quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Bruxelas, 17 de Fevereiro de 2009 - O Grão Mestre da Ordem de Malta, Frei Mateus Festing com o Presidente da Comissão Europeia, José Durão Barroso, assinam acordo de cooperação internacional.

domingo, 26 de outubro de 2008

Belver, depois de Leça e antes do Crato...

O Castelo de Belver tem na sua génese a concorrência de todo um conjunto de circunstâncias, que em si constituem o suporte da luta que os nossos primeiros monarcas encetaram pela consolidação da independência e expansão do território português, no sentido do sul muçulmano. O movimento da "reconquista cristã" na Península Ibérica, inserido no quadro do desenvolvimento e expansão da Europa dos séculos XII e XIII (as Cruzadas), está na origem da fundação do reino de Portugal, cujo território, constituído na luta antimuçulmana para sul, até à conquista do Algarve por Afonso III, que marcaria o fim de praticamente cinco séculos de domínio árabe em território hoje português. A outra frente desta mesma luta pela autonomia, situou-se no eixo oriental, contra as quase constantes ambições de absorção de Portugal por parte dos reinos vizinhos de Leão e Castela, que iam mantendo vivo o velho ideal da unificação cristã peninsular.Afonso Henriques, Sancho I, Afonso II, Sancho II, e Afonso III, são os monarcas que conduzem o processo de expansão e consolidação territorial, que se caracteriza essencialmente pelo primado da mobilização da máquina de guerra, em constante actividade, ora avançado para o sul, ora recuando, ao longo das linhas naturais que arduamente se defendiam. Fortificar, colonizar, seriam os vectores da política real, a melhorar a defesa seria a ocupação do solo por uma população estável, que a qualquer momento pudesse acorrer em sua defesa. Afonso Henriques havia conseguido notáveis progressos no avanço cristão em direcção ao sul, mas a ausência de uma política real de colonização tornou frágeis as possibilidades de defesa das praças conquistadas, nomeadamente no Alentejo. Assim sendo, a ofensiva árabe desencadeada por Iacub Al Mansur em 1190, fez recuar a presença cristã em solo alentejano até à linha do Tejo, com excepção de Évora.Essencialmente a preocupação de Sancho I no aspecto militar é consolidar o território cristão ao longo da linha do Tejo, dando-lhe possibilidades de defesa e, por isso mesmo, promovendo o seu povoamento progressivo. Na zona compreendida entre Santarém, Abrantes e Vila Velha de Rodão, ao longo do Tejo, vão-se desencadear diversas acções de povoamento e fortificação, cabendo à zona hoje ocupada por Belver, um papel essencial na defesa do referido eixo. Tal tarefa é atribuída pelo rei à Ordem Militar do Hospital, a quem faz a doação da zona chamada de "Guidintesta", que se estendia pelas suas margens do Tejo, denominada estrategicamente pelo ponto onde Sancho I manda erguer o Castelo de Belver. (Carta de Sancho I em 13/06/1194): ..."Vobis clomno Alfonso Pelagii Hospitalis... terra que vocatur Guidintesta, in qua concedimus vobis ut faciatis castellum cui imponimus nomen Belver".



Iniciado logo a seguir à doação do rei Afonso Pais, prior da Ordem dos Hospitalários, o castelo estaria concluído em 1212, passando a funcionar como Casa-Mãe daquela Ordem Militar, substituindo assim a anterior sede situada no Mosteiro de Leça. Segundo o testamento de Sancho I, citado na crónica de Rui de Pina, ficaria à guarda do prior do Hospital, na fortaleza de Belver, uma parte importante dos 500.000 maravedis de ouro e dos 1.400 marcos de prata destinados àquela Ordem, bem como as esmolas que o testamento previra. Segundo os historiadores, Belver teria funcionado como Casa-Mãe dos Hospitalários durante praticamente um século, até que em 1350 a sede muda para o Crato, por determinação de D. Álvaro Gonçalves Pereira, que era então o prior daquela Ordem. Em 1390, D. Nuno Álvares Pereira, chefe militar do rei D. João I, encarregou-se da ampliação e melhoramento do Castelo de Belver, sendo a traça destas obras aquela que permaneceu até aos nossos dias, em que se procedeu ao restauro completo deste monumento por parte da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (nos anos 40).Para fazer história deste Castelo, poder-se-á partir de três vectores fundamentais que determinaram a sua funcionalidade no tempo. Assim, em primeiro lugar, o Castelo de Belver encontra-se ligado ao sistema político-militar próprio do período inicial da História de Portugal, caracterizado pela conquista do território aos muçulmanos e implantação de sistemas defensivos nas zonas geograficamente estratégicas, de modo a consolidar pela defesa e pelo povoamento, o progressivo avanço do território português em direcção ao sul algarvio. A construção e a primeira fase da vida de Belver teriam estas características, que fundamentalmente dependiam do governo da Ordem Militar dos Cavaleiros do Hospital, que tal como as outras ordens religiosas militares se enquadra no espírito da reconquista e da cruzada próprios dos séculos XII e XIII.O segundo vector que determina a História deste monumento incide já nos finais do século XIV, em que uma vêz estabelecidas as fronteiras definitivas do território português e dominado o perigo muçulmano, se torna necessário garantir a defesa do território face a Castela, sendo essa intenção de Nuno Álvares Pereira quando, em 1390, desencadeia as obras de melhoramentos no perímetro do Castelo. A guerra com Castela, iniciada em 1383, que levaria D. João I ao trono de Portugal por oposição nacional às ambições do rei de Castela, teria o seu lance decisivo na batalha de Aljubarrota, em 14 de Agosto de 1385, mas no entanto, até que a paz fosse assinada em 1411, foi preocupação do rei e do ajudante do campo garantir ao máximo a estabilidade das fronteiras luso-castelhanas, fortalecendo e melhorando o seu sistema defensivo, como será o caso do Castelo de Belver em 1390.Finalmente com o passar do tempo, o Castelo foi perdendo a função de centro vital na vida política nacional. Tal como no resto do país, a vida urbana viria a impor-se, a guerra ganharia novas facetas do ponto de vista táctico, alterando-se o terreno e os meios a pelejar. O Castelo de Belver terá sido palco, ainda no século XV, de disputas relacionadas com a política interna, como é o caso do confronto entre Afonso V e o regente D. Pedro; no século XIV supõe-se que terá de algum modo tomado parte da resistência à ocupação filipina, ao lado de D. António que era o Prior do Crato. Daí em diante, o Castelo foi sendo progressivamente esquecido, até que nos nossos dias, em 1942, a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais procedeu ao restauro dos estragos que lhe causou o seu último e pior inimigo: o tempo. Merece especial referência neste conjunto monumental, e dentro do seu perímetro, a Capela de S. Brás, erguida perto da torre que defende a fachada norte do castelo, sempre preservada devido ao carinho com que a população sempre a tratou. De estrutura arquitectónica modesta e de pequenas proporções, a Capela de S. Brás tem como principal atractivo o seu belo retábulo do século XVI, construído com a finalidade de abrigar as relíquias que se encontram distribuídas pelos vinte e quatro nichos. este conjunto de talha profusamente trabalhado, de influência nitidamente renascentista é, sem dúvida, um dos mais valiosos que se encontram nas igrejas portuguesas, quer pelo seu valor histórico como pelo seu elevado sentido estético.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Vaticano, 23 Junho de 2008 - Papa Bento XVI recebe o Grande Mestre Frei Mateus Festing, por ocasião da festa de São João Baptista

domingo, 23 de março de 2008

79.º Grão-Mestre da Ordem de Malta é o inglês Fra' Matthew Festing

 
Frei Matthew Festing envergando o hábito de Cavaleiro de Justiça
 

Eleito no passado dia 11 de Março, Frei Matthew Festing é o 79.º Grão-Mestre da Ordem Soberana, Militar e Hospitalária de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta, tendo direito ao tratamento de Sua Alteza Eminentíssima Princípe e Grão-Mestre. Sucede a Frei Andrew Bertie, falecido no passado dia 7 de Fevereiro deste ano.
Sua Alteza Eminentíssima é natural de Northumberland, Inglaterra, onde nasceu a 30 de Novembro de 1949. A infância, porém, viveu-a no Egipto e em Singapura, onde seu pai, o Marechal de Campo Sir Francis Festing, estava em serviço.
Descendente de Sir Adrian Fortescue, um cavaleiro de Malta martirizado em 1539, Matthew Festing estudou em Ampleforth e na Faculdade de São João, em Cambridge, onde se formou em História. Mais tarde especializou-se em Arte, tendo exercido actividade profissional em casas de leilões de arte internacionais.
Ingressou na Ordem Soberana e Militar de Malta em 1977, pronunciando os votos perpétuos em 1991, tornando-se um Cavaleiro Professo da Ordem. Entre 1993 e 2008 foi Grão-Prior de Inglaterra.
Apaixonado por artes decorativas e história, Frei Matthew Festing é conhecido pelo seu conhecimento quase enciclopédico da história da Ordem de Malta.
Brasão de Frei Matthew Festing, 79.º Grão Mestre da
Ordem Soberana e Militar de Malta

quarta-feira, 12 de março de 2008

Villa Magistrale, 11 de Março de 2008 - Frei Mateus Festing foi eleito 79.º Grão Mestre da Soberana Ordem Militar de São João de Jerusalém de Rodes e de Malta

sexta-feira, 7 de março de 2008

Roma, Basílica de São Alessio, 7 de Março de 2008 - O Tenente Intenerino Frei Giacomo Dalla Torre com o presidente da Itália Giorgio Napolitano, no réquiem ao Grão-Mestre Frei Andrew Bertie.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Símbolo de Actividade da Ordem

A Cruz Oitavada sobre um escudo clássico, é o símbolo que identifica as actividades da Ordem em todo o mundo, como sejam as actividades médicas e humanitárias (Artigo 242.º do Código da Ordem de Malta).

Brasão Oficial da Ordem de Malta


O brasão da Ordem de Malta contém a cruz de oito pontas, sob a cruz latina em campo oval vermelho rodeado por um rosário e é dominada pelo manto principesco e coroa (artigo 6.º da Constituição da Ordem). É o brasão do Grande Magistério e das instituições da Soberana Ordem: Grandes Priorados, Associações Nacionais e Missões Diplomáticas.

Bandeira da Ordem de Malta


A bandeira vermelha com a cruz branca de oito pontas, simbolizando as oito bem-aventuranças, é a bandeira comum da Ordem de Malta. A cruz de oito pontas da Ordem é tão antiga quanto a cruz latina, e é derivada aos laços antigos com a Ordem da República de Amalfi, de onde era natural Frei Beato Gerad de Tum (1040-1490), fundador da Ordem.
A sua forma atual remonta há mais de 400 anos. A primeira execução clara da uma cruz de oito pontas aparece sobre as moedas do Grão-Mestre Foulques de Villaret (1305-1319).

Bandeira de Estado da Ordem de Malta


A bandeira vermelha retangular com a cruz latina branca é a bandeira de Estado da Soberana e Militar Ordem de Malta. Bandeira usada desde tempos antigos.
Giacomo Bosio, na sua história da Ordem, publicada em 1594, refere que, em 1130, o Papa Inocêncio II decretou que "Na guerra a religião traria uma bandeira com uma cruz branca sobre campo vermelho".
Em 1291, a Ordem deixou a Terra Santa e, movendo-se para Chipre, descobrindo a sua vocação marítima. A partir desse momento o padrão da cavalaria tornou-se o pavilhão dos navios, e assim permanceu durante seis séculos. É hoje a bandeira oficial de Estado da Ordem, estando hasteada no Palácio Magistral e acompanhando o Grão-Mestre e o Soberano Conselho em visitas oficiais.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

De Leça até ao Crato - Mosteiro de Flor da Rosa

Volvidas algumas centenas de quilómetros, chegámos hoje ao distrito de Portalegre. Passamos no Crato e estivemos no antigo Mosteiro de Flor da Rosa, hoje, grande parte, convertido em Pousada. Registamos a imperiosa necessidade de ser dada mais atenção à Ordem dos Hospitalários e, mormente, ao espólio dela aí existente. Já ao fim da tarde estivemos na antiga Comenda de Gavião, donde rumamos à antiga sede da Ordem dos Templários, em Tomar, onde estanciamos para outros ofícios.












sábado, 6 de outubro de 2007

Recortes

Selo de uma série emitida em 1966 (Scott: 350), para comemorar os 400 anos de aniversário da fundação da cidade de La Valetta, em 1566.


Selo emitido em 1990 (Scott: 756) e mostra Lord Byron com o mapa da cidade de Valetta.

Frossos - Antiga Comenda da Ordem de Malta

Em 1 de Julho de 1709, Félix Soares é confirmado Capitão da Companhia dos Privilegiados de Rossas.

«O Infante Dom Francisco Grão Prior do Crato da Ordem e Miliçia da Sagrada Religião de São João do Hospital de Jerusalém neste Reino e Senhorios de Portugal etc. Fazemos saber aos que esta nossa carta patente de confirmação virem que havendo respeito à boa informação que nos foi dada de Félix Soares e nos representar por sua petição que o procurador do Bailio de Leça, Frei Filipe de Távora e Noronha, Comendador da Comenda de Roças, Frossos e Rio Meão, Oleiros e Alvoro Estreito, o tinha nomeado por Capitão da Companhia dos Privilegiados de Roças, de que juntou a dita nomeação feita pelo dito procurador Frei Manuel de São Carlos, Religioso de Santo Agostinho e Vigário Geral de Malta; para ter o seu cargo o exercitará e será diligente no Real serviço e no aumento e proveito dos ditos privilegiados, por todos estes respeitos esperamos dele que de tudo o que for encarregado nos servirá muito a nosso contentamento. Havemos por bem e nos apraz de o confirmarmos em o posto de Capitão da dita Companhia de Roças para que o tenha, sirva e administre enquanto nós o houvermos por bem e não mandarmos o contrário e gozará de todas as honras, dignidade, prós e percalços que juntamente lhe pertencerem e mandamos aos oficiais e soldados da dita Companhia o tenham e conheçam por Capitão dela e lhe seija dado o juramento de bem e verdadeiramente servir o dito posto, guardando em tudo o serviço de Sua Magestade e de suas armas, por firmeza do que lhe mandamos passar a presente que inteiramente se cumprirá, sendo primeiro assinada pelo Lugar Tenente e Bailio de Acre Frei Duarte de Almeida de Sousa e passada pela nossa chancelaria. Dada em Lisboa aos vinte e três dias do mês de Junho de mil setecentos e nove anos. Francisco Rebelo a fez escrever. O Bailio de Acre Frei Duarte de Almeida de Sousa. Carta patente de confirmação pela qual Vossa Alteza há por bem de confirmar a Félix Soares em o posto de Capitão da Companhia dos Privilegiados de Roças como acima se declara para Vossa Alteza ver. Registada no livro dos Registos a folhas cento e sessenta e sete. Rebelo.
Dom João por graça de Deus etc. Faço saber aos que esta minha Carta patente virem que tendo respeito aos merecimentos e mais partes que concorrem na pessoa de Félix Soares e a me representar por sua petição que o infante Dom Francisco Grão Prior do Crato, meu muito amado e presado Irmão, lhe fizera mercê de o nomear no posto de Capitão dos seus privilegiados de Malta da Comenda de Roças de que se lhe passara patente assinada pelo seu Lugar Tenente o Bailio de Acre Frei Duarte de Almeida e Sousa, pedindo-me que lhe fizesse merçe de o haver por confirmado no dito posto de Capitão, o que visto e esperar dele que em tudo o de que fôr encarregado me servirá muito a meu contentamento. Hei por bem de o haver por confirmado no dito posto de Capitão em virtude da nomeação referida, posto servirá enquanto eu o houver por bem e com ele haverá todas as honras, privilégios, liberdades, isenções e franquezas que distintamente lhe pertencerem, pelo que ordeno ao Governador das Armas da Província, em cujo distrito está a dita Comenda e mais cabos de guerra dela o tenham e conheçam por Capitão dessa Companhia da qual haverá posse e juramento do estilo e oficiais e soldados dela lhe obdeçam e guardem suas ordens tão inteiramente como devem e são obrigados no tocante a meu serviço em firmeza do que lhe mandei passar esta Carta por mim assinada e selada com o selo grande das minhas Armas, dada na cidade de Lisboa ao primeiro dia do mês de Julho. Manuel do Rego de Morais a fez ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil setecentos e nove».
.
Documento retirado de "Rossas, Inventário Natural Patrimonial e Sociológico", de A. J. Brandão de Pinho