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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Marcos de Malta em Ordem, Lousada


Deve o seu nome à existência de uma Comenda da Ordem dos Hospitalários. Guarda uma história riquíssima, ainda mal explorada, mas que pode ser participada, bastando que se calcorreie os quase desaparecidos caminhos, as veredas, as margens dos pequenos regatos, sempre na iminência da descoberta. Existe uma carta do Mosteiro de Pendorada, de doações a particulares, do mês de Maio do ano 770, que fala da fundação da Igreja de Santa Eulália, realizada depois da presúria (ocupação cristã, após retirada muçulmana deste território). Em 1216 a Igreja de Santa Eulália já se encontrava na posse da Ordem de Malta, em Leça do Balio, com a designação de "Santa Ovaya de Sousella", "Sousella de Caães" ou "Santa Olalha de Sousella". Como a Ordem tinha abundantes bens, cederam ao Bispo do Porto, D.Hugo, seis grandes casais, e ao prior de Leça, D. Martinho, e a seus sucessores, diversas igrejas, entre elas a de Santa Eulália, suprimindo ainda a obrigação do fornecimento de um jantar anual, que era incumbência do mosteiro. Segundo as Inquirições de D. Afonso III, de 16 de Maio de 1258, o Capelão Geraldo Pires informa que a igreja de "Sancte Ouaye de Sousa" era do "hospitalis" e que a Ordem a teve de testamento de D. Teresa Gonçalves, meia-irmã do Conde D. Mendo de Sousa. Em 1758, Pantaleão Machado Abreu e Silva, reitor da Igreja Paroquial de Santa Eulália da Ordem, pertencente à Religião de Malta, refere que a freguesia se situa na Província de Entre-Douro-e-Minho, Arcebispado de Braga, termo e comarca da cidade do Porto, concelho de Aguiar de Sousa. Sendo que a freguesia tem como donatário o venerando Balio de Leça.
 
Por toda a freguesia podemos encontrar os marcos de pedra com a cruz da Ordem de Malta esculpida em baixo relevo, que serviram para delimitar a Comenda de Santa Eulália que aqui existiu. O primeiro Bispo de Mariana, D. Frei Manuel da Cruz, da ordem de Cister, nasceu aqui na já demolida Casa do Carvalhal. in wikipédia.

 
Entre 2005 e 2007, o Gabinete Arqueologia e Património da Câmara Municipal de Lousada, levou a cabo um trabalho de campo com vista à inventariação do conjunto de Marcos de propriedades que outrora pertenceram à Ordem de Malta, ao Arcediagado de Meinedo, ao Mosteiro de Bustelo e à Ordem de Cristo, naquele concelho do distrito do Porto (a que se reportam as imagens aqui publicadas).
Foi assim inventariado um conjunto de 19 Marcos da Ordem de Malta, de um total que se adivinha a rondar as três dezenas, cuja função foi a de fixação dos limites da Comenda, como era prática da Ordem, e de que já aqui trouxemos vários exemplos. Os Marcos existentes na freguesia de Ordem seguem a forma habitual de paralelepípedo com a cruz oitavada em hábito aberto em circulo. Aqui, contudo, uma particularidade: logo abaixo do hábito os marcos têm uma numeração e não a data de demarcação como era mais comum. Encontram-se também alguns marcos com forma triangular, como se pode observar pela imagem supra.
Com efeito, a Ordem de Malta foi aí detentora, pelo menos desde 1216, da Igreja de Santa Eulália, sendo que em 1258, de acordo com as Inquirições de D. Afonso III, era proprietária e foreira de várias terras e casais também noutras freguesias vizinhas, como Alvarenga, Covas, Cristelos, Figueiras, Sousela, Silvares e Pias. Mais tarde, a Ordem acabou por não conservar o direito de apresentação das igrejas de Sousela, Figueiras e Covas, tendo-se mesmo verificado a divisão entre a Comenda de Santa Eulália e a Igreja de Santa Eulália da Ordem, Covas, Figueiras e Sousela. Ainda assim, desde longo período de domínio da Ordem de Malta na área da actual freguesia de Santa Eulália da Ordem, bem como em diversas zonas do concelho de Lousada, sobretudo na bacia do rio Mezio, sobram diversos vestígios materiais, de que os Marcos de propriedade da referida Comenda serão, porventura, os mais notáveis (Cfr."Marcos de Propriedade no concelho de Lousada: notas para a sua significaçãohistórico-religiosa", OPPIDUM n.º 2, 2007, pág.42).

sábado, 8 de setembro de 2012

Visita ao Casal da Falagueira de Cima, Amadora



Hoje estivemos de visita ao Casal da Falagueira de Cima (Casa da Ordem de Malta) e Azenha, no concelho da Amadora. O que está escrito dá-nos a ideia do que foi uma determinada realidade ou acontecimento, mas, muitas vezes, nada melhor que ir ao local para sentir e perceber essa realidade ou acontecimento. Tudo ganha outra importância e significado. Tanto mais assim é neste caso, quando temos a ideia de que a Amadora não tem história nem elementos do passado que a possam valorizar. Sobre o que ainda era possível (embora nos pareça que era possível fazer algo mais relativamente à azenha e ao canal de condução de água até à mesma) foi ali feito um excelente trabalho arqueológico e de recuperação do Casal outrora pertença da Odem de Malta, de que subsistem alguns marcos (aqui, com a cruz em relevo, mas de pontas atenuadas) de que se guardam dois exemplares no interior do núcleo museológico e, para além doutros que existem pelas imediações, um outro que se preserva encostado à parede exterior do núcleo, que outrora foi a Casa principal do Casal, e apresenta traços da centúria de  quinhentos.
Uma das mais antigas referências ao Casal da Falagueira, encontra-se num testamento de 1268,  de um Cavaleiro da Ordem do Hospital, de seu nome Vasco Martins.
Segundo Frei Lucas de Santa Catarina, a propósito da Comenda de São Brás, em Lisboa, esta era ainda foreira de algumas propriedades para além do termo da cidade, nomeadamente na Falagueira: «... tem também a Ordem ainda hoje um casal, que está por cima do lugar da Falagueira, chamado de São Brás, com casas, pomar, vinhas, terras e fontes; foreiro em quatro moios e meio de trigo [aprox. 3510 litros/kg.], um moio de cevada [780 l./kg.], um carneiro e seis galinhas; havendo dele várias pertenças, e subenfiteuticações [sic], que rendem 240 reis, ou uma galinha, e outra 200 reis, ou outra galinha. (…) Mais se conserva foreira uma terra, com seu moinho de vento, no alto do Lugar da Falagueira, que se desmembrou do casal do Louro» (SANTA CATARINA, 1734: 269/277).

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Visita à antiga Comenda de Montoito, Redondo




No passado fim-de-semana estivemos de visita à antiga e extinta Comenda de Montoito, no concelho de Redondo, distrito de Évora. Outrora anexa à Comenda de Elvas, trata-se de uma das comendas que a Ordem de Malta administrou mais a Sul do território português.
O topónimo Montoito, derivado de monte-outo, que deu Montouto e depois Montoito, parece advir de oito montes alentejanos, cujo trabalho e incremento agrícola deram origem ao agregado populacional que é agora o povoado.
O povoado terá sido fundado em 1270, com a outorga de Foral por Pero Anes e sua mulher, chegando a sede de concelho entre 1517, com a outorga de Foral Novo por D. Manuel I, em 25 de Outubro. Manteve a categoria de Vila e sede de concelho até ao início do século XIX. Pelo Decreto de 12 de Julho de 1895 a Vila foi anexada ao Concelho do Reguengos de Monsaraz, voltando para o de Redondo pelo Decreto de 13 de Janeiro de 1898.
Dentre o património edificado, assume maior destaque a igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, situada no extremo Sul da localidade, pegada ao cemitério. E a igreja do Espírito Santo que está no centro da povoação, destacando-se no frontispício da mesma a Cruz de Malta sobre a data de 1603. Há ainda tradição da existência de um hospício anexo com “a roda dos enjeitados”, dependente da Ordem de Malta que funcionava como Misericórdia, e que está perpetuado no nome da travessa onde existiu: Travessa do Hospital.
Muitos aspectos da história de Montoito e nomeadamente da presença da Ordem de Malta nesse território estão ainda por trabalhar e, por isso, muito salutar e profícuo seria certamente o estreitamento de relações entre a Junta de Freguesia de Montoito e as actuais estruturas representativas da Ordem de Malta em Portugal.
Entretanto, para além de outra documentação, chamamos a atenção para os seguintes documentos fundamentais para a história de Montoito e da Ordem de Malta, que podem ser consultados na Biblioteca Pública de Évora:

- Livro de Estabelecimentos da Ordem Militar de São João de Jerusalém (1575); com listagem dos Mestres da Ordem e cópias de documentos desde 1489.
- Traslado de diversos privilégios pontifícios concedidos à Ordem, solicitado por Fr. António Vaz da Cunha, Comendador de Távora e Aboim (1529).
- Livro de registo das provisões, ordens e matrículas dos privilegiados e mais papéis que se mandaram registar na província de Montoito da jurisdição de S. João de Jerusalém em Malta.
- Maço com documentação diversa relativa à Comenda de Montoito: testamentos, autos cíveis, citatórias, etc.

domingo, 2 de setembro de 2012

Visita ao Mosteiro de Vera Cruz de Marmelar











Hoje, dia 02 de Setembro, visitamos a antiga Comenda de Vera Cruz de Marmelar, no concelho alentejano de Portel e, nomeadamente, o antiquíssimo Mosteiro Hospitalário que aí se localiza. Tivémos oportunidade de verificar o excelente estado de conservação interior do templo, bem como a elevada estima dos locais pelo património móvel existente nesta igreja, constituido por várias peças de pintura, escultura, ourivesaria, mobiliário e paramentaria, resultante de um universo rico e variado de objectos de uso litúrgico e devocional, herança da presença secular da Ordem dos Hospitalários.
A maior dedicação, no entanto, é reservada ao cofre-relicário medieval onde se guarda a relíquia do Santo Lenho.
Dentre as peças de pintura, destacam-se a pintura flamenga de Pentecostes e as pinturas que pertenceram ao antigo retábulo-mor da igreja, representando, a primeira, a Rainha Santa Helena e o milagre do Reconhecimento da Vera Cruz perante o Imperador Constantino e o seu séquito, obra do pintor bejense António de Oliveira (1548), encomendada pelo Comendador D. Diogo da Cunha, e a outra que, em 1671, conforme encomenda do Bailio Pedro Barriga barreto, veio substituir a anterior, com a representação do Milagre do Reconhecimento da Santa Cruz, da autoria do pintor eborense Francisco Nunes Varela. Merecem especial referência, a compor os alçados da nave da igreja, a série de pituras espanholas do século XVII, alusivas a beatos e freires-guerreiros da Ordem dos Hospitalários.
Verificamos também, não o podemos ignorar, a acentuada degradação da parte do imóvel que outrora constituiu a parte habitada do complexo religioso e que hoje está para além da igreja. Aquele estado de degração é resultado de várias décadas de abandono e, hoje, para além de não poder ser imputado a quem quer que seja, é de muito dificil e dispendiosa recuperação. No entanto, é parte importante do todo e merece ser limpo, protegido de maior delapidação e devidamente salvaguardado.


Vera Cruz de Marmelar é hoje uma das antigas Comendas da Ordem de Malta que mantém estreitas relações com as actuais estruturas representativas da Ordem em Portugal, com assinalável proveito para as actividades, nomeadamente, de carácter histórico e religioso de ambas as entidades.
Uma das actividades mais importantes para Vera Cruz e para o seu Mosteiro, é a Procissão Anual em Honra do Santo Lenho, que se realiza todos os anos, a 14 de Setembro (inalterável), após a Santa Missa. Convidámos, pois, a que aproveite esta próxima actividade para visitar o Mosteiro Hospitalário de Vera Cruz de Marmelar. Para além desta festividade, a visita está relativamente condicionada à hora em que se realiza a Missa Semanal, que neste período acontece aos Domingos, pelas 10h00. Entretanto, saiba mais sobre a Igreja de Vera Cruz de Marmelar aqui (link).

sábado, 14 de julho de 2012

750 Anos do Foral dado pelo prior da Ordem do Hospital a Tolosa


Pinho Leal já nos tinha contado que Tolosa, actual freguesia do concelho de Nisa, localizada junto à ribeira de Sôr, teve foral dado pelo Grão-Prior do Crato, em 1262, com privilégios iguais aos de Évora, e que o original estava guardado na Torre do Tombo, Gav. 15, Maço 9, N.º18. Trata-se de um documento raro e valioso, de grande importância para a história de Tolosa, para a história do Priorado do Crato, em particular, e para a história da Ordem de Malta, em geral.
Apesar de muito menos documentados (e, por isso, de grande valor histórico) do que os de iniciativa régia, houve também concelhos instituídos ou reconhecidos por entidades que não a Coroa (bispos, mosteiros, ordens militares). O processo, contudo, tal como em grande número dos forais de iniciativa régia, visava incentivar o povoamento e a exploração agrícola.
Agora, no ano em que a respectiva junta de freguesia se junta às Comemorações dos 500 Anos do Foral concedido à vila de Nisa, comemorando os 750 Anos do seu próprio e primeiro Foral, é já possível ler online o conteúdo deste importante e principal documento, cuja outroga foi outrora um privilégio também da Soberana Ordem de Malta, relativamente às terras que administrou.
O documento em consulta, é uma cópia mandada fazer por ordem do Guarda-Mor da Torre do Tombo para melhor inteligência do original, que se encontra junto, e pode ser compulsado online na plataforma digitarq (link).
Posteriormente, em 1517, D. Manuel I outorga-lhe foral novo. Como vila e sede de concelho do priorado do Crato, em 1527, pertenciam ao rei as sisas e as terças, e a jurisdição e as rendas ao Infante. Foi este concelho extinto em 1836, data em que passou a integrar o concelho de Alpalhão. Com a extinção deste último, passou a integrar o concelho de Nisa e, posteriormente, em 1895, foi anexado ao concelho do Crato. Por Decreto de 13 de Janeiro de 1898 voltou, novamente, a ser integrado no concelho de Nisa, a que pertence actualmente.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Vila Marim comemora 700 Anos de História


A Junta de Freguesia de Vila Marim, antigo concelho e actual freguesia de Vila Real, comemora hoje, dia 09 de Julho, 700 Anos de História. É, porém, mais antiga a história de Vila Marim. Com alguma certeza, esclarecida que esteja a questão do ano em que foi concedido o primeiro foral, se pode fixar em 760 ou até mesmo em 787 anos.
Em qualquer caso e indissociável da história daquela simpática, aprazível e soalheira localidade, situada no extremo sudeste da Serra do Alvão, é a presença da Ordem dos Hospitalários, hoje dita de Malta. Remonta aos primórdios da nacionalidade a presença da Ordem dos Hospitalários também naquela zona transmontana e, nomeadamente, em Vila Marim, onde possuiu, de resto, a bela Torre de Quintela (Monumento Nacional, desde 1910), desde o século XIII até ao século XIX, mais precisamente até ao ano de 1834, data em que foram extintas as Ordens Religiosas em Portugal.
A Torre de Quintela, é um dos poucos exemplos de arquitectura civil-militar que comprovam a senhorialização por terras transmontanas. Terá sido mandada edificar no tempo de D. Afonso Henriques, por um seu companheiro de Armas. Trata-se de uma espécie de baluarte, equipada com acessórios defensivos, de planta quadrangular com cerca de 12 metros de largura, com o alçado a atingir mais de 20 metros de altura, organizado no seu interior por 4 pisos.
Por ter sido tão significativa a presença da Ordem de Malta em Vila Marim, figura hoje a Sua cruz oitavada, em chefe, no Brasão da Freguesia. A história de Vila Marim, no entanto, e em muitos dos seus aspectos, está ainda por fazer. Como já se referiu, da própria concessão do primeiro foral persiste ainda a dúvida se terá sido concedido a 9 de Julho de 1225, como nos informou a própria Junta de Freguesia, ou a 9 de Julho de 1252, como lemos em vários trabalhos.
Comprometemo-nos, por isso, a procurar esclarecer esta questão nos próximos dias, para benefício da história daquela localidade tão grata à Nossa Ordem de Malta.
_________________
Hoje, 12.VII.2012, a Torre do Tombo (Arquivo Distrital de Vila Real) informou-nos o seguinte:
A freguesia de Vila Marim foi da apresentação do mosteiro dos Jerónimos de Belém.
Documentada desde 1072, era honra, pertencente a Mem Gueda, nos alvores da nacionalidade.
Recebeu foral de Dom Afonso III, a 9 de Julho de 1252.
Freguesia do concelho de Vila Real composta pelos lugares de Agarez, Arnal, Barelas, Galegos da Serra, Muas, Peneda, Quintela, Ramadas e Vila Marim.
A paróquia de Vila Marim pertence ao arciprestado e à diocese de Vila Real, desde 22 de Abril de 1922. O seu orago é Santa Marinha.

Instrumentos de pesquisa:
GONÇALVES, Manuel Silva; GUIMARÃES, Paulo Mesquita - Arquivo Distrital de Vila Real: Guia de Fundos. Vila Real: Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo. Arquivo Distrital de Vila Real, 1999. 2 vols. ISBN 972-9022-18-6. 2 vol.
Inventário ArqBase nível 4.0 (unidade de instalação).
PORTUGAL. Secretaria de Estado da Cultura. Inventário do Património Cultural Móvel - Inventário colectivo dos registos paroquiais / Inventário do Património Cultural Móvel, coord. José Mariz. - Lisboa : Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, 1993-1994. - 2 v. ; 26 cm. - (Arquivos).

segunda-feira, 2 de julho de 2012

750 Anos da atribuição da primeira Carta de Foral e fundação do Castelo da Vila de Portel


Estão a decorrer, em Portel, as Comemorações dos 750 Anos da primeira Carta de Foral e fundação do Castelo daquela vila alentejana.
A efeméride é muito grata à Ordem de Malta que, de resto, integra a Comissão de Honra das Comemorações, pela pessoa de S.E. o Senhor Presidente da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem.
Portel, é uma das vilas portuguesas cuja própria história é indissociável da história da Ordem de Malta em Portugal. De resto, basta observar o Brasão de Armas do Concelho para constatar a importância da Ordem de Malta para aquela vila alentejana. Sentido pelo qual, quando uma vila que os Cavaleiros Hospitalários ajudaram a conquistar, a defender, a povoar e a administrar, reconhece esse legado e está em festa, também a Ordem de Malta tem razões para festejar e para se orgulhar dos seus contributos e da sua história.
Para saber um pouco mais sobre a presença e significado da Ordem de Malta no concelho de Portel, vale a pena compulsar o estudo abaixo, clicando sobre a imagem.

domingo, 1 de julho de 2012

Igreja de São João da Corujeira, em Elvas


A notícia da classificação pela UNESCO das Muralhas da Cidade de Elvas como Património Mundial, vem suscitar outra atenção sobre o património existente no perímetro daquelas fortificações, nomeadamente sobre a Igreja de São João da Corujeira, edificada no século XIII pelos Freires da Ordem de São João de Jerusalém (hoje dita de Malta), que aí estabeleceram a sede da respectiva Comenda, constituindo um contributo incontornável na história mais remota da defesa, povoamento e administração daquelas imediações fronteiriças. Um terramoto, porém, casou-lhe danos significativos, de que se recuperou entre o século XVIII e XIX, ao que se diz com dimensão mais reduzida.
Situa-se no alto da muralha leste da fortaleza, no bairro com o mesmo nome, no perímetro do Cemitério dos Ingleses ou Britânico de Elvas, e embora desperte atenção pelo seu campanário a encimar a frontaria, apresenta uma traça simples, porta de verga direita e duas janelas gradeadas com coruchéus e cruzes nas vergas. A notícia da edificação e presença dos Hospitalários, conserva-a num janelão aberto sobre o portal, guarnecido de marmore com pequeno frontão com duas volutas e a Cruz Oitavada de Malta sob a Cruz Latina.
Foto do descerramento da placa comemorativa da visita a Portugal de Fra Matthew Festing, Gão-Mestre da Ordem, em 2011

Depois de um período de abandono, a pequena mas significativa e histórica Igreja de São João da Corujeira está aberta ao público e consagrada ao Culto desde 24 de Junho de 2010, depois de recuperada pela Associação dos Amigos do Cemitério Britânico de Elvas, com o apoio da Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem Soberana Militar de Malta. De resto, as boas e profícuas relações destas duas entidades têm motivado a participação conjunta em diversas iniciativas, que muito têm valorizado a história da presença  de ambas naquela zona fronteiriça e Portugal.

terça-feira, 13 de março de 2012

Placas em antigos imóveis outrora foreiros à Comenda de Santa Luzia e São Brás de Lisboa




Pequenas placas ainda hoje existentes na Rua Sol ao Rato, freguesia de Campolide, Lisboa, identificativas de antigos imóveis outrora foreiros à antiga Comenda da Ordem de Malta de Santa Luzia e São Brás de Lisboa.
Frei Lucas de Santa Catarina, cuja obra referenciamos abaixo, chegou a classificar a Comenda de Lisboa como Cabeça do Priorado, tendo em conta que se tratou de uma das mais importantes do ponto de vista económico e histórico-político. Porém, embora importante, nunca chegou a ser Priorado. Em 1220, a Ordem dos Hospitalários era aquela que maior número de propriedades detinha no termo de Lisboa. Então, a sede para a região de Lisboa e Sul de Portugal, situava-se já intramuros da cidade, numas casas e capela junto à Porta do Sol, justamente a Capela de Santa Luzia e São Brás, que alberga hoje a sede da Ilustre Assembleia dos Cavaleiros Portugueses da Ordem.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Relíquia de Vera Cruz de Marmelar, em Portel

Numa profícua troca de informações com Sua Excelência o Senhor Embaixador da Ordem Soberana de Malta em Portugal, revelou-se-nos oportuno, até pela época que se aproxima, trazer à lembrança o papel da Ordem dos Hospitalários, hoje dita de Malta, na introdução em Portugal de "relíquias" que muito contribuiram para mobilizar os cristãos para causas e empreendimentos maiores, de que é exemplo um fragmento do Santo Lenho que se guarda na Igreja de Santa Cruz de Marmelar, em Portel, cujo estudo acima convidámos a compulsar, clicando sobre a imagem.

domingo, 11 de março de 2012

Sobre a Comenda de Santa Luzia e São Brás...

Sobre a antiga Comenda de Santa Luzia e São Brás de Lisboa, sobre a qual pouco ainda se escreveu, chamamos à atenção para o contributo "Cavaleiros Hospitalários de São João Batista de Jerusalém", de Ruy Oliveira.

sábado, 10 de março de 2012

Sobre as Comendas das Ordens Militares

Sobre as Comendas das Ordens Militares na Idade Média, nomeadamente da Ordem de Malta, chamamos à atenção para o contributo "As Comendas: enquadramentos e aspectos metodológicos", de Paula Pinto Costa, pág. 9 e seguintes.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Marcos de Malta fundamentais na resolução de diferendo sobre os limites de Urrô com Rossas, no concelho de Arouca



Recentemente, acompanhamos os senhores presidentes da Junta e Assembleia de Freguesia de Rossas (nas fotos), antiga Comenda da Ordem de Malta, no concelho de Arouca, distrito de Aveiro, no sentido de ajudar a esclarecer uma questão sobre a delimitação desta freguesia com a vizinha freguesia de Urrô, levantada aquando da realização dos inquéritos para os últimos Censos.

A questão, à semelhança doutras anteriores sobre o mesmo assunto, desta feita, foi despoletada pelo próprio presidente da Junta de Freguesia de Urrô, ao impedir os recenseadores de realizarem inquéritos em determinadas casas localizadas dentro dos limites da antiga Comenda e actual freguesia de Rossas. Para além de desconhecer a existência dos marcos implantados no terreno desde 1630, com a cruz oitavada de Malta e data de 1629 em relevo, aquele autarca revelou ainda desconhecer os Autos lavrados aquando da Demarcação, bem como a sua simples localização actual nos Arquivos da Universidade de Coimbra. O que se lamenta profundamente, uma vez que as autoridades daquela freguesia foram então convocadas para a Demarcação e nela participaram como consta dos referidos Autos, demarcando também assim a sua própria circunscrição no que toca aos limites com Rossas.

Com a nossa colaboração e com recurso a um trabalho realizado por Dom Domingos de Pinho Brandão, em 1950, bem assim como outro que temos actualmente em curso, não só se identificaram e fotografaram os marcos antigos, como também se verificou estarem estes de acordo com a localização original, constante do Auto lavrado em 1630.
Constatou-se assim, pela conformidade com os marcos implantados no terreno, a letra dos Autos de 1630 e 1656, e pela não apresentação de qualquer documento em contrário, que, neste diferendo e na área a que se circunscreve, assiste razão, mais do que documentada e comprovada, à freguesia de Rossas.

terça-feira, 8 de março de 2011

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

PERCURSO PEDONAL EM ROSSAS

Um calcorrear pelo passado histórico
da antiga Comenda da Ordem de Malta


Organizado pelo Grupo Cultural e Recreativo de Rossas (GCRR) teve lugar na manhã do Domingo, dia 6 de Setembro, uma caminhada pela Freguesia de Rossas, percorrendo alguns dos principais sítios com raízes históricas nesta antiga Comenda da Ordem de Malta. Paralelamente decorreu uma prova de BTT por trilhos rurais dentro da mesma Freguesia.Orientada pelo dr. António Jorge Brandão de Pinho, esta caminhada foi um autêntico calcorrear pelo passado histórico desta Freguesia e que foi agradável e culturalmente enriquecido por um vasto conjunto de interessantes dados históricos por ele recolhidos, através de um trabalho de investigação histórica que, oportunamente será publicado em livro.



Nessa manhã, a actividade física concretizada na caminhada ao longo de parte do percurso do rio Urtigosa, passando por meio de milheirais, subindo encostas, observando paisagens, parando em moinhos, lagares de azeite, fontanários ou casas senhoriais de antigamente, foi acompanhada e enriquecida com interessantes dados históricos referentes aos locais por onde os caminhantes iam passando.





Foi assim que os cerca de 4 dezenas de caminhantes puderam conhecer alguma da história da Casa de Terçoso e a curiosa lenda, a ela ligada, sobre o escravo Virgolino, trazido de Moçambique e que terá morrido dentro de um tonel de vinho dando assim origem ao dito popular “Quem me comeu a carne, também me há-de chupar os ossos”.

Um momento verdadeiramente cultural e que terá, certamente, surpreendido muitos dos caminhantes, foi a entrada no pequeno Museu de Arte Sacra, situado no rés do chão da Residência Paroquial e que é fruto da recolha iniciada e motivada pela preocupação pela preservação do património local de um dos últimos párocos de Rossas, o Pe. José da Rocha Ramos.


Por entre uma rica colecção de paramentos e de outras diversas alfaias religiosas, Brandão de Pinho chamou a atenção para a presença de um crânio aí exposto, aproveitando para fornecer interessantes dados biográficos sobre o último capitão da Ordem de Malta em Rossas, Feliciano António Ferreira de Vasconcelos, enterrado no adro da igreja paroquial, em 1873, de onde terá sido recuperado o referido crânio, já em finais do século passado.

Leia mais sobre esta caminhada na edição em papel do Semanário Discurso Directo, a sair na próxima 6ªfeira.
por Prof. José Cerca, in
Do Meu Mirante

domingo, 26 de outubro de 2008

Belver, depois de Leça e antes do Crato...

O Castelo de Belver tem na sua génese a concorrência de todo um conjunto de circunstâncias, que em si constituem o suporte da luta que os nossos primeiros monarcas encetaram pela consolidação da independência e expansão do território português, no sentido do sul muçulmano. O movimento da "reconquista cristã" na Península Ibérica, inserido no quadro do desenvolvimento e expansão da Europa dos séculos XII e XIII (as Cruzadas), está na origem da fundação do reino de Portugal, cujo território, constituído na luta antimuçulmana para sul, até à conquista do Algarve por Afonso III, que marcaria o fim de praticamente cinco séculos de domínio árabe em território hoje português. A outra frente desta mesma luta pela autonomia, situou-se no eixo oriental, contra as quase constantes ambições de absorção de Portugal por parte dos reinos vizinhos de Leão e Castela, que iam mantendo vivo o velho ideal da unificação cristã peninsular.Afonso Henriques, Sancho I, Afonso II, Sancho II, e Afonso III, são os monarcas que conduzem o processo de expansão e consolidação territorial, que se caracteriza essencialmente pelo primado da mobilização da máquina de guerra, em constante actividade, ora avançado para o sul, ora recuando, ao longo das linhas naturais que arduamente se defendiam. Fortificar, colonizar, seriam os vectores da política real, a melhorar a defesa seria a ocupação do solo por uma população estável, que a qualquer momento pudesse acorrer em sua defesa. Afonso Henriques havia conseguido notáveis progressos no avanço cristão em direcção ao sul, mas a ausência de uma política real de colonização tornou frágeis as possibilidades de defesa das praças conquistadas, nomeadamente no Alentejo. Assim sendo, a ofensiva árabe desencadeada por Iacub Al Mansur em 1190, fez recuar a presença cristã em solo alentejano até à linha do Tejo, com excepção de Évora.Essencialmente a preocupação de Sancho I no aspecto militar é consolidar o território cristão ao longo da linha do Tejo, dando-lhe possibilidades de defesa e, por isso mesmo, promovendo o seu povoamento progressivo. Na zona compreendida entre Santarém, Abrantes e Vila Velha de Rodão, ao longo do Tejo, vão-se desencadear diversas acções de povoamento e fortificação, cabendo à zona hoje ocupada por Belver, um papel essencial na defesa do referido eixo. Tal tarefa é atribuída pelo rei à Ordem Militar do Hospital, a quem faz a doação da zona chamada de "Guidintesta", que se estendia pelas suas margens do Tejo, denominada estrategicamente pelo ponto onde Sancho I manda erguer o Castelo de Belver. (Carta de Sancho I em 13/06/1194): ..."Vobis clomno Alfonso Pelagii Hospitalis... terra que vocatur Guidintesta, in qua concedimus vobis ut faciatis castellum cui imponimus nomen Belver".



Iniciado logo a seguir à doação do rei Afonso Pais, prior da Ordem dos Hospitalários, o castelo estaria concluído em 1212, passando a funcionar como Casa-Mãe daquela Ordem Militar, substituindo assim a anterior sede situada no Mosteiro de Leça. Segundo o testamento de Sancho I, citado na crónica de Rui de Pina, ficaria à guarda do prior do Hospital, na fortaleza de Belver, uma parte importante dos 500.000 maravedis de ouro e dos 1.400 marcos de prata destinados àquela Ordem, bem como as esmolas que o testamento previra. Segundo os historiadores, Belver teria funcionado como Casa-Mãe dos Hospitalários durante praticamente um século, até que em 1350 a sede muda para o Crato, por determinação de D. Álvaro Gonçalves Pereira, que era então o prior daquela Ordem. Em 1390, D. Nuno Álvares Pereira, chefe militar do rei D. João I, encarregou-se da ampliação e melhoramento do Castelo de Belver, sendo a traça destas obras aquela que permaneceu até aos nossos dias, em que se procedeu ao restauro completo deste monumento por parte da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (nos anos 40).Para fazer história deste Castelo, poder-se-á partir de três vectores fundamentais que determinaram a sua funcionalidade no tempo. Assim, em primeiro lugar, o Castelo de Belver encontra-se ligado ao sistema político-militar próprio do período inicial da História de Portugal, caracterizado pela conquista do território aos muçulmanos e implantação de sistemas defensivos nas zonas geograficamente estratégicas, de modo a consolidar pela defesa e pelo povoamento, o progressivo avanço do território português em direcção ao sul algarvio. A construção e a primeira fase da vida de Belver teriam estas características, que fundamentalmente dependiam do governo da Ordem Militar dos Cavaleiros do Hospital, que tal como as outras ordens religiosas militares se enquadra no espírito da reconquista e da cruzada próprios dos séculos XII e XIII.O segundo vector que determina a História deste monumento incide já nos finais do século XIV, em que uma vêz estabelecidas as fronteiras definitivas do território português e dominado o perigo muçulmano, se torna necessário garantir a defesa do território face a Castela, sendo essa intenção de Nuno Álvares Pereira quando, em 1390, desencadeia as obras de melhoramentos no perímetro do Castelo. A guerra com Castela, iniciada em 1383, que levaria D. João I ao trono de Portugal por oposição nacional às ambições do rei de Castela, teria o seu lance decisivo na batalha de Aljubarrota, em 14 de Agosto de 1385, mas no entanto, até que a paz fosse assinada em 1411, foi preocupação do rei e do ajudante do campo garantir ao máximo a estabilidade das fronteiras luso-castelhanas, fortalecendo e melhorando o seu sistema defensivo, como será o caso do Castelo de Belver em 1390.Finalmente com o passar do tempo, o Castelo foi perdendo a função de centro vital na vida política nacional. Tal como no resto do país, a vida urbana viria a impor-se, a guerra ganharia novas facetas do ponto de vista táctico, alterando-se o terreno e os meios a pelejar. O Castelo de Belver terá sido palco, ainda no século XV, de disputas relacionadas com a política interna, como é o caso do confronto entre Afonso V e o regente D. Pedro; no século XIV supõe-se que terá de algum modo tomado parte da resistência à ocupação filipina, ao lado de D. António que era o Prior do Crato. Daí em diante, o Castelo foi sendo progressivamente esquecido, até que nos nossos dias, em 1942, a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais procedeu ao restauro dos estragos que lhe causou o seu último e pior inimigo: o tempo. Merece especial referência neste conjunto monumental, e dentro do seu perímetro, a Capela de S. Brás, erguida perto da torre que defende a fachada norte do castelo, sempre preservada devido ao carinho com que a população sempre a tratou. De estrutura arquitectónica modesta e de pequenas proporções, a Capela de S. Brás tem como principal atractivo o seu belo retábulo do século XVI, construído com a finalidade de abrigar as relíquias que se encontram distribuídas pelos vinte e quatro nichos. este conjunto de talha profusamente trabalhado, de influência nitidamente renascentista é, sem dúvida, um dos mais valiosos que se encontram nas igrejas portuguesas, quer pelo seu valor histórico como pelo seu elevado sentido estético.

sábado, 6 de outubro de 2007

Frossos - Antiga Comenda da Ordem de Malta

Em 1 de Julho de 1709, Félix Soares é confirmado Capitão da Companhia dos Privilegiados de Rossas.

«O Infante Dom Francisco Grão Prior do Crato da Ordem e Miliçia da Sagrada Religião de São João do Hospital de Jerusalém neste Reino e Senhorios de Portugal etc. Fazemos saber aos que esta nossa carta patente de confirmação virem que havendo respeito à boa informação que nos foi dada de Félix Soares e nos representar por sua petição que o procurador do Bailio de Leça, Frei Filipe de Távora e Noronha, Comendador da Comenda de Roças, Frossos e Rio Meão, Oleiros e Alvoro Estreito, o tinha nomeado por Capitão da Companhia dos Privilegiados de Roças, de que juntou a dita nomeação feita pelo dito procurador Frei Manuel de São Carlos, Religioso de Santo Agostinho e Vigário Geral de Malta; para ter o seu cargo o exercitará e será diligente no Real serviço e no aumento e proveito dos ditos privilegiados, por todos estes respeitos esperamos dele que de tudo o que for encarregado nos servirá muito a nosso contentamento. Havemos por bem e nos apraz de o confirmarmos em o posto de Capitão da dita Companhia de Roças para que o tenha, sirva e administre enquanto nós o houvermos por bem e não mandarmos o contrário e gozará de todas as honras, dignidade, prós e percalços que juntamente lhe pertencerem e mandamos aos oficiais e soldados da dita Companhia o tenham e conheçam por Capitão dela e lhe seija dado o juramento de bem e verdadeiramente servir o dito posto, guardando em tudo o serviço de Sua Magestade e de suas armas, por firmeza do que lhe mandamos passar a presente que inteiramente se cumprirá, sendo primeiro assinada pelo Lugar Tenente e Bailio de Acre Frei Duarte de Almeida de Sousa e passada pela nossa chancelaria. Dada em Lisboa aos vinte e três dias do mês de Junho de mil setecentos e nove anos. Francisco Rebelo a fez escrever. O Bailio de Acre Frei Duarte de Almeida de Sousa. Carta patente de confirmação pela qual Vossa Alteza há por bem de confirmar a Félix Soares em o posto de Capitão da Companhia dos Privilegiados de Roças como acima se declara para Vossa Alteza ver. Registada no livro dos Registos a folhas cento e sessenta e sete. Rebelo.
Dom João por graça de Deus etc. Faço saber aos que esta minha Carta patente virem que tendo respeito aos merecimentos e mais partes que concorrem na pessoa de Félix Soares e a me representar por sua petição que o infante Dom Francisco Grão Prior do Crato, meu muito amado e presado Irmão, lhe fizera mercê de o nomear no posto de Capitão dos seus privilegiados de Malta da Comenda de Roças de que se lhe passara patente assinada pelo seu Lugar Tenente o Bailio de Acre Frei Duarte de Almeida e Sousa, pedindo-me que lhe fizesse merçe de o haver por confirmado no dito posto de Capitão, o que visto e esperar dele que em tudo o de que fôr encarregado me servirá muito a meu contentamento. Hei por bem de o haver por confirmado no dito posto de Capitão em virtude da nomeação referida, posto servirá enquanto eu o houver por bem e com ele haverá todas as honras, privilégios, liberdades, isenções e franquezas que distintamente lhe pertencerem, pelo que ordeno ao Governador das Armas da Província, em cujo distrito está a dita Comenda e mais cabos de guerra dela o tenham e conheçam por Capitão dessa Companhia da qual haverá posse e juramento do estilo e oficiais e soldados dela lhe obdeçam e guardem suas ordens tão inteiramente como devem e são obrigados no tocante a meu serviço em firmeza do que lhe mandei passar esta Carta por mim assinada e selada com o selo grande das minhas Armas, dada na cidade de Lisboa ao primeiro dia do mês de Julho. Manuel do Rego de Morais a fez ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil setecentos e nove».
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Documento retirado de "Rossas, Inventário Natural Patrimonial e Sociológico", de A. J. Brandão de Pinho

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Sernancelhe - Casa da Comenda da Ordem de Malta

Situada no Centro Histórico da vila e rodeada de alguns dos mais belos e antigos monumentos da região, a casa da Comenda é um magnífico exemplar da arquitectura do séc. XVII. A sua história associada ao desenvolvimento da Ordem Militar de Malta, que se instalou em Sernancelhe nos primórdios da nacionalidade e teve na Casa da Comenda o seu último Albergue.
A Ordem de Malta teve um papel preponderante na reconquista cristã e nas cruzadas do Ocidente e do Oriente, para além de ter acolhido e assistido, durante séculos, gente doente e carenciada.
A Casa da Comenda tem para sempre o seu nome inscrito na história dessa missão. Hoje, é na grandiosa e moderna unidade turística, que se sabe receber e convida a ficar.
É uma estância de turismo que dispõe de dez quartos com casa de banho completa e preparados para proporcionar o máximo de conforto, sala de jogos e garagem privativa.
Um amplo terraço, piscina, agradáveis espaços de passeio e a zona histórica circundante permitem ainda desfrutar de toda a tranquilidade e beleza características da região.
A casa da comenda está ao nível das melhores e mais modernas unidades turísticas do país. E tem o privilégio de estar situada numa região onde a história e a natureza se revelam numa grandiosidade inigualável.

sábado, 29 de julho de 2006

Marcos da antiga Comenda de Rio Meão

Ontem, ao fim-da-tarde, em mais uma das minhas visitas a Rio Meão, fiz uma pequena paragem nos limites da antiga Comenda de Malta (com Paços de Brandão) para averiguar da forma como foram colocados os marcos divisórios nesta Comenda e, já agora, para tentar encontrar alguns.
Em cinco minutos, seguindo a orientação adoptada na Comenda de Rossas (Arouca), e partindo doutro que já conhecia, ou melhor, que em Rio Meão todos conhecem, encontrei mais um marco (foto abaixo). Pese embora, ligeiramente inclinado (mas favorecido pela foto), trata-se de um belo exemplar em muito bom estado de conservação e perfeitamente perceptível.
Pese embora ainda não tenha tido acesso a nenhum Auto de Demarcação de Rio Meão, com base nestes dois exemplares, é possível concluir que a primeira Demarcação foi feita entre 1629 e 1630, tal como em Rossas (Arouca), e que o método adoptado foi idêntico ao seguido naquela antiga Comenda, de onde sou natural.
Ligeiramente diferentes dos marcos existentes em Rossas, os Marcos de Rio Meão, foram esculpidos em pedras de granito duro, sendo mais toscos no acabamento (o tipo de pedra adoptado nas demarcações varia consoante a pedra existente nas imediações, podendo ser utilizadas pedras de rochas distintas mesmo dentro da mesma Comenda. De resto, tal como sucede em Rossas, onde existem mesmo hábitos esculpidos em grandes rochas que coincidiam com os limites). A cruz de Malta sobressai de um quadrado rebaixado na pedra, figurando a data de 1629 logo abaixo.
Repare-se, que por esta altura (1629), Rio Meão e Frossos (em Albergaria-a-Velha) andavam associadas a Rossas que era a cabeça de Comenda