco para a Catedral de Siena, por ocasião das cerimónias fúnebres de Fernando de Médicis. Trabalho que foi muito apreciado.
Empolgado, Nasoni procura inserir-se melhor no meio artístico. Inscreve-se na academia de artistas – Instituto dei Rozzi, onde é alcunhado “Il Piangollegio”, epiteto evidente pelos retratos que dele chegaram aos nossos dias. A veia artística do jovem Nasoni depressa se revela e, em 1715, é o escolhido pelo Instituto para fazer os trabalhos de decoração para a recepção ao novo arcebispo de Siena, sobrinho do Papa Alexandre VII.
 
Anos mais tarde, ruma à ilha de Malta, onde trabalha o Carro de Marte que desfila no Cortejo do novo Grão-Mestre da Ordem de Malta. De cerimónia em cerimónia, Nasoni causa enorme sucesso quer pela riqueza das decorações quer pela técnica das construções. Uma arte efémera mas que não passa despercebida aos responsáveis da época. Tanto assim foi que Francisco Picolomini o recomendou ao português, culto e faustoso, Dom António Manuel de Vilhena, que então se perfilava para assumir o grão-mestrado da Ordem de Malta.
Uma vez eleito Grão-Mestre, em 1723, Dom António Manuel de Vilhena desafia Nasoni a executar a pintura decorativa dos tectos e corredores do Palácio de Malta. Esta era a verdadeira arte de Nasoni. Utilizando a têmpera e a tela, dominava uma técnica que criou através da perspectiva a ilusão de formas e espaços – pintura ilusionista – fazendo surgir jarrões, flores, panos e colunas, enfim, espaços, cantos e recantos onde eles não existem, nos corredores e tectos do palácio de La Valleta.
 
Enquanto executava este trabalho, muito apreciado, Nasoni estreita relações com o também português Frei Roque Távora e Noronha, cavaleiro de Malta, que o recomendou a seu irmão então deão da Sé do Porto, Dom Jerónimo Távora e Noronha, necessitado de artistas para desenvolver o restauro e melhoramento da Sé do Porto.
Não é conhecida a data exacta em que Nicolau Nasoni chegou à cidade invicta. Sabe-se, no entanto, que em Novembro de 1725 iniciou um trabalho de pinturas na Sé do Porto. Encontrava-se então este edifício de matriz românica em profundas remodelações e foi um dos primeiros edifícios da cidade a sofrer diversas adaptações ao estilo barroco. Segundo um documento redigido entre 1717 e 1741 do Cabido da Sé do Porto, em que alude às grandes obras que se mandaram executar, encontra-se a seguinte nota:
«Para se fazerem com perfeição e acerto todas as obras, e se evitar o perigo de se desmancharem e fazerem 2ª vez por falta de preverem os erros, vieram não só de Lisboa, mas de outros reynos, arquitectos e mestres peritos nas artes a que erão respectivas as obras. Veyo Niculau Nazoni arquitecto, e pintor florentino exercitado em Roma, donde foi chamado a Malta para pintar o pallacio do Grão M(estre)…».

Finda a sua primeira obra nesta cidade, que tanto lhe agradou, Nasoni deixou escrito, em forma de reconhecimento a quem o recomendou, o seguinte: “NICCOLO NASONI FIORENTINO NATURALE DELLA TERRA DI S. GIOVANI VAL DARNO D. SOPRA DIE A DI PINGERE IN QUESTA SE IL 9RE DE 1725 E ORA 1731 E VENE PER MEZZO VENE DEL S.R. DECANO GIROLAMO TAVORA E NOROGNA”.

É durante a execução dos trabalhos na Sé que Nasoni conhece a sua primeira mulher, com quem casou em 1729. Casamento efémero como os seus primeiros trabalhos, no entanto. Natural da Florência, Isabel Castriotto Ricardi, não resiste às complicações com o parto do seu primeiro filho – José Nasoni, que lhe sobreviveu em 25 de Junho de 1730. Porém, Nicolau não permaneceu viúvo por muito tempo. As encomendas sucediam-se e estava agora com um filho nos braços.
O próprio deão Dom Jerónimo de Távora e Noronha promoveu as segundas núpcias de Nasoni com a empregada de companhia de Sua mãe Dona Micaela, a jovem Antónia Mascarenhas Malafaia, que veio de Santo Tirso e teve ascendentes em Arouca.
Sucedeu-se uma carreira de sucesso na região norte do país, com trabalhos notáveis, de que é ex-libris a Torre dos Clérigos de que hoje mesmo passa o seu 250º Aniversário.
 
Retrato de Nicolau Nasoni
Pintura a Óleo, patente na entrada da Torre dos Clérigos
O último e discreto suspiro de Nasoni soou no dia 30 de Agosto de 1773. A Irmandade dos Clérigos Pobres, que anos antes o tinha admitido como membro, encarregou-se de lhe dar sepultura, como era usual fazer com os irmãos:
«… faleceu da Vida pres.te com todos os Sacram.tos o N. Irmão D. Nicolão Nasoni morador na Viella do Paj Ambrosio Freg.ª de Stº Ildefº e foi sepultado nesta igreja sendo asestido p.la Irmandade como pobre e se lhe fiserão os três ofícios como também o da sepultura.».

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Entrega de cópia da Bula fundadora da Ordem de Malta à Assembleia Portuguesa

No dia 3 de Abril e após a celebração da Santa Missa, S.E. o Sr. Dr. Raymond Bondin, Encarregado de Negócios da República de Malta em Portugal, entregou formalmente a S.E. o Sr. Presidente da Assembleia Portuguesa uma cópia da Bula Piae Postulatio Voluntatis, documento fundador da Ordem de Malta outorgado e assinado pelo Santo Padre Pascoal II em Fevereiro de 1113, propriedade do Estado de Malta, encontrando-se depositado na Biblioteca Municipal da cidade de Valetta.
A entrega da cópia da Bula, documento fundador, constitui uma assinalável referência para a Ordem de Malta, esta entrega assume um relevo particular, por nos encontrarmos precisamente no ano em que se celebram os 900 anos da fundação da Ordem de São João do Hospital.
S.E. o Sr. Conde de Albuquerque, S.E. o Sr. Dr. Raymond Bondin e o Reverendo Cónego Dr. Manuel Lourenço, deslocaram-se junto do tripé no qual se encontra assente a Bula devidamente encaixilhada, tendo procedido à cerimónia de inauguração da mesma.
A Assembleia dos Cavaleiros Portugueses passou deste modo a ser uma das raras Assembleias /Associações Nacionais que detêm no seu espólio uma cópia da Bula original, tendo ficado reforçadas as boas relações entre Malta e a Ordem, e em particular entre a Missão Diplomática de Malta em Portugal e a Assembleia Portuguesa.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

CARTAS DE COUTO, FORAL E PRIVILÉGIOS DE D. AFONSO HENRIQUES À ORDEM DE MALTA

A data de entrada da Ordem de Malta em Portugal anda ainda relativamente controvertida na nossa historiografia. No entanto, está documentalmente comprovado que a então denominada Ordem do Hospital de São João de Jerusalém, entrou em Portugal pouco depois de 15 de Fevereiro de 1113, data da Bula Piae Postulatio Voluntatis de Pascoal II, de que se assinalaram recentemente os 900 Anos.

 
Na carta, tirada do latim, que era del-rei D. Afonso Henriques, se continha que fizera couto a dom Reimondo, procurador dos Santos pobres da cidade de Jerusalém, e a dom Aires, prior de Portugal e de Galiza, de todas as cousas até aquele dia tivessem adquirido e possuissem, e das que por diante, por concessão ou conselho dos bons barões, adquirissem. E coutou e confirmou todas as possessões em tal maneira que ninguém seria ousado de as romper, ou, com seus homens, prender alguns deles, nem levar algo de coima. E outrossim absolveu e livrou os homens que morassem em suas herdades de todo o negócio serviçal e tributo. E se acontecesse em algumas herdades, cometerem alguns destes três malefícios: homicídio, furto ou rapina de mulheres, que era dito rousso, e contra algun pudesse legitimamente ser provado, o tal comporia segundo a sua possibilidade, em tal maneira que a casa, que era da Ordem, nunca se perdesse, e das cousas que, por composição pagasse, se desse metade a el-rei, e a outra metade ficasse nesta herança. E seus homens, do que comprassem, não pagassem portagem nem peagem. E quem quebrantasse pagasse 500 soldos da moeda aprovada e corrente, metade para a casa e pobres dela. E quis mais e adeo que nunca os freires do Hospital fossem penhorados, salvo se as razões da penhora fossem primeiramente proferidas e alegadas em sua presença. E mais quis e concedeu que a causa dos freires do Hospital, por informação e conhecimento dos bons barões, sempre fosse determinada. A qual carta o rei dera à honra de Deus e de S. João Baptista, por esmola à dita Ordem, em remimento de seus pecados, ao terceiro dia das kalendas de Abril de 1161 [AD 1123], outorgada com a rainha e com seus filhos e por alguns prelados do reino. ANTT - Chancelaria de D. Manuel I, liv. 40, fl. 59.

30 de Março da Era de 1178, Ano de 1140, será, no entanto, a data correcta, como esclarece José Anastácio de Figueiredo, a página 100 e seguintes, da Parte I, da sua Nova História da Militar Ordem de Malta e dos Senhores Grão-Priores Dela em Portugal, e como confirma uma segunda Carta, cujo teor se pode sumariar da forma seguinte:

Uma carta de D. Sancho I, tirada do latim, na qual outorgava a Rodrigo Pais, Prior da Ordem do Hospital, confirmando uma carta de D. Afonso, seu pai, [[o foro feito a dom Reimondo e a seus irmãos, que eram na terra, por remissão de seus pecados, nas era de 1178 [AD 1140], terceiro dia das kalendas de Abril. Concedeu ainda tudo o que possuissem ou viessem a possuir, e quitou e livrou os seus homens de toda a obra serviçal. E se, nas suas herdades, algum cometesse homicídio, furto ou rousso, comporia segundo sua possibilidade para a Ordem. E do que por composição pagasse, se desse a el-rei a metade, e a outra ficasse nesta herança. E do que comprassem ou vendessem não pagariam nem levada nem portagem. E que nunca aos irmãos do Hospital fossem feitas penhoras nem prendas, salvo se fosse em causa alegada perante o Prior e freires.]] E quem esta sua esmola quebrantasse, pagasse com nome de pena, 500 soldos de moeda aprovada, e [[[com dee cabo]]] restituisse e tornasse a seu dono, sendo metade para a casa de Deus, e pobres dela, e fosse maldito e excomungado e apartado do consórcio dos barões santos, perpetuamente. E outorgara esta carta com consentimento de seus cónegos, dom João, Arcebispo de Braga, dom Aires, Prior que então era, ao qual, e a seus sucessores dera licença que, com justa causa, excomungassem os que a algum freire fizesse injúria. E fosse excomungado e não fosse recebido na igreja até que a ele e a si satisfizesse. As quais cousas concedeu perpetuamente e outorgou na era de 1220 [AD 1182], aos 5 de Julho, com sua mulher e seus filhos e filhas, tendo por testemunhas muitos prelados do reino e outros senhores e oficiais maiores de sua casa, e da rainha, a qual dava por alma de seu pai e remissão de seus pecados, à honra de Deus e de S. João Baptista. ANTT - Chancelaria de D. Manuel I, liv. 40, fl. 59.

Anastácio de Figueiredo, no entanto, esclarece que as Cartas outorgadas à Ordem do Hospital de São João de Jerusalém, datarão de 1133 e 1140, e o traslado da renovação desta segunda terá sido feito por outra nova Carta do mês de Abril de 1157. Só um ano depois desta, D. Afonso Henriques concedeu expedir uma Carta idêntica a favor da Ordem dos Templários.

- ANTT - Chancelaria de D. Manuel I, liv. 40, fl. 59 (A dom Vasco de Ataíde, Prior do Hospital, do Conselho del-rei D. João II, aprovação e confirmação de certas cartas de doações, privilégios, liberdades e graças dadas e outorgadas à Ordem e Priorado, Comendadores e freires).
- FIGUEIREDO, José Anastácio de, Nova História da Militar Ordem de Malta e dos Senhores Grão-Priores Dela em Portugal..., Oficina de Simão Thaddeo Ferreira, Lisboa,1800, Parte I, pág.110 e ss.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Visita à antiga Comenda de Arada




Arada é atualmente uma freguesia pertencente ao concelho de Ovar e distrito de Aveiro, com 15,34 km² de área e 3.318 habitantes (2011).
Documentos do princípio do século XIII fazem crer que Arada já existia como terra povoada, muito antes do seu povoamento oficial no reinado d´El-Rei Afonso II. As primeiras referências a este povoamento encontram-se relacionadas com a doação da "Igreja de Samartinho de Erada", à Ordem do Hospital por Dona Tareiga Rodrigues, em 1220. Foi anexa à Comenda de Rio Meão e extinta em 1834.

domingo, 31 de março de 2013

Visita à antiga Comenda de Maceda



 
Maceda é atualmente uma freguesia e vila pertencente ao concelho de Ovar e distrito de Aveiro, com 15,34 km² de área e 3.521 habitantes (2011). Foi elevada a vila a 13 de Maio de 1999.
A presença da Ordem do Hospital nesta freguesia está documentada desde o século XIII. Existem ainda nos seus limites marcos de granito, datados de 1629, que delimitam a freguesia a norte e a leste. Foi anexa à Comenda de Rio Meão, situação que ainda se verificava em 1785. Foi extinta em 1834.

sábado, 30 de março de 2013

Visita à antiga Comenda de Mozelos

 

 
Mozelos é atualmente uma freguesia pertencente ao concelho de Santa Maria da Feira e distrito de Aveiro, com 5,04 km² de área e 7.142 habitantes (2011).
Contemporânea das demais Comendas que a Ordem deteve nas imediações, Mozelos tinha anexa a maior parte da freguesia de Santa Maria de Meladas, extinta no final do século XV, devido a uma peste que dizimou quase toda a população. Ainda hoje existe aí uma pequena Capela comemorativa da antiga Igreja Paroquial que aí existiu até ao século XII, bem como alguns marcos nos limites da Freguesia, com a “Cruz de Malta”. Foi extinta em 1834.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Visita à antiga Comenda de Rio Meão


 


Rio Meão é atualmente uma freguesia pertencente ao concelho de Santa Maria da Feira e distrito de Aveiro, com 6,47 km² de área e 4.931 habitantes (2011).
Foi a Comenda de Rio Meão instituida após uma doação de 1218, em que Fernão Vasques doou à Ordem do Hospital os bens que aí possuía. Também da Demarcação efetuada em 1630, subsistem ainda muitos marcos com a data de 1629 e a cruz oitavada da Ordem. Foi esta Comenda extinta em 1834.

domingo, 10 de março de 2013

520 Anos do Encontro de Colombo e D. João II


Terminou hoje, em Vale do Paraíso, no concelho de Azambuja, a Recriação Histórica do encontro ali realizado há 520 anos entre El-Rei D. João II e o navegador Cristóvão Colombo.
 
Um evento que se caracterizou pela apresentação de danças e cantares medievais, a realização de cortejos históricos, feira medieval, recriação da entrada real, uma conferência sobre o acontecimento, e visitas guiadas à Casa Colombo, ao Centro de Interpretação e à Igreja de Nossa Senhora do Paraíso.
Foi uma iniciativa da Junta de Freguesia de Vale do Paraíso, com o apoio do Município de Azambuja e a parceria de um vasto conjunto de entidades, e culminou com a entronização do estandarte de Cristóvão Colombo no Centro de Interpretação.

Correspondendo a um convite dirigido pelas autoridades locais, S.E. o Senhor Conde de Albuquerque e o Ex.º Senhor Dr. João Pedro de Campos Henriques, respetivamente presidente e secretário do Conselho da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana e Militar de Malta, participaram nestas festividades comemorativas e assistiram à celebração da Santa Missa, realizada na manhã deste domingo.

A relevância desta presença traduz-se no facto desta ser uma região historicamente importante para a Ordem de Malta, que aí deteve uma das suas mais ricas e importantes Comendas: a Comenda de Pontével, que visitamos recentemente.
Acresce que, durante a sua deslocação a Vale do Paraíso, Cristóvão Colombo terá sido alojado pelo Prior do Crato D. Diogo Fernandes de Almeida, na Casa dos Comendadores da referida Comenda da Ordem Militar do Hospital de S. João de Jerusalém. O então Prior do Crato era filho de D. Lopo de Almeida, 1º. Conde de Abrantes, amigo e parceiro de negócios de Lorenzo de Berardi, pai do banqueiro florentino de Colombo em Sevilha.
Para além do mais, D. Diogo Fernandes de Almeida era um Nobre da total confiança d’El-Rei, seu Monteiro-Mor, Alcaide-Mor de Torres Novas, aio do Governador das Ordens de Santiago e de Avis, membro do Conselho Real. Colombo sabia da importância deste Nobre.

Andam ainda algo controvertidas na historiografia as circunstâncias deste encontro de Cristóvão Colombo com El-Rei D. João II, em Vale do Paraíso, povoação doada em 1272 à Ordem de Santiago de Espada, passada posteriormente, em 1360, ao Convento das Comendadeiras de Santos-o-Novo, em Lisboa.
As teses que o sustentam e procuram fundamentar, cada vez com mais consistência, é certo, socorrem-se do Diário de Bordo do próprio Cristóvão Colombo e de uma missiva de 04 de Março de 1493, data em que terá chegado a Lisboa. O rei neste dia encontrava-se em Rio Maior, mas no dia 5 já estava em Vale do Paraíso. Estanciava por estas paragens para, alegadamente, escapar à Peste que grassava por Lisboa. Colombo só recebeu a resposta d’El-Rei 4 dias depois, quando este lhe pediu para o visitar.
"Sábado 9 de marzo- Hoy partió de Sacanben (Sacavém) para ir adonde el Rey estaba, que era el valle del Paraíso, nueve léguas de Lisboa: porque llovió no pude llegar la noche. El Rey (em Vale do Paraíso) le mandó recibir a los pincipales de su casa muy honradamente, y el Rey también les recibió con mucha honra y le hizo mucha favor y mandó sentar y habló muy bien, ofreciéndole que mandaría hacer todo lo que a los Reys de Castilla y a su servicio complise complidamente y más que por cosa suya; ". Cristóvão Colombo, Diário de Bordo.

Não sendo ainda muito pacífico se o encontro com D. João II, se deu na noite do dia 9 de março ou na manhã de domingo, dia 10, há precisamente 520 anos, é relativamente mais consensual que a jornada terá terminado com uma missa, onde ambos terão rezado, depois d'El-Rei ordenar que se desse a Colombo tudo o que ele precisasse.
"Tras haber permanecido el domingo y el lunes hasta después de misa en aquel lugar, el Almirante se despidió del rey, quien le demostró mucho afecto y le hizo muchos ofrecimientos". Hernando Colón, História del Almirante, p.178.

No dia seguinte à missa com D. João II, Colombo ter-se-á dirigido diretamente para a Azambuja, que fica a cerca de 4 km pela serra, com o objetivo de visitar a Rainha D. Leonor de Lencastre, que estava no Convento de Santo António. Daí rumou ao Sul e daqui a Espanha, terminando assim esta sua curta estadia em Portugal, após o regresso da viagem e descoberta da América.

sábado, 9 de março de 2013

ORDEM DE MALTA REGRESSA A VILA COVA À COELHEIRA

No passado mês de Fevereiro foi formalmente constituído um Núcleo do CVOM – Corpo de Voluntários da Ordem de Malta, em Vila Cova à Coelheira, atual freguesia pertencente ao concelho de Vila Nova de Paiva e distrito de Viseu. Este Núcleo, de acordo, com os seus impulsionadores e membros fundadores «…permitirá “o acordar” da ação hospitalária e presença da Ordem naquela antiga Comenda, com vista ao desenvolvimento das obras assistências hospitalárias a que sempre se votou e que desde sempre existiram, também, naquelas terras: a assistência aos pobres e necessitados e em particular aos doentes e peregrinos».
Recorde-se que Vila Cova à Coelheira - «Cova» porque se situa num vale entre montanhas e «Coelheira», porque nesse vale abundavam coelhos - foi uma das mais antigas Comendas da Ordem de Malta no nosso país.
O povoamento dessa região remonta à época pré-romana, período em que os Lusitanos e os Celtiberos habitavam a zona beiraltina. Vila Cova à Coelheira foi, nos primórdios da nacionalidade, uma “honra“ de Soeiro Viegas, filho de Egas Moniz, aio de D. Afonso Henriques. Pouco depois do falecimento do nosso primeiro rei, Vila Cova à Coelheira foi doada à Ordem do Hospital que, ainda em 1185, aí estabeleceu uma das suas mais importantes comendas da Beira Alta.
Aumentou esta Comenda de tal forma a sua importância e benefícios que, em pouco tempo, já outras Comendas como as de Fontelo e Alvelos lhe estavam anexas e, em 1553, Frei Claude de La Sengle, 48.º Grão-Mestre da Ordem, conferiu-lhe mesmo a categoria de Comenda Magistral do Priorado de Portugal, ou seja, uma comenda diretamente vinculada ao Grão-Prior da Ordem, rivalizando nessa região com a Comenda de Sernancelhe, que detinha a mesma categoria.
Recebeu foral manuelino em 21 de Julho de 1514. Foi vila e sede de concelho desde o século XIII, ou, XIV, até 1836. Nesta data foi anexado a Fráguas para passar ao de Castro Daire a 7 de Setembro de 1895. Restaurado o concelho de Fráguas, com sede em Vila Nova de Paiva, por Decreto de 13 de Janeiro de 1898, as freguesias que constituíam o concelho de Vila Cova à Coelheira (Touro e Vila Cova à Coelheira) foram-lhe anexadas.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Cerimónia Comemorativa dos 900 Anos da Ordem de Malta em Ponta Delgada

Igreja Matriz de Ponta Delgada
Palácio José do Canto
A próxima Cerimónia de Investidura de Novos Membros da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana e Militar de Malta, Comemorativa dos 900 Anos da Ordem, terá lugar no dia 8 de Junho, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, nos Açores.