sexta-feira, 8 de março de 2013

Cerimónia Comemorativa dos 900 Anos da Ordem de Malta em Ponta Delgada

Igreja Matriz de Ponta Delgada
Palácio José do Canto
A próxima Cerimónia de Investidura de Novos Membros da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana e Militar de Malta, Comemorativa dos 900 Anos da Ordem, terá lugar no dia 8 de Junho, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, nos Açores.

quinta-feira, 7 de março de 2013

D. Luís Mendes de Vasconcelos (1541-1623)


Passam hoje 390 anos sobre o falecimento de Frei D. Luís Mendes de Vasconcelos, 55.º Grão-Mestre da Soberana e Militar Hospitalária Ordem de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta (1622-1623), segundo dos quatro Grão-Mestres Portugueses.
Natural de Évora, onde terá nascido por volta de 1541, era filho de Francisco Mendes de Vasconcelos e sua mulher D. Isabel Pais de Oliveira. Neto paterno de Cristóvão Nunes da Costa e Dona Catarina Mendes de Vasconcelos. Neto materno de Paio Rodrigues de Vilalobos e Dona Isabel de Oliveira, todos moradores na cidade de Évora.
Desde muito cedo que a Ordem o pretendeu entre os seus e para isso fez as devidas provanças, chegando a Malta em 1 de Abril de 1572. Antes de rumar a Malta serviu algum tempo junto à pessoa do Senhor D. João de Áustria, Generalíssimo do Mar e filho natural do Imperador Carlos V. Foi Capitão da Galé Esperança por dois anos. Desempenhou as funções de Auditor, Procurador de Encarcerados e Comissário de Pazes. Foi ainda Recebedor da Religião em Portugal, entre 1589 e 1598, Embaixador da Religião em Roma e Conservador Conventual, de que passou a General de Galés, em 1613. Foi ainda Bailio de Aquila, por um Breve particular de Sua Santidade o Papa Paulo V, e de Acre. Por seu primeiro cabimento teve a Comenda de Elvas e Montoito, que deixou melhorando-a com a Comenda de Vera Cruz. Além destas teve de graça as Comendas de Rossas, Frossos, Vila Cova e Algozo, que lhe concedeu o Grão-Mestre Fra' Alof de Wignacourt (1601-1622).
Eis que por fim atingiu o Grão-Mestrado da Ordem, em 17 de Setembro de 1622, correspondendo à última vontade do seu antecessor que pediu «Que em nenhuma outra peffoa votaffem para Grão Meftre seu suceffor, mais que em Fr. Luiz Mendes de Vafconcellos: porque, naquelle trance lhes affirmava que efta era a peffoa, q, pofta naquella Dignidade, feria a mais importante para o serviço de Deos, e bem da Religião». Dignidade de que gozou por apenas um ano e, por isso, enquanto tal, não é muito significativa a sua obra. No entanto, no seu breve governo, demonstrou a grandeza do seu ânimo, a generosidade do seu pensamento e o zelo pela justiça. Faleceu em 07 de Março de 1623 e foi sepultado na cripta da Igreja de S. João, em La Valleta, Malta. Aí se pode ler: D.O.M. Frater Ludovicus Mendes de Vasconcellos. Qui per singulos pacis, bellique gradus ad summum Magisteris culmen virtute duce, conscenderat; In Septimo vix Principatus Mense, Fato bonis infausto Praripitur. Cunstis optatus, nulla non lacrimatus, Hic conditur. Nono Martii M.D.C.XX.III.

Fonte: LIMA, Fr. António Pereira de, Vida, e Acção de Sua Alteza Sereníssima Fr. Luís Mendes de Vasconcellos, Grão Mestre da Sagrada Religião de Malta, Lisboa, 1731.

segunda-feira, 4 de março de 2013

ANTIGAS ORDENS MILITARES PORTUGUESAS

Correspondendo a alguns esclarecimentos que nos têm sido solicitados ultimamente, relativamente às denominadas Antigas Ordens Militares e Ordens Honoríficas Portuguesas, transcrevemos excerto sobre o tema da Página Oficial do Grão-Mestre das Ordens Honoríficas Portuguesas:
 
As Antigas Ordens Militares são o testemunho da tradição secular de que são herdeiras as Ordens Honoríficas Portuguesas. Muito embora conservem a antiga nomenclatura de ‘Ordem Militar’, trata-se hoje em dia de uma designação que pretende destacar o carácter histórico que lhes está associado.
As ordens monástico-militares que lhes deram origem foram criadas na Idade Média, com a aprovação do Papa e com a protecção régia, visando tomar parte activa na Reconquista, à qual deram um contributo decisivo.
As ordens monástico-militares criadas em Portugal (Ordens Militares Nosso Senhor Jesus Cristo, de São Bento de Avis e de Sant’Iago da Espada) e nos restantes reinos da Península Ibérica (Ordens Militares de Santiago, Calatrava, Montesa e Alcântara) inspiraram-se, por seu turno, nas ordens militares criadas no Reino de Jerusalém no século XI para defesa da Terra Santa – a Ordem do Hospital de S. João de Jerusalém e a Ordem dos Templários.
Com o fim da Reconquista no território português, as ordens militares sofreram igualmente uma evolução que passou pelo relaxamento dos primitivos votos de pobreza e castidade e pela perda da sua autonomia no século XVI, com a entrega da sua administração à Coroa.
Este processo conduziu também à sua transformação em ordens que visavam recompensar serviços ou a fidelidade ao Soberano.
A Rainha D. Maria I quis restaurar o prestígio das Ordens, considerando no preâmbulo da Carta de Lei de 1789 que a “não auxiliar com Providencias próprias e accommodadas a tanta desordem, e relaxação, se chegaria por fim ao ponto extremo dellas não serem nem consideradas, nem estimadas, como Insígnias de honra e dignidade” (MELO, Olímpio de; Ordens Militares Portuguesas e outras Condecorações, Imprensa Nacional, Lisboa, 1922, p. 31).
Embora a extinção formal das ordens religiosas e a transferência dos seus bens para a Coroa tenha tido lugar apenas no reinado de D. Maria II, a reforma de 1789 conduziu à sua transformação em ordens de mérito assentes no mérito individual, laicas e puramente honoríficas.
Em 1910, logo após a Revolução Republicana, algumas das ordens vigentes sob o deposto regime monárquico foram extintas, mantendo-se apenas a Ordem Militar da Torre e Espada.
Em 1917 foi reformulada e restabelecida a Ordem Militar de Avis. Em 1918, no final da Guerra Mundial, foram restabelecidas a Ordem Militar de Cristo e a Ordem Militar de Sant’Iago da Espada como Ordens Honoríficas, sendo a função de Grão-Mestre atribuída ao Presidente da República.
Desde 1918 são quatro as Antigas Ordens Militares:
  • Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito;
  • Ordem Militar de Cristo;
  • Ordem Militar de Avis;
  • Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.
A cada uma das Antigas Ordens Militares correspondem finalidades e insígnias específicas, consagradas na Lei das Ordens Honoríficas.
Bibliografia:
CHANCELARIA DAS ORDENS HONORÍFICAS PORTUGUESAS; Ordens Honoríficas Portuguesas, Imprensa Nacional, Lisboa, 1968
ESTRELA, Paulo Jorge; Ordens e Condecorações Portuguesas 1793-1824, Tribuna da História, Lisboa, 2008
MELO, Olímpio de; Ordens Militares Portuguesas e outras Condecorações, Imprensa Nacional, Lisboa, 1922

sábado, 2 de março de 2013

Marcos da Comenda de Rossas, Arouca

Foi há precisamente dez anos que A. J. Brandão de Pinho, então a cursar Direito na Universidade Lusíada do Porto, iniciou a procura e inventariação dos Marcos existentes nos limites da extinta Comenda  de Rossas da Ordem de Malta, actual freguesia de Rossas, no concelho de Arouca. Dos 46 marcos levantados e hábitos abertos em 1630, bem como das reposições feitas em 1656, 1702 e 1769,  foram encontrados e inventariados 23.
Este trabalho foi a motivação necessária para que se estendesse o estudo a muitos outros aspectos da freguesia de Rossas, sendo hoje apenas um dos capítulos de um trabalho mais extenso epigrafado "Rossas - Inventário Natural, Patrimonial e Sociológico", que o autor está empenhado em fazer dar à estampa até ao próximo dia 22 de Agosto do presente ano. Data em que se assinala o 25.º Aniversário do falecimento de Dom Domingos de Pinho Brandão, bispo auxiliar da Diocese do Porto, natural da freguesia de Rossas, que primeiramente se debruçou sobre as Demarcações da Comenda e os Limites da Freguesia.



domingo, 17 de fevereiro de 2013

Bombeiros Voluntários da "Cruz de Malta"

A pouco mais de cinco anos de completar um século de existência, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da “Cruz de Malta”, com o seu quartel-sede na Praça do Leão, em Lisboa, associou-se às Comemorações dos 900 Anos da Bula Pie Postulatio Voluntatis, de Pascoal II, que reconheceu e conferiu protecção ao Hospital de São João, fundado em Jerusalém. Esta importante efeméride para a história da Ordem esteve assim na origem da Cerimónia que hoje teve lugar no quartel-sede dos Bombeiros Voluntários da "Cruz de Malta", e contou com a presença de S.E. o Senhor Embaixador da Ordem de Malta em Portugal, Dr. Miguel de Polignac de Barros, S.E. o Senhor Conde de Albuquerque, presidente do Conselho da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses, o Senhor Dr. João Pedro de Campos Henriques, secretário do Conselho da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses, o Senhor Tenente-Coronel João Alvelos, Assessor do Hospitalário, e Duarte Pizarro, em representação do Corpo de Voluntários.
 
 
 
 
O contexto histórico-social da segunda década do século passado, caracteriza-se pela ocorrência e decorrências do primeiro conflito bélico mundial (1914-1918) a que se somaram algumas epidemias, nomeadamente a denominada Gripe Espanhola (1918-1919), identificada no começo de março de 1918 em tropas dos Estados Unidos, mas que em outubro de 1918 estava já espalhada por todos os continentes, tornando-se numa pandemia mundial. Com efeito, apesar de pouco duradouro, tratou-se de um flagelo extraordinariamente violento e mortal que ao fim de seis meses tinha já dizimado cerca de 25 milhões de pessoas, havendo estimativas que apontam mesmo para um número duas vezes maior.
Em 27 de setembro de 1918, volvidos apenas 19 anos desde a fundação da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem de Malta, um grupo de Cavaleiros, motivado pelo espírito fundador e por preocupações assistencialistas decorrentes, nomeadamente, da epidemia que então grassava impiedosamente, funda a 1.ª Secção Auxiliar de Socorros da cidade de Lisboa, com a designação de Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da “Cruz de Malta”, sob o lema "Pro Fide et Pro Utilitate Hominum".
Um lema que nos recorda o espírito que esteve na origem da fundação da Ordem há mais de 900 Anos em Jerusalém e coincide com o ambiente de Fé que se começava então a viver em Portugal com as Aparições de Nossa Senhora, em Fátima, pouco mais do ano antes da fundação deste Corpo de Bombeiros. Em pouco tempo, os Bombeiros Voluntários da "Cruz de Malta", para além dos serviços prestados na sua área de influência, estavam na estrada a auxiliar os peregrinos a Fátima, tal qual a Ordem o faz ainda hoje, tal qual a Ordem o fez outrora aos peregrinos à Terra Santa.
 
O espírito de Fé, de voluntariado e assistencialismo que une a Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem de Malta e a Associação dos Bombeiros Voluntários da “Cruz de Malta”, que entretanto fizeram o seu próprio caminho, teve assim hoje um feliz, enriquecedor e promissor encontro com a história.

Com a devida vénia à Associação dos Bombeiros Voluntários da "Cruz de Malta", apresentamos seguidamente algumas fotos do seu arquivo histórico.

 

 





 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Visita aos edifícios da Ordem em Roma

Por ocasião da deslocação a Roma, no âmbito das Comemorações dos 900 Anos da Bula Pie Postulatio Voluntatis, pela qual o Papa Pascoal II aprovou a fundação do hospital de São João, em Jerusalém, e consagrou o Estatuto e Soberania da Ordem, aproveitamos para visitar os edifícios da Ordem nesta cidade. Dois deles, a sede do Grão-Priorado, no Monte Aventino, e o Palácio Magistral, na Via dei Condotti, com estatuto de extraterritorialidade, reconhecido pelo Estado Italiano, em 1869.
 
Casa dos Cavaleiros de Rodes, no Fórum Imperial
Da presença mais remota da Ordem de Malta em Roma, subsiste, no entanto, ainda hoje, a denominada Casa dos Cavaleiros de Rodes, edifício sobranceiro ao Fórum Imperial. Trata-se de um castelo medieval do século XII, parcialmente incrustado no Fórum de Augusto, que terá sido adquirido pela Ordem dos Cavaleiros de São João de Jerusalém quando se encontravam ainda sediados na ilha de Rodes.
Com efeito, alguma historiografia atribui esta propriedade à Ordem dos Hospitalários a partir de 1466, ano em que Sua Santidade o Papa Paulo II terá confiado a administração do Convento dos Cavaleiros de São João de Jerusalém ao seu Cardeal Marco Barbo.
Refira-se que a área envolvente deste edifício foi afetada pela reconversão que entre 1924 e 1932 levou à abertura da Via dei Fori Imperiali, de que resultou o desaparecimento dos edifícios medievais do Mosteiro de São Basílio e de um Convento Dominicano do século XVI.
Em 1930-1946 o edifício encontrava-se na posse da Comuna de Roma e foi restaurado, mas, em 1946, voltou a ser confiado à Ordem, sendo desde então a sede da Associação Italiana da Ordem Soberana Militar de Malta e do Corpo Italiano de Socorro da OSMM, com sua Capela dedicada ao Santo Patrono São João Baptista.
 

 
Grão-Priorado da Ordem de Malta, no Monte Aventino
Terá sido um Mosteiro beneditino fortificado no século X, passando depois a propriedade dos Templários, até à extinção desta Ordem, em 1312, altura em que passou para a Ordem dos Hospitalários de São João de Jerusalém e de Rodes.
Está esta Villa sobranceira ao rio Tibre, com largas e belas vistas sobre a baixa de Roma e as cúpulas do Vaticano. Aí se chega pela via Santa Sabina, que termina na pequena e pitoresca Piazza dei Cavallieri di Malta, onde se encontra, no Portal principal da propriedade, um dos motivos de maior atração e curiosidade do Monte Aventino. O Buraco da Fechadura, pelo qual se avistam três "Estados": o da Ordem de Malta; o de Itália e o do Vaticano, cuja cúpula da Basílica de S. Pedro se afigura bem ao centro da perspetiva, enquadrada pelos cedros que ladeiam a entrada principal da Villa do Grão-Priorado.
Para além do Palácio do Grão-Priorado, que alberga também a Embaixada da Ordem de Malta em Itália, podemos ainda encontrar nesta propriedade a Igreja de Santa Maria do Priorado, uma antiga e bela igreja completamente redesenhada por Piranesi em 1765, cujo frontão é emparelhado por pilastras com capitéis fantasiosos e uma torre ladeada por esfinges sentadas, proporcionando talvez o exemplo mais antigo de arquitetura neoclássica em Roma.


 
Palácio Magistral da Ordem de Malta, na Via dei Condotti
Em 12 de junho de 1798, as forças francesas sob comando de Napoleão Bonaparte capturaram a cidade de La Valletta, na ilha de Malta, que até então e desde a doação do Sacro Imperador Romano Carlos V, em 1530, era a capital da Ordem dos Cavaleiros Hospitalários de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta. Napoleão deixou a cidade com uma guarnição considerável e uma administração escolhida a dedo. Em 5 de setembro de 1800, os britânicos conquistaram a ilha das forças francesas e foi feita uma colônia britânica em 30 de março de 1814 pelo Tratado de Paris. Razão pela qual, a Ordem de Malta ficou sem território, e chegou mesmo a ser dissolvida, depois de se ter instalado temporariamente em Messina, Catânia e Ferrara. Ressurgiu, no entanto, em 1834 – ano em que foi extinta em Portugal -, sob o novo nome "Ordem Hospitalária, Soberana e Militar de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta", ou simplesmente "Ordem Soberana Militar de Malta" (OSMM).
Antonio Bosio, famoso arqueólogo italiano, cujo pai era o representante da Ordem de Malta junto da Santa Sé, comprou o edifício na então Via dei Trinitatis, que mais tarde se viria a tornar o Palácio da Ordem de Malta; quando morreu, em 1629, deixou o prédio para a Ordem. De 1889 a 1894, foi reformado e reestruturado, com recuperação da traça original.
Está este prédio localizado no centro da cidade de Roma, na afamada Via dei Condotti, a poucos passos da Praça de Espanha.

 
 
Território próprio da Ordem de Malta
Apesar de se referir frequentemente que a Ordem de Malta tem o estatuto de um Estado Soberano, embora sem território, a Villa do Grão-Priorado, no Monte Aventino, e o Palácio Magistral, na Via dei Condotti, em Roma, efetivamente, constituem território próprio da Ordem, desde 1869. A que acresce o Forte de S. Ângelo, na Ilha de Malta, datado de 1530, concedido à Ordem por 99 anos, com caráter extraterritorial, pelo respetivo Governo em 13 de Março de 2001, como forma de assinalar e comemorar os 200 anos volvidos sobre a saída da Ordem daquela Ilha. Durante a Segunda Guerra Mundial considerou-se muito seriamente a possibilidade de lhe ser dada a soberania do território de Israel.
No entanto, a soberania da Ordem de Malta só veio a ser reconhecida em 1966, não como um Estado, pese embora o seu estatuto muito especial que lhe confere o reconhecimento como pessoa jurídica de Direito Internacional Público, mas como uma organização internacional, como a ONU ou a Cruz Vermelha. A soberania da Ordem faz com que lhe seja permitido imprimir os seus próprios selos e expedir os seus próprios passaportes, concedendo, efetivamente, nacionalidade maltesa aos seus membros. Atualmente, a Ordem de Malta mantém relações diplomáticas com o Vaticano e mais de cem países espalhados pelos 5 continentes, onde possui, inclusive, embaixadas, como é o caso de Portugal. O território ocupado pelas embaixadas é considerado solo maltês e os representantes diplomáticos da Ordem também são considerados cidadãos malteses.
Frequentemente, as Missões Diplomáticas de Estados junto da Santa Sé, acumulam a representação desses mesmos Estados junto da Ordem de Malta. Pelo que é muito comum encontrar o Brasão de Armas da Ordem de Malta nas fachadas das Embaixadas de Estado junto da Santa Sé, como é o caso, por exemplo, da Embaixada de Portugal, cujo atual e belo edifício também tivemos a oportunidade de visitar, e da Embaixada de Espanha, sita na Praça com o mesmo nome, ao cimo da Via dei Condotti.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

PALAVRAS DE SUA SANTIDADE O PAPA BENTO XVI DIRIGIDAS AOS CAVALEIROS DA ORDEM DE MALTA EM 09.II.2013

 
Queridos Irmãos e Irmãs!
Com alegria, acolho e saúdo a cada um de vós, Cavaleiros e Damas, Capelães e voluntários, da Ordem Soberana Militar de Malta. Saúdo de modo especial Sua Alteza Eminentíssima o Grão-Mestre Frei Matthew Festing, agradecendo-lhe as amáveis palavras que me dirigiu em nome de todos vós; agradeço também a oferta monetária que me quisestes entregar e que destinei a uma obra de caridade. Dirijo uma saudação afectuosa aos Cardeais e aos Irmãos no Episcopado e no Presbiterado, nomeadamente ao meu Secretário de Estado, que acaba de presidir à Eucaristia, e ao Cardeal Paolo Sardi, Patrono da Ordem, a quem agradeço a solicitude com que se empenha na consolidação do vínculo especial que vos une à Igreja Católica e de modo peculiar à Santa Sé. Com gratidão, saúdo D. Angelo Acerbi, vosso Prelado. Por fim, saúdo os membros do Corpo Diplomático, bem como todas as altas personalidades e autoridades aqui presentes.
Este encontro é motivado pela passagem do nono centenário do solene privilégio Pie postulatio voluntatis, de 15 de Fevereiro de 1113, pelo qual o Papa Pascoal II colocava a recém-nascida «fraternidade hospitalar» de Jerusalém, dedicada a São João Baptista, sob a tutela da Igreja e a tornava soberana, constituindo-a como Ordem de direito eclesial com a faculdade de eleger livremente os seus superiores, sem interferência da parte de outras autoridades seculares ou religiosas. Esta importante ocorrência reveste-se de um significado especial no contexto do Ano da Fé, durante o qual a Igreja é chamada a renovar a alegria e o compromisso de acreditar em Jesus Cristo, único Salvador do mundo. A este respeito, também vós sois chamados a acolher este tempo de graça, para aprofundar o conhecimento do Senhor e fazer resplandecer a verdade e a beleza da fé, através do testemunho da vossa vida e do vosso serviço nos dias de hoje.
A vossa Ordem distinguiu-se, desde o início, pela sua fidelidade à Igreja e ao Sucessor de Pedro, bem como pela sua irrenunciável fisionomia espiritual, caracterizada por um alto ideal religioso. Continuai a caminhar por esta estrada, testemunhando concretamente a força transformadora da fé. Pela fé, os Apóstolos deixaram tudo para seguir Jesus, e depois foram pelo mundo inteiro, cumprindo o mandato de levar o Evangelho a toda a criatura; sem medo algum, anunciaram a todos a força da cruz e a alegria da ressurreição de Cristo, das quais tinham sido testemunhas directas. Pela fé, os mártires deram a sua vida, mostrando a verdade do Evangelho que os transformara e fizera capazes de chegar até ao dom maior, fruto do amor, com o perdão dos seus próprios perseguidores. E pela fé, ao longo dos séculos, os membros da vossa Ordem prodigalizaram-se, primeiro, na assistência dos doentes em Jerusalém e, depois, no amparo dos peregrinos na Terra Santa, expostos a graves perigos, escrevendo gloriosas páginas de caridade cristã e defesa da cristandade. No século XIX, a Ordem abriu-se a espaços novos e mais amplos de actividade no campo da assistência e ao serviço dos doentes e dos pobres, mas sem nunca renunciar aos ideais originários, mormente ao duma intensa vida espiritual de cada um dos seus membros. E o vosso empenho deve prosseguir na mesma direcção, com uma atenção muito particular à consagração religiosa – a dos Professos – que constitui o coração da Ordem. Não deveis esquecer jamais as vossas raízes, quando o Beato Geraldo e os seus companheiros se consagraram com os votos ao serviço dos pobres, tendo o privilégio Pie postulatio voluntatis sancionado a sua vocação. Assim os membros da recém-nascida instituição apresentavam-se com os traços da vida religiosa: o empenho por alcançar a perfeição cristã através da profissão dos três votos, o carisma a que se consagravam e a fraternidade entre os membros. Também hoje a vocação do professo deve ser objecto de grande solicitude, naturalmente sem descuidar a vida espiritual de todos.
Neste sentido, quando comparada com outras realidades comprometidas internacionalmente na assistência aos doentes, na solidariedade e na promoção humana, a vossa Ordem distingue-se pela inspiração cristã que deve orientar constantemente o compromisso social dos seus membros. Sabei preservar e cultivar este vosso carácter qualificativo e trabalhai com renovado ardor apostólico, sempre numa atitude de profunda sintonia com o Magistério da Igreja. A vossa obra preciosa e benfazeja, articulada em vários âmbitos e realizada em diversas partes do mundo, concentrada de modo particular no serviço ao doente através de estruturas hospitalares e sanitárias, não é simples filantropia mas expressão eficaz e testemunho vivo de amor evangélico.
Na Sagrada Escritura, o apelo ao amor do próximo está ligado com o mandamento de amar a Deus com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças (cf. Mc 12, 29-31). Por conseguinte, o amor do próximo corresponde ao mandato e ao exemplo de Cristo, se estiver fundado num verdadeiro amor a Deus. Assim o cristão, com a própria dedicação, pode fazer experimentar aos outros a ternura providente do Pai celeste, graças a uma conformação cada vez mais profunda a Cristo. Entretanto para dar amor aos irmãos, é necessário tirá-lo da fornalha da caridade divina por meio da oração, da escuta assídua da Palavra de Deus e de uma vida centrada na Eucaristia. A vossa vida de cada dia deve estar permeada pela presença de Jesus, sob cujo olhar sois chamados a colocar também os sofrimentos dos doentes, a solidão dos idosos, as dificuldades dos deficientes. Indo ao encontro destas pessoas, vós servis Cristo: «Sempre que fizerdes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40).
Queridos amigos, continuai a trabalhar na sociedade e no mundo ao longo das estradas-mestras indicadas pelo Evangelho: a fé e a caridade, para reavivar a esperança. A fé, como testemunho de adesão a Cristo e de compromisso na missão evangélica, que vos estimula a uma presença sempre mais viva na comunidade eclesial e a uma pertença cada vez mais consciente ao Povo de Deus; a caridade, como expressão de fraternidade em Cristo, através das obras de misericórdia a favor dos doentes, dos pobres, dos necessitados de amor, conforto e assistência, dos atribulados pela solidão, a desorientação e as novas pobrezas materiais e espirituais. Estes ideais estão bem expressos no vosso lema: «Tuitio fidei et obsequium pauperum». Nestas palavras, está bem sintetizado o carisma da vossa Ordem que, como sujeito de direito internacional, não aspira a exercer poderes nem influências de carácter mundano, mas deseja desempenhar com plena liberdade a sua missão em prol do bem integral do homem, espírito e corpo, atendendo tanto aos indivíduos como à comunidade, sobretudo àqueles que mais precisam de esperança e de amor.
A Santíssima Virgem – a Bem-aventurada Virgem de Filermo – sustente com a sua protecção materna os vossos propósitos e projectos; o vosso protector celeste São João Baptista e o Beato Geraldo, os Santos e Beatos da Ordem vos acompanhem com a sua intercessão. Quanto a mim, asseguro-vos a minha oração por vós aqui presentes, por todos os membros da Ordem, bem como pelos numerosos e beneméritos voluntários, incluindo o consistente grupo das crianças, e por quantos vos coadjuvam nas vossas actividades, ao mesmo tempo que de coração vos concedo, extensiva às vossas famílias, uma especial Bênção Apostólica.
clicar na imagem para ver vídeo

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

 
 
 
 
por Coronel António Feijó e Maria Filomena Ataíde
 Para mais informações e fotos, nomeadamente sobre a delegação portuguesa, consultar

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Recepção na Embaixada de Portugal junto da Santa Sé e junto da Ordem de Malta


No dia anterior à Cerimónia de Comemoração dos 900 Anos da Bula Pie Postulatio Voluntatis de Pascoal II, no Vaticano, uma delegação composta por cerca de setenta membros da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da OSMM, presidida por S.E. o Senhor Conde de Albuquerque, foi recebida na Embaixada de Portugal Junto da Santa Sé e junto da Ordem de Malta, por S.E. o Encarregado de Negócios de Portugal, Dr. Luiz de Albuquerque Veloso. Estiveram presentes também S.E. o Senhor Embaixador da OSMM em Portugal e demais Embaixadores da OSMM junto das ex-colónias portuguesas, S.E. o Senhor Embaixador de Portugal acreditado junto da República Italiana, SAR. o Duque de Bragança e Sua Eminência o Sr. Cardeal D. Manuel Monteiro de Castro.
 
Para mais informações e fotos, consultar o blog oficial da Assembleia Portuguesa.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Quando se comemoram os seus 900 Anos, o que diz a Bula Pie Postulatio voluntatis?

 
Pascoal, Bispo, servo dos servos de Deus, ao seu venerável filho Gérard, fundador e reitor do Hospício de Jerusalém, e aos seus legítimos sucessores para sempre.
O teu pedido nascido de uma vontade piedosa deve ser atendido da forma que se segue.
Pediste com afecto que fosse confirmado, com a autoridade da Sé Apostólica e colocado sob a protecção do Beato Apóstolo Pedro aquele Hospício que Tu fundaste na cidade de Jerusalém, junto à Igreja de São João Baptista.
Nós, portanto, estando muito agradados com o zelo com que praticas a hospitalidade, com bondade paternal, acolhemos a tua instância e ordenamos com a autoridade do presente decreto que aquela Casa do Senhor e aquele Hospício estejam de ora em diante sob a tutela da Santa Sé Apostólica e da protecção do Beato Pedro.
Ordenamos, portanto, que sejam mantidos para sempre e integralmente todos os bens que, com o objectivo de acudir às necessidades dos peregrinos e dos pobres, tenham sido adquiridos pelo dito Hospício na sequência da tua solicitude e perseverança nas Igrejas de Jerusalém ou nas paróquias de outras cidades, ou ainda que te tenham sido oferecidos por qualquer pessoa piedosa ou que no futuro, pela Graça de Deus, te sejam doados ou que tu adquiras por um qualquer modo justo ou, ainda, todas as coisas que te sejam concedidas a ti ou aos teus sucessores e aos irmãos aí ocupados no cuidado aos peregrinos pelos veneráveis irmãos Bispos da Igreja de Jerusalém.
Deste modo, ordenamos que os dízimos por vós recolhidos, em qualquer lugar, à vossa custa e pelo vosso trabalho, sem oposição dos Bispos e dos seus ministros, os tenha e os possua o vosso Hospício.
Ratificamos também as doações e os tributos que ao vosso Hospício outorgaram nobres tementes a Deus.
Pela tua morte, Tu que és agora o reitor e responsável deste lugar, que nenhum homem, por qualquer astúcia subreptícia ou por violência seja escolhido para o guiar, mas tão só aquele que os irmãos professos providenciem e elejam, de acordo com a vontade de Deus.
Além disso, confirmamos a ti e aos teus sucessores para sempre, os quais deverão devotar-se ao trabalho hospitalário com piedade e seriedade, por teu intermédio, todas as honras ou posses, que o mesmo Hospício actualmente possua deste lado ou além-mar, isto é, na Europa ou na Ásia, ou que, no futuro, pela graça de Deus venha a obter.
Decretamos além disso que seja ilegítimo a qualquer homem imprudentemente perturbar o dito Hospício, ou esbulhar os seus haveres, ou reter os realizados fora, ou diminui-los, ou importuna-los com aborrecimentos vexatórios. Mas antes, que todos os seus haveres sejam preservados intactos para uso e fruição exclusiva daqueles para cujo benefício e auxílio foram concedidos.
Para além disso, decretamos que permaneçam perpetuamente sob a tua subordinação e à tua disposição e dos teus sucessores, como se encontram hoje, os hospitais e hospícios dos peregrinos situados nas regiões do ocidente, junto ao Burgo de Santo Egídio, Asti, Pisa, Bari, Otranto, Tarento, e Messina, hoje célebres sob o nome de Jerusalém.
Pelo que, se no futuro, qualquer pessoa, seja eclesiástico ou secular, sabendo deste documento que nós emanamos, imprudentemente o tentar contrariar, e se depois de um segundo ou terceiro aviso não se emendar de forma satisfatória e adequada, que seja privado da sua dignidade, poder e honra, e que lhe seja dado a conhecer que é acusado perante o tribunal de Deus pela iniquidade que ele tenha cometido, e que ele seja excluído do Santíssimo Corpo e Sangue de Deus e do Nosso Senhor Redentor Jesus Cristo e, no último Julgamento, deixá-lo sofrer a mais severa punição.
Mas que a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo recaia sobre todos aqueles que procederem com justiça para com o Hospício, e que aqui possam receber a recompensa pela boa conduta e perante o Juiz Universal possam desfrutar das bênçãos da paz eterna. Amen, Amen.
Eu Pascoal Bispo da Igreja Católica assinei.

Eu Ricardo Bispo de Albano assinei.

Eu Landolfo Arcebispo de Benevento li e assinei.

Eu Conon Bispo da Igreja de Preneste li e assinei.

Eu Anastácio Cardeal Sacerdote de São Clemente assinei.

Eu Gregório Bispo de Terracina li e assinei.
Eu João Bispo de Mileto li e assinei.
Eu Romualdo Cardeal Diácono da Igreja de Roma assinei.
Eu Gregório Cardeal Sacerdote de São Crisóstomo li e assinei.

Dado em Benevento, pela mão de João, Cardeal Diácono da Santa Igreja Romana e Bibliotecário, no dia 15 antes das calendas de março, na proclamação 6, no ano de 1113 da Encarnação de Nosso Senhor, e no 14º ano de Pontificado de nosso Senhor Papa Pascoal II.
(tradução livre de versão em Inglês, por A. J. Brandão de Pinho)
 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Ordem de Malta comemora os 900 Anos da Bula de Pascoal II no Vaticano

 
Começa amanhã, em Roma e, principalmente, no Vaticano, a semana de comemorações dos 900 Anos da Bula Pie Postulatio voluntatis, de 15 de Fevereiro de 1113, pela qual o Papa Pascoal II colocou a Ordem de Malta sob a proteção da Santa Sé, formalizando a Sua identidade espiritual e institucional.
São esperados no Vaticano mais de 4.000 membros e voluntários da Ordem de todo o Mundo, dentre os quais, mais de meia centena são membros e voluntários da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses.
O ponto alto das comemorações está reservado para sábado, 9 de fevereiro, em que será celebrada uma Missa na Basílica de São Pedro, pelo Cardeal e Secretário de Estado Tarcisio Bertone, a que se juntará, mais tarde, Sua Santidade o Papa Bento XVI.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

ORDEM SOBERANA E MILITAR DE MALTA
NOVE SÉCULOS DE HISTÓRIA (1113-2013)
AO SERVIÇO DA FÉ E DOS MAIS NECESSITADOS
 

Um grupo de mercadores de Amalfi funda, em meados do século XI, um hospital próximo do Santo Sepulcro, o qual, aquando da tomada de Jerusalém, em 1099, já possuía uma capela dedicada a São João de Alexandria, encontrando-se dirigido por um leigo, Gerardo, sob a tutela dos beneditinos.
Posteriormente, o hospital autonomiza-se e muda o seu patrono para São João Baptista, aproximando-se dos cónegos do Santo Sepulcro. Em 15 de Fevereiro de 1113, o Papa Pascoal II, através da Bula Pie Postulatio Voluntatis, reconhece a Ordem do Hospital, a qual viria a fundar inúmeros institutos na Europa. Os seus estatutos foram fixados por Raimundo de Puy, sendo a regra aprovada por Eugénio III, em 1153.
Tendo como objectivos primevos a assistência aos pobres, doentes e peregrinos, cedo os hospitalários, tal como aconteceu com outras ordens, passaram a ter uma função militar, relacionada com a defesa dos territórios cristãos na Terra Santa e, depois na Europa, em especial na Península Ibérica. Protegiam também os peregrinos junto das principais vias de passagem para Jerusalém.
A Ordem de S. João possuía estabelecimentos hospitalares em Jerusalém, Acre Chipre e Rodes, para além de vários sítios na Europa. Com a perda de Acre (1291), onde se havia centrado a sede da Ordem, e o fim da presença europeia na Terra Santa, os hospitalários transferem a sua sede para Chipre. Em 1530, mediante acordo celebrado com o imperador Carlos V, a Ordem do Hospital passa a sua sede para a ilha de Malta, facto que originou a nova designação, Ordem de Malta.


Bula "Pie Postulatio voluntatis", de 15 de Fevereiro de 1113, pela qual o Papa Pascoal II (n.13.VIII.1099, f.21.I.1118), reconheceu o estatuto religioso e confirmou a  soberania da Ordem do Hospital.