segunda-feira, 26 de junho de 2006

Sobre a entrada da Ordem em Portugal - III

Aspecto do Mosteiro de Leça do Bailio no século XIX
por António do Carmo Velho Barbosa, in Memoria Historica da Antiguidade do Mosteiro de Leça, chamada do Balio
(Porto, 1852)
Légua e meia para montante da foz do Leça, na margem esquerda do outrora límpido e famoso rio, tão celebrado, e que Francisco de Sá de Meneses, o da Malaca conquistada, cantou: - Ó rio Leça / Como corres manso! / Se eu tiver descanço / Em ti se começa -, já no século X existia um pequeno ascetério duplex, sob a invocação do Salvador do Mundo, anexado em 1013 ao Mosteiro da Vacariça, e ambos unidos, em 1094, à Sé de Coimbra, pelo Conde D. Raimundo - segundo dizem.
O certo é que a Condessa D. Teresa Afonso, mulher do Conde D. Henrique, doou este Mosteiro de Leça à Ordem do Hospital, em data que se não pode averiguar, mas depois de 1122 e decerto em 1128 (Rui de Azevedo, «Algumas achegas...», RPH, IV,I,pp. 325 e 327). Desde então foi durante largo tempo a casa-mãe da Ordem em Portugal. Em 23 de Julho de 1122, de facto, o Bispo do Porto, D. Hugo, isentava o Mosteiro de Leça do imposto do jantar, recebendo em troca um casal em Valbom, outro em Gondomar, e quatro em Susanis, das mãos do Prior D. Martinho - mas este não era da Ordem, ao contrário do que já se pretendeu (Cfr. Censual do Cabido do Porto, fl.89, p.340, da edição da Bib. Mun. do Porto; Nova Malta...,P.I, #15). Ora, «como é óbvio, o acordo antecedeu a doação, de data incerta, que D. Teresa fez do referido Mosteiro aos freires do Hospital»(Rui de Azevedo, «Algumas achegas...», RPH, IV,I, p.325.).
De qualquer forma, o Mosteiro já estava povoado pelos freires no primeiro quartel do séc.XII, «com muitas herdades, coutos e pertenças».
in ALBUQUERQUE, Martim de, "Portugal e a Ordem de Malta...", Edições Inapa, S.A. 1992. p.113 e 114.
Gravura alegórica com o retrato do Grão-Mestre Pinto da Fonseca, rodeado pela Religião, Minerva, a Fama e a História.

quinta-feira, 22 de junho de 2006

Sobre a entrada da Ordem em Portugal - II

José Anastácio de Figueiredo Ribeiro publicara 5 anos antes, em 1793, a sua História da Ordem do Hospital, de que só saiu a Parte 1, até ao fim do reinado de D. Sancho II, primeira tentativa crítica da história da Ordem, pois a obra de Frei Lucas de Santa Catarina, ficara também incompleta e merecia pouca confiança na apreciação dos documentos que alegou, errando datas, aceitando diplomas falsos ou apócrifos.
José Anastácio de Figueiredo haveria de refundir aquele seu primeiro estudo, no ano de 1800, nos volumes vulgarmente denominados de Nova Malta onde, apesar da falta dos cartórios já por ele e por João Pedro Ribeiro apontada, produziu eruditíssimo trabalho.
Logo a primeira dificuldade foi a de se averiguar quando a Ordem entrou em Portugal. O Códice trecentista, referido por J. P. Ribeiro, e que José Anastácio denomina Antigo Registro de Leça, sumaria os documentos fundamentais, em lacónicas ementas, sempre sem datas. Os erros acastelam-se.
Aponta-se uma doação de Idanha, feita em 1 de Fevereiro de 1106? a D. Egas Gosendes ou Gondesendes e a D. Mourão Gosendes (ou Gondesendes), e a suas mulheres, passando depois deles à Ordem do Hospital. Tal doação, porém, mereceu a Carl Erdmann o juízo de «cronológica e objectivamente impossível e presumivelmente uma falsificação»(in A ideia de cruzada em Portugal, Coimbra, Instituto Alemão da Univ. de Coimbra, 1840), veredicto que Rui de Azevedo não teve dúvida em perfilhar (in «Algumas achegas para o estudo das origens da Ordem de S. João do Hospital de Jerusalém...», in Revista Portuguesa de História, tomo IV, vol.I (1949), pp.317ss.).
Referem-se ainda outras doações de D. Teresa, em datas incertas, mas anteriores a 1128, tais como Goja (S. Pedro do Sul), Cortegaça (Mortágua), herdades entre Bobadela e Oliveira, e outras, mas pelo menos estas últimas liberalidades foram praticadas pela «rainha» D. Teresa, filha de Sancho I (in «Algumas achegas...», RPH, IV,I,p.326.).
De qualquer forma, parece certo que os Hospitalários entraram em Portugal no primeiro quartel do século XII ou logo após, pouco depois da Ordem do Templo. E aqui, com o decorrer dos anos, tiveram grandes herdades e rendas, prestaram notabilíssimos serviços aos nossos primeiros reis na reconquista aos infiéis, e na colonização da terra.
in ALBUQUERQUE, Martim de, "Portugal e a Ordem de Malta...", Edições Inapa, S.A. 1992. p.110 e ss.

terça-feira, 20 de junho de 2006

Sobre a entrada da Ordem em Portugal

É bastante incerta quanto a Portugal a História dos Hospitalários de Jerusalém nos primeiros tempos.
A quase total destruição dos seus cartórios em 1662, durante a incursão de D. João da Áustria no Crato, não permite esclarecer sequer quando vieram ao condado portucalense e aqui estabeleceram sua casa, quem a doou e coutou.
João Pedro Ribeiro, nas Observações de Diplomática, escrevia já em 1798:
«O cartório da Baliagem de Leça merece bem o título de cartório da confusão. O livro dos Privilégios de 1740 não contem quase documento que pela sua data o não faça suspeitoso. A carta de couto feita pelo Senhor D. Afonso Henriques data da Era de 1148 e a sua confirmação em 1165 não convem com nenhum dos Bispos confirmantes. Uma concórdia dos Hospitalários com o Bispo D. Pedro tem a confirmação de El Rei D. Afonso que não reinava na Era de 1271; outra dos mesmos com o Bispo D. Julião, datada da Era de 1289 tem a confirmação do Senhor D. Dinis e de Santa Isabel, e ambas se fazem suspeitosas pelo seu contexto. No Tombo do ano de 1765 se acham outras cópias, uma da Era de 1374, muito viciada. As mesmas inscrições antigas dos sepulcros que se acham naquela igreja (de Leça) estão transladadas neste Tombo com muitos erros. Acha-se neste Cartório um Índice, mas já truncado que mostra (...) foi o geral da Ordem de Malta em Portugal: é um Livro em fólio de pergaminho, escrito em duas colunas, com iniciais magnificamente debuxadas. Trás primeiramente o que é geral à Ordem; depois, em artigos separados, o que respeita a cada comenda e principado por Leça; seguindo em cada artigo numeração separada de documentos. Compreende actualmente 73 folhas e é um mero Mostrador ou Repositório de títulos (Nenhum deles existe actualmente ali, nem em outro cartório da Ordem, nem na Torre do Tombo, sendo aliás muito interessantes; talvez algum Grão Mestre os mandasse recolher em Malta), apontando só o seu assunto, sem especificar datas. A letra mostra ser do reinado do Senhor D. João I; mas para nem aqui faltar a confusão, se lê no frontispício, em letra moderna, que este livro foi mandado fazer pelo Balio de Leça, Fr. Cristóvão de Cernache Pereira, Grão Chanceler da Ordem, e se lhe assina a data que parece ser de 1551, pois está escrita em algarismo exótico e de que não há outro exemplar nas nossas antiguidades».(in RIBEIRO, João Pedro, "Observações históricas e críticas, para servirem de memórias ao sistema da Diplomática Portuguesa", 1798, p.35.).
in ALBUQUERQUE, Martim de, "Portugal e a Ordem de Malta...", Edições Inapa, S.A. 1992. p.110.

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Comendas existentes em finais do séc.XVIII

Segundo o códice da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, a Ordem de Malta teria, ao tempo em que era Prior do Crato o Infante D. Pedro (futuro D. Pedro III), além do Priorado do Crato e da Bailiagem de Leça, as seguintes comendas:
Vera Cruz, S. João de Alporão, Elas e Montouto, Algoso, Távora, Oleiros, Oliveira do Hospital, Poiares, Rossas, Barrô, Vila Cova, Moura Morta, Corveira, Águas Santas, Chavão, Sernancelhe, Fregim, Torres Vedras, Ansemil, Covilhã, Trancoso, Aldeia Velha, Fontes
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Já o Pe. António Lourenço Farinha, sem indicação de fonte, refere que nos finais do século XVIII a Ordem tinha 32 comendas não contando com o Grão Priorado do Crato e comendas anexas, apontando um rendimento anual na casa de 95 contos, quantia impressionante para o tempo:
Leça e Lango, Acre e Fregim, Abreiro, Águas Santas, Barró, Vera Cruz, Sernancelhe, Chavão, S. Cristovam, Covilhã, Elvas e Montoito, Santa Eulália, Freixiel, Fontes, Frossos e Rossas, S. João de Carvoeira, Alvações, Aldeia Velha, Algoso e Moura Morta, Ansemil, Moura Morta, Oleiros, Oliveira do Hospital, Poiares, Rio Meão, S. João de Alporão, Tavora, Torres Vedras, Trancoso, Vila Cova, Vilarinho dos Freires, Vera Cruz e Portel.
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Uma pesquisa recente, além do Bailiado de Leça e do Priorado do Crato - possuidor ele próprio de 25 comendas - inventaria mais de setenta comendas distribuídas por diversas épocas.

terça-feira, 13 de junho de 2006

Castelo de Sernancelhe, Sernancelhe, Viseu

 
As ruínas daquele que foi o Castelo de Sernancelhe localizam-se na povoação, freguesia e concelho de mesmo nome, no distrito de Viseu.
Erguido no extremo Sul da região do Douro, vizinho à serra da Lapa e ao caminho que ligava a Guarda a Lamego, guardava a foz do rio Távora no século X.
A primitiva ocupação humana de seu sítio remonta ao Neolítico, posteriormente romanizada. Remonta a 960 a noticia sobre a primitiva fortificação de Sernancelhe. Por via de seus testamento D. Flâmula manda vender os seus castelos de Riba Douro e Sernancelhe. Em finais do século X, a fortificação de Sernancelhe é tomada por Almansor e, posteriormente, reconquistado pelos cristãos quando em 1055 o rei Leonês Fernando I expulsa os mouros da região. A 26 de Outubro de 1124 é atribuído o primeiro foral a Sernancelhe, que viria a ser confirmado por D. Afonso II no ano de 1220. Em 1514 D. Manuel I deu novo foral ao concelho, sem que tenha introduzido alterações importantes.
No imaginário popular local persistem as lendas sobre as lutas entre cristãos e mouros, que remontam à época da Reconquista. Foi então, nesse contexto, reconstruída a fortificação de Sernancelhe pelos Cavaleiros da Ordem dos Hospitalários, em pedra de granito.
Actualmente, embora a suas ruínas não estejam classificadas, nem constem dos atuais roteiros turísticos da Câmara Municipal, vale a pena passar pelo local e observar muito do que ainda subsiste, nomeadamente alguns muros ameados e a Porta do Sol.
Sernancelhe conheceu ao longo da sua história várias alterações administrativas que modificaram por completo a organização do município. Fonte Arcada, Lapa, Vila da Ponte e Sernancelhe chegaram a ser vilas, tiveram juiz, tabelião, escrivão, almotacés e sargento-mor de ordenanças. A Fonte Arcada D. Sancha Vermuiz concedeu foral em 1193. Nas inquirições de D. Dinis, o julgado de Fonte Arcada possuía seis aldeias. No ano de 1855 o concelho é extinto e as suas terras são incorporadas no de Sernancelhe.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Demarcação territorial

Os territórios pertencentes à Ordem de Malta eram delimitados com Marcos de Pedra em todo o seu redor. A imagem supra é de um desses marcos, que ainda hoje se encontra no seu local original, nos limites da freguesia de Rossas, concelho de Arouca. De resto, ainda recentemente (de 2003 a 2005) foram achados e inventariados 22 marcos dos 46 referidos no Auto de Demarcação de 1630. Na maior parte dos casos, encontram-se no sítio original e em bom estado de conservação.
"A demarcação de 1630 foi realizada em três etapas. Iniciou-se no dia 18 de Janeiro desde a Ponte Ribeira até à Pedra Má, pelo lado de Santa Marinha de Tropeço e Várzea; continuou no dia seguinte, partindo da pedra Má até ao rio que vem da Póvoa, dividindo Rossas das freguesias de Várzea e S. Miguel de Urrô; ultimou-se no dia 16 de Fevereiro, começando “na banda d’alem do rio da Póvoa ao fundo do Alqueve” e terminando na Ponte Ribeira, dividindo Rossas da parte que faltava de S. Miguel de Urrô e das freguesias de Cepelos e Chave. No decorrer de toda a linha divisória foram levantados quarenta e um marcos e, além disso, abriram-se cinco hábitos de Malta em penedos existentes nos limites. Os marcos, com excepção talvez de dois, eram de granito com forma de paralelepípedos e com uma das faces trabalhada. Na parte superior desta face sobressai, duma zona circular cavada, uma cruz de Malta em relevo. Logo abaixo do círculo abriu-se em todos a data 1629. Nos penedos aproveitados como marcos abriu-se apenas o hábito, isto é, cavou-se um círculo deixando a cruz em relevo, e gravou-se por baixo a mesma data.
A face trabalhada dos marcos ficou voltada para as terras da freguesia e a direcção da esquina direita dessa face, indicava o sentido da divisória, segundo a ordem da colocação dos marcos. Dos que sobejam, nem todos estão de acordo com esta orientação.
A demarcação realizou-se em 1630. Os marcos têm gravado a data 1629. Tinham sido preparados nesse ano e com tal data, na ideia de que a demarcação se realizaria em 1629. Foi adiada para 1630. Daí, a divergência da data gravada nos marcos com a data da demarcação.Para além desta, nesta Comenda, foram ainda realizadas Demarcações em 1656, 1702 e 1769."

in "Rossas - Inventário Natural, Patrimonial e Sociológico", de A. J. Brandão de Pinho.

Heráldicas - marcas actuais de uma presença passada

Fregim é uma freguesia do concelho de Amarante, com 8,47 km² de área e 2 507 habitantes (2001). Densidade: 296,0 hab/km².











Águas Santas é uma vila no concelho da Maia, com 7,86 km² de área e 25 249 habitantes (2001). Densidade: 3 212,3 hab/km².
Alcafache é uma freguesia do concelho de Mangualde, com 12,94 km² de área e 1 029 habitantes (2001). Densidade: 79,5 hab/km².

terça-feira, 6 de junho de 2006

Leça do Balio é uma freguesia do concelho de Matosinhos, Distrito do Porto, com 8,88 km² de área e 15 673 habitantes (2001). Densidade: 1 765,0 hab/km². Até 13 de Maio de 1999, a sua designação oficial era de Leça do Bailio.
Foi sede do antigo couto de Leça do Balio que existiu entre 1123 e 1835. Era constituído pelas freguesias de Aldoar, Custóias, Infesta e Leça do Balio. Tinha, em 1801, 2 982 habitantes.






Rossas é uma freguesia do concelho de Arouca, Distrito de Aveiro, com 16,23 km² de área e 1 693 habitantes (2001). Densidade: 104,3 hab/km².









Maceda é uma freguesia do concelho de Ovar, com 15,34 km² de área e 3 687 habitantes (2001). Densidade populacional: 240,35 habitantes/km². Foi elevada a vila a 13 de Maio de 1999.
A mais antiga referência conhecida sobre Maceira data de 1053, em que expressamente se faz excepção às terras situadas entre a «vila de Parâmio» e a «vila de Mazaneda». Outros documentos, datados de 1055 e 1063, referem-se igualmente a esta freguesia, respectivamente, com os nomes Manzaneta e Mazaneda. O actual nome de «Maceda» parece, aliás, ter derivado do baixo latim, onde Mattiana dá lugar a Mattianeta.
No século XII Maceda tem já igreja paroquial documentada, que terá sido doada aos Hospitalários, ainda antes do século XIII, conforme se pode verificar em documento encontrado no antigo cartório de Leça por José Anastácio de Figueiredo.
Mais tarde, como refere Paulo de Niza, em Portugal Sacro e Profano, Tomo II, de 1768, a paróquia dependia do Comendador da Ordem de Malta de Rio Meão, prolongando-se até ao momento em que, por nova divisão eclesiástica, foi transferida para a diocese do Porto.
Sinais da presença da Ordem de Malta podem ser verificados ainda hoje nos marcos de granito datados de 1629 e encimados pela cruz maltina, existentes no limite da freguesia, a nascente, com Espargo, São João de Ver e Rio Meão. Também na actual Igreja Matriz sobrelevando a porta principal, podemos observar a cruz maltina, talhada em granito, muito embora o templo tenha sido construído no século XX (em 1923).

Frossos é uma freguesia do concelho de Albergaria-a-Velha, Distrito de Aveiro, com 7,95 km² de área e 964 habitantes (2001). Densidade: 121,3 hab/km².
Foi vila e sede de concelho entre 1124 e 1836. Era constituído apenas pela freguesia da sede e tinha, em 1801, 378 habitantes. Em 1836 a freguesia foi anexada ao concelho de Angeja, também entretanto suprimido.





Sernancelhe é uma vila do Distrito de Viseu, Região Norte e subregião do Douro, com cerca de 1 200 habitantes.
É sede de um município com 231,42 km² de área e 6 227 habitantes (2001), subdividido em 17 freguesias. O município é limitado a norte pelos municípios de Tabuaço e São João da Pesqueira, a leste por Penedono e Trancoso, a sul por Aguiar da Beira, a sudoeste por Sátão e a noroeste por Moimenta da Beira.

Oliveira do Hospital é uma cidade no Distrito de Coimbra, região Centro e subregião do Pinhal Interior Norte, com cerca de 4 400 habitantes.
É sede de um município com 234,55 km² de área e 22 112 habitantes (2001), subdividido em 21 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Nelas, a leste por Seia, a sul por Arganil, a oeste pela Tábua e a noroeste por Carregal do Sal.
Nasce a actual sede de concelho na época da 2ª. Cruzada, quando, em São João de Jerusalém, na Terra Santa, é fundado um hospital que irá receber os peregrinos doentes, estropiados e vítimas, por vezes, de ataques e assaltos em tão longa caminhada que os levará junto do Santo Sepulcro.

Oliveira do Hospital é uma freguesia do concelho de Oliveira do Hospital, com 8,77 km² de área e 4 390 habitantes (2001). Densidade: 500,6 hab/km².
O primitivo nome da povoação havia sido Ulvária, que significa terreno alagadiço onde há ulvas (plantas que se desenvolvem naquele ambiente); de Ulvária terá derivado para Ulveira ou Hulueira e daqui, por analogia, deturpação ou afinidade sónica, para Oliveira. O nome “do Hospital”, ou “do Espital” resulta exactamente da atribuição de uma Comenda à Ordem dos Monges de São João de Jerusalém, a Ordem dos Hospitalários.
Os Monges desta Ordem (a mais importante e estimada das três Ordens militares que se fundaram em Jerusalém após a tomada e recristianização desta cidade pelos Cruzados, a 15 de Julho de 1099), pela relevância da sua benemérita vocação, não só se espalharam pelos diversos territórios onde a reconquista cristã ainda não tinha terminado, como também, por reconhecimento do seu mérito, são prodigamente amparados pelas frequentes doações e heranças com que reis e grandes dignatários da corte os contemplam. Foi assim que, no ano 1120 ou 1122, segundo referem alguns autores, a rainha D. Teresa, na menoridade de seu filho D. Afonso Henriques, fez doação de um povoado chamado Vlueyra do Spital aos cavaleiros da Ordem dos Hospitalários. in "Notas Históricas", JFOH

Oleiros é uma vila pertencente ao Distrito de Castelo Branco, região Centro e subregião do Pinhal Interior Sul, com cerca de 2 500 habitantes.
É sede de um município com 465,52 km² de área e 6 677 habitantes (2001), subdividido em 12 freguesias. O município é limitado a norte pelo município do Fundão, a leste por Castelo Branco, a sul por Proença-a-Nova, a sudoeste pela Sertã e a noroeste por Pampilhosa da Serra.


O Estreito é uma freguesia do concelho de Oleiros, com 68,73 km² de área e 969 habitantes (2001). Densidade: 14,1 hab/km².

Oleiros é uma freguesia do concelho de Oleiros, com 119,39 km² de área e 2 470 habitantes (2001). Densidade: 20,7 hab/km².

Proença-a-Nova é uma freguesia do concelho de Proença-a-Nova, com 153,67 km² de área e' 11 675 habitantes (2001). Densidade: 30,4 hab/km².









O Crato é uma vila no Distrito de Portalegre, região Alentejo e subregião do Alto Alentejo, com cerca de 1 800 habitantes.
É sede de um município com 388,03 km² de área e 4 348 habitantes (2001), subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a nordeste pelos municípios de Gavião, Nisa e Castelo de Vide, a leste por Portalegre, a sueste por Monforte e a sudoeste por Alter do Chão e Ponte de Sor.
A vila do Crato é povoação muito antiga, com testemunhos arqueológicos que remontam ao megalitismo. A existência de duas antas, provam que o território foi povoado desde o Neolítico. Neste local existiu uma outra povoação, que se crê edificada pelos cartagineses.
Da época do domínio romano, existem as pontes das ribeiras de Seda e Chocanal e os restos da ''vila'' romana da Granja. Passou pelo domínio godo. No séc. VIII os árabes desbarataram os godos e destruíram Crato (716). Permaneceu em poder dos mouros até à conquista de D. Afonso Henriques (1160), que reedificou a povoação. No reinado de D. Sancho II, o Crato achava-se de novo arruinado, pela luta entre cristãos e mouros. Com a preocupação do repovoamento, D. Sancho II cedeu aos cavaleiros da Ordem do Hospital um extenso território que daria origem mais tarde a uma nova povoação que, por determinação do rei se chamaria ''Ucrate'' (0 Crato).
No séc. XVI passou a ser sede da Ordem do Hospital, mais tarde chamada de Malta. O então Mestre da Ordem D. Álvaro Gonçalves Pereira, o primeiro a usar o titulo de Prior do Crato, foi quem deu começo à fortificação que estava arruinada. Foi, porém, D. Nuno de Góis, quem mandou executar as grandes obras de fortificação. Em 29 de Junho de 1662 D. João de Áustria, cercou e exigiu a rendição do Crato. Estas forças saquearam e incendiaram a Vila. A recuperação foi lenta. Hoje o Crato cuida e conserve quanto sobrou, de um passado riquíssimo.

O Crato e Mártires é uma freguesia do concelho do Crato, com 169,11 km² de área e 1 804 habitantes (2001). Densidade: 10,7 hab/km².

O Gavião é uma vila no Distrito de Portalegre, região Alentejo e subregião do Alto Alentejo, com cerca de 1 800 habitantes.
É sede de um município com 293,55 km² de área e 4 887 habitantes (2001), subdividido em 5 freguesias. O município é limitado a oeste e norte pelo município de Mação, a leste por Nisa, a sueste pelo Crato, a sudoeste por Ponte de Sôr e a oeste por Abrantes.
Gavião recebeu foral de D. Manuel I em 23 de Novembro de 1519.
O seu povoamento terá começado por volta do século XII, quando o território estava incluído no termo de Guidintesta, uma vasta região compreendida entre os rios Tejo e Zêzere, doada por D. Sancho I à ordem dos freires-cavaleiros de S. João do Hospital com o intuito da salvaguarda do território das investidas muçulmanas
Ao contrário de outras povoações, Gavião foi aumentando a sua importância com o decorrer dos séculos, como demonstra o Foral de 23 de Novembro de 1519, durante o reinado de D. Manuel I, que instituiu a vila e, por arrastamento dotou-a de todos os privilégios e direitos inerentes à categoria de concelho. in www.cm-gaviao.pt

Crato e Flôr da Rosa


A 23 de Maio de 1232 D. Sancho II doa o Crato à Ordem do Hospital. Em sequência desta doação, Mem Gonçalves, Prior da Ordem, dá Foral à Vila do Crato, no dia 8 de Dezembro desse mesmo ano. De imediato se procedeu à construção do castelo. Depois da batalha do Salado, em 1340, a sede da ordem é transferida por D. Afonso IV de Leça do Balio para o Crato. Nasce assim a designação de Priorado do Crato que conta com 23 Comendas e as seguintes terras e seus termos - Crato, Gáfete, Tolosa, Amieira, Gavião, Belver, Envendos, Carvoeiro, Sertã, Pedrógão Pequeno, Proença-a-Nova, Cardigos e Álvaro.O Grão-Prior do Crato tinha poder espiritual e temporal, com jurisdição episcopal, motivo pelo qual não estava subordinado a prelado algum.
Posteriormente, em 1354 a sede da Ordem muda para Flor da Rosa e em 1439 volta para o Crato, ano em que são destruídas pela invasão do Infante D. Pedro as muralhas e o castelo edificados D. Nuno de Góis, mas o castelo volta a ser reconstruído e novas muralhas são erguidas.D. Álvaro Gonçalves Pereira, Prior do Crato, ergueu para sede da Ordem o imponente Mosteiro de Santa Maria de Flor da Rosa e posteriormente o Palácio do Grão Prior, este atribuído ao arquitecto Miguel Arruda e do qual resta apenas a varanda e um janelão.D. Manuel I concede novo foral ao Crato em 15 de Dezembro de 1512 e a vila é palco para o seu casamento em 1518, tal como para o de D. João III em 1525.No séc. XVI a Ordem passa a designar-se como Ordem de Malta e durante a Guerra da Restauração a invasão da vila pelas tropas de D. João de Áustria leva à destruição de vários edifícios como o castelo e os cartórios da Ordem de Malta.
O concelho do Crato possui uma área de 388 quilómetros quadrados e 4.384 habitantes nas suas seis freguesias - Aldeia da Mata, Crato e Mártires, Flor da Rosa, Gáfete, Monte da Pedra e Vale do Peso.O concelho limita com os concelhos Alter do Chão, Monforte, Nisa, Castelo de Vide, Gavião, Ponte de Sor e Portalegre. fonte: Jornal "Fonte Nova"

Leça do Balio - 1ª Sede em Portugal


De documentos muito antigos infere-se que o fundador da nobre casa conventual foi um daqueles poderosos ricos - homens de Leão e Aragão que, desde o reinado de D. Afonso III, O Grande, até o de Bermudo II, tanto trabalharam para consolidar a formidável obra de libertação e cristianização, começada por Pelágio.
Ali vegetava obscuramente, abstraída nas práticas da vida monástica, uma comunidade sujeita á regra de S. Bento. Era um mosteiro “duplex”, isto é, de monges e monjas, como tantos outros da mesma época. Chamavam-lhe usualmente “Convento do Salvador” por ter então a invocação de Cristo, sob designação de Salvador do Mundo.
Estamos pois no limiar do sec. X. Este mosteiro teria sido fundado pelos antepassados de D. Tructesindo Osores, tendo transitado o direito de padroado para este herdeiro e sua mulher D. Unisco Mendes.
O primeiro documento sobre o Mosteiro é de 18 de Março de 1003. É uma doação de D. Famula de Deos Vigília, viúva de Lovegildo que diz: “...cuja basílica está fundada no lugar de Recaredi, debaixo do Monte Costodias, território do Porto, junto á corrente do rio Leça e lhe damos a nossa herdade que temos em Recaredi e damos tudo aos Presbyteros, Frades e Freiras perseveraram em vida sancta...”.
Por um diploma de 1016 sabe-se que D. Unisco Mendes era sua padroeira. Por outro lado, de 1021, o mosteiro de Leça e outros bens são doados ao da Vacariça pela dita D. Unisco Mendes, já viúva de D. Tructesindo e por seus filhos Azeredo Tructezindes e Patrina. Há outras doações de 1034, 1039, 1041, 1045, 1055, 1063, 1088, (Gunsalvo e sua mulher Elio, Vermudos e mulher Ermesinda doaram-lhe vários prédios em Custóias, território Portucalense, e umas salinas na foz do Leça e outras doações de Alamiro, Tanor e Godinho), 1091, 1095 (Gonçalo Auroniz dá-lhe uma herdade em Recarei, que já de seus trisavós, Alvieto, Lovegildo, Gondesendo Pires, Gonçalo Godinho, Vermudo Pelaio, Godinho Sismandiz e Mendo Tructesindes, herdades em Recarei, Gondivai, Custóias, Real e Gonçalves). Em 1040 foi disputado ao mosteiro da Vacariça o seu direito de padroado sobre o de Leça e no pleito se confirmou a doação de D. Unisco Mendes e filhos. Em 1093 ainda se dispunha do de Leça (deste recebia metade das rendas, por acordo e 1091, firmado por Zolemia, prior em Leça, pois nessa data concedeu um terreno para certos homens fazerem uma vinha.
Todavia, em 1094 o padroado foi transmitido à Sé de Coimbra, porque em Novembro desse ano D. Raimundo, conde da Galiza, e sua mulher D. Urraca, à dita se doaram o mosteiro da Vacariça com todas as suas pertenças. O facto ocorreu, decerto, para escassearem as rendas em Leça, absorvidas pela mitra conimbricence, e, portanto para o abandono do mosteiro, o qual, entre 1112 e 1116, foi doado pela rainha D. Teresa à Ordem do Hospital de S. João de Jerusalm (depois de Malta).“...carta em como a Condessa D. Tareja Affonso molher do conde Dom Anrrique deu o mosteiro de Lessa ao Spital”A Mesma D. Teresa deu ainda à mesma ordem, Cortegaça, tremo da Penacova, bem como uma herdade que tinha em Seia e a igreja de Ameixedo (Barroso).
Todos os documentos anteriores ao mês de Maio de 1118, tratam D. Teresa esposa de D. Henrique, por condessa o que não será de estranhar, se levar-mos em conta o seu casamento com um conde. Só depois desta data, é que aparece com o designativo de rainha.
Até então há notícia dos seguintes prelados em Leça: Oseredo Tructezindes (se não foi regular, governou como seu familiar e padroeiro), D. Tudeilo ou Tudegildo (Dom abade da Vacariça), Cidi (como prior assinou em 1089), Gutino (como prepósito ou prior), D. Guntini ( Dom abade no final do sec. XI), D. Rodrigo (Dom abade lembrado num diploma em 1103). Parece o D. Guntino ter feito obras no mosteiro e Ter renovado a igreja, pois um documento de 1091 refere-se a certas relíquias por ele postas em altares sagrados. Era natural ao fim de dois séculos, a ruína de uma pequena igreja, erguida opor simples devoção. Na verdade, ainda existem, no local do mosteiro (hoje propriedade dos herdeiros do eng. Ezequiel Campos), alguns restos arquitecturais do tipo românico do sec. XII.D. Afonso Henriques deu carta de Couto, separado da cidade do Porto em 1123 sendo prior D. Aires o que valeu a confirmação das doações recebidas e ampliação das mesmas. Em 1157, D. Afonso Henriques e D. Mafalda fizeram doação do couto do mosteiro ao procurador D. Raimundo e ao prior de Portugal e Galiza D Ayres, da Ordem de Jerusalém. Este couto foi confirmado em 1166 ( Couto de Santa Maria de Leça do Balio).
“ Consta do tombo deste Baliado dar o Senhor Rey Dom Affonso Henriques esta igreja a Dom Raimundo (conde e senhor da Galiza), Provedor dos Santos pobres e da Santa cidade de Jerusalém, e a Dom Ayres Prior de Portugal e Galiza, e lhe deu terras pençoens, e lhas coutou no ano de 1166 e lhe deo jurisdiçam Cível e poder de pôr ouvidor que conhecesse de appellaçoens e agravos e alimpasse pautas e confirmasse juizes e vereadores, que se elegessem pellopovo na camera destedito Couto de Lessa, e assim sam os venerandos Balios senhores donatários e capitaens mores deste Couto.”Portanto Leça do Balio foi couto do mosteiro de Santa Maria de Leça, cujo território coutado abrangia esta freguesia e mais as de Custóias, S. Mamede Infesta, Barreiros, S. Faustino de Gueifães, um tesourado a primeira e abadias as quatro restantes, todas elas da antiga comarca da Maia. Foram inumeráveis os privilégios concedidos pelos nossos primeiros monarcas e pelos pontífices, aos cavaleiros da Ordem de S. João de Jerusalém.

O convento de Leça foi reedificado por D. Gualdim Paes de Marecos, em 1180 e dedicado a Santa Maria. No ano de 1192, D. Sancho I outorgou a D. Rodrigo Paes, prior da Ordem do Hospital a carta de confirmação do foro que seu pai dera a D. Raimundo, senhorio real nos seus coutos. O mesmo D. Sancho I reformou e ampliou a Igreja e casa de Santa Maria de Leça do Balio em 1212.
A Estevão Vasques Pimentel, investido na qualidade de Bailio de Leça, se devem as importantes obras que, pelos anos 1330, ampliaram o secular mosteiro dos beneditinos, e foi que se ergueu, em substituição da primitiva igreja, arruinada e sem grandeza, o admirável templo que, ainda hoje, depois de ter resistido longamente ás injúrias do tempo e dos homens, se oferece ao nosso respeito e ao nosso orgulho como padrão de uma época enobrecida por altos heróicos ideais.
Há quem pretenda que a grande torre forte, erecta ao lado do templo, foi também então pelo mesmo bailio – poderá aceitar-se esta opinião? – Tudo nos induz a responder negativamente. É certo que o pensamento religioso de que nasceu a igreja não se contradiziam nem repeliam na época distante da fundação; mas , sem embargo disso, há entre as duas construções diferenças que as desirmanam e que se não escondem a olhos experimentados.
Demais, o que se conhece da história do mosteiro confirma inteiramente esta versão, bem mais plausível, que limita a meras reparações as obras ordenadas por D. Frei Estêvão nessa parte do monumento. Com efeito, aquele inabalável giganta da pedra, que foi talvez a albarrã das antigas fortificações conventuais, deve possuir alicerces muito mais antigos; a sua fundação data provavelmente do tempo em que o mosteiro passou dos pacíficos beneditinos, que a princípio o ocuparam, para os monges guerreiros de S. João de Jerusalém.
O falecido escritor Arnaldo Gama, que exumou os velhos arquivos e acumulou em belos romances os mais preciosos subsídios para o estudo ou reconstituição do passado histórico do Porto, visiona assim, na sua conhecida novela “O Bailio de Leça, a configuração do mosteiro do segundo quartel do sec. XIV”:“ A forte e grossa muralha da cerca, que rodeava, toda dentilhada de ameias, era flanqueada por quatro grandes torres cobertas de seteias. Em cada uma das quarelas do muro viam-se abertas umas poucas de balhesteiras, dispostas de forma que ninguém podia aproximar-se sem que fosse imediatamente encravado pelas setas e virotões dos defensores, que delas os despediam sem perigo. A cave era larga e funda, e a barbacã que a parapeitava, grossa e forte, e ademais defendida por pequenos cubelos ou caramanchões que aqui e ali se erguiam sobre ela. O alcácer fortificado, a que a cerca servia de cinto, era uma alta e fortíssima torre, rodeada de um vasto edifício, ou antes de uma grande aglomeração de edifícios, uns mais altos e outros mais baixos, mas todos solidamente construídos e capazes de duradoura defesa.
Do meio deles destacava meio corpo para o vasto patim do castelo. Sobre os muros deste edifício abriam-se aqui e ali irregularmente, um sem número de frestas e de janelas ogivadas, algumas delas defendidas por grossos varões de ferro.Sobre a frontaria da igreja, e no cimo do muro ponteagudo do campanário gótico, campeava a cruz de oito pontas dos cavaleiros da Ordem Militar do Hospital de S. João Baptista de Jerusalém, conhecida séculos depois pela Ordem de Malta.A mesma cruz via-se esculpida sobre a frontaria da torre de menagem ou alcácer fortificado e sobre diferentes lugares dos muros”.
A importância de Leça no dealbar do século XVI justifica mesmo que, em 4 de Junho de 1519, o Rei D. Manuel lhe atribuía uma carta de foral. Mais do que isso ainda no primeiro quartel deste século, e para fins administrativos, Leça será mesmo constituída em município com julgado próprio e composta por três freguesias: a sede, S. Mamede de Infesta e a de Custóias. Cada uma das três freguesias elegia dois vereadores e os seis elegiam outro, que servia de juiz ordinário do julgado. Julga-se que a sede desse julgado seria no lugar de S. Sebastião. Independentemente da importância administrativa de Leça do Balio (o município manter-se-á durante cerca de duzentos anos) o Couto do Mosteiro mantém o seu domínio económico nesta freguesia e nas suas vizinhas que continuam a pagar a renda do baliado pela utilização e cultivo das terras.
Por falecimento do Prior D. Frei Estêvão Vasques Pimentel ou pouco tempo depois, erigiu-se o Crato em Grão - Priorado, e Leça ficou sendo Comenda até 15 de Outubro de 1571, data em que foi erecta em Baliado e seu primeiro Balio foi D. Pedro de Mesquita.
No primeiro quartel do Sec. XVII, sendo Balio de Leça D. Fr. Álvares de Távora, moveu pleito ao mosteiro a Câmara do Porto, por causa do couto baldadamente.
No princípio do sec. XVII, outro Balio pertencente á família dos Távora , empreendeu grandes obras em toda a casa conventual de Leça, mas, os trabalhos de preparação de que o edifício da igreja porventura participou, não deixaram sinais de qualquer benefício ou dano estético. Apenas por capricho devoto do Balio ou dos seus conselheiros, foi desterrada nessa ocasião para a sacristia , a imagem da N. Sra. Da Assunção.
Em 4 de Novembro de 1740, D. João V, a pedido do Balio D. Lopo de Almeida, determinou que todos os foreiros requeressem o encabeçamento dos prazos de vida. Assim, ordenou que todos os indivíduos possuidores, de título de aforamento, de prazos ou propriedades em qualquer parte foreiras á baliagem de Leça, ficariam obrigados, num período de trinta dias, a irem perante o suplicante (o citado Balio D. Lopo de Almeida) requerer o encabeçamento dos bens que possuíssem para celebrarem as respectivas escrituras, consoante os títulos, e , mais todas as pessoas que dessa data em diante houverem alguns ditos prazos, dentro dos mesmos trinta dias, que começariam a ser contados a partir do dia em viessem a possuí-los, teriam de por de igual maneira, os títulos para declarar a posse deles e as condições em que os receberam, bem como á dixação de novos foros.
Se os foreiros não fossem prestes em declarar, no mencionado tempo, o novo encabeçamento dos bens trespassados, perdiam a renda do prazo relativa a um ano, sendo metade da multa para o suplicante e outra para o Hospital Real de Todos os Santos, de Lisboa.
E, para que todos ficassem cientes, o suplicante faria publicar editais com estas determinações, nas freguesias em que residissem foreiros á Baliagem.
Não admira a abundância de caseiros do mosteiro de Leça, portanto, se consultar-mos o Corpus Codicum na parte referente ás Inquisições Régias ordenadas por Afonso III em 1258, verifica-se que é raríssima a “Villa” em território da antiga terra da Maia e que não tenha casais ou herdades doadas até meados do Sec. XIII, à Ordem do Hospital.
O Mosteiro de Moreira (Maia) e o Convento de Vairão (Vila do Conde) neste particular, embora em escala mais restrita, de igual modo foram bafejados com doações de terras na mesma região Maiata, região enormíssima, que nessa época distante, se estendia do Rio Ave até ao Rio Douro desde Santo Tirso até ao Atlântico.
Na sequência do triunfo liberal, Leça do Balio assiste á extinção das ordens religiosas, e logo, dos privilégios e direitos que a ordem do Hospital ainda possuía sobre a freguesia e em 1835 é integrada no concelho de Bouças – actual Matosinhos.Nos anos 30 foi efectuada uma obra de restauro de todo o monumento pela Direcção Geral dos Monumentos Históricos.
Em 1996, o mosteiro começou a ter obras de beneficiação suportadas pela UNICER, ao abrigo da Lei do Mecenato. Como curiosidade, é a família Vieira que zela pelo mosteiro á quatro gerações. in Junta de Freguesia de Leça do Balio

domingo, 4 de junho de 2006

D. António Manuel de Vilhena, o mais notado Grão-Mestre

António Manuel de Vilhena de Noronha, 66º Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros de São João Baptista de Jerusalém, foi um abastado, talentoso e amado, mas integro, aristocrata português de descendência real.
Nasceu em Lisboa a 28 de Maio de 1663, e morreu em Malta a 12 de Dezembro de 1736. Filho de D. Ana de Noronha e de D. Sancho Manuel de Vilhena de Faria, Conde de Vila Flor e Comendador de São Nicolau de Cabeceiras de Baixo, foi um militar de elevada craveira tendo-se distinguido nas batalhas das linhas de Elvas e de Ameixial.
Foi o terceiro Grão-Mestre da Ordem de Malta de origem portuguesa (e não o segundo como se refere aqui, por ignorarem Luis Mendez de Vasconcelos, 54º Grão-Mestre), entre 1722 e 1736, sendo conhecido por Grão-Mestre "Manoel" de Vilhena.
Desde de tenra idade que se alistou na Ordem de S. João de Jerusalém, seguindo ainda jovem para Malta. Na armada maltesa, aos 24 anos já capitaneava um navio que partiu à conquista da Moreia. A sua bravura permitiu-lhe ascensão até ao cargo de Grão-Chanceler da Ordem, em 1703, sendo posteriormente governador do Tesouro. Em 1722, por eleição unânime foi nomeado Grão-Mestre da Ordem de Malta, premiando a sua inquestionável capacidade administrativa e militar.
Tornou-se conhecido em todo o continente europeu pela valentia, mestria e propósito com que combateu um ataque dos turcos, saindo vitorioso e estabelecendo uma trégua de 20 anos com o Grão-Vizir de Constantinopla. Ganharam fama as investidas, que por sua ordem e liderança, os esquadrões malteses acometiam sobre os denominados infiéis, sobremaneira corsários turcos, resgatando grande número de cristãos e espólio de guerra, Embora Malta estivesse de alguma forma bem defendida, com inúmeras fortificações, D. Manuel de Vilhena determinou que a ilha deveria estar protegida contra quaisquer tentativas perpetradas pelos turcos. Assim, dedicou-se à construção de uma das maiores construções defensivas de Malta, o Forte Manoel, obra por ele totalmente custeada.
Entre a grei maltesa, ele foi um benevolente e popular líder, correspondendo à crescente procura de habitação em La Valletta, elaborou um projecto para a construção em Floriana, nos arredores da capital, de um subúrbio ainda hoje chamado de "Citta Vilhena". Ao nível de outras infra-estruturas essenciais para a população, o Grão-Mestre zelou pela constante melhoria de condições de saúde pública e de desenvolvimento social da ilha. Prova do seu interesse pelo bem-estar geral da nação, a edificação de um dos mais importantes palcos culturais do mundo naquela época , o Teatro Manoel.
Em reconhecimento pelos seus notáveis actos de governação, o Papa Benedito XIII concedeu-lhe um distinção apenas digna da realeza, tendo D. Manuel sido o primeiro Grão-Mestre de Malta a merecer tamanha honra. D. Manuel de Vilhena granjeou a admiração de todos os monarcas europeus, incluindo Luis XIV de França, com o qual manteve duradoura amizade.
A afeição que, tanto o povo maltês como os membros da Ordem, nutriam por ele, ficou eternamente patenteada no magnífico mausoléu que lhe foi dedicado na Igreja de São João, em La Valletta, comparável ao dos Médicis de Florença, e considerado o maior e mais deslumbrante túmulo de todos os Grão-Mestres da Ordem de Malta. A inscrição que ali consta dá conta da dimensão deste personagem: "ele não foi eleito, nasceu Príncipe."
Os seus atributos éticos, governativos e militares ficaram registados na história deste pequeno país, pois passados quase 300 anos continua sendo uma figura incontornável do quotidiano Maltês. in Halcon Viagens
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Selecção dos maiores exemplos da intervenção de Vilhena:
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Forte Manoel
Ocupando uma grande parte da ilha Manoel, dominando toda a Baía Marsamxett, foi construído em 1726, durante a sua superintendência, tendo sido considerado uma das melhores fortalezas defensivas europeias. A capela, dedicada a Santo António, patrono do Grão-Mestre, foi destruída durante a II Guerra Mundial e não voltou a ser reconstruída.
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Ilha Manoel
Pequena ilha com meio quilómetro quadrado, situada na Baía de Marsamxett, entre Sliema e Lazzaretto, é conhecida em maltês, como IL-Gzira, que significa "a ilha". Os Cavaleiros apercebendo-se das potencialidades da ilha, como um enclave isolado, ali construíram um asilo. No entanto, D. Manuel de Vilhena identificou a importância do "Isoletto" na defesa militar da parte ocidental de La Valletta e ali mandou edificar o Forte Manoel, ficando também o local conhecido como Ilha Manoel.
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Palácio de Vilhena
Trata-se do Palácio dos Grão-Mestres da Ordem de Malta. Alberga hoje o Museu Nacional de História Natural. Instalado no antigo Palácio da Justiça, situado na cidade medieval de Mdina, originalmente serviu de "Università", o Governo local. No início do séc.XVIII, foi construída uma nova entrada na cidade e D. Manuel de Vilhena reestruturou o edifício, tendo servido como a sua residência de Verão, tranformando-o no magnífico Palácio, estilo-Barroco, da actualidade. Um busto de bronze e o seu brasão encontram-se na entrada principal.
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Citta Vilhena
Antevendo o progressivo acréscimo demográfico de La Valletta, Vilhena lançou um plano ambicioso de desenvolvimento urbanístico nos arredores da cidade, em Floriana. Na praça adjacente aos Jardins Maglio, encontra-se a estátua de bronze do Grão-Mestre.
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Moinhos de Vento
Ta'Xarolla (Zurrieq), o único em actividade, contruído pelo Grão-Mestre em 1724. Ta'Kola (Xaghra-Gozo), financiado pela Fundação Manoel, em 1725, por forma a corresponder ao aumento da procura da crescente população maltesa.
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Sepultura na Catedral dos Cavaleiros de São João
Esculpida entre 1727 e 1729, pelo artista florentino Massimiliano Soldani Benzi (1656-1740).

quinta-feira, 25 de maio de 2006

EX QVA SALVS ORTA MVNDI EIVS ORTV SALVS NOSTRA

Mapa quinhentista da Ilha de Malta

INFIRMIS SERVIRE FIRMISSIMVM REGNARE

Gravura quinhentista representando o Hospital da Ordem, do livro de Ptolomeus Veltronius, Statuta Hospitalis Hierusalem
(Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra)
A Ordem dos Hospitalários (ou Ordem de São João de Jerusalém) é uma tradição que começou como uma Ordem Beneditina fundada no século XI na Terra Santa, mas que rapidamente se tornaria uma Ordem militar cristã uma congregação de regra própria, encarregada de assistir e proteger os peregrinos àquela terra. Face às derrotas e consequente perda desse território, a Ordem passou a operar a partir da ilha de Rodes, onde era soberana, e mais tarde desde Malta, como estado vassalo do Reino da Sicília.
Poder-se-á afirmar que a extinção desta ordem se deu com a sua expulsão de Malta por Napoleão. No entanto, os mesmos cavaleiros iriam instalar-se na ilha de Malta, doada por Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico, adoptando a designação de 'Ordem de Malta.
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Um pouco de história
Cerca de 1099, alguns mercadores de Amalfi fundaram em Jerusalém, sob a regra de S. Bento e com a indicação de Santa Maria Latina, uma casa religiosa para recolha de peregrinos. Anos mais tarde construíram junto dela um hospital que recebeu, de Godofredo de Bulhão, doações que lhe asseguraram a existência, desligou-se da igreja de Santa Maria e passou-se a formar congregação especial, sob o nome de S. João Baptista.
Em 1113 nomeou-a o Papa congregação, sob o título de S. João, e deu-lhe regra própria. Em 1120 o francês Raimundo de Puy, nomeado grão-mestre, acrescentou ao cuidado com os doentes o serviço militar.
Assim é a origem da Ordem dos Hospitalários ou de S. João de Jerusalém, designada por Ordem de Malta a partir de 1530, quando se estabeleceram na ilha do mesmo nome, doada por Carlos V.
Ordem de aristocratas, nunca teve entre os seus cavaleiros pessoas que não pertencessem à fidalguia. O hábito regular consistia numa túnica e num grande manto negro, no qual traziam, pregada no lado esquerdo, uma cruz de ouro, com esmalte branco.
De início, na Espanha, havia uma só sede (língua), a de Aragão, que englobava os reinos de Portugal, Leão, Navarra, Aragão e Castela. Em Portugal, entre os bens da ordem, tinha especial importância o priorado do Crato. Os reis viram receosos crescer o poder dos senhores do Crato, que se acentuou mais com a rebelião de D. Nuno Gonçalves contra a regência do infante D. Pedro (1392-1449).
D. João III, por morte do conde de Arouca, doou o priorado a um membro da família real, o infante D. Luís, em 1528, que se intitulou grão-prior. Então o Rei, com vista a futuros protestos, consegue do papa Júlio III a bula de 1551, que D. António, filho natural do infante, fosse nomeado sucessor do pai. D. Maria I consegue do Papa a independência do grão-mestrado de Malta e, poucos anos depois, o mesmo Papa decretou por bula em 1793 que, assim como pelo lado temporal o grão-priorado de Portugal ficara isento de qualquer interferência de Malta, também pelo lado espiritual dependeria apenas da Santa Sé. Assim, D. Pedro e D. Miguel foram grãos-priores do Crato. A ordem foi extinta em 1834 e os bens incorporados na Fazenda Pública.
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A possessão mediterrânica de Malta foi capturada por Napoleão em 1798 durante a sua expedição para o Egipto. Este teria pedido aos cavaleiros um porto-salvo para reabastecer os seus navios e, uma vez em segurança em Valetta, virou-se contra os anfitriões. O Grão-Metre Ferdinand von Hompesch, apanhado de surpresa, não soube antecipar ou precaver-se deste ataque, rapidamente capitulando para Napoleão. Este sucedido representou uma afronta para os restantes cavaleiros que se predispunham a defender a sua possessão e soberania.
A Ordem continuou a existir, compactuando com os governos por uma retoma de poder. O Imperador da Rússia doou-lhes o maior abrigo de Cavaleiros Hospitalários em São Petersburgo, o que marcou o início da Tradição russa dos Cavaleiros do Hospital e posterior reconhecimento pelas Ordens Imperiais Russas. Em agradecimento, os Cavaleiros deposeram Ferdinand von Hompesch e elegeram o Imperador Paulo I como Grão-Mestre que, após o seu assassinato em 1801, seria sucedido por Giovanni Battista Tommasi em Roma, restaurando o Catolicismo Romano na Ordem.
No início da década de 1800, a Ordem encontrava-se severamente enfraquecida pela perda de Priores em toda a Europa. Apenas 10% dos lucros chegavam das fontes tradicionais na Europa, sendo os restantes 90% provindos do Priorado Russo até 1810, facto cuja responsabilidade é parcialmente atribuída pelo governo da Ordem, que era composta por Tenentes, e não por Grão-Mestres entre 1805 e 1879, até o Papa Leão XIII restaurar um Grão-Mestre na Ordem (Giovanni a Santa Croce. Esta medida representou uma reviravolta no destino da Ordem, que se tornaria uma organização humanitária e cerimonial. Em 1834, a Ordem, reactivada, estabeleceu nova sede em Roma e foi, a partir daí, designada como Ordem Militar Soberana de Malta.
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Sobre a sua presença em Portugal
Vários autores remontam a sua existência em terra portuguesa ao período final do governo de D. Teresa. Segundo o Dr. Rui de Azevedo, entre 1122 e 1128 a rainha D. Teresa teria concedido aos freires desta Ordem o mosteiro de Leça do Balio, sua primeira casa capitular. A carta de couto e privilégios outorgados à Ordem do Hospital em 1140 por Dom Afonso Henriques atesta a importância que já então teria. Em 1194 D. Sancho I doou aos cavaleiros de S. João do Hospital a terra de Guidintesta, junto ao Tejo, para aí construirem um castelo, ao qual o monarca, no acto de doação pôs o nome de Castelo de Belver.
D. Sancho II em 1232 doou-lhe os largos domínios da terra que, por essa altura, recebeu o nome de Crato, onde os freires fundaram uma casa que se tornou célebre. O superior português da Ordem dos Hospitalários era designado pelo nome de prior do Hospital, e a partir de D. Afonso IV por prior do Crato.
Não consta que por esse tempo tivessem os Cavaleiros do Hospital mosteiro de freiras, embora tivessem fratisas que usavam hábito e viviam em suas casas. O primeiro mosteiro de freiras hospitalário foi fundado em Évora, em 1519, por Isabel Fernandes, e mais tarde transferido para Estremoz pelo infante D. Luís, quando este filho de D. Manuel I foi prior do Crato.
Por alvará de 1778, foram-lhes confirmadas todas as aquisições de bens de raiz feitas no Reino e permitiu-se que os cavaleiros sucedessem a seus parentes por testamento, no usufruto de quaisquer bens que não fossem da coroa ou vinculados em morgado, revertendo por morte destes para as casas de onde tinham sido saído. A ordem foi extinta pelo diploma de 1834 que extinguiu todos os conventos de religiosos.
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Actualmente
Ao sul da Itália, existe um pequeno país chamado Malta. Mas não é dele que estamos falando. Poucos sabem, mas, encravado na Itália, existe um minúsculo Estado de apenas 6 Km2, cujo único território é um prédio em Roma e seu jardim. Este Estado é conhecido como a Ordem Soberana e Militar de Malta. A Ordem, que possuía cavaleiros de diferentes nacionalidades, principalmente italiana, francesa, alemã, espanhola e portuguesa, fez de Malta sua base e quartel-general, mudando seu nome efetivamente para Ordem Soberana, Militar e Hospitalar de São João de Jerusalém, Rodes e Malta. Lá a Ordem ficou até 1800, quando a Grã-Bretanha invadiu Malta, expulsando os cavaleiros. Estes então se refugiaram na Itália, onde estão até hoje. A soberania da Ordem de Malta só foi reconhecida em 1966. Apesar de ser um Estado Soberano, a Ordem não é reconhecida como um país, tendo status de uma organização humanitária, como a ONU ou a Cruz Vermelha. Sua população permanente é de apenas três pessoas, o Príncipe, o Grão-Mestre e o Chanceler. Todos os demais "habitantes" da Ordem de Malta possuem nacionalidade maltesa, mas também a nacionalidade do país onde nasceram (normalmente italiana). A soberania da Ordem permite que ela imprima seus próprios selos e expeça seus próprios passaportes, concedendo, efetivamente, nacionalidade maltesa a seus membros. A Ordem de Malta pode, portanto, ser comparada ao Vaticano, onde apenas o alto clero possui nacionalidade vaticana, e, mesmo assim, ninguém tem nacionalidade exclusiva (o Papa, por exemplo, possui nacionalidade vaticana e alemã). Atualmente, a Ordem de Malta mantém relações diplomáticas com o Vaticano e mais 86 países, onde possui, inclusive, embaixadas. Existe até uma embaixada da Ordem em Brasília! Um dado curioso é que o território ocupado pelas embaixadas é considerado solo maltês (exatamente como ocorre com qualquer outro país) e os representantes diplomáticos da Ordem são todos cidadãos malteses. A Ordem ainda possui representação na ONU (tendo até um Observador Internacional), e é filiada à Cruz Vermelha e a outras organizações internacionais. A Ordem de Malta atua como uma organização humanitária internacional, fundeando hospitais e centros de reabilitação em diversos países, principalmente na África. Existem outras Ordens de Malta não-oficiais e não-soberanas, a maioria delas formada por dissidentes da Ordem original (existe uma nos EUA que é formada por protestantes que não aceitam o controle católico da Ordem). A maioria dessas outras Ordens possui relações amigáveis com a Ordem de Malta, e cooperam mutuamente em prol do bem-estar da população mundial. fonte: wikipédia

A Ordem de Malta surgiu na Idade Média, sediada em Jerusalém, como ordem militar e religiosa católica. Tinha então o nome de Ordem de São João de Jerusalém. Sua finalidade militar era a defesa da Terra Santa. Tinha também a finalidade de manter hospitais para atendimento aos peregrinos que a visitavam.
Em 1312 a ordem obteve a posse da Ilha de Rhodes. Seu superior era o soberano da ilha, que constituía um estado independente, com exército e marinha. Isso durou até 1523, quando a ilha foi perdida para o sultão turco. Mais tarde, a Ordem veio a dominar a ilha de Malta, perdida para os franceses em 1798.
Hoje tem sede em Roma. Não tem território, mas tem soberania e goza de representação diplomática. Hoje não é mais considerada pelo Vaticano como ordem religiosa, mas como Estado (embora desprovido de território).
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Bibliografia Geral do Blog
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ALBUQUERQUE, Martim de - Portugal e a Ordem de Malta (Aspectos da Europa), Edições Inapa, S.A. 1992.
BARBARA FRALE, - Os Templários, Edições 70, Maio de 2005. (Barbara Frale é doutorada pela Universidade de Veneza com uma tese sobre a documentação do processo dos Templários. Trabalha, também, no Arquivo Secreto do Vaticano).
BRANDÃO DE PINHO, António Jorge - Rossas - Inventário Natural, Patrimonial e Sociológico, Rossas - Arouca, 2006.
FIGUEIREDO, José Anastácio de - Nova História da Militar Ordem de Malta e dos Senhores Grão-priores dela em Portugal - 3 Vols., Lisboa 1800.
SOUSA, Bernardo Vasconcelos e - Ordens Religiosas em Portugal, Das Origens a Trento - Guia Histórico - Livros Horizonte, Dezembro 2005.
VILLAS-BOAS, Ruy Gonçalo de, - Os Grão-Mestres Portugueses da Ordem de Malta - Filermo, Porto.

domingo, 7 de agosto de 2005

Castelo do Crato, Crato, Portalegre

 
O Crato foi reconquistado para o domínio cristão logo em 1160, embora o seu repovoamento tenha arrancado apenas a partir de 1232, quando D. Sancho II fez doação do local à Ordem dos Hospitalários (ou Ordem de São João de Jerusalém), mais tarde Ordem de Malta. Seguiu-se a construção do castelo, e, algumas décadas mais tarde, a atribuição do primeiro foral, dado pela Ordem (1270). O priorado do Crato, constituído em 1340 (com cavaleiros vindos de Leça do Bailio) constituiria a mais importante representação dos Hospitalários em Portugal, sendo a vila do Crato feita cabeça da Ordem em 1350, depois da Batalha do Salado.
A construção do castelo terá avançado ao longo do século XIV, como comprovam algumas cartas do rei D. Pedro, nas quais se faz referência aos trabalhos de construção de valas e barbacãs no Crato e na Amieira. Em 1430, sob o priorado de D. Frei Nunes de Góis, dá-se a reconstrução da fortaleza, incluindo a delimitação de um novo recinto amuralhado. No entanto, em 1439 - 1440 (a data do regresso da sede da Ordem ao Crato, após uma temporada na vizinha Flor da Rosa) as muralhas e o castelo são arrasadas pelas tropas do Infante D. Pedro, seguindo-se nova reconstrução do local. O prior dos Hospitalários havia acolhido a rainha viúva de D. Duarte, D. Leonor de Aragão, antes da sua partida para Castela, opondo-se às pretensões do regente.
Mais trabalhos no castelo ocorreram aquando da celebração do casamento de D. João III e D. Catarina da Áustria, nesse local, em 1525. O castelo do Crato já fora, de resto, palco do casamento de D. Manuel com D. Leonor de Castela, alguns anos após a outorga de foral novo por este monarca, em 1512. Tanto os casamentos régios como o foral manuelino são testemunhos privilegiados da importância e estado de conservação do castelo, à época. Porém, a intervenção mais marcante terá sido aquela que determinou a transformação do castelo medieval em fortaleza moderna, no século XVII, perante o panorama da Guerra da Restauração. A partir de 1642, avançaram as obras ordenadas por D. João IV; as muralhas foram reconstruídas, e ergueu-se um típico fortim de planta poligonal, disposta em estrela irregular de quatro pontas, ao contrário da arcaica planta trapezoidal que apresentava até então, com cinco torres nos ângulos (uma das quais a de menagem). Os muros foram guarnecidos de baluartes e casamatas, e adaptados à utilização de artilharia. No entanto, as obras ainda decorriam quando o castelo e a vila do Crato foram cercados pelas tropas de D. João da Áustria, em 1662. Os atacantes arrasaram o conjunto, e destruíram inclusivamente o cartório e arquivos da Ordem de Malta, designação da Ordem dos Hospitalários a partir de 1530. Das estruturas medievais e modernas, pouco ficou de pé e reconhecível. Para além de alguns trechos de muralhas, restou uma guarita, a cisterna, duas torres em ruínas, e algumas estruturas de suporte para as plataformas dos canhões. Da casa do governador do castelo ficaram apenas algumas arcadas.
O castelo pertenceu a particulares até 1989, data na qual foi adquirido pela Câmara Municipal, embora fosse imediatamente concessionado à Fundação do Castelo do Crato. A partir de 1992, a Fundação levou a cabo importantes obras de reabilitação do conjunto, destinadas a valorizar as ruínas, e a dinamizar o castelo como centro cultural e espaço de lazer. in IGESPAR

quinta-feira, 4 de agosto de 2005

Castelo de Belver, Gavião, Portalegre

 
Belver foi o primeiro castelo edificado pelos Hospitalários no nosso país, a fim de defender o território raiano do vale do Tejo, e um dos mais imponentes que a Ordem construiu em Portugal ao longo da Baixa Idade Média. Ele tem origem em 1194, ano em que D. Sancho I doou a Afonso Paes, prior da Ordem, as chamadas terras de Gimdintesta, com a condição de aí se construir um castelo. Esta iniciativa visava estancar as investidas islâmicas dos anos imediatamente anteriores, que determinaram o recuo da fronteira cristã para a linha do Tejo, mas também um certo equilíbrio de forças entre as várias instituições a quem havia sido confiada a defesa do médio Tejo, procurando o monarca, desta forma, atenuar o quase monopólio dos Templários nesta parcela do território (BARROCA, 2000, pp.194-195).
Em 1210, as obras estariam terminadas ou, pelo menos, bastante adiantadas, pois nessa data já se encontra em funcionamento. O testamento de D. Sancho I é claro quanto à sua existência, uma vez que, para além de o mencionar, informa que ele é um dos seis locais do reino onde se conserva o tesouro real nacional, notícia que prova a excelência da obra de arquitectura - apesar da sua localização fronteiriça (IDEM, p.196) - e a confiança que o monarca tinha, então, nos Hospitalários, em particular no comendador de Belver.
A fortaleza foi objecto de algumas modificações ao longo dos séculos, mas mantém praticamente intacta a sua primitiva estrutura, que se considera uma das mais representativas da fase românica da arquitectura militar no nosso país. Com efeito, ela adapta-se ainda às condicionantes do terreno e a sua cerca, dotada de adarve e integralmente ameada, desenvolve-se em planta oval, em cujo centro do recinto se ergue, isolada, a torre de menagem. Esta é de planta rectangular, quase quadrada, e possui três pisos, fazendo-se o acesso ao interior por porta elevada no andar intermédio, acessível por escada móvel. O último piso fazia a ligação ao adarve (IDEM, p.199) que circunda a muralha pelo lado interior, através de um sistema de passadiço hoje desmantelado. A face voltada a nascente, precisamente aquela por onde se tem acesso à fortaleza e em cuja vertente se desenvolveu a povoação, é protegida por quatro poderosas torres quadrangulares, enquanto que a face oposta, sobre escarpas de difícil acesso, possui apenas dois torreões, de planta semi-circular.
A porta principal está virada a Sul e é protegida por duas poderosas torres que a ladeiam, com a característica de a do lado direito ser mais robusta e de encobrir parcialmente a entrada, por forma a evitar "que quem fizesse a aproximação ao castelo detectasse a porta com facilidade", um esquema que apenas seria generalizado, mais de meio século depois, no reinado de D. Dinis (IDEM, p.197). A Porta da Traição, segunda via de acesso ao recinto, rasga-se do lado poente e dá directamente para a zona mais escarpada. Mesmo assim, encontra-se igualmente protegida entre um torreão cicular e um ressalto da muralha, o que a torna apenas visível quando vista de frente (IDEM, p.198).
Depois de consumada a subida ao trono de D. João I, o castelo viu renovada a sua importância militar, no contexto das guerras com Castela, e foi então objecto de obras em 1390, por iniciativa do Condestável D. Nuno Álvares Pereira, campanha a que Mário Barroca atribui a cisterna que se implanta junto à Porta da Traição (IDEM, p.199).
Ao longo da Idade Moderna, desempenhou um papel de menor relevância. Do século XVI data a Capela de São Brás, no interior do recinto, templo maneirista que integra um retábulo-mor de influência italiana e de grande devoção na região, pelas lendárias relíquias da Terra Santa que aqui supostamente se guardariam. Em 1755, com o terramoto, sofreu grandes danos e o século XIX votou-o ao total esquecimento, funcionando o seu interior como cemitério. Nos anos 40 do século XX tiveram lugar as primeiras obras de restauro integral, a cargo da DGEMN, que o reinventou parcialmente. in IGESPAR

quarta-feira, 3 de agosto de 2005

Castelo de Algoso, Vimioso, Bragança

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O castelo de Algoso é uma das mais importantes fortalezas medievais do Leste transmontano, evocadora das guerras com Leão, das tentativas do monarca português em afirmar a sua autoridade na região e, finalmente, da comenda hospitalária que aqui se estabeleceu em 1224 (TEIXEIRA, 2004).
A arqueologia permitiu confirmar que, antes de a Idade Média aqui ter erguido um castelo, foram várias as fases de povoamento, identificando-se materiais dos períodos calcolítico (em particular moldes de fundição de machados de bronze), proto-histórico e romano (correspondendo, estes últimos, a elementos cerâmicos aparentemente associados a uma lixeira do século IV e não a uma efectiva presença militar) (ARGÜELLO, 2004, pp.195-196).
A história do castelo de Algoso tem início no século XII, em altura ainda incerta, mas que se poderá situar "durante a fase final do reinado de Afonso Henriques, quando Sancho I se encontrava já associado ao exercício do poder régio" (TEIXEIRA, 2004, p.179). Por essa altura, e de acordo com informações das Inquirições de 1258, o castelo foi construído por Mendo Bofino (ao que tudo indica um dos apoiantes da causa de Afonso Henriques contra D. Teresa, e que, nas décadas centrais do século XII, teve grande protagonismo no Leste transmontano), em troca da vila de Vimioso. Verifica-se, assim, uma associação entre um importante nobre local (que sabemos ter tido ligações com a corte de Leão, mas que se manteve fiel à causa portuguesa) e o rei, indicador que, associado à condição do castelo como cabeça da Terra de Miranda, revela bem a importância da fortaleza "como ponto nuclear de apoio da autoridade régia" nesta periférica região (IDEM, p.181).
Infelizmente, desta primeira fase de construção, pouco ou nada sabemos. É possível que obedecesse "aos princípios do "castelo românico", com ou sem torre de menagem no interior do recinto murado", e acompanhando as condicionantes do terreno, mas nenhum elemento resgatado arqueologicamente é cronologicamente relacionável com esse período (IDEM, p.185) e, pelo registo arqueológico, parece confirmar-se que os níveis do século XII "foram arrasados nos séculos posteriores" (ARGÜELLO, 2004, p.196).
A partir de 1224, a primitiva estrutura foi radicalmente alterada. Nesta data, ou um pouco antes (TEIXEIRA, 2004, p.182), o castelo foi doado à Ordem de São João do Hospital, depois de um relativamente longo período de guerra com Leão. Nesta altura, a expansão da autoridade régia por Trás-os-Montes privilegiava a criação de julgados e de vilas novas, de carácter urbano, relegando os castelos para uma situação puramente defensiva e de conteúdo unicamente militar.
Na posse dos Hospitalários, o castelo foi transformado numa fortaleza gótica, caracterizada por uma ideia de defesa activa. Data deste período a torre de menagem heptagonal, assim concebida para melhor resistir a ataques, proporcionar mais adequados ângulos de tiro (em particular os verticais, conforme se documenta pela existência de um balcão de matacães sobre a porta de entrada do recinto) e melhor servir de residência ao comendador (IDEM, p.185). Do projecto gótico, terá feito igualmente parte um torreão localizado a Sul, que Duarte d'Armas ainda desenhou em 1509. Na transição para a Modernidade, o castelo foi parcialmente actualizado à pirobalística, mas "sem um programa extenso e coerente de remodelação", os trabalhos foram muito limitados (IDEM, p.187).
No Numeramento de 1530, refere-se que, no castelo, só vive o alcaide (GOMES, 2003, p.148) e, em 1684, eram já muitas as estruturas que se encontravam abandonadas e em ruínas. No final do século XVII, ainda se procederam a algumas obras, mas só muito recentemente se inverteu o processo decadente, primeiro com a DGEMN (nas décadas de 50 a 70 do século XX) e, na actualidade, com o IPPAR que, em parceria com a autarquia de Vimioso, aqui desenvolve um importante projecto de recuperação e valorização do conjunto (AMARAL, 2004; ANES, 2004). in IGESPAR

quinta-feira, 2 de junho de 2005

Castelo de Amieira do Tejo, Nisa, Portalegre

 
Em 1232, por doação régia de D. Sancho II, o domínio hospitalário alargou-se consideravelmente para Sul, passando a integrar as vilas de Amieira, Gavião e Crato. As obras promovidas pela Ordem, neste último aglomerado, que viria a ser a sede da instituição, são conhecidas e tiveram lugar imediatamente após a doação de 1232 (BARROCA, 2000, pp.202-203).
No entanto, a vila de Amieira, cuja posse se integra na mesma conjuntura, foi dotada de um castelo já muito tarde, sensivelmente um século depois de passar para as mãos dos Hospitalários. A sua construção ficou a dever-se a Álvaro Gonçalves Pereira, filho bastardo do bispo D. Gonçalo Pereira, prior da Ordem do Hospital e pai do futuro condestável do reino, Nuno Álvares Pereira. Foi, ainda, a este último que se deveu a transferência da sede da Ordem, de Leça do Bailio para o Crato (1356), circunstância que levou toda a estrutura hospitalária para o coração do seu principal domínio fundiário.
O castelo da Amieira explica-se nesta conjuntura renovadora do papel e da acção da Ordem. Três anos depois, D. Pedro I visitou a fortaleza, cujas obras deviam estar já bastante adiantadas, apesar de só terem sido formalmente concluídas em 1362 (IDEM, p.205). O próprio Álvaro Gonçalves Pereira manifestou grande cuidado na construção e evolução deste castelo, aqui falecendo em 1375.
De acordo com os estudos de Mário Barroca, que aqui seguimos, o castelo da Amieira é o protótipo de castelo gótico português (IDEM, p.206). Localizado a uma cota relativamente baixa, sinal de que a evolução da arquitectura militar tornava as construções independentes das condicionantes topográficas, apresenta uma planta regular rectangular, cintada por quatro torres nos ângulos. A torre de menagem é uma dessas torres angulares, de planta quadrangular e de maiores dimensões que as restantes, elevando-se sobre a entrada principal da fortaleza. Ao contrário das isoladas torres de menagem românicas, ela participa da "defesa da fortificação na área em que se afigurava mais vulnerável, possibilitando o tiro vertical sobre a porta de entrada da barbacã" (IDEM, p.206). Livre da torre de menagem, e de outras construções anexas, o pátio central surge como um amplo espaço de fácil movimentação. O castelo possuía ainda dois níveis de defesa complementar, referidos na documentação do século XIV: um fosso, de que não resta, hoje, grandes vestígios e uma barbacã ao redor da fortaleza, que formava um segundo patamar de difícil transposição em caso de cerco.
A fortaleza sofreu várias modificações nos séculos posteriores. Nos reinados de D. João II e de D. Manuel, há referência a obras, provavelmente de adaptação da estrutura às novas exigências da guerra. Simultaneamente, serviu de prisão, função determinada pela excelência do projecto arquitectónico. Adossada a uma das torres, mas fora das muralhas, a Capela de São João Baptista data de 1556, conforme inscrição sobre o portal principal, este de volta perfeita com aduelas almofadadas. No interior, possui abóbada de caixotões decorada com grotescos e uma imagem do padroeiro, além de um retábulo tardo-renascentista.
Perdida a função militar, pelo afastamento das linhas de fronteira, o castelo decaiu de importância. No século XVIII, grande parte das antigas estruturas estavam abandonadas e parte da fortaleza havia sido adaptada a residências civis. Por essa altura, a torre de menagem foi alvo de um parcial projecto de recuperação, mas pouco mais se fez para reverter a funcionalidade militar de um dos nossos principais castelos góticos. No século XIX, o pátio central foi convertido em cemitério da localidade, facto que se verificou até à década de 40 do século XX, quando a DGEMN promoveu o restauro integral do castelo, campanha de obras que conferiu ao conjunto a fisionomia que ainda hoje mantém. in IGESPAR

quarta-feira, 25 de maio de 2005

Grão-Mestres da Ordem de Malta

The Blessed Gerard (1099-1120)
Raymond du Puy de Provence (1120-1160)
Auger de Balben (1160-1163)
Arnaud de Comps (1162-1163)
Gilbert d'Aissailly (1163-1170)
Gastone de Murols (c. 1170-1172)
Gilbert of Syria (1172-1177)
Roger de Moulins (1177-1187)
Hermangard d'Asp (1187-1190)
Garnier de Naplous (1190-1192)
Geoffroy de Donjon (1193-1202)

Afonso de Portugal (1203-1206) - Português
Geoffrey le Rat (1206-1207)
Guerin de Montaigu (1207-1228)
Bertrand de Thessy (1228-1231)
Guerin de Montaigu (1231-1236)
Bertrand de Comps (1236-1240)
Pierre de Vielle-Bride (1240-1242)
Guillaume de Chateauneuf (1242-1258)
Hugues de Revel (1258-1277)
Nicolas Lorgne (1277-1284)
Jean de Villiers (1284-1294)
Odon de Pins (1294-1296)
Guillaume de Villaret (1296-1305)
Foulques de Villaret (1305-1319)
Helion de Villeneuve (1319-1346)
Dieudonné de Gozon (1346-1353)
Pierre de Corneillan (1353-1355)
Roger de Pins (1355-1365)
Raymond Berenger (1365-1374)
Robert de Juliac (1374-1376)
Jean Fernandez de Heredia (1376-1396)
Riccardo Caracciolo (1383-1395) Grão-Mestre rival
Philibert de Naillac (1396-1421)
Antonio Fluvian de Riviere (1421-1437)
Jean de Lastic (1437-1454)
Jacques de Milly (1454-1461)
Piero Raimondo Zacosta (1461-1467)
Giovanni Battista Orsini (1467-1476)
Pierre d'Aubusson (1476-1503)
Emery d'Amboise (1503-1512)
Guy de Blanchefort (1512-1513)
Fabrizio del Carretto (1513-1521)
Philippe Villiers de L'Isle-Adam (1521-1534)
Piero de Ponte (1534-1535)
Didier de Saint-Jaille (1535-1536)
Jean de Homedes (1536-1553)
Claude de la Sengle (1553-1557)
Jean Parisot de la Vallette (1557-1568)
Pierre de Monte (1568-1572)
Jean de la Cassiere (1572-1581)
Hugues Loubenx de Verdalle (1581-1595)
Martin Garzez (1595-1601)
Alof de Wignacourt (1601-1622)

Luis Mendez de Vasconcellos (1622-1623) - Português
Antoine de Paule (1623-1636)
Juan de Lascaris-Castellar (1636-1657)
Antoine de Redin (1657-1660)
Annet de Clermont-Gessant (1660)
Raphael Cotoner (1660-1663)
Nicolas Cotoner (1663-1680)
Gregorio Carafa (1680-1690)
Adrien de Wignacourt (1690-1697)
Ramon Perellos y Roccaful (1697-1720)
Marc'Antonio Zondadari (1720-1722)

António Manoel de Vilhena (1722-1736) - Português
Raymond Despuig (1736-1741)

Manuel Pinto de Fonseca (1741-1773) - Português
Francisco Ximenes de Texada (1773-1775)
Emmanuel de Rohan-Polduc (1775-1797)
Ferdinand von Hompesch zu Bolheim (1797-1799)
Paulo I da Rússia (1798-1801) de facto
Giovanni Battista Tommasi (1803-1805)
Innico Maria Guevara-Suardo (1805-1814) Tenente
André Di Giovanni (1814-1821) Tenente
Antoine Busca (1821-1834) Tenente
Carlo Candida (1834-1845) Tenente
Philippe di Colloredo-Mels (1845-1864) Tenente
Alessandro Borgia (1865-1871) Tenente
Giovanni Battista Ceschi a Santa Croce (1871-1879) Tenente
Giovanni Battista Ceschi a Santa Croce (1879-1905)
Caleazzo von Thun und Hohenstein (1905-1931)
Ludovico Chigi Albani della Rovere (1931-1951)
Angelo de Mojana di Cologna (1962-1988)
Andrew Willoughby Ninian Bertie (1988-2008)

Matthew Festing (2008- presente)

segunda-feira, 25 de abril de 2005

Roma, 24 de Abril de 2005 - O Grande Mestre da Ordem de Malta, Frei Andrew Bertie apresenta cumprimentos ao Papa Bento XVI.